Seja como for,
o Brasil não irá a lugar algum apenas pensando em
pequenas aquisições condicionadas a uma improvável
e fantasiosa transferência de tecnologia. Somente alcançará seus objetivos
se abrir os olhos para reais parcerias de desenvolvimento, caminhando
aí sim para obter tecnologia própria no futuro.
O FX-2 E OS
CONCORRENTES
Em abril de 2007, foi noticiado que a
FAB estaria se preparando para anunciar a aquisição de 20 caças Rafales, devendo ser 14
monoplaces e 6 biplaces.
Em agosto, houve boato que seriam 28 unidades do Rafale
F3, acompanhados de mais 12 Mirage 2000C/B. Isso definiria de vez o
futuro do
caçador da FAB em prol dos franceses.
VÍDEO -
DASSAULT RAFALE (04:10 MIN)
Já em outubro de 2007, passou-se
a falar em 36 unidades orçadas em US$ 2,2 bilhões (US$
61 milhões cada), com as preferências divididas entre o
Rafale F3 e o Su-35. Ganharia aquele que transferisse mais tecnologia.
Pareciam melhorar as chances dos russos, o que já demonstrava
haver
extenuantes negociações diplomáticas por
trás da cena.
A
torcida do DEFESA BR ainda
é apenas por inteligência e
legitimidade da escolha !
Para esse aumento
para 36 caças, existiria o "Fator Chávez" com suas compras de armamentos em grande
escala e atração da Guerra Fria para a América do
Sul. O "Fator Chávez" mostrou à sociedade brasileira
que ela
não conta com Defesa à altura do País há
décadas.
Entretanto, o explosivamente crescente transporte de autoridades pelo
sobrecarregado GTE nem chega a ser uma obrigação
constitucional, mas é uma atividade da FAB que hoje vai de vento
em popa.
Esse FX-2 poderia ser bem superior, pois o FX
original objetivava a montagem no Brasil sob licença, em uma fase seguinte, de 84 aeronaves de modelo já
aperfeiçoado ao inicialmente escolhido, vindo a totalizar 120
aeronaves de interceptação. Só o Chávez planeja
chegar a 150 Su-30 e Su-35BM.
Uma aquisição menor
que essa não ensejará montagem local nem poderá
contar com plena transferência de tecnologia. Mesmo 120 unidades
produzidas aqui sob licença não garantirão
transferência de tecnologia atualizada, isso é muito
improvável de acontecer.
Na primeira fase,
chamado pela FAB de 1º Lote, o
Brasil deverá selecionar em 2009 e importar somente 36 unidades
de um
caça de Quarta Geração, para entregas iniciando
somente em 2014, havendo agora os seguintes
3 finalistas do FX-2 :
SaaB-BAE (Suécia-UK)
- JAS-39 NG.
A escolha dos finalistas foi divulgada
em 1º de outubro de 2008. A transferência completa das
linhas de código dos softwares dos concorrentes é um
ponto básico nas exigências brasileiras. A FAB
também coloca mais ênfase em autonomia na
manutenção dos sistemas e não em
produção sob licença.
Seria interessante que, em nome da transparência do processo de
seleção, a FAB mostrasse a previsão dos custos de
manutenção para os próximos 30 anos dos 3
finalistas.
(Clique na arte abaixo para
ampliação)
Alguns
detalhes do Rafale que o Brasil estaria para adquirir,
segundo a Isto É de 28 de agosto de 2007.
(Arte Revista Isto É )
CARACTERÍSTICAS
DOS FINALISTAS
Características
|
Rafale
|
Gripen
|
F/A-18
|
Dimensões
(Envergadura x Comprimento x Altura - m)
|
10,9
x 15,3 x 5,0
|
8,4
x 14,1 x 4,5
|
13,6
x 18,3 x 4,8
|
Peso
Máximo (kg)
|
24.000
|
16.000
|
29.900
|
Carga
Bélica (kg)
|
8.000
|
6.300
|
8.000
|
Velocidade
(km/h)
|
2.125
|
2.126
|
1.915
|
Alcance
Máximo (km)
|
3.125
|
4.070 |
3.700
|
Raio
de Ação (km)
|
1.055
|
1.850
|
1.231
|
VANTAGENS
DO GRIPEN NG
Pela tabela acima, vê-se
que o Gripen é menor e mais leve, facilitando a atividade
logística e também viabilizando o emprego em estradas e
pistas curtas e mais rudimentares, de até 800 m.
Reconhecidamente, possui o menor custo por hora de
vôo (US$ 4 mil contra US$ 14 mil dos demais).
Em Carga Bélica,
o Gripen perde para os outros dois em 1.700 kg, mas é mais
fácil e rápido de ser recarregado, em apenas 10 min com 5
homens.
Em Velocidade, ressalte-se que o Gripen é um monomotor contra
dois bimotores, tendo a mesma volcidade do Rafale e superando o F/A-18.
Nos quesitos Alcance e Raio de Ação, o Gripen deixa de
ser inferior e sua nova versão NG supera os outros dois
concorrentes.
SEM O SU-35BM RUSSO
O Brasil inteiro ficou surpreso com a notícia da saída do
Su-35BM Super Flanker antes da última etapa do FX-2, gerando
reclamações e indignação geral, não
importando se a decisão teve base política ou
técnica.
Examinando-se pelo lado político, vê-se que os russos
poderiam ter avançado no processo seletivo da FAB,
porém ao tentarem intimidar os EUA com manobras navais conjuntas
com a Venezuela no Caribe, deram um tiro no pé e a Venezuela
deverá ser o seu único mercado potencial na America
Latina.
É dito que, graças ao
"Fator Chávez"
e sua crescente aproximação militar com a Rússia,
diplomatas americanos fizeram chegar ao governo brasileiro,
sinalizações de que Washington não reagiria bem a
uma eventual escolha russa.
A pressão teria sido velada, incluindo no rol de
retaliações hipotéticas limitações
de fornecimento tecnológico a empresas brasileiras como a
Embraer, mas a mensagem central foi a de que a opção
francesa não seria mal vista - e isso pode acabar tendo definido
o vencedor.
Já em uma versão técnica, teria havido diversos
problemas na escolha
russa, que vão de uma logística extremamente diferente da
ocidental, em que a manutenção seria um pesadelo,
até fadigas de peças devido ao seu alto esforco
estrutural. Havia ainda dúvidas na possivel
integração de componentes ocidentais.
Também fala-se que, no momento decisivo da escolha dos
três finalistas, a intenção de transferência
de tecnologia do Su-35BM
pelos russos não se confirmou. Podem ter considerado essa
proximidade entre brasileiros e americanos.
Dizem que os russos não estariam cumprindo prazos de alguns
contratados com a Índia, além de haver casos de supostos
aviões recuperados e entregues como novos. Mas são
justamente os indianos que estão fechados com os russos no PAK
FA. O Brasil pode ter deixado de vez esse fantástico projeto
de 5ª Geração, pois o contrato ainda não foi
assinado.
O F/A-18 E/F da Boeing na disputa final nada significaria, pois suas
chances seriam quase nulas, devido à tradicional
restrição americana a transferências de tecnologia
militar.
O Gripen, um avião pequeno que foi reformulado para ter
maior autonomia de combate, estaria no mesmo rol, pois boa parte de
seus componentes é de origem americana, a começar pelo
seu único motor. O maior problema do Gripen é o curto
alcance, com sua baixa autonomia tornando-o inviável para um
país continental.
A vantagem
do Rafale estaria justamente em jamais contar com fornecedores
americanos.
No meio desse jogo, o Brasil está montando com a França
uma grande parceria estratégica baseada no Plano
Estratégico de Defesa Nacional.
Resumindo, o Rafale
já foi escolhido há tempos, e os demais foram
selecionados apenas para formalizarem uma concorrência para o FX-2. A grande decisão veio do MD,
ao descartar o Su-35BM. A FAB tratará apenas de voar o escolhido
e nada mais.
Porém, continuam as críticas do mercado sobre o Rafale,
pelo alto
custo de compra e de manutenção. Mas, uma coisa é
certa. A França tem razões para ser mais generosa com o
Brasil. Ela tem a Venezuela de Chávez ali do lado e é
dispendioso reforçar suas guarnições na Guiana
Francesa.
PÓS-ANÚNCIO
No dia 2 de outubro, o Ministério
da Defesa soltou uma nota negando influência política dos
americanos na decisão, afirmando ter ela sido "fundamentada em critérios
técnicos exaustivamente analisados e elaborados pela
Comissão Gerencial do Projeto F-X2, tendo por base a
transferência de tecnologia."
Entretanto, a Folha de
São Paulo reafirmou suas suspeitas, dizendo que os militares
brasileiros não querem passar a impressão de estarem
alinhados com os "bolivarianos", seus antípodas
ideológicos.
Disse ainda o jornal que, "além disso, Washington fez chegar,
pelos sempre discretos canais diplomáticos, ao governo
brasileiro a noção de que a escolha dos russos não
seria do seu agrado. O recado dos Estados Unidos: antes o francês
Rafale, já que a tradicional resistência americana a
transferir tecnologia reduz as chances do F-18, do que os russos."
A HISTÓRIA DO PROJETO
FX BR
No início de 2005, o Governo
Federal deu por encerrada a disputa pelo Projeto
FX BR (2),
de reequipamento e renovação da Aviação de
Caça da FAB.
Esse processo antes tido como "interminável" remontava a 1998,
quando começaram a ser definidos os concorrentes. Sua origem
oficial vinha de agosto de 2001.
As propostas iniciais do FX,
apresentadas em 2002, tinham ficado ultrapassadas por uma
interrupção iníciodesde o do Governo
Lula em janeiro de 2003 e passaram por uma adequação aos
interesses especificados pela FAB em dezembro de 2003.
O pacote de offset
(compensação comercial, industrial e tecnológica)
de cada concorrente sofreu alterações importantes. O
nível de transferência de tecnologia ainda era o aspecto
mais
crucial em todo esse processo.
O Projeto FX BR previa a substituição da atual e
obsoleta frota de 16 Mirage III EBR/DBR (F-103) pertencente ao 1º
Grupo de Defesa Aérea - 1º GDA - JAGUAR - responsável pela superioridade aérea e
interceptação de aeronaves hostis em território
nacional. Deveria ter sido feita uma compra inicial de 12 caças
a serem fabricados no País de origem.
As empresas que disputaram o contrato da FAB, inicialmente avaliado em
US$ 700 milhões, foram :
Dassault / Embraer (França)
- Mirage 2000 BR,
SaaB-BAE / Varig (Suécia-UK)
- JAS-39 Gripen,
Lockheed Martin (EUA)
- F-16,
Rosoboronexport / Avibrás
(Rússia) - Sukhoi Su-35, e
Mikoyan-Gurevich / RAC
(Rússia) - MiG-29.
Todas as concorrentes haviam
retomado o processo de seleção para 2004 e receberam
instruções relativas aos novos procedimentos que iriam
regular a realização das atividades.
A seguir, o F-16 e o MiG-29 foram desclassificados. A decisão
final deveria ter sido tomada em junho
de 2004, mas não houve mais notícia importante
até seu encerramento em 2005.
Sabia-se que a melhor proposta tinha sido a da empresa Avibras, com o SU-35 Super Flanker, inferior a US$ 700 milhões,
enquanto a da Embraer com o Mirage 2000-5 BR teria ultrapassado US$ 1
bilhão.
Entretanto, o projeto
franco-russo de família de aeronaves regionais conhecido como
RRJ (da própria Sukhoi) jogou suas chances no F-X BR
por terra. As insistentes barreiras políticas à
carne brasileira só agravaram mais o quadro.
O Presidente da Rússia,
Vladimir Putin, visitou o
Brasil em 22 de novembro de 2004, e pairou no ar que nada mais iria
avante entre os dois Países no âmbito do Projeto F-X BR, o
que viria a se confirmar alguns meses depois.
Em 31 de dezembro de 2004, as propostas perderam validade e o Brasil
não solicitou renovação, encerrando a
concorrência.
PROJETO MEIA-SOLA
Já cancelado o Projeto FX BR, em março de 2005 surgiu
forte especulação sobre uma rápida decisão
entre usados Mirage
2000C, F-16A e Su-27, que entrariam em serviço em poucos
meses, visto que os Mirage III estariam sendo desativados ao final
daquele ano.
O Estado-Maior da FAB
recebeu propostas endossadas pelos Governos da França, dos
EUA e da Rússia. Inicialmente, a França encaminhou uma
oferta da Força Aérea dos Emirados
Árabes Unidos de 12 Mirage 2000C, ao preço
unitário de US$ 15 milhões (total de
U$ 180 milhões).
Depois, colocou aeronaves de sua própria frota em oferta. Seriam
12 caças Mirage 2000 usados no valor de US$ 60 milhões, a
um preço unitário bem inferior, de apenas US$ 5
milhões. Eles estariam em uso pela Armée de l'Air, e
seriam 10 Mirage 2000C monoplaces de interceptação e 2
Mirage 2000B biplaces de treinamento.
Os americanos apoiariam a venda de 43
caças F-16A modernizados das forças aéreas da
Holanda
(29 unidades) e da Bélgica
(14).
Seriam aparelhos com custo baixo, de US$ 6 milhões
(total
de U$ 258 milhões).
Os russos
renovaram a proposta de venda de 12 Sukhoi
Su-27 ao Brasil, feita inicialmente em 2002.
Os aparelhos fariam parte do estoque estratégico da força
aérea russa e estariam
orçados em US$ 10 milhões cada (total de U$ 120
milhões).
No final de maio de 2005, a revista francesa Air & Cosmos publicou
: "Um Acordo Iminente", abaixo
livremente resumido :
"De fonte brasileira, amplamente
utilizada pela imprensa local, o
Brasil teria concordado com a proposta francesa para a venda de ocasião (usados), com
preço bem razoável, de Mirage 2000C/B com radar RDI, retirado dos estoques da Armée de
l'Air (Força Aérea Francesa)."
"Um acordo de princípios
já teria sido firmado e o contrato oficial estaria previsto para a ocasião da visita do
Presidente Lula à
França, convidado de honra do Presidente Jacques Chirac para as festas nacionais francesas de
14 de julho."
"A venda compreenderia um total
de 16 aparelhos - 14 Mirage 2000C monoplaces de
interceptação e 2 Mirage 2000B biplaces de treinamento - cujo montante de US$ 80 milhões seria
pago em um período de 15 anos (US$ 5 milhões por
aeronave). Haveria ainda um contrato
ao qual se adicionaria em torno de US$ 50 milhões para atualizar
os aviões com uma
padronização brasileira."
A atualização dos 16 Mirage 2000C/B para um
padrão brasileiro por US$ 3,125 milhões por aeronave significaria
uma padronização com
o datalink usado pela FAB e
compatibilização de armamentos, como a do BVR
a ser usado pelos F-5 EM, ou até mesmo uma
adaptação para o moderno míssil BVR MICA francês.