MÍSSEIS PARA A
FAB
Até 2006, os caças da FAB
somente operavam com mísseis ar-ar de curto alcance, ou WVR. A FAB introduziu
mísseis BVR justamente com o F-5M,
procurando resgatar anos e anos de atraso tecnológico de combate
aéreo.
Um
míssil BVR seria
logo escolhido para ser usado em conjunto com o Piranha, que somente
há pouco tempo vem sendo entregue aos Esquadrões da FAB.
Sendo assim, o 1º F-5M foi apresentado com 4 mísseis
WVR, sendo 2 mísseis Python III nos cabides subalares
e 2 mísseis MAA-1 (2)
Piranha nas pontas das asas.
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na foto abaixo para ampliação)
Mísseis Python III
(cinza) e MAA-1 Piranha (azul) no F-5M.
(Foto André Finken Heinle
/ ALIDE, com permissão)
Os Python III
são antigos mísseis ar-ar de 3ª
Geração e possuem curto alcance de 15 km. Foram
fabricados pela empresa israelense Rafael e já eram usados nos
F-5, tendo passado por testes recentes na FAB
(Vídeo). Sua atual
versão
é o Python
5.
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na foto abaixo para ampliação)
Míssil Python 5.
(Foto Rafael)
(Clique
na foto abaixo para ampliação)
Míssil Python III em
cabide subalar do F-5EM.
(Foto André Finken Heinle
/ ALIDE, com permissão)
O MAA-1 Piranha é produzido pela
empresa brasileira Mectron e tem o curto alcance de 10 km.
Tendo levado décadas para ser desenvolvido, é um
míssil de 3ª Geração melhorado,
supersônico (Mach 3), de guiagem passiva, e com
detecção da radiação infravermelha do alvo
(saída do turboreator ou aquecimento cinético da
estrutura), o que possibilita o emprego no modo dispare e
esqueça.
A grande vantagem do Piranha é dispor de um detector IR de
5ª
Geração, o qual permite que seja virtualmente
impossível
o uso de engodos do tipo FLARE para enganá-lo.
(Clique
na foto abaixo para ampliação)
Míssil MAA-1 Piranha na
ponta da asa do F-5EM.
(Foto André Finken Heinle
/ ALIDE, com permissão)
A FAB tinha a
intenção
de adquirir 10 mísseis BVR R-Darter
com até 2 anos de vida útil a US$ 100 mil cada
diretamente da Força Aérea da África do Sul para
testes de tiros reais.
Em seguida, viriam novos mísseis BVR R-Darter para equiparem os
F-5M por US$ 1 milhão cada. Desenvolvido pela Denel
(África do Sul, ex-Kentron) e pela Rafael (Israel), o R-Darter é um
míssil BVR bastante ágil (capaz de manobras com
acelerações superiores a 50 G), guiado por radar ativo,
com peso de lançamento de cerca de 120 kg e um alcance
máximo superior a 60 km (míssil BVR de médio
alcance vai até 70 km).
Míssil R-Darter.
(Arte Denel)
O R-Darter
possui 2 modos de lançamento, ambos dentro do padrão
dispare e esqueça : o LOBL, quando o alvo
encontra-se a distâncias mais curtas, ainda dentro do alcance
visual, e o LOAL, quando o alvo
encontra-se além do alcance visual.
Entretanto, sua grande desvantagem é a impossibilidade do piloto
introduzir mudanças de rota após o disparo, devido
à ausência de Enlace de Dados, aspecto fundamental para os
planos da FAB.
MÍSSIL BVRAAM - DERBY
Com isso, a FAB
acabou decidindo equipar o
F-5M
com o míssil ar-ar Derby de alcance além do
visual BVRAAM e radar ativo de médio alcance. Ele
também opera em modos LOBL e LOAL.
O DERBY foi desenvolvido pela empresa israelense Rafael,
que já fornece o Python
à
FAB. Essa comunalidade é fundamental no momento da
arrumação
dos distintos mísseis na aeronave, no emprego e na cadeia
logística.
Os
primeiros mísseis de treinamento foram entregues em agosto de 2006 a fim de permitir
que a Força Aérea empregasse
suas novas armas no exercício
multinacional CRUZEX 2006, o que foi feito com enorme sucesso e
repercussão.
Com a chegada do Derby, o Brasil tornou-se 3ª força aérea
sul-americana a ter capacidade BVRAAM para seus caças de defesa aérea e o segundo
cliente do míssilna região (além do Chile). A Venezuela emprega o míssil russo R-77
(RVV-AE) da Vympel em seus
caças MiG-29 e Su-30.
(Clique
na arte abaixo para ampliação)
Esquema do Míssil Derby.
(Arte Rafael)
O Derby e o R-Darter compartilham de uma raiz comum do
desenvolvimento e, durante
os anos
90, Denel e Rafael tiveram um acordo de marketing para vender a arma em países
separados.
Sob este arranjo, a Rafael forneceu mísseis Derby ao Chile (que
arma
seu avião modernizado F-5E Tigre III), enquanto o Brasil foi designado como
um
mercado do sul-africano.
Míssil Derby em
versão SAM sendo disparado pelo
Sistema Spyder a partir de plataforma móvel.
(Arte Divulgação RAFAEL)
Entretanto,
os dois fabricantes seguiram caminhos
diferentes e a oferta da
Rafael chocou-se com a da Denel ao oferecer uma arma superior e levar o contrato do F-5M.
Ocorre que o míssil
Derby incorpora agora o tão ambicionado Data Link ou Enlace de Dados (devido aos R
99) para a orientação de meio-curso: uma capacidade
ausente no sul-africano R-Darter,
como já dito antes.
O Derby, sendo um míssil lançar e esquecer (fire and
forget), também pode ser lançado sem estar acoplado ao
alvo, em quaisquer condições meteorológicas. Ele
pode ser lançado e navegar pelo inercial e próximo da
posição presumida ligar o radar e realizar a busca pelo
alvo. Uma vez lançado, o míssil possui capacidade de
defesa eletromagnética.
O Brasil foi a 3ª
Nação que armou
F-5s modernizados com o Rafael
Derby, depois de Singapura e do Chile.
A partir da CRUZEX 2006, a FAB opera
oficialmente o quarteto: F-5M + Míssil
BVR Derby + R 99 A + Enlace de Dados. Este evento inclui a
FAB no seleto grupo de até 5 Forças Aéreas no
mundo que dominam o ambiente BVR e
operam aviões de controle e vigilância aérea como o
R 99 A.
Durante os
exercícios da CRUZEX 2006, no último dia de agosto, um
elemento de
F-5EM do 1º/14º GAV revoa com o Barão (KC-130) e,
em silêncio rádio, sobe para o nível 300, para
realizar uma PAC, ao sul de Goiás, próximo à
fronteira de Mato Grosso do Sul.
Mal inicia a espera GPA, o Guardião (R 99A), em missão AWACS na área, informa aos Pampas um plote na
antena norte, a 157 milhas. Um rápido check cruzado
entre os F-5M e o R 99 para verificar a situação
tática, e o Guardião paga um vetor de
interceptação
aos bivudos. Em poucos minutos, os inimigos brotam no display do
radar GRIFO do F-5EM, que,
a partir daí, começam a impor uma arena BVR aos
oponentes.
Informada pelos AWACS francês (E-3F) da presença
inoportuna dos Pampas, a escolta do ataque (dois Mirage 2000N e dois
A-4AR), composta por quatro Mirage 2000C, começa a jammear,
sem sucesso efetivo, o radar dos F-5M, enquanto assumem uma postura
defensiva. A tentativa de interferência frustrada só
auxilia o radar italiano a travar os alvos.
Com uma posição tática privilegiada, fruto do
planejamento antecipado com o R 99, os F-5EM do 1º/14º GAV
engajam e, em seguida, abatem dois Mirage 2000C e um Mirage 2000N com
mísseis DERBY.
Sob um cenário tático desfavorável, o comboio de
ataque evade-se sob orientação do E-3F, visando sua
autopreservação. Os F-5EM, então assumem uma
postura defensiva e iniciam o regresso, efetuando outro REVO antes do pouso em Campo Grande.
No exercicio RED FLAG 2008, em
Nellis, alguns F-5EM ainda incompletos, e sem contarem com os R 99,
conseguiram algo como 40 % a 60 % a mais de vitórias que os
americanos. Já o reabastecedor KC-137 jamais foi derrubado e
sequer encontrado.
VÍDEO
- FAB NA RED FLAG 2008 (03:08 MIN)
No Exercício
Red Flag 2008, o Ten Pimentel do
1º/14º GAV resumiu em uma só palavra o motivo
maior de estarem todos ali : "BRASIL".
(Vídeo CECOMSAER)
Excelentes imagens dos 4
caças.
(Vídeo NELLISSPOTTERS.COM)
MÍSSIL WVR - A-DARTER
Em fevereiro de 2006, foi anunciado um acordo entre Brasil e
África do Sul para uma união no desenvolvimento
contínuo do míssil ar-ar de curto alcance, ou WVR, A-DARTER, considerados de 5ª
Geração. Ele deverá ter uma manobrabilidade de
pico de 100 G.
(Clique
na foto abaixo para ampliação)
O Míssil Ar-Ar A-Darter.
(Foto Divulgação Denel)
Estão
sendo investidos só pelo Brasil cerca de US$ 100 milhões
no desenvolvimento do míssil A-Darter, ou Agile Darter (o “A” vem de “Agile”, ou “Ágil”).
O projeto
envolve a parceria industrial entre a empresa brasileira Mectron, de
São José dos Campos, construtora do MAA-1 Piranha,
e a sul-africana Denel Aerospace. A
SAAF e a FAB serão os primeiros clientes do A-Darter, que
deverá estar pronto para emprego por volta de 2010.
(Clique
na arte abaixo para ampliação)
BVR - LONGO ALCANCE
Feita a compra de 12 Mirage 2000 B&C com mísseis R 530,
ainda faltava à FAB a integração de radar e um
sistema BVR ativo ao seu Sistema de Enlace de Redes. Essa etapa foi
finalmente obtida com o F-5M e a introdução do Derby,
míssil BVR de médio alcance.
Sabe-se que o concorrente METEOR
(escolhido para Rafale, Gripen e Eurofighter) terá enlace de
dados de 2 vias para informar que o
míssil encontrou o alvo. Depois do disparo, ele
é guiado inercialmente na fase inicial. A guiagem de meio curso
pode ser melhorada com o enlace de dados de 2 vias que atualiza a
posição do alvo e o ponto futuro para ligar o radar.
O Meteor poderá receber atualização de um R 99.
Já dentro do alcance do radar, o míssil liga o radar
ativo para acompanhar o alvo até o fim a 100 km de
distância (BVR de longo alcance).
Míssil Meteor em um
Gripen, um real ABVRAAM.
(Foto MBDA)
Rafale M da Marine Nationale Française
com Meteor sob a asa.
(Foto MBDA)
Um caça
moderno deve ter capacidade multi-alvo e para tal precisa poder atirar
vários mísseis ao mesmo tempo. Ajuda bastante na
sobrevivência ter aviônicos superiores como
designação de alvos por terceiros e mísseis
ABVRAAM com enlace de dados.