Em 31 de outubro de 1901, às 18 h, os canhões da Torre
Eiffel
anunciaram que o brasileiro
Santos
Dumont havia ganho
um prêmio de 100 mil francos com seu dirigível N-6.
Um dos imperativos da END
é a mobilidade.
O
Brasil tem dimensões continentais e faz fronteira com dez
nações, além de ter uma fronteira marítima
de 8 mil km. As Forças Armadas não têm como estar
presentes em todos os pontos ao mesmo tempo. Nesse caso, a mobilidade
é um fator mais que estratégico, é vital.
Portanto, o advento dos Dirigíveis Híbridos
Multimissão na Amazônia não pode ser visto somente
como uma necessidade, mas acima de tudo como um imperativo pela mais
fantástica mobilidade logística entre todos os meios de
transporte conhecidos na atualidade.
Quem
não é o Maior, tem
que ser o Mais Ousado.
(Roberto
Mangabeira Unger)
De acordo com um antigo projeto do EB chamado
"DIRIGÍVEIS
NA AMAZÔNIA", o dirigível
inflado com gás hélio (não inflamável)
permite grande autonomia e economia, sofre
baixa
interferência eletromagnética, é
mais seguro ecologicamente correto, oferece excepcional conforto aos
usuários, por estar livre de ruídos, além de ter
baixíssima vibração e boa visibilidade; tal fator
torna-o capaz de navegação diurna e noturna, inclusive
por instrumentos.
O dirigível oferece possibilidades de
cumprir missões de busca e salvamento, vigilância
aérea (AEW), patrulha fluvial e
marítima (ASW), apoio a
núcleos isolados na forma de Ação
Cívico-Social (ACISO), e, principalmente, transporte de pessoal
e material com enorme eficiência e facilidade, em
comparação com outros modais aéreos, terrestres e
marítimos, os quais deverão operar em conjunto, como
intermodais.
Exemplo
canadense de envolvimento orgânico com defesa
multidimensional entre meios navais e aéreos, como o DHM.
(Arte Leadmark )
O EB vem se preparando
desde 1990 para a introdução definitiva desse meio de
transporte
militar e já conta hoje com estrutura e equipagem de apoio
às
operações dos dirigíveis na Amazônia,
abrangendo
unidades militares em diversas localidades dos Estados do Amazonas,
Pará,
Amapá, Roraima, Acre, Rondônia e Maranhão.
SELVA !
A Amazônia é prioridade nacional.
Pode-se falar em 26 unidades no arco das fronteiras
com tais equipagens em um universo próximo a 62 localidades,
onde já encontram-se algo próximo a 30.000 homens do EB.
Amazônia - Vista a
partir do Pico da Neblina.
(Foto do EB)
Somente no
aspecto logístico militar de sua
operação, os dirigíveis serão destinados,
por um lado, ao transporte de equipamentos e produtos
necessários para a
construção e operação de obras de
engenharia, pequenas comunidades, bases
aéreas, navais e pelotões militares, e, por outro lado,
ao transporte
de veículos, embarcações, aeronaves, tropas, e
serviços (vigilância e patrulha) de proteção
e segurança de nossas extensas fronteiras.
De acordo com a simulação do DEFESA
BR, sua maior missão será a de suprir e
interconectar as diferentes Unidades e as operações realizadas pelas 3 Forças
Armadas na Amazônia, como FORÇAS INTEGRADAS
ORGÂNICAS operando com
enlace em redes, atendendo como ninguém tanto aos
Pelotões
de Infantaria de Selva do EB como aos NAVIOS-PATRULHA da MB,
dando-lhes a SINERGIA
LOGÍSTICA que nenhum outro meio ou intermodal
alcançará em tal região inóspita e
difícil.
FORÇAS INTEGRADAS ORGÂNICAS
pela Defesa da Amazônia
Em conjunto com estes, poderão ainda atuar
com superioridade como pequenos postos de saúde ou mesmo como
sofisticados hospitais móveis, atendendo às diferentes
comunidades espalhadas pelas regiões em exigível e
rápido desenvolvimento.
No aspecto de dirigíveis
civis (futuras reservas militares), tornar-se-ão ainda um
exemplar
meio suplementar aos serviços governamentais e aos atuais meios
de transporte para passageiros e carga na região, apoiando uma
efetiva colonização, nos moldes do PROGRAMA CALHA
NORTE (PCN).
Calha Norte é um planejamento a
longo prazo para o desenvolvimento econômico da região ao norte das calhas dos rios Solimões
e Amazonas, e a sua conseqüente
integração ao restante do país. Visa levar a assistência governamental aos moradores da
fronteira Norte do Brasil, numa ação integrada entre
militares e órgãos da administração civil.
Objetivo do PCN:
"Aumentar a presença do
Poder Público na região
ao norte do rio Solimões/
Amazonas, contribuindo
para a Defesa Nacional,
proporcionando assistência
às suas populações e
fixando o homem na Região”.
VÍDEO - A AMAZÔNIA
NOS PERTENCE (06:58
MIN)
DIRIGÍVEIS
HÍBRIDOS
MULTIMISSÃO (DHM) NA AMAZÔNIA
Na Amazônia, região de difícil
acesso por terra e mesmo por rios, repleta de áreas
úmidas, quentes e hostis a grandes equipamentos como tanques, o
diferencial
é a qualidade do equipamento pessoal do soldado, somado ao seu
treinamento e impecável conhecimento do terreno, mesmo com
cartas
e bússolas.
Além desse aspecto, o único
fator que realmente importa para o sucesso de suas variadas
missões é uma boa estrutura de LOGÍSTICA.
Nesse ponto, o DIRIGÍVEL é o meio ideal para esse sucesso (e ainda melhor
combinado com outros).
Na atual
simulação do DEFESA BR,
será utilizada a nova tecnologia dos DIRIGÍVEIS
HÍBRIDOS MULTIMISSÃO (DHM), com
versões de aeronaves pesadas (300 ton de
carga) e médias (100 ton), as quais
terão a capacidade de realizar pousos e decolagens verticais, em VTOL, em terra ou dentro
d'água (rios e oceanos).
Discretos pela altitude de operação e
sempre silenciosos, os dirigíveis híbridos
multimissão poderão operar tanto em pistas mínimas
ou helipontos, quanto em locais desprovidos de infra-estrutura
terrestre.
Poderão mesmo pousar e decolar de praticamente qualquer local,
inclusive atrás dos NAVIOS-PATRULHA de 1.000
ton. da MB nos rios e afluentes da Amazônia, quando poderão intercambiar pessoal,
suprimentos, equipamentos e veículos pelas rampas elevadas
interligadas
de ambos, conforme seus projetos conjuntos.
Como excelentes plataformas
multimissão, poderão executar diversas tarefas,
simultaneamente, e serão
o principal apoio às Unidades do EB na Amazônia,
auxiliando ainda os seus pares da MB no forte apoio aos Meios
Distritais da MB, Navios e Lanchas de Patrulha.
Os dirigíveis do EB e da MB
serão a plataforma
ideal,
persistente e vantajosa para
participarem com as aeronaves da FAB em um esquema intermodal com larga
vigilância aérea, fluvial e marítima, patrulhamento
geral e operação com enlace em redes.
Junto a uma Frota da MB, podem atuar como busca e
resgate, reconhecimento e análise
eletrônica, AEW, comando
e controle, ataque de míssil de precisão, guerra aérea, de superfície,
submarina, anfíbia, OTHT,
missões de suporte à frota, etc.
DHM Pesado, de 300 ton.
Todos os DHMs operarão em
esquema de C4ISR,
processando e coordenando
inteligência em toda a região fronteiriça e
na Área Marítima, ou seja, nas 2 AMAZÔNIAS.
O Brasil tem 7.491 km de
fronteira marítima. Em toda essa extensão, existe
a gigantesca Área Marítima Jurisdicional
que é
a
soma da Zona
Econômica
Exclusiva (ZEE) com a Plataforma
Continental. Juntas representam uma
área
econômica brasileira de
4.451.766 km2, que vem a ser maior que a metade
(52 %) do território
continental, de 8.511.965 km2. Essa fabulosa Área é
conhecida hoje como a AMAZÔNIA
AZUL, estando
destacada em
azul claro e escuro no mapa acima. Os rios da AMAZÔNIA VERDE
(região continental amazônica) também são
indicados.
(Arte Marinha
do Brasil)
Trata-se de uma plataforma superior, operando a
altas velocidades (acima de 150 mph em cruzeiro), por horas ou dias a
fio, grandes altitudes (acima de 20.000 metros) e com fantástico
alcance superior a 20.000 km. Opera também com grande capacidade
de detecção, transmissão de dados e mesmo de
aquisição de alvos a centenas de quilômetros
(até 500 km).
Possuindo armamentos modernos e atuando em grande número, eles
poderão ajudar a formar um sistema único no mundo, capaz
de alavancar em muito a ainda distante proteção oferecida
pelos sistemas SIVAM
/ SIPAM na AMAZÔNIA VERDE e SIDM
/ ASAT na AMAZÔNIA
AZUL.
Os discretos DIRIGÍVEIS
HÍBRIDOS MULTIMISSÃO, ou DHMs, eventual
ou permanentemente, serão até mesmo BASES MÓVEIS
AVANÇADAS, em que UM
dirigível híbrido médio com capacidade de 100 ton
de carga poderá estar configurado para manter ou mover de / para UM NAVIO-PATRULHA
MULTIFUNÇÃO SEIS
PELOTÔES
MÓVEIS do EB (de 70 tropas cada) e seus equipamentos,
inclusive
veículos especiais.
Tendo cada tropa o peso de 100 kg com seus equipamentos pessoais e
tendo 150 kg de armamentos pesados e demais cargas per capita, cada DHM
médio de 100 ton transportaria 42
ton com 420 homens e mais 58
ton de armamentos por viagem.
O efetivo normal de uma brigada é
de aproximadamente três mil homens. Na área
amazônica, ela
é constituída por três batalhões de
infantaria de selva (cada
um com cerca de 600 homens), e o restante da Brigada se divide entre as
tropas de apoio
(Artilharia, Engenharia, Comunicações
e Logística) e o Comando do efetivo.
Portanto, apenas UM
dirigível híbrido pesados para 300 ton de carga
terão a incrível capacidade, agilidade e economia
logística de transportarem com segurança DOIS
batalhões inteiros de infantaria de selva (600 homens cada).
Seguiriam ainda seus
equipamentos pessoais, além de demais armamentos e cargas -
simultaneamente - a um só
tempo, por longas distâncias em poucas horas, sem 1/10 do alarde
que navios, aviões e helicópteros fariam em muitos dias
de árduos e anti-econômicos esforços, com somente
5 % dos custos operacionais destes.
Cada DHM
pesado de 300 ton transportaria 125
ton com 1.250 homens e mais 175
ton de armamentos por viagem. Apenas 4
DHMs
pesados entregariam 5 mil homens no TO, UMA BRIGADA
COMPLETA
(com seus batalhões e tropas de apoio, podendo chegar a 5 mil
homens).
QUADRO DE
DIRIGÍVEIS HÍBRIDOS MULTIMISSÃO
FORÇA
|
MÉDIOS
100 TON
|
PESADOS
300 TON
|
EB
|
30
|
30
|
MB
|
20
|
20
|
TOTAL
|
50
|
50
|
Tais
dirigíveis em rede poderão beneficiar e alavancar ainda
mais uma parceria firmada em 2004 entre o EB e a EMBRAPA para a
construção do Centro Nacional de Pesquisa de
Monitoramento por Satélite - em
Campinas, a qual permitirá o avanço do setor de
Inteligência do Exército no uso de imagens e sinais de
guerra eletrônica - SIGINT - no
monitoramento da
fronteira. Para a agricultura, o
monitoramento permitirá vantagens como
a antecipação da safra.
Para uso civil, os dirigíveis híbridos serão a
plataforma ideal, veloz e barata para o transporte de passageiros e
cargas no Centro-Oeste e Norte, e entre o Brasil e os demais
Países da América Latina voltados para o Pacífico
e seus portos. Isso irá baratear em muito a logística
voltada para o Oriente.
Grandes florestas e a Cordilheira dos Andes não serão
mais barreiras. As indústrias não terão mais
necessidade de desmontar grandes equipamentos para as longas e custosas
viagens rodoviárias, favorecendo tremendamente a
logística e seus custos.
Seguem
algumas aplicações em que os DHMs são mais
versáteis e econômicas que os outros meios nos hoje quase
intransponíveis problemas
logísticos da ocupação civil e da
operação militar em regiões como a
Amazônica, mas atuando sempre com
ações integradas entre órgãos civis e
militares:
A) EMPREGO
MILITAR:
Bases móveis avançadas;
Operação
em esquema de C4ISR;
Vigilância
aérea
(AEW);
Patrulha, proteção e
segurança de fronteiras e extensas áreas;
Patrulha
e vigilância fluvial e marítima (ASW);
Missões de busca e
salvamento;
Guarda
Costeira;
Apoio em combate : busca e resgate, reconhecimento e análise eletrônica,
AEW, comando e controle,
ataque de míssil de precisão, guerra aérea,
de superfície, submarina, anfíbia, OTHT, suporte à frota, etc;
Suprimento e interconexão das diferentes unidades e operações
realizadas pelas 3
Forças Armadas;
Transporte de tropas e armamentos
pesados para as unidades;
Transporte de pessoal, veículos, embarcações, equipamentos e
materiais diversos para construção,
implantação
e operação de
pequenas comunidades, pelotões, quartéis, bases
aéreas, navais e fluviais; e
Socorro em situações de
emergência (desastres, enchentes, incêndios e outras
calamidades públicas).
B)
EMPREGO CIVIL:
Levantamento geográfico,
topográfico e pesquisas biológicas e minerais;
Desbravamento, transporte
de passageiros e cargas, colonização racional e
aproveitamento econômico com respeito ecológico de novos
espaços;
Transporte de recursos e produtos do
agronegócio (com uso intermodal intensivo);
Monitoramento
de safras, reservas
ambientais, linhas de transmissão de energia, etc;
Transporte de pessoal, veículos,
equipamentos e materiais para
construções pesadas e operação de
obras de engenharia, como
estradas, pontes, portos, aeroportos, usinas, canais, saneamento,
escolas, hospitais, reservatórios de
combustíveis, etc;
Assistência governamental a
núcleos isolados na forma de Ação
Cívico-Social, com
atendimento público móvel de diversos tipos : desde pequenos postos de
saúde a hospitais, correios, escolas,
bibliotecas, cartórios, polícia, justiça, etc;
e
Programas
turísticos, excursões e
até hotéis
móveis voltados ao ecoturismo, para o
desenvolvimento econômico local.
O
grande objetivo estratégico nacional de empregar-se DHMs
é permitir
que a
atuação conjunta de tantos órgãos militares
e civis possa levar a muitas amplas regiões hoje quase vazias a
presença do Estado brasileiro.
No caso da Amazônia, entende-se a necessidade
da criação de eixos de desenvolvimento integrados, onde
se possa operar telecomunicações, informática,
telemática, logística e energia, sempre com o objetivo de capacitar a fundo as suas muitas vocações -
agrícola, mineral, energética, e turística - para
que todas se reflitam com o tempo em seu amplo desenvolvimento e
integração ao Brasil. Com isso, será preservada a
nossa soberania na
AMAZÔNIA e os
DHMs serão fundamentais no processo.
VANTS E
O PROJETO AURORA
Há no mundo atual vastas pesquisas e desenvolvimentos sobre
VANTs
- Veículos Aéreos Não-Tripulados (Unmanned Aerial Vehicles - UAVs),
que
podem ser baseados em diversos tipos de aeronaves, como aviões,
helicópteros
e até dirigíveis.
Em 1996 o CenPRA
propôs o Projeto AURORA (Autonomous
Unmanned RemOte monitoring Robotic Airship),
ou seja, um dirigível robótico autônomo,
não-tripulado, para monitoramento remoto.
Dirigível do Projeto Aurora.
(Foto Sidney Pinto da Cunha)
Seu início deu-se em 1997, tendo como objetivos
principais
estabelecer tecnologia para a operação autônoma de
veículos aéreos não tripulados, usando
dirigíveis como plataforma, e desenvolver
aplicações de dirigíveis robóticos
autônomos em áreas como sensoriamento remoto,
monitoramento ambiental e inspeção aérea.
O Projeto Aurora foi planejado para ser um programa de longo prazo e de
múltiplas fases, prevendo uma evolução gradual em
termos tanto de capacidade de vôo, através
de dirigíveis de maior porte, quanto a de nível de
autonomia de operação.
Dirigível
estratosférico não
tripulado
ISIS para a USAF.
(Arte
Lockheed
Martin)
O objetivo do programa é alcançar
dirigíveis
robóticos autônomos e aptos a realizar
aplicações de grande duração, cobrindo
grandes áreas - como sensoriamento e monitoramento da
Amazônia, inspeção de milhares de km de dutos de
óleo, gás e de linhas de transmissão, etc.
Atualmente, os esforços de pesquisa visam estender as
estratégias de controle automático para incluir as fases
de decolagem, aterrissagem e vôo pairado, procedimentos que
nenhum dirigível no mundo é ainda capaz de fazer de forma
automática.
Outro domínio de pesquisa consiste em navegar o dirigível
por visão computacional, ou seja, capacitar o dirigível a
desenvolver trajetórias seguindo alvos visuais, indo além
das coordenadas geográficas atualmente em uso.
Os principais colaboradores do CenPRA são
o Departamento de Engenharia Aeronáutica da Escola de Engenharia
da USP/SC, o Departamento de Ciências da
Computação da UFMG, o INPE e a UNICAMP. Os
vôos experimentais são realizados na área da
2ª Companhia de Comunicação Leve do Exército,
em Campinas, que presta o seu apoio ao projeto.
Há ainda forte participação de
pesquisadores do Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa,
Portugal, e do Instituto Nacional de Pesquisa em Informática e
Automação (Inria) em Sophia Antipolis, França. A
cooperação internacional envolve também o
Instituto de Sistemas e Robótica em Coimbra, Portugal, e a
Universidade de Carnegie Mellon em Pittsburgh, nos EUA.
Como valor estratégico, o projeto se insere no esforço de
estabelecer no país um programa de VANTs, articulando de
forma estruturada os centros de pesquisa, universidades, empresas
desenvolvedoras, setores privados e governamentais como
usuários, e o governo
como responsável central pelo programa.
FONTES
& LINKS