A
Academia Militar das Agulhas Negras
- AMAN,
é um estabelecimento da linha de ensino militar bélico de
nível
superior, do Exército Brasileiro, responsável pela
formação dos
oficiais da ativa, futuros chefes militares, das Armas de Infantaria,
Cavalaria, Artilharia, Engenharia e Comunicações, do
Serviço de
Intendência e do Quadro de Material Bélico.
Com um curso de duração
de quatro anos, tem seu currículo estruturado
com Matérias de cunho estritamente militar (Ensino Profissional)
e
matérias de formação universitária comuns
às faculdades civis (Ensino
Universitário).
Depois desses quatro anos,
acontece a
entrega do espadim. O Duque de Caxias foi chefe militar e estadista,
sendo hoje reverenciado como Patrono do
Exército Brasileiro. A
espada dele, Marechal Luiz Alves de Lima e Silva, é
entregue miniaturizada ao Cadete, em
solenidade especial, como símbolo da honra militar, além
de representar o fim de uma difícil etapa vencida.
A AMAN existe desde 1944 e está
localizada às margens da Rodovia Presidente Dutra
(Rio-São Paulo), km 306,
no município de Resende, Estado do Rio de Janeiro, regiaõ
sudeste do Brasil. A Academia foi plantada à sombra do pico das
Agulhas
Negras, que lhe empresta o nome, e junto ao rio
Paraíba do Sul. Ela encontra-se a meio caminho das duas maiores
cidades do país, Rio e São Paulo.
As instalações da AMAN
já impressionam desde o lado de fora, com seu enorme
Portão Monumental e jardins à sua volta. É tudo
muito amplo e bonito. Tudo é feito visando a
formação do Cadete, jovem estudante militar e futuro
oficial, sendo preparado para comandar as
forças do Exército Brasileiro no futuro. O investimento
feito em cada aluno é muito alto, mas o retorno ao país
não tem preço.
HISTÓRICO
A AMAN
teve sua maior origem em 1792, com a criação da Real
Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho - primeira
escola militar das Américas. Ela foi instalada na cidade do Rio
de Janeiro, pelo Conde de Resende, aquele que empresta seu nome
à cidade onde hoje se encontra a AMAN.
Em
1808, a chegada do Príncipe Regente D. João e sua Corte
ao Brasil trouxe uma nova fase de desenvolvimento no Brasil
Colônia. Entre as iniciativas levadas a bom termo pelo Regente,
destaca-se a Carta Régia de 4 de dezembro de 1810, por meio da
qual foi criada a Academia Real Militar, e considerada a raiz
histórica da AMAN.
Era Ministro da Guerra o Conde de
Linhares, que providenciou a instalação daquele
estabelecimento no Rio de Janeiro, na Casa do Trem, atual Museu
Histórico Nacional, a 23 de abril de 1811 - data considerada
como do aniversário da AMAN.
Foi seu primeiro dirigente o
Tenente-Coronel Carlos Antônio Napion, atual patrono do Quadro de
Material Bélico do Exército. Em 1812, a Academia teve sua
sede transferida para um edifício do largo de São
Francisco, onde atualmente funciona a Escola de Engenharia.
Foi ali que estudou, entre 1818 e
1821, Luiz Alves de Lima e Silva - o Duque de Caxias - patrono do
Exército Brasileiro. Após a proclamação da
independência do Brasil, a Academia passou a denominar-se
Imperial Academia Militar, até 1832, quando teve seu nome
modificado para Academia Militar da Corte. Em 1839, passou a ser
denominada Escola Militar.
Já com a República
instaurada no País, depois de um período agitado entre
1922 e 1930, foi nomeado comandante da Escola Militar, agora no
Realengo, o então coronel José Pessôa Cavalcanti de
Albuquerque, que imprimiu profundas reformas na Escola: concedeu aos
alunos o título de cadete, criou o Corpo de Cadetes e seu
respectivo Estandarte azul turquesa, criou um uniforme
específico para o cadete - o "azulão", cópia de um
uniforme do Império.
O coronel Albuquerque também
idealizou o Espadim como arma de uso e privilégio exclusivo do
cadete, materializando-a como cópia fiel reduzida da espada de
campanha utilizada pelo Duque de Caxias como general - o símbolo
da própria honra militar.
Em 1931, o coronel José
Pessôa teve por ideal transferir a sede da Escola Militar para
Resende, buscando maior espaço físico e melhor
localização geoestratégica. Assim, uma vez que
é importante sonhar, mas o fundamental é transformar o
sonho em realidade, iniciou-se a construção da nova
Escola Militar em Resende em 1938.
Foi então criada a Escola
Militar de Resende e declarada extinta a Escola Militar do Realengo.
Dessa forma, teve início, em 1944, o funcionamento da Escola
sediada no município de Resende, sendo seu primeiro comandante o
então coronel Mário Travassos.
Em 23 de abril de 1952, foi assinado
um decreto que transformou a Escola Militar de Resende em Academia
Militar das Agulhas Negras (AMAN), concretizando a
aspiração do general José Pessôa, germinada
em 1931.
A
HISTÓRIA SECRETA DA AMAN
No
início de 1943, tempo de II Guerra Mundial, a
construção da AMAN havia parado por falta de verbas;
funcionava no Rio a velha Escola Militar de Realengo,
instituição que formou muitos militares conhecidos no
século passado, como Castello Branco e os outros generais
presidentes.
Naquela época uma das
diversões do cadete era montar nos dias de folga. Oito amigos
nos fins de semana costumavam cavalgar. Oito companheiros
inseparáveis saíam sempre juntos. Irmãos por
escolha, por opção. Em algumas noites eles
costumavam sorrateiramente cavalgar até uma boate de mulheres
que havia em Botafogo.
Certa noite, eles
montaram nos cavalos escondidos no mato e com um grito de comando
dispararam pela estrada de barro retornando a Realengo. Quando passavam
por uma rua, viram numa esquina escura quatro homens assaltando,
batendo num senhor que pedia clemência, que não lhe
matassem.
Os oito cadetes não precisaram combinar, puxaram as
rédeas e os cavalos dirigiram-se para o local do assalto,
desmontaram dos cavalos ainda a galope, e agarraram os bandidos. Dois
socorreram o cidadão que já devia ter mais de 50 anos, os
outros prenderam os marginais. O velho ferido foi deixado num hospital.
Na segunda-feira durante a formatura
matinal, o comandante da Escola pediu à tropa para que os
cadetes que tinham salvado a vida de um cidadão se apresentarem,
o filho desse senhor estava ali para agradecer. Os oito amigos
não se revelaram, receio de pegar cadeia. Só depois do
comandante muito insistir e promessa de não haver
punição, os cadetes se apresentaram.
Foram levados à presença do velho no hospital. Era nada
mais nada menos que Henrique Lage, um dos homens mais ricos do Brasil,
donos de empresas, inclusive o Loyde Nacional, companhia de navios que
fazia a costa brasileira.
O rico senhor agradeceu aos cadetes e perguntou qual a precisão
de cada um, eles dissessem o que queriam. Os oito amigos pediram para
pensar. Reuniram-se, discutiram muito. No outro dia foram ao
ricaço, nada queriam para eles, pediam que ele ajudasse a
terminar a construção da Academia Militar das Agulhas
Negras que estava paralisada.
O velho deu a ordem, mandou buscar o mais fino mármore de
Carrara na Itália para o revestimento, mandou comprar todo o
piso da Academia em granito. Até hoje perdura o luxo e a
suntuosidade daquele belíssimo conjunto arquitetônico.
A AMAN é considerada a mais bonita Academia Militar do mundo,
graças à digna história dos oito cadetes, hoje
anônimos militares reformados de nomes esquecidos, mas o belo
gesto, a coragem, o destemor e o amor à sua Escola tornaram-se
lenda, sempre lembrada nas reuniões militares.
(Estória escrita por Carlitos
Lima e condensada pelo DEFESA
BR)
DADOS
ÚTEIS
Local:
Rodovia
Presidente Dutra, Km 306, em Resende, RJ.
Coordenadas:
-22.453609, -44.449555 (Latitude,
Longitude)
Aniversário
: 23 de abril, data da
fundação da Academia Real Militar em
1811 (bicentenário anos em 2011).
Duração
do Curso: 4 anos
Idade:
Não completar 21 anos até 31/12
do ano da
inscrição para o
concurso.
Escolaridade:
concluído ou estar concluindo a
2ª
série do 2º grau
(Ensino Médio).
Matérias:
Português, Matemática,
Física,
Química, História Geral,
Geografia Geral e Língua
Estrangeira (Inglês ou Espanhol).
Formatura
: aproximadamente, 400 por ano.
Prova,
Inscrição e Vagas: não
definidas
VISITAÇÃO
A
AMAN é considerada a mais bonita Academia Militar do mundo e
é a maior de toda a América Latina. Pode ser visitada por
turistas, diariamente, no
horário das 08 h às 17 h.
Após a
recepção no Portão Monumental da AMAN, o turista
é conduzido à visitação por um cadete,
seguindo roteiro que lhe dará uma visão completa
da estrutura da Academia. Constam desse roteiro as seguintes
instalações:
- Saguão Rio Branco (identificar
os vitrais);
- Apartamentos históricos;
- Salão de Provas e seu anexo;
- Ala de apartamento de Cadetes;
- Laboratório de idiomas e bibliotecas;
- Instalações do Comando da AMAN e maquete;
- Teatro Acadêmico;
- Refeitório de cadetes; e
- Auditório General Médici.
No
caso de grupos e comitivas, é feito o agendamento da visita com
a
Comunicação Social da AMAN, pelos telefones (0XX24)
3388-4576, 3388-4574, 3388-4507, ou por e-mail: rp@aman.ensino.eb.br