INTRODUÇÃO
Em
7 de Setembro de 2009, os
governos Lula e Sarkozy divulgaram nota conjunta dos dois
países finalmente confirmando que o Brasil iria adquirir 36
caças
Rafale F3. O anúncio oficial significaria o encerramento do
processo FX-2 de
seleção feito pela FAB. Poucas horas depois, foi
noticiado que a concorrência ainda levaria mais algum tempo.
Clique e conheça a
Aliança Estratégica Brasil - França
Uma Visão Integrada.
(Arte Centro Europeu)
O
Projeto FX-2 pretendia reequipar e renovar a
Aviação
de Caça da Força
Aérea Brasileira (FAB),
beneficiando inicialmente o 1º
Grupo de Defesa Aérea - 1º GDA - JAGUAR.
Tratou-se de um processo já
antigo, tendo sido montado um extenso e
público processo licitatório internacional, tido como "interminável", remontava ao
incrível e distante ano de 1998. Iniciado no Governo FHC, o
Projeto FX BR
previa a compra de 12 supersônicos com a
transferência de tecnologia do fabricante para a FAB, que
culminaria em um total final de 120 unidades, fabricados no Brasil.
As propostas iniciais do FX foram apresentadas em 2002.
Houve a mudança de Governo. Após idas e vindas, o Governo
Lula solicitou novas propostas sem demonstrar convicção,
as quais perderam validade
em 31 de dezembro de 2004, e o Brasil
não solicitou mais qualquer renovação, encerrando
a concorrência, tida por todos como um verdadeiro
"papelão" a nível mundial.
Desde que se decidiu pela "Meia-Sola Francesa" em 2005, circulava no mercado
internacional de Defesa a informação de que Lula
e Chirac teriam assinado um protocolo reservado por meio do qual o
Brasil exerceria em 2007 uma opção de compra sobre os
caças Rafale.
Na cerimônia de incorporação dos primeiros Mirage
2000 ao 1º GDA, em 04 de setembro de 2006, Lula sinalizou retomar o Projeto FX BR. Por um lado, era
véspera de 7 de Setembro, mas por outro lado, também era
véspera das eleições presidenciais :
"Mas o
planejamento estratégico de nossa
defesa inclui a chegada futura do FX,
imprescindíveis elementos de avanço
tecnológico para a Força Aérea."
Seja como for,
o Brasil não irá a lugar algum apenas pensando em
pequenas aquisições condicionadas a uma improvável
e fantasiosa transferência de tecnologia. Somente alcançará seus objetivos
se abrir os olhos para reais parcerias de desenvolvimento, caminhando
aí sim para obter tecnologia própria no futuro.
O ministro da Defesa,
Nelson Jobim, participou do programa Bom
Dia Ministro, no dia 5 de fevereiro de 2009, quando lançou duas novidades: a volta
do Su-35 e do Eurofighter europeu ao FX-2 e o interesse nacional pelo
desenvolvimento de um caça de 5ª Geração.
Este seria criado pela Embraer junto com a empresa vencedora do FX-2.
Isso comprova que o Brasil está mesmo fora do PAK FA russo.
Com essa novidade de mais
2 candidatos na short list,
somente em agosto o MD
teve em mãos uma decisão final da escolha
técnica, das opções técnicas da FAB.
Depois, o governo Lula tomou a decisão política,
finalmente anunciada em 7 de Setembro, com a presença
do presidente francês, Nicolas Sarkozy.
Rafale Animado.
CONFIRMADO RAFALE F3 !
Em 7 de Setembro de 2009, os
governos Lula e Sarkozy divulgaram nota conjunta dos dois
países finalmente confirmando que o Brasil iria adquirir 36
caças
Rafale F3. O anúncio
oficial significaria o encerramento do
processo FX-2 de
seleção feito pela FAB. Poucas horas depois, foi
noticiado que a concorrência ainda levaria mais algum tempo.
A decisão foi tomada durante uma reunião do presidente
Lula com o colega francês Nicolas Sarkozy,
no Palácio da
Alvorada, no dia da Festa da Independência, na qual os franceses
também desfilaram em Brasília.
Como já era previsto, mesmo com o desmentido inicial, a
França venceu a disputa dos
caças e pretende adquirir aviões do Brasil, tornando os
dois países “parceiros estratégicos também no
domínio aeronáutico”.
O presidente Sarkozy declarou que a França irá adquirir
10 unidades do avião de transporte militar KC-390, com
industriais franceses contribuindo para o desenvolvimento desse
programa.
A parceria começaria pelo Rafale, seguiria pelo KC-390 e outros
projetos seriam anunciados com o tempo. Parece que Sarkozy conseguiu e
os projetos se estenderão a muito mais que o FX-2. Como
já dito acima, poderá ser uma grande aliança
industrial e científica de fins militares com ampla
independência dos americanos, russos e mesmo chineses.
O FX-2 E OS
CONCORRENTES
Em abril de 2007, foi noticiado
que a
FAB estaria se preparando para anunciar a aquisição de 20 caças Rafales, devendo ser 14
monoplaces e 6 biplaces.
Em agosto de 2007, houve boato que seriam 28 unidades do Rafale
F3, acompanhados de mais 12 Mirage 2000C/B. Isso definiria de vez o
futuro do
caçador da FAB em prol dos franceses.
VÍDEO -
DASSAULT RAFALE (04:10 MIN)
Já em outubro de 2007, passou-se
a falar em 36 unidades orçadas em US$ 2,2 bilhões (US$
61 milhões cada), com as preferências divididas entre o
Rafale F3 e o Su-35. Ganharia aquele que transferisse mais tecnologia.
Pareciam melhorar as chances dos russos, o que já demonstrava
haver
extenuantes negociações diplomáticas por
trás da cena.
A
torcida do DEFESA BR ainda
é apenas por inteligência e
legitimidade da escolha !
Para esse aumento
para 36 caças, existiria o "Fator Chávez" com suas compras de armamentos em grande
escala e atração da Guerra Fria para a América do
Sul. O "Fator Chávez" mostrou à sociedade brasileira
que ela
não conta com Defesa à altura do País há
décadas.
Entretanto, o explosivamente crescente transporte de autoridades pelo
sobrecarregado GTE nem chega a ser uma obrigação
constitucional, mas é uma atividade da FAB que hoje vai de vento
em popa.
Essa compra do concluído FX-2 poderá ser bem superior, pois o FX
original objetivava a montagem no Brasil sob licença, em uma fase seguinte, de 84 aeronaves de modelo já
aperfeiçoado ao inicialmente escolhido, vindo a totalizar 120
aeronaves de interceptação. Só Chávez planeja
chegar a 150 Su-30 e Su-35BM para a sua Venezuela.
Uma aquisição menor
que essa não ensejará montagem local nem poderá
contar com plena transferência de tecnologia. Mesmo 120 unidades
produzidas aqui sob licença não garantirão
transferência de tecnologia atualizada, isso é muito
improvável de acontecer.
Na primeira fase do FX-2,
chamado pela FAB de 1º Lote, o
Brasil selecionou em 2009 e importará somente 36 unidades
do Rafale F3, caça de Quarta Geração, para
entregas iniciando
somente em 2014 ou 2015.
Havia até o dia 2 de
fevereiro de 2009, apenas 3 finalistas :
A escolha desses finalistas foi
divulgada
em 1º de outubro de 2008 e a entrega das propostas finais deu-se
em 2 de fevereiro de 2009. Apenas dois dias depois, em 4 de fevereiro,
o ministro Jobim reuniu-se com representantes da Rosoboronexport russa,
quando aceitou a volta
do Su-35 e do Eurofighter europeu ao FX-2, praticamente rasgando a short list dos 3 finalistas e
remontando outra de 5 caças.
Desde o dia 4 de fevereiro de
2009, haveria então 5 finalistas no FX-2 :
Dassault da França - Rafale
F3,
SaaB-BAE (Suécia-UK)
- JAS-39 Gripen NG,
Boeing dos EUA - F/A-18 E/F Super
Hornet, e
Consórcio Eurofighter europeu
(Alemanha, Itália,
Espanha e
Inglaterra) - EF-2000
Typhoon.
A transferência completa das
linhas de código dos softwares dos concorrentes era um
ponto básico nas exigências brasileiras. A FAB
também colocava mais ênfase em autonomia na
manutenção dos sistemas e não em
produção sob licença.
Seria interessante que, em nome da transparência do processo de
seleção, a FAB tivesse mostrado a previsão dos
custos de
manutenção para os próximos 30 anos dos 3
finalistas.
(Clique na arte abaixo para
ampliação)
Alguns
detalhes do Rafale que o Brasil estaria para adquirir,
segundo a Isto É de 28 de agosto de 2007.
(Arte Revista Isto É )
CARACTERÍSTICAS
DOS 3 FINALISTAS
Características
|
Rafale
F3
|
Gripen
NG
|
F/A-18
|
Dimensões
(Envergadura x Comprimento x Altura - m)
|
10,9
x 15,3 x 5,0
|
8,4
x 14,1 x 4,5
|
13,6
x 18,3 x 4,8
|
Peso
Máximo (kg)
|
24.000
|
16.000
|
29.900
|
Carga
Bélica (kg)
|
8.000
|
6.300
|
8.000
|
Velocidade
(km/h)
|
2.125
|
2.126
|
1.915
|
Alcance
Máximo (km)
|
3.125
|
4.070 |
3.700
|
Raio
de Ação (km)
|
1.055
|
1.850
|
1.231
|
O F/A-18 E/F da Boeing na
disputa final poderia nada significar, pois suas
chances eram quase nulas, devido à tradicional
restrição americana a transferências de tecnologia
militar.
VÍDEO - 62º FPB - TECNOLOGIA MILITAR
(43:44 MIN)
62º FPB - Tecnologia
Militar - A
Defesa e o Novo
Plano da Política
Industrial - 17/12/2008. Relato
da infinita série de embargos americanos ao Brasil.
O Gripen, um avião
pequeno que foi reformulado para ter
maior autonomia de combate, estava no mesmo rol, pois boa parte de
seus componentes era de origem americana, a começar pelo
seu único motor.
O maior problema do Gripen é o curto
alcance, com sua baixa autonomia tornando-o inviável para um
país continental com a extensa Amazônia sendo sobrevoada
com um único motor.
Ressalte-se que, em 2009,
muitas empresas brasileiras aderiram ao projeto, o que parece levar a
uma segunda opção de compra pelo governo brasileiro
após o FX-2.

As bandeiras do Gripen
NG BR.
(Arte SAAB)
A vantagem
do Rafale foi justamente em jamais contar com fornecedores
americanos.
No meio desse jogo, o Brasil já estava montando com a
França
uma grande parceria estratégica baseada no Plano
Estratégico de Defesa Nacional.
Resumindo, o Rafale
parecia já ter sido escolhido há tempos, e os outros 2
teriam sido selecionados apenas para formalizarem uma
concorrência para o FX-2. Porém, continuaram as
críticas do mercado sobre o Rafale,
pelo alto
custo de compra e de manutenção.
Mas, uma coisa é
certa. A França tem razões para ser mais generosa com o
Brasil. Ela tem a Venezuela de Chávez ali do lado e é
dispendioso reforçar suas guarnições na Guiana
Francesa.
A grande decisão do FX-2
tinha vindo em 1º de outubro de 2008, quando o MD e a FAB
descartaram o Su-35BM. Em 7 de Setembro de 2009, o Rafale F3 venceu a
guera do FX-2.

VÍDEO
- FX-2 NO FANTÁSTICO - 1º NOV 2009 (10:14 MIN)
SEM E COM O SU-35BM
RUSSO
O Brasil inteiro ficou surpreso com a notícia da saída do
Su-35BM Super Flanker antes da última etapa do FX-2, gerando
reclamações e indignação geral, não
importando se a decisão teve base política ou
técnica.
Examinando-se pelo lado político, vê-se que os russos
poderiam ter avançado no processo seletivo da FAB,
porém ao tentarem intimidar os EUA com manobras navais conjuntas
com a Venezuela no Caribe, deram um tiro no pé e a Venezuela
ficou sendo o seu único mercado potencial na America
Latina.
É dito no meio que,
graças ao
"Fator Chávez"
e sua crescente aproximação militar com a Rússia,
diplomatas americanos teriam feito chegar ao governo brasileiro,
sinalizações de que Washington não reagiria bem a
uma eventual escolha russa.
A pressão teria sido velada, incluindo no rol de
retaliações hipotéticas limitações
de fornecimento tecnológico a empresas brasileiras como a
Embraer, mas a mensagem central foi a de que a opção
francesa não seria mal vista - e isso poderia acabar definindo
o vencedor.
Já em uma versão técnica, teria havido diversos
problemas na escolha
russa, que vão de uma logística extremamente diferente da
ocidental, em que a manutenção seria um pesadelo,
até fadigas de peças devido ao seu alto esforco
estrutural. Havia ainda dúvidas na possivel
integração de componentes ocidentais.
Também fala-se que, no momento decisivo da escolha dos
três finalistas, a intenção de transferência
de tecnologia do Su-35BM
pelos russos não se confirmou. Podem ter considerado essa
proximidade entre brasileiros e americanos.
Dizem ainda que os russos não estariam cumprindo prazos de
alguns
contratados com a Índia, além de haver casos de supostos
aviões recuperados e entregues como novos. Mas são
justamente os indianos que estão fechados com os russos no PAK
FA. O Brasil deixou esse fantástico projeto
de 5ª Geração, pois o contrato com os russos
não foi
assinado.
No dia 2 de outubro de 2008, o Ministério
da Defesa soltou uma nota negando influência política dos
americanos na decisão, afirmando ter ela sido "fundamentada em critérios
técnicos exaustivamente analisados e elaborados pela
Comissão Gerencial do Projeto F-X2, tendo por base a
transferência de tecnologia."
Entretanto, a Folha de
São Paulo reafirmou suas suspeitas, dizendo que os militares
brasileiros não querem passar a impressão de estarem
alinhados com os "bolivarianos", seus antípodas
ideológicos.
Disse ainda o jornal que, "além disso, Washington fez chegar,
pelos sempre discretos canais diplomáticos, ao governo
brasileiro a noção de que a escolha dos russos não
seria do seu agrado. O recado dos Estados Unidos: antes o francês
Rafale, já que a tradicional resistência americana a
transferir tecnologia reduz as chances do F-18, do que os russos."
Tudo parece ter mudado nos
bastidores da política internacional com a mudança de
governo nos EUA, tendo o presidente Barack Obama tomado posse em 20 de
janeiro de 2009. Duas semanas depois, o Su-35BM era parcialmente
reaceito no
FX-2 brasileiro, de acordo com as palavras
do ministro Jobim no
dia 5 de fevereiro de 2009. Com a decisão pelo Rafale, em
7 de Setembro de 2009, os russos terão sumido de vez?
O PROBLEMA DA
PREVENÇÃO DE USO
Há um tipo de prevenção que, praticamente, todo
fabricante de equipamentos militares sofisticados adiciona nos
softwares embarcados de caças de forma a previnir o seu uso
contra os países fornecedores.
Esse equipamento sempre tem uma ou mais vias de
comunicação com o meio externo. Um míssil, por
exemplo, pode receber informações do radar da aeronave
lançadora para atualização de trajetória
(apesar de não ser necessário isso, pode inclusive ser
feito com os fire and forget, aumentando a precisão).
Esse mesmo canal de comunicação com o radar pode ser
usado por quem o conhece (o fabricante), para, usando códigos de
segurança previamente estabelecidos, enviar
informações ao míssil. Essa
informação pode, por exemplo, comandar o
desativação da espoleta de detonação da
carga explosiva, ou apagar os dados de guiagem.
O satélite não é a única forma de se
estabelecer esse tipo de comunicação com as armas. Isso
pode ser feito através das mais variadas frequências de
rádio. A vantagem do satélite é o alcance global.
Em qualquer lugar do globo em que a arma estiver, assim que seu sistema
operacional for ativado, a arma pode ser posta "fora de
serviço".
No caso de comunicação por outros meios (rádio), a
arma precisa estar perto da fonte para estabelecimento de
comunicações. No caso de mísseis, esse perto pode
significar em rota de interceptação após o
lançamento. Há muitos boatos de que foi usado esse
recurso nos EXOCETs argentinos. Alguns erraram o alvo, outros, apesar
de terem atingido o alvo, não detonaram.
Os ingleses teriam solicitado os códigos de
desativação aos franceses, evocando a aliança da
OTAN. Entretanto, tinham que esperar os mísseis serem
lançados e se aproximarem perigosamente dos seus navios para
enviarem o código de desativação.
No caso de caças, há vários canais de
comunicação com o ambiente externo. Várias
antenas, UHF/VHF, RWR, e o próprio radar, entre vários
outros canais de estabelecimento de comunicações com os
mesmos.
Certamente, existe esse recurso nos três caças do FX-2,
assim como em qualquer caça moderno. A diferença é
que os EUA possuem uma rede de satélite global, tendo capacidade
de desativar os caças assim que eles decolarem de suas bases. No
caso de franceses e suecos, o uso desse recurso é mais restrito.
Em tese, esses dois países só usariam esse recurso em
caso de serem atacados com suas armas ou um aliado de peso, que
exerça forte pressão para o fornecimento dos
códigos (como no caso das Malvinas).
Já os EUA, até por serem a maior potência
econômico-militar do mundo, assumindo postura de maior
ingerência, fariam, em tese, um uso muito mais generalizado desse
recurso, isto é, sempre que fossem contrariados minimamente seus
interesses no uso dessas armas pelo Brasil.
Além disso, todos os caças modernos ocidentais fazem uso
de sistema de navegação por satélite (GPS). Nesse
caso, o sistema de posicionamento/navegação solicita
dados de posicionamento aos membros da constelação no
visual (não cobertos).
Cada sistemas de GPS possui um identificador exclusivo (como os chips
de celular). Dessa forma, fica acessível aos operadores da
constelação de satélites (NASA/EUA) a
localização de cada sistema de GPS no globo.
Sendo assim, cada um dos Super Hornets que o Brasil eventualmente
comprasse seria localizado imediatamente e em tempo real assim que
ligasse o sistema operacional (antes mesmo de decolar).
Esse é o motivo porque Rússia e China, por exemplo, mesmo
que lhes fossem oferecido o uso do sistema GPS de graça e com
precisão máxima (sem nenhuma degradação
intencional), não aceitariam sob hipótese alguma.
É por isso também que o projeto GLONASS foi um dos poucos
que foi mantido a um ritmo no mínimo razoável, apesar de
todo o caos sócio-econômico durante a queda da URSS. E
é por isso também que os europeus estão
desenvolvendo o sistema GALILEO. Apesar de aliados dos EUA, eles
não se sentem nem um pouco confortáveis com essa
situação.
Os EUA, por serem a maior potência política,
econômica e militar do mundo, são naturalmente a maior
ameaça potencial. Isto é, eles têm capacidade, mas
para essa capacidade se materializar em verdadeira ameaça
é necessário que eles assim o decidam, e ficar na
dependência da boa vontade dos outros não é boa
situação a qualquer nação do mundo.
A HISTÓRIA DO PROJETO
FX BR
No início de 2005, o Governo
Federal deu por encerrada a disputa pelo Projeto
FX BR (2),
de reequipamento e renovação da Aviação de
Caça da FAB.
Esse processo antes tido como "interminável" remontava a 1998,
quando começaram a ser definidos os concorrentes. Sua origem
oficial vinha de agosto de 2001.
As propostas iniciais do FX,
apresentadas em 2002, tinham ficado ultrapassadas por uma
interrupção iníciodesde o do Governo
Lula em janeiro de 2003 e passaram por uma adequação aos
interesses especificados pela FAB em dezembro de 2003.
O pacote de offset
(compensação comercial, industrial e tecnológica)
de cada concorrente sofreu alterações importantes. O
nível de transferência de tecnologia ainda era o aspecto
mais
crucial em todo esse processo.
O Projeto FX BR previa a substituição da atual e
obsoleta frota de 16 Mirage III EBR/DBR (F-103) pertencente ao 1º
Grupo de Defesa Aérea - 1º GDA - JAGUAR - responsável pela superioridade aérea e
interceptação de aeronaves hostis em território
nacional. Deveria ter sido feita uma compra inicial de 12 caças
a serem fabricados no País de origem.
As empresas que disputaram o contrato da FAB, inicialmente avaliado em
US$ 700 milhões, foram :
Dassault / Embraer (França)
- Mirage 2000 BR,
SaaB-BAE / Varig (Suécia-UK)
- JAS-39 Gripen,
Lockheed Martin (EUA)
- F-16,
Rosoboronexport / Avibrás
(Rússia) - Sukhoi Su-35, e
Mikoyan-Gurevich / RAC
(Rússia) - MiG-29.
Todas as concorrentes haviam
retomado o processo de seleção para 2004 e receberam
instruções relativas aos novos procedimentos que iriam
regular a realização das atividades.
A seguir, o F-16 e o MiG-29 foram desclassificados. A decisão
final deveria ter sido tomada em junho
de 2004, mas não houve mais notícia importante
até seu encerramento em 2005.
Sabia-se que a melhor proposta tinha sido a da empresa Avibras, com o SU-35 Super Flanker, inferior a US$ 700 milhões,
enquanto a da Embraer com o Mirage 2000-5 BR teria ultrapassado US$ 1
bilhão.
Entretanto, o projeto
franco-russo de família de aeronaves regionais conhecido como
RRJ (da própria Sukhoi) jogou suas chances no F-X BR
por terra. As insistentes barreiras políticas à
carne brasileira só agravaram mais o quadro.
O Presidente da Rússia,
Vladimir Putin, visitou o
Brasil em 22 de novembro de 2004, e pairou no ar que nada mais iria
avante entre os dois Países no âmbito do Projeto F-X BR, o
que viria a se confirmar alguns meses depois.
Em 31 de dezembro de 2004, as propostas perderam validade e o Brasil
não solicitou renovação, encerrando a
concorrência.
PROJETO MEIA-SOLA
Já cancelado o Projeto FX BR, em março de 2005 surgiu
forte especulação sobre uma rápida decisão
entre usados Mirage
2000C, F-16A e Su-27, que entrariam em serviço em poucos
meses, visto que os Mirage III estariam sendo desativados ao final
daquele ano.
O Estado-Maior da FAB
recebeu propostas endossadas pelos Governos da França, dos
EUA e da Rússia. Inicialmente, a França encaminhou uma
oferta da Força Aérea dos Emirados
Árabes Unidos de 12 Mirage 2000C, ao preço
unitário de US$ 15 milhões (total de
U$ 180 milhões).
Depois, colocou aeronaves de sua própria frota em oferta. Seriam
12 caças Mirage 2000 usados no valor de US$ 60 milhões, a
um preço unitário bem inferior, de apenas US$ 5
milhões. Eles estariam em uso pela Armée de l'Air, e
seriam 10 Mirage 2000C monoplaces de interceptação e 2
Mirage 2000B biplaces de treinamento.
Os americanos apoiariam a venda de 43
caças F-16A modernizados das forças aéreas da
Holanda
(29 unidades) e da Bélgica
(14).
Seriam aparelhos com custo baixo, de US$ 6 milhões
(total
de U$ 258 milhões).
Os russos
renovaram a proposta de venda de 12 Sukhoi
Su-27 ao Brasil, feita inicialmente em 2002.
Os aparelhos fariam parte do estoque estratégico da força
aérea russa e estariam
orçados em US$ 10 milhões cada (total de U$ 120
milhões).
No final de maio de 2005, a revista francesa Air & Cosmos publicou
: "Um Acordo Iminente", abaixo
livremente resumido :
"De fonte brasileira, amplamente
utilizada pela imprensa local, o
Brasil teria concordado com a proposta francesa para a venda de ocasião (usados), com
preço bem razoável, de Mirage 2000C/B com radar RDI, retirado dos estoques da Armée de
l'Air (Força Aérea Francesa)."
"Um acordo de princípios
já teria sido firmado e o contrato oficial estaria previsto para a ocasião da visita do
Presidente Lula à
França, convidado de honra do Presidente Jacques Chirac para as festas nacionais francesas de
14 de julho."
"A venda compreenderia um total
de 16 aparelhos - 14 Mirage 2000C monoplaces de
interceptação e 2 Mirage 2000B biplaces de treinamento - cujo montante de US$ 80 milhões seria
pago em um período de 15 anos (US$ 5 milhões por
aeronave). Haveria ainda um contrato
ao qual se adicionaria em torno de US$ 50 milhões para atualizar
os aviões com uma
padronização brasileira."
A atualização dos 16 Mirage 2000C/B para um
padrão brasileiro por US$ 3,125 milhões por aeronave significaria
uma padronização com
o datalink usado pela FAB e
compatibilização de armamentos, como a do BVR
a ser usado pelos F-5 EM, ou até mesmo uma
adaptação para o moderno míssil BVR MICA francês.