O FAB 001 usado pelos presidentes
brasileiros remonta à 2ª Guerra Mundial pois,
em 1941 entrou em operação a
primeira aeronave exclusivamente dedicada a atender ao
presidente Getúlio Vargas.
A própria FAB foi criada no dia 20 de janeiro daquele ano como
uma resposta à crescente ameaça dos submarinos
alemães na costa do Atlântico.
O primeiro FAB 001
foi um Lockheed C-66 Lodestar, avião de transporte único
de seu gênero no mundo e reconfigurado com interior executivo
para uso da Presidência. Foi adquirido do USAAF, o então
braço aéreo do US Army, ainda novo em 1941. Em seguida, a
FAB adquiriu outros modelos Lodestar, os C-60, para emprego como
transporte.
Designado no Brasil como VC-66,
era pouco apropriado para as viagens presidenciais. No entanto, foi
utilizado até 1962, embora já não como transporte
presidencial. Possuía 17 assentos, mas operava no GTE com
somente 11 assentos. Ele foi sucateado em 1971.
Em 1954, o presidente Juscelino Kubitscheck comprou 2
quadrimotores Vickers Viscount britânicos da Vickers-Armstrong
para substituírem o VC-66.
Os VC-90 2100 e 2101 voaram desde 1957, ano em que foi
criado o GTE,
eram bem maiores que o anterior e tinham capacidade para 71
passageiros. Serviram até 1964 e Juscelino neles voou diversas
vezes para acompanhar as obras de sua nova Capital, Brasília.
Em 1988, o presidente José Sarney aposentou os 2
aviões, que já não eram usados pela
Presidência desde 1968.
O titular VC-90, o 2101, pode ser visto no Museu Aeroespacial
no Rio de Janeiro. Já o reserva, o 2100, foi comprado em
2006 pela Prefeitura de Araçariguama por R$
80 mil, num leilão de material sucateado da VASP. O
avião foi restaurado a um custo de R$ 20 mil.
O prefeito instalou a aeronave numa nova praça da cidade de 13
mil habitantes que nem tem aeroporto. O plano inicial era criar uma
atração turística para o município. A
Praça Santos Dumont foi construída para homenagear o
pioneiro da aviação e marcar os cem anos do vôo do
14 Bis.
Com a confirmação da origem do Viscount, o prefeito
decidiu instalar dentro dele um cinema de 70 lugares. A cidade
não tem sala de exibição de filmes. Durante a
semana, serão programados documentários e
filmes educativos para alunos das escolas locais. Aos sábados e
domingos, as sessões serão destinadas a filmes comuns do
circuito comercial.
A inauguração do Cine Avião ocorreu em 6 de julho
de 2006, quando foram lembrados os 133 anos de nascimento de Santos
Dumont.
Voltando ao ano de 1968, 2 aeronaves BAC-111 One-eleven, os
VC-92, que foram adquiridos pelo presidente Arthur da Costa e Silva,
tendo sido estes os primeiros aviões presidenciais
brasileiros a jato.
Eram apropriados somente para rotas regionais entre a Capital,
São Paulo e Rio de Janeiro. Serviram por apenas 8 anos, tendo
sido desativados em 1976. Os BAe (Hawker Siddeley) VU-93
Dominie, destinados ao transporte de ministros chegaram no mesmo ano de
1968.
Um episódio curioso com um VC-92
aconteceu no Rio. Antes de tocar a pista do aeroporto Santos Dumont, o
trem
de pouso do avião presidencial resvalou na cabeceira. Foi
só um susto, mas os seguranças da Presidência se
apavoraram. Gritaram
para que todos deixassem o avião correndo, temendo
explosão. Costa e Silva desceu a escada na maior calma do mundo.
Olhou fixamente um
preocupado segurança e afirmou, imperturbável e firme: um
presidente da República explode, mas não corre!
Para preencher esta lacuna de alcance dos VC-92, em
1976, o presidente Ernesto Geisel adquiriu 2 Boeing 737-200 em
versão VIP, denominados VC-96.
Seu maior alcance permitia que se fizesse vôos internacionais,
embora ainda limitados a diversas escalas. Continuam em serviço
no GTE até serem substituídos até dezembro de
2009, para vôos nacionais e apoio em rotas
internacionais. Com o tempo, ficaram famosos como SUCATINHAS.
Em 1986, o presidente José Sarney adquiriu da VARIG 2 Boeing
707-300, designados de KC-137 (2),
para emprego como aviões-tanque, de reabastecimento
aéreo, tendo sido um deles adaptado para uso
eventual como avião presidencial.
Este avião de
adaptação VIP foi utilizado por muitos anos - até
janeiro de 2005 com a chegada do AIRBUS
ACJ - VC-1A
- nas viagens de longa distância - internacionais e nacionais, e
é até hoje carinhosa e jocosamente conhecido como SUCATÃO.
Porém, os seus 4 motores tornavam sua
operação completamente anti-econômica, e o
ruído impedia que operasse na maioria dos aeroportos da Europa e
dos Estados Unidos.
O Avião Presidencial VC-1A FAB 2101 foi encomendado por Lula. O
negócio foi fechado em novembro de 2003 por US$ 56,7
milhões e o contrato foi assinado
em 6 de fevereiro de 2004. A
entrega ocorreu em Brasília em 15 de janeiro de 2005.
VÍDEO - FAB
001 - AVIÃO PRESIDENCIAL (03:21 MIN)
Fotos externas e internas do FAB 001,
com Hino Nacional Brasileiro.
Hoje, existem 7 aeronaves de
transporte presidencial, que são 1 Airbus VC-1A, 2 Boeings 737-200 - VC-96 deixando o serviço em
2009, e
mais 4
helicópteros.
Estes são 2 VH-55 (Helibrás HB-355
Esquilo)
e 2 VH-34 (Eurocopter AS332M Super Puma).
Em 2 de junho de 2008, Lula adquiriu 2 novos Embraer EMB-190 para
substituir os 2 Boeing 737-200, os VC-96.
Cada 190 custou US$ 52 milhões,
sendo um custo total de R$ 168 milhões (ao câmbio de
então a R$
1,62).
Para se deslocar da BABR
até o Palácio da Alvorada e a residência
oficial do Torto, ou dentro de capitais, o presidente vai em um
dos 2 modelos Esquilo, que comportam até três passageiros.
Quando vai a uma cidade onde não pousa avião, voa no
Airbus
ou em um dos 2 Boeings à sua disposição até
o aeroporto mais próximo e chega ao destino em um dos 2
helicópteros Superpuma, com capacidade para 10 passageiros.
Há ainda outras 19 aeronaves para transporte
de autoridades, 10 C-99 (Embraer ERJ-145), 2 VC-99C (Embraer ERJ-135BJ
Legacy), VU-55C (Gates Learjet 55), e VU-35A (Gates Learjet
35). O GTE conta com 55 pilotos capitães
especializados em todas essas aeronaves.
Pelo decreto 4.244/2002, assinado pelo
então presidente Fernando Henrique Cardoso, têm direito ao
uso dessas aeronaves do GTE o vice-presidente da República, os
presidentes do Senado, da Câmara e do Supremo Tribunal Federal, e
os ministros de Estado. Podem ser usuários ainda determinadas autoridades
estrangeiras
em visita ao Brasil.
Como prevê o decreto, sempre que possível, a aeronave
deverá ser compartilhada por mais de uma autoridade. Assim, a
partir da primeira solicitação, os demais passageiros
são encaixados num mesmo voo, desde que o itinerário seja
idêntico. O atendimento das solicitações observa a
seguinte ordem de prioridade: motivo de segurança e
emergência médica, viagens de serviço e
deslocamentos para o local de residência permanente.
O presidente Lula receberá em
14 de julho de 2009 o primeiro dos dois jatos EMB-190. Esse primeiro
avião terá a matrícula 2900. Sua
operação irá permitir que Lula utilize o modelo
nacional nas viagens regionais programadas para o segundo semestre de
2009. Os 2 Sucatinhas, em
uso há 35 anos, serão transferidos
para a frota do GTE
- Grupo de Transporte Executivo.
O FAB 001 entrou em manutenção no centro
tecnológico da TAM, em São Carlos (SP), em junho de 2009. A aeronave passou por uma
adaptação no sistema de controle de velocidade em
condições de gelo para a melhoria de eficiência do
equipamento.
Trata-se do mesmo sensor de velocidade envolvido no acidente com o Airbus A-330 da Air France, que ia
do Rio a Paris e caiu no
Oceano Atlântico. O procedimento segue orientação da
Airbus e estava programado desde abril.
Em março, o Aerolula não chegou a levantar voo em Nova
Iorque para trazer o presidente Lula de volta ao país. Com um
defeito na porta, o avião não conseguiu decolar dos EUA.
Segundo informou à época o Palácio Planalto, o
avião não teve condições de voo depois que
a escada que serve para o embarque de passageiros bateu e empenou a
porta da aeronave.
AS AQUISIÇÕES
A aquisição do SANTOS DUMONT (ou AEROLULA) foi manchete dos jornais
brasileiros na Internet em 15 de janeiro de 2004.Naquele momento, aPresidência da República acabara
de comunicar a aquisição de um AIRBUS A319CJ - ACJ,
para ser o novo Avião Presidencial - oVC-1A FAB 2101 (2101 é o nº de prefixo
de cauda), ou como
é conhecido pelo CALL SIGN : FAB 001.
O
anúncio veio com bom atraso, pois o negócio
já havia sido fechado em novembro de 2003. Ele veio substituir o velho SUCATÃO e chegou a Brasília exatamente
um ano depois da notícia, em 15 de janeiro de 2005. Voou exatos
227 mil km no ano de 2005.
(Clique
na foto para ver imagem gigante)
Desembarque do SUCATÃO
do presidente Lula à China em 22 de maio de 2004.
Veja na foto ampliada o emblema do 2º/2º GT e o Brasão
da República.
(Foto
Antônio Milena - Agência Brasil)
Já os 2 SUCATINHAS,
aeronaves VC-96
(234 ) (Boeing
737-2N3) com mais de 30 anos, utilizados em curtas e médias
distâncias (e em longas por ministros e apoio) serão
trocados em julho e dezembro de 2009 por 2 novos
aparelhos
brasileiros EMB-190,
a qual havia declinado de participar da licitação para o FAB 2101, por
não poder atender com suas aeronaves ao quesito de autonomia
intercontinental exigido.
HS 125
Os 10 antigos VU-93
(2)
- BAe Hawker Siddeley - HS 125 - para uso de autoridades do governo federal,
inicialmente, seriam trocados por 6 aparelhos usados Learjet 60
(BOMBARDIER).
Após diversas
reações políticas locais, em maio de 2004
foi dito que seriam enfim substituídos por até 6
novíssimos aparelhos brasileiros EMBRAER LEGACY
EXECUTIVE. No fim, os 6 restantes foram substituídos por
10 aeronaves ERJ-145, denominadas C-99, e 2 Legacys, denominados
VC-99C, todas
12 usadas e em 2006.
Em fevereiro de
2006, foi confirmado que os antigos HS 125 seriam enfim
substituídos por 4 das 10 aeronaves ERJ-145 da Embraer
pertencentes a FAB - C-99, com uma nova versão interna para
maior conforto das autoridades.
Em outubro de 2006, começaram a ser entregues os
2 ERJ-135BJ Legacys, denominados na FAB como VC-99C (matrículas
2580 e 2581).
Os 2
VC-99C (ERJ-135BJ Legacys) e os 4 C-99 (ERJ-145) são sediados na BABR e operados pelo 6º Esquadrão
de Transporte Aéreo (ETA-6) - 1º Grupo de Transporte Especial (GTE).
O CASO DOS ERJ 145
A Varig adquiriu 15 ERJ 145 de 50 lugares em 1997. Essa frota ficou completa em 2001, para uso das
subsidiárias Rio-Sul e Nordeste. Os aviões eram usados
na Ponte Aérea Rio-São Paulo, após a Varig
acreditar em um acordo do Governo em limitar a operação
nos aeroportos de Santos Dumont e Congonhas a aviões com 50 lugares.
Mas essa restrição durou pouco
e a operação do 145 acabou ficando economicamente
inviável.
Ocorre que, em 2001 mesmo,
o Governo abriu a utilização do Santos Dumont para
aviões maiores. Quando a limitação para jatos de
50 passageiros caiu, a TAM usou de imediato um Airbus e os Fokker-100.
A Varig ficou com o mico na mão, pois a mensalidade do arrendamento de cada jato,
de US$ 170 mil, era maior do que o aluguel de um Boeing 737-300 para
cerca de 140 passageiros.
Deslocados
para outras rotas, os aviões foram devolvidos em 2002 ao BNDES,
banco que financiou a operação. Em 2004, 10 deles foram
vendidos para a FAB, que os utiliza para o transporte de autoridades,
transporte logístico ou para prestar assistência social em
áreas distantes.
Um outro foi vendido para a Polícia Federal, para o transporte
de policiais e de presos. Os restantes foram
exportadas, com a ajuda da própria Embraer.
Essa desativação dos 10 HS
125 da FAB foi em parte compensada com a entrada em serviço dos 2 VC-99C (ERJ-135BJ Legacys) e os 4 C-99 (ERJ-145).
Mas, em maio de 2007, o Comando da Aeronáutica avaliava que
seria necessário adquirir mais 4 ERJ-135BJ e 8 microjatos Phenom
300.
Trata-se de um estudo de necessidades e ainda não foi tomada
nenhuma decisão concreta para adquirir essas aeronaves, cuja
compra vai exigir dotações orçamentárias
aprovadas pelo Congresso.
REVO
A
FAB possui 4 KC-137 (Boeing 707-320) que operam
como aviões-tanque de reabastecimento em vôo de
esquadrões
de combate, para deslocamento de tropas e transporte de autoridades.
Um deles ainda está adaptado para transporte VIP, estando
sediado
na Base Aérea do Galeão (BAGL) e operado pelo
2º/2º
Grupo de Transporte (Esquadrão Corsário).
Existem
propostas de trocas dessas antigas aeronaves por outros Boeing 767/200
usados, que seriam convertidos para aviões-tanque por US$ 15
milhões cada. Seu alcance é intercontinental, sem
escalas. A configuração de carga permite 19
contêineres. A de transporte de tropas abriga 200 soldados
equipados. O Boeing 767 foi escolhido pela USAF como novo
avião-tanque
padrão.
Outra opção mais moderna será o futuro cargueiro
militar tático brasileiro KC-390 da Embraer,
que terá capacidade de
REVO de berço, em seu projeto. Todas as presentes
substituições fazem parte do plano de reequipamento e
modernização da FAB.
EVOLUÇÃO DA ENCOMENDA À ENTREGA -
FAB 001
Arte do VC-1A com
as cores do Brasil.
(Arte da Airbus)
Em maio de 2004, foi noticiada a
identificação da aeronave sendo então
construída pela Airbus Industries, em sua fábrica
na Alemanha - Hamburg-Finkenwerder (XFW)
. Tratava-se de um A319-133X, número do fabricante
2263, o FAB 001.
Para os vôos de ensaio, recebeu a matrícula
provisória alemã D-AVWJ. Ela
será mudada segundo normas internacionais para a
designação que a FAB lhe
der assim que o aeronave receber a pintura final. O aparelho VC-1A 2101
apareceu a público pela primeira vez na área externa da
fábrica no dia 7 de julho de 2004. Na
ocasião, uma faixa verde e outra
amarela, próprias do Grupo de Transporte
Especial, já tinham sido pintadas no leme da cauda em branco.
Veja abaixo a foto histórica :
(Clique
na foto para ver imagem gigante do 2101 na sua 1ª
aparição)
O
FAB 001 vindo a público pela primeira vez em 7 de julho de 2004
para
testes de vôo em Hamburg-Finkenwerder
(XFW),
com a primeira pintura.
(Foto de Frank Unterspann, FU
Airliner Photography,
disponível em PlanePictures,
e
publicada com
autorização) (Outras
fotos do 2101
disponíveis em PlanePictures)
No dia 8 de julho, fez seu primeiro vôo de testes a
partir da pista exclusiva da fábrica. Em agosto, seguiu para os
EUA para a instalação de parte dos equipamentos internos,
inclusive da cabine.
Charge
da Folha de São Paulo em 12 de julho de 2004.
A Primeira Dama teria "decorado" o FAB 001 com bolinhas
brancas sobre a aparência do aparelho que veio a
público em 7 de julho para testes.
No dia 14 de julho de 2004, o jornal
O GLOBO
(Evandro Éboli)
noticiou
que o novo avião presidencial já
teria
nome : seria batizado de ALBERTO SANTOS DUMONT
- homenagem ao verdadeiro Pai da
Aviação Mundial, e escolha pessoal
do presidente Lula. Entretanto, a imprensa e o povo o apelidaram desde
cedo de AEROLULA.
Em 15 de janeiro de 2005, o FAB 001 SANTOS
DUMONT chegou à Base Aérea
de
Brasília às 10h35m, vindo de Tolouse, na França,
após sofrer um atraso de 40 minutos devido a uma corrente de
vento na região da costa da África.
(Clique
na foto abaixo para ver imagem gigante do VC-1A)
Primeiro Pouso do VC-1A no Brasil.
(Foto Marcello Casal Jr. - ABr 80.593)
A primeira viagem realizada pelo presidente da
República ocorreu em 19 de janeiro, entre Brasília e
Tabatinga, na Amazônia, para a cerimônia de
relançamento do Projeto Rondon. Ele foi acompanhado
de comitiva de apenas 13 pessoas, além da segurança e a
tripulação.
O PROBLEMA
DO SUCATÃO E DOS SUCATINHAS
A
frota presidencial até 2004, formada pelos FAB 2401 e 2404 (reserva)
- 2 KC-137 - os SUCATÕES (com
46 anos), e mais 2 VC-96 - os SUCATINHAS (com
mais de 30 anos), não era mais adequada nem oferecia a
segurança necessária para as viagens de um chefe de
estado. Toda a frota deveria ter sido substituída
ainda em 2005, mas esse processo se arrastará
durante 2009.
Um
VC-96 (737-2N3) sobrevoando Brasília.
Todos apresentam alto consumo de combustível
e, por serem aeronaves antigas, de tecnologia bastante ultrapassada,
requerem manutenção muito cara.
Segundo a FAB, o gasto com uma viagem no Airbus chega a ser 71 % menor,
o que significaria uma economia de mais de US$ 5 mil por hora de
vôo. O valor equivale a uma economia de US$ 5,2 milhões
por ano. A hora de vôo do Santos Dumont custaria US$ 2.100,
enquanto o Sucatão custaria até US$ 7.300. Assim, a
estimativa do governo é que em 11 anos se tenha o retorno do
valor gasto com a compra da aeronave.
O Sucatão tinha ainda o sério inconveniente de sofrer
restrição de pouso em muitos aeroportos internacionais,
por não mais enquadrar-se na legislação
internacional (elevado ruído e
poluição dos gases), o
que constrangia a Presidência.
Seus sistemas de navegação e de comunicação
também eram bastante limitados se comparados às aeronaves
modernas, como um ACJ, BBJ ou EMB-190.
Em resumo, o quesito de segurança de um governante em seus
deslocamentos é uma exigência
cada vez mais presente e profissional no mundo moderno. Este fato
tornou tal troca inadiável.
O novo
avião tem excelente autonomia de vôo, eliminando o
desconforto do presidente nas viagens de longa distância, ao ser
obrigado a fazer muitas escalas técnicas para abastecimento.
Nos vôos para a Índia e para a China, o Sucatão
2401 teve que fazer duas escalas antes de chegar aos destinos. Para
tal, demandou da FAB custos de apoio logístico
altíssimos e com
muitas dificuldades de atendimento.
Os dois Boeings 707 - FAB 2401 e 2404 -
foram fabricados em 1958 e adquiridos da VARIG em 1986, vindo a ser
adaptados e utilizados para os vôos presidenciais desde
1987. Ambos serviram aos presidentes até 1999, quando foram
aposentados pela 1ª vez pelo presidente Fernando Henrique
Cardoso, que iniciou o processo de licitação envolvendo
a Boeing e a Airbus.
O
Sucatão decolando.
A razão da aposentadoria foi
bastante grave e quase trágica. No final daquele ano, o
então vice-presidente Marco Maciel viajava para a China no FAB
2401, com escala em Amsterdã (Holanda), onde fez um pouso
forçado devido à explosão de uma das 4 turbinas.
Lula viajou nos 2 concorrentes pelo processo
de avaliação. Em maio de 2003, utilizou o BBJ
- Boeing Business Jet, no deslocamento para Evian (G-8). Em julho
do mesmo ano, voou com um A319CJ da Airbus para Lisboa. Na Europa,
utilizou um Sucatinha para as viagens locais.
O Boeing 707 foi reativado no início de 2003 pelo presidente
Lula, devido ao alto custo de leasing de
um A319 comercial da TAM para suas longas e extensas viagens. Desde
então, Lula fez muitas viagens no FAB 2401, inclusive para a
China em 2004.
MARATONA NA
ÁFRICA - 2004
Em
29 de julho de 2004, em uma missão de 4 dias à
África, um vazamento hidráulico no Sucatão 2401
fez com que o presidente Lula tivesse que utilizar um avião
reserva Sucatinha para poder retornar ao Brasil. Por sorte, o roteiro
se deu de Cabo Verde a Fortaleza, viagem de pouco mais de 3 horas de
duração.
No momento do defeito,
o presidente estava a bordo de outra aeronave da FAB, um
Hércules
C-130, voando da capital do Cabo Verde, Praia, para a Ilha do
Sal, onde embarcaria no avião que apresentou a falha.
Desde o início o roteiro parecia uma verdadeira MARATONA. Para
realizar tal viagem com segurança, o presidente Lula foi
obrigado a usar três tipos de aviões. Ele saiu de
Brasília a bordo do Sucatinha (Boeing 737-2N3) e
pousou na Base Aérea do Galeão, no Rio, para mudar-se
para o Sucatão.
Nele atravessou o Atlântico e pousou em São Tomé,
primeira etapa da viagem. De lá foi para o Gabão a bordo
novamente do Sucatinha. Da capital gabonesa, Libreville, para a
terceira etapa da viagem, a Ilha do Sal,
em Cabo Verde, Lula usou um Hércules C-130, pois a pista da
capital caboverdeana tem apenas 1.300 metros e somente um avião
militar, como aquele, altamente capacitado para operações
delicadas, poderia pousar ali.
Para a volta ao Brasil, Lula faria uso novamente do Sucatão. Mas
ocorreu uma pane hidráulica no
Sucatão - um vazamento na mangueira de uma turbina, e
a travessia do Atlântico foi feita no Sucatinha. A
distância
só pôde ser vencida porque este Sucatinha VC-93 era
equipado com um tanque de combustível extra.
Resumo da maratona: se já estivesse em operação o
novo FAB 2101 ACJ, Lula teria usado um
só avião. E os cofres da República teriam feito
uma economia de US$ 5.500 dólares, a cada hora de vôo.
MISSÃO
FINAL
Desde janeiro de 2005, os 2 Boeings 707 da FAB passaram a ser usados
para transporte de carga, como já fazem outras 4 aeronaves
similares KC-137.
Magnífica
visão de operação de REVO realizada por um KC-137
da FAB.
(Foto da FAB)
Os atuais Boeing 737 serão empregados a partir
de 2009 como reserva e em missões complementares exclusivamente
em solo brasileiro.
OS HS 125
A FAB possui hoje 13 aeronaves VU-93 - BAe HS 125 - em sua
frota, os quais estão em operação há mais
de 40 anos fazendo o transporte VIP de autoridades do governo federal,
como ministros e funcionários do alto escalão.
Também transportam autoridades estrangeiras, fazem transporte
tático e até calibragem eletrônica de instrumentos
de aeroportos.
A sua
substituição tornou-se necessária diante do
elevado custo de operação, da manutenção e
da dificuldade de encontrar-se peças de reposição,
não mais fabricadas.
Semelhante ao caso do Sucatão, nos últimos anos, essas
aeronaves têm apresentado sucessivas panes, que comprometem em
muito a segurança de vôo. Um dos episódios mais
conhecidos e recentes de pane do HS envolveu o presidente do FMI em
2004, que precisou retornar à Brasília, minutos depois da
decolagem, devido a uma falha técnica do
avião.
NOVO FAB 001
Certamente, a
designação presidencial de FAB 001 para
o VC-1Ae muitas das características da futura
aeronave baseiam-se no modelo e na enorme tradição do
Avião Presidencial dos EUA - o AIR FORCE ONE -
AFO.
Detalhe da Cauda do VC-1A, com destaque para o
prefixo de cauda nº 2101 e um enorme Emblema da República. (Detalhe / Foto Marcello Casal
Jr. - ABr 80.588)
O atual
Avião Presidencial do Brasil, para viagens transcontinentais,
é o AIRBUS A319 Corporate
Jetliner - A319CJ - ou simplesmente ACJ. Foi entregue em
Brasília em 15 de janeiro de 2005, após assinatura
do Termo de Recebimento, Transferência de Propriedade e Riscos da
Aeronave.
(Clique
na foto abaixo para ver imagem gigante do VC-1A)
Outra imagem da chegada
do "Santos Dumont"
em Brasília em 15 de janeiro de 2005. (Foto
Marcello Casal Jr. - ABr 80.588)
O negócio foi fechado em novembro de 2003 por
US$ 56,7 milhões, o contrato assinado em 6 de fevereiro de 2004
e foi pago em seis parcelas. Um acordo de compensação
comercial e tecnológica (offset)
com a fabricante francesa trazendo ao Brasil US$ 96 milhões
em 6 anos.
Outro ângulo da arte do FAB 001.
(Arte da Airbus)
Baseado na plataforma do
Airbus A319 comercial, o ACJ corporativo alia conforto e baixo custo.
Não tem similar no mercado e foi desenvolvido de forma
personalizada para atender às necessidades da Presidência
da República definidas pelo Comando da Aeronáutica.
À época, mais de 30
aviões ACJ já haviam sido vendidos. Pode ser montado com
seis tanques removíveis em curto espaço de tempo.
Com sua
elevada autonomia de vôo, maior que a do A319 comum operado pela
TAM, elimina muitas escalas técnicas para abastecimento. Permite
vôos de Brasília a Paris, a
Nova York, a Quebec ou a Washington, sem escalas. Assim, demanda
da FAB reduzido apoio logístico.
ALCANCE DO
ACJ (A319CJ) - CONFIGURAÇÕES
PASSAGEIROS
ALCANCE
MILHAS
ALCANCE
KM
12
6.000
11.000
40
4.500
8.300
O ASPECTO MILITAR
O FAB 001 presidencial foi concebido pelo Governo Federal como uma
aeronave militar, pronta para receber o presidente da República
em casos de instabilidade ou até mesmo ameaça de conflito
armado. Tanto que foram instalados equipamentos
de uso exclusivamente militar.
Em caso de conflito ou ambiente de anormalidade, o presidente da
República poderá exercer de dentro do avião
ações típicas de comando
e controle para a segurança do País, o que remete esta
instituição a um inédito patamar de poder.
No lamentável dia
11 de setembro de 2001, durante as primeiras horas após
os ataques às Torres Gêmeas do World Trade Center
e ao Pentágono (além da ameaça contra a Casa
Branca), o então presidente norte-americano George W. Bush
passou a liderar a
nação a bordo do Air Force One, comprovando ser aquele o
único ambiente seguro naquele incerto e ameaçador
momento.
NAVEGAÇÃO,
COMUNICAÇÃO E DEFESAS
A aeronave VC-1A
foi adaptada pela própria Airbus em Toulouse (França),
ganhando instalações especiais para o transporte
presidencial, equipamentos de comunicação à prova
de interceptações, e o compromisso de estar livre de
artefatos de espionagem.
Dispõe
do SISCOM -
Sistema de Comunicação da Presidência da
República (um
sofisticado sistema de comunicação por satélite), que permite
transmissão de dados via satélite, transmissão de
imagens
e duas linhas telefônicas, uma delas exclusiva para o Presidente.
Conta ainda com computadores, impressoras, aparelhos de fax e
até
celulares.
O Brasil
prepara o lançamento de 2 satélites do Governo
para 2007 e 2008 (programa de US$ 600 milhões), que serão
responsáveis pelas comunicações governamentais,
militares e estratégicas. Trata-se do SISCOMIS -
Sistema Brasileiro de Comunicação Militar por
Satélite. O FAB 001 - SANTOS
DUMONT - receberá este sistema em
substituição ao SISCOM, em 2007.
Há ainda
mecanismos de defesa que reforçam a proteção e a
segurança da aeronave, que devem ser mantidos em segredo, como
no caso do AFO. Entre outros itens, foram
instalados armamentos
de uso exclusivo das Forças Armadas.
A aeronave possui sistemas imunes a
interferências eletromagnéticas de campos externos.
É equipada ainda com uma unidade auxiliar de potência,
capaz de gerar energia para partida autônoma dos motores, no solo
e mesmo durante o vôo.
O ACJ comprovou ser
equipado com sistemas de navegação e
comunicação de ponta, e obedecer a nova e rígida
legislação de emissão de gases e limites de
ruídos da Organização de Aviação
Civil Internacional (OACI / ICAO), podendo operar sem restrições em qualquer
país.
Demonstrou ainda compatibilidade com os novos sistemas de
separação de aeronaves em aerovias e
tecnologia de última geração, no estado da
arte - com os comandos de vôo assistidos por computador (fly by wire) e do tipo joystick.
CONFIGURAÇÃO
DO VC-1A
O VC-1Afoi preparado para permitir ao
presidente despachar de seu interior e para funcionar como um posto de
comando no ar, como ocorre em outro nível com o AFO.
Tem cabine e
suíte presidenciais, com sala de reunião, poltronas
executivas, três copas e até uma UTI. Sua capacidade é de 30
(trinta) passageiros e 12 (doze) tripulantes.
(Clique na foto
abaixo para ver imagem gigante do VC-1A)
Área para a
Tripulação e Saída de Emergência do FAB 001. (Foto
Divulgação - ABr 80.602)
A distribuição dos
passageiros na aeronave é em 4 cabines de:
Pilotagem (2),
Tripulação (10),
Presidencial (10), e
Passageiros (20).
A cabine da
tripulação fica logo atrás da cabine dos pilotos e
tem 5 assentos
reclináveis, sofá e armário. O suporte para
alimentação dos passageiros tem três copas
distribuídas pelo
aparelho, com capacidade para acondicionar no mínimo
120 refeições, cinco fornos elétricos, uma
máquina de café expresso, três máquinas
de café comum, forno de microondas e nove carrinhos para
servir chá e refeições.
(Clique
na foto abaixo para ver imagem gigante do VC-1A)
Uma das 3 Copas da Aeronave.
(Foto Divulgação - ABr
80.598)
Visão da Cabine de Comando. (Detalhe / Foto
Divulgação - ABr 80.598)
A cabine presidencial fica na
frente, entre as cabines de tripulantes e de passageiros, é o
centro das atenções e, por isso, é isolada desses
demais compartimentos do avião, comportando 10 passageiros
(casal presidencial + 8 autoridades). Está dividida em 3
partes distintas.
A cabine de passageiros fica
atrás das asas e possui 20 assentos modelo classe
econômica, com sistema de TV e DVD coletivos e telas individuais.
Há ainda a opção de eventual mudança para
configuração VIP com um kit de 20 assentos de classe
executiva.
(Clique
na foto abaixo para ver imagem gigante do VC-1A)
Cabine
de Passageiros com 20 assentos. (Foto
Divulgação - ABr 80.612)
Detalhe da Porta entre a
Cabine Presidencial
e a Cabine de Passageiros do FAB 001. (Detalhe / Foto
Divulgação - ABr 80.612)
CABINE
PRESIDENCIAL
O espaço reservado ao
presidente é a cabine presidencial, dividida em 3 setores : Sala de Trabalho,
Suíte Íntima, e
Área para Autoridades.
Configuração
padrão de um ACJ.
Para o VC-1A, foi adicionada uma Suíte Íntima.
(Arte da Airbus)
A) SALA DE
TRABALHO
A sala de trabalho da cabine
presidencial possui espaço para reuniões (e
refeições) com elegante mesa retrátil e quatro
poltronas executivas reclináveis, além de grande
sofá lateral com quatro lugares. Há uma TV de
42 polegadas com tela plana e DVD; equipamento de som; um ponto de
comunicação via satélite e um bar.
(Clique
na foto abaixo para ver imagem gigante do VC-1A)
Mesa de Trabalho do presidente. (Foto
Divulgação - ABr 80.599)
B)
SUÍTE
A suíte presidencial,
ao lado da sala de trabalho, tem um sofá-cama de casal; uma mesa de
refeições rebaixável e duas poltronas executivas
reclináveis;
armário para bagagem de um casal e espaço para oito
cabides; um frigobar; TV com tela plana e DVD; e caixas de som.
(Clique
na foto abaixo para ver imagem gigante do VC-1A)
Sofá- Cama de Casal da
Suíte Presidencial. (Foto
Divulgação - ABr 80.601)
O banheiro possui
ducha, pia, vaso sanitário, armários; duas tomadas
elétricas para barbeador e secador de cabelos.
(Clique
na foto abaixo para ver imagem gigante do VC-1A)
Pia
e Ducha do Banheiro da Suíte Presidencial. (Foto
Divulgação - ABr 80.610)
B)
ÁREA PARA AUTORIDADES
A área reservada
às autoridades, localizada logo atrás da sala de trabalho
e da suíte, possui uma mesa de reuniões
retrátil e 8 poltronas executivas reclináveis.
(Clique
na foto abaixo para ver imagem gigante do VC-1A)
Área para Autoridades. (Foto
Divulgação - ABr 80.604)
CUSTO DO
VC-1A
Para o
Projeto VC-X, houve dispensa de licitação permitida por
lei, com apenas uma concorrência limitada por convite por
questão de segurança nacional. A Airbus apresentou
proposta básica de US$ 55,4 milhões, enquanto que a
Boeing propôs US$ 60,4 milhões por seu BBJ (US$ 5
milhões mais caro). A Embraer recusou participar por não
produzir uma aeronave com os requisitos
do Governo.
O custo total do VC-1A foi de US$ 56,7 milhões (a Venezuela
pagou US$ 65 milhões em 2002). A aeronave básica do
Airbus CJ custou US$ 38,6 milhões. As adaptações
para uso presidencial custaram outros US$ 13,5 milhões. E mais US$ 4,6
milhões foram
gastos com apoio logístico - software, peças de
reposição, equipamentos de apoio no solo, treinamento
operacional, manutenção e assistência
técnica.
INVESTIMENTO PARA AS EXPORTAÇÕES
O FAB
001 faz parte da atual política
presidencial de inserção econômica e
política do País no mundo e deve ser visto como um investimento nacional, como uma
plataforma de viagens de negócios para promoção
das exportações e das empresas brasileiras pelos
continentes afora, como fazem muitos países há
décadas.
Países como Alemanha,
EUA, Japão, Coréia do Sul e CHINA optaram por exportar para crescer, enquanto o Brasil manteve-se
fechado ao mundo, endividando-se,
empobrecendo e complicando-se cada ano mais. Todos eles são
muito ricos hoje e a CHINA
será uma economia maior que a dos EUA em alguns anos por causa
de sua extraordinária agressividade comercial.
Recepção
ao vice-presidente José Alencar em Xangai, China, em 21
de março de 2006, para a instalação da
Comissão Sino-Brasileira de
Alto Nível de Coordenação e
Cooperação (COSBAN).
(Foto Aluizio Gomes de Assis - VPR -146.898)
Até o México, um
emergente de menores recursos, conseguiu
um salto impressionante em seu Comércio Exterior, pois
com o NAFTA e com acordos comerciais costurados em extensas viagens
pelo mundo todo saiu em apenas 6 anos de um montante de US$ 40
bilhões para US$ 280 bilhões anuais de comércio.
Seu presidente, Vicente Fox, foi um executivo comercial da Coca-Cola.
Por tudo isso, o presidente
Lula tem sempre reiterado uma
das principais
metas de seu Governo : aumentar
as exportações brasileiras, atingindo novos mercados como África do Sul,
Rússia,
Índia, China (PAÍSES
BALEIAS) e outros
Países europeus, africanos, asiáticos e americanos. Segundo o presidente, havia
países com mais de 200
milhões de habitantes onde não existia sequer uma representação comercial do
Brasil.
Ele próprio auto-intitula-se como um mascate internacional -
vendedor itinerante - que na
sua infância passava de casa em casa vendendo roupa em sua cidade natal (de tanto
insistirem, sempre vendiam algo).
Portanto, a nova aeronave apresentou-se sob medida para ele ter uma
devida apresentação
de vendedor do Brasil e desempenhar esse papel pelo mundo ao
máximo na busca de novos
mercados para os produtos brasileiros.
Qualquer pequeno contrato ou acordo que venha como resultado
tenderá a ser muito superior ao preço da aeronave.
Espera-se que o FAB
001 possa estar ajudando a dar um passo gigantesco à
Nação e ser um motivo de orgulho para todo brasileiro no
futuro, menos
por ser um novo símbolo de valor patriótico e mais pelos
negócios que o Presidente venha a promover e gerar para o
Brasil em suas viagens internacionais, como ocorreu com a CHINA em
maio de 2004.
AS EXPORTAÇÕES APÓS AS VIAGENS
O então ministro Furlan (MDIC) afirmou em
1º de junho de 2004 que as visitas realizadas pelo Presidente
Lula têm trazido resultados concretos para o País,
como crescimento econômico e novos empregos. “O presidente
Lula abre portas, ruas e avenidas que são ocupadas pelos
empresários
brasileiros e que se transformam em resultados. Portanto é
um ótimo investimento que se paga rapidamente”.
"A equipe do MDIC passou a acompanhar o desempenho das
exportações nos países
visitados pelas missões presidenciais e o fato concreto é
que há um crescimento muito acima da média para os
países onde passou a comitiva brasileira".
O aumento mais forte das
exportações brasileiras após as viagens
do presidente Lula ocorreu com a Síria, para onde as vendas
multiplicaram-se por oito, subindo de US$ 8 milhões para
US$ 70 milhões, de janeiro a maio de 2003 para o mesmo
período de 2004.
Depois da viagem do presidente à
África do Sul, em novembro de 2003, as exportações
para o país registraram um crescimento de 40 %. Entre novembro
de 2002 e abril de 2003, as exportações para o
país africano somavam US$ 275 milhões, e subiram para US$
387 milhões entre novembro de 2003 e abril de 2004.
Também houve um aumento expressivo das exportações
para os países do Oriente Médio, além da
Síria, quando comparados o primeiro trimestre de 2003 e o de
2004. As vendas para o Kuwait, por exemplo, subiram de US$ 16,7
milhões no primeiro trimestre de 2003 para US$ 33,7
milhões no mesmo período de 2004.
As vendas para o Iêmem subiram de US$ 14,9 milhões para
US$ 29,7 milhões. Para o Bahrein,
as vendas aumentaram de US$ 17,9 milhões para US$ 26,4
milhões. Para a Jordânia, subiram de US$ 5,9
milhões para
US$ 13,1 milhões; para o Catar, de US$ 7,1 milhões
para US$ 12,6 milhões, e para Omã, de US$ 7,1
milhões para US$ 8,9 milhões.
Em novembro de 2005, ao falar sobre os recordes das
exportações, o ex-ministro Furlan fez piada com o
Aerolula:
"o custo do Aerolula representa uma hora de exportação
brasileira; cada viagem traz negócios de US$ 200 milhões,
US$ 300 milhões".
O FAB 001 voou exatos 227 mil km somente no ano
de 2005.
EMBRAER EMB-190
Duas
modernas aeronaves Embraer EMB-190
virão em julho e
dezembro de 2009 substituir os 2 VC-96
- Boeings 737-2N3 - os Sucatinhas da Presidência, por terem autonomia semelhante.
Os
EMB-190/195 são os maiores modelos de aeronaves da Embraer, com
capacidade de 98 a 108 passageiros. Cada aeronave comum custa mais de US$
40
milhões.
(Clique
na foto abaixo para ampliação)
O EMBRAER EMB-190 em vôo.
(Foto
Divulgação Embraer).
Apresentação do EMBRAER EMB-190.
(Foto
Divulgação Embraer).
O EMB-190 será usado exclusivamente
pelo presidente da República em suas viagens pelo Brasil e
América do Sul, possuirá uma divisão na cabine,
própria para o uso do presidente, com acomodações
para despachos e reuniões presidenciais. Será o jato de
maior porte do Grupo de Transporte Especial (GTE).
O EMB-190 presidencial teve a autonomia
original expandida e pode
chegar a qualquer capital da América Latina sem escalas e
até a África ou ao hemisfério norte com uma
só parada.
O interior tem 36 assentos do mesmo tipo oferecido na classe
executiva comercial. Para a assessoria direta do presidente
há 11 poltronas. Na cabine reservada fica o gabinete de
trabalho, uma suíte com cama de casal, chuveiro e saleta com
terminal de vídeo. O bagageiro pode ser acessado de dentro
da cabine.
As comunicações via satélite são protegidas
e codificadas eletronicamente, permitindo que as atividades de
inteligência, comando e controle do governo possam funcionar a
bordo.
Com o
problema enfrentado em outubro de 2007 por um dos Sucatinhas na viagem
presidencial à África, esta aquisição
voltou à pauta. Mas em
30 de maio de 2008, um deles teve o pára-brisa trincado durante
o vôo quando retornava de El Salvador para o Brasil. A bordo
estavam os ministros Miguel Jorge, Edison Lobão e Patrus
Ananias. Daí, foi necessário apenas um piscar de olhos.
Em 2 de junho de 2008, a Embraer finalmente assinou o contrato para a
venda dos 2 jatos EMB-190 ao governo brasileiro. As aeronaves
são configuradas especialmente para o transporte do presidente
e de autoridades e serão operadas pelo GTE. A
primeira unidade deveria ser entregue até dezembro de 2008, mas
foi adiado para julho de 2009. O
segundo avião deverá ser entregue somente em dezembro de
2009.
Segundo a Embraer, as novas aeronaves são
configuradas com sistemas especiais de comunicação,
visando um nível máximo de segurança, e
têm um alcance que abrange toda a América do Sul, a
partir de Brasília, e condiçõe de
atravessar o Oceano Atlântico, oferecendo grande
flexibilidade operacional.
(Clique
na arte abaixo para ampliação)
Arte
do EMB-190 com as cores do Brasil.
(Arte da Embraer)
O presidente
pretende fazer as viagens regionais de sua agenda com os novos
aviões. As aeronaves são capazes de pousar em pistas
curtas, como a do Aeroporto Santos Dumont, que mede 1.300 metros.
A configuração especial permite alcance muito
maior que a dos EMB-190 normais. Esses 2 voam a 850 km por hora, com alcance máximo
de 7.778 km - o suficiente para ir de Nova York a Paris ou Londres sem
escala.
So 3 mil milhas, o que representa um vôo para a Europa
ou para os EUA com uma única parada, ou partir de
Brasília para qualquer uma das capitais da América do Sul
sem escalas.
Oferecem sala de
reunião, banheiro e uma
seção privativa para o gabinete presidencial, além
de uma seção de passageiros entre 19 e 40 lugares. O arranjo de catálogo do EMB-190
prevê uma suíte, com cama de casal, TV de alta
definição, conjunto sonoro, banheiro com ducha, poltronas
de couro e mesa.
A eletrônica de bordo permite que as decisões de
comando, as comunicações e as atividades de
inteligência do governo possam funcionar com segurança. Os aparelhos têm várias
inovações tecnológicas, inclusive com sistema CSN / ATM, que confere maior segurança de vôo
em ambientes congestionados e controlará o tráfego
aéreo futuro pelo sistema global ATM.
O preço normal de um EMB-190 é de US$ 40 milhões.
Porém, devido às características especiais, cada
avião
presidencial custou US$ 52 milhões, sendo um custo total de R$
168
milhões (ao câmbio de R$ 1,62 na data do contrato, 2 de
junho
de 2008).
O contrato ainda
prevê apoio logístico inicial, treinamento das
tripulações e mecânicos, peças de
reposição e assistência técnica, o que faz o
valor total subir a R$ 211 milhões.
O presidente Lula receberá em
14 de julho de 2009 o primeiro dos dois jatos EMB-190. Esse primeiro
avião terá a matrícula 2900. Sua
operação irá permitir que Lula utilize o modelo
nacional nas viagens regionais programadas para o segundo semestre de
2009. Os 2 Sucatinhas, em
uso há 35 anos, serão transferidos
para a frota do GTE
- Grupo de Transporte Executivo.
EMBRAER ERJ-135BJ LEGACY
O EMBRAER ERJ-135BJ
LEGACY EXECUTIVE,
jato bi-turbina da classe super mid-size (plataforma do ERJ-135), é voltado
para a Aviação
Corporativa, em franca expansão no Brasil e no mundo.
O futuro LEGACY do GTE.
Tem
alcance de 3.200 milhas (5.926 km), podendo voar Nova York a Londres a uma
velocidade
de cruzeiro de Mach .8, e transportando de 8 a 13 passageiros.
Derivado do jato regional ERJ-135, de 37 lugares, o Legacy
é produzido em três versões:
Legacy Executive - 10 a 15 pax (US$
21 milhões);
Legacy Shuttle - 16 a 19 pax (US$
16 milhões); e
Legacy Shuttle HC - até
37 pax (US$ 17,5 milhões).
LEGACY Executive & Shuttle .
(Foto
Divulgação Embraer).
Um Learjet 60 usado,
fabricado no ano 2000, está avaliado em US$ 7 milhões,
enquanto que o modelo HS 800, que também foi considerado no
estudo da FAB para a substituição aos antigos VU-93 - BAe
HS-125 - custa cerca de US$ 11 milhões.
Por outro lado, o Legacy
pertence a uma categoria bastante superior, virá novinho em
folha, e também poderá servir ao presidente, que o
utilizaria até mesmo como "bandeira" para seus convidados
estrangeiros, juntamente com o EMB-190, em vantajosa
contraposição ao ACJ franco-alemão. Em termos de
imagem de tecnologia para o Brasil, será excelente.
Aliando-se esses fatores ao seu estado da arte, baixo custo de
manutenção, confiabilidade e geração de
empregos no País, poder-se-á convencer a todos sobre esta
aquisição. Entretanto, os preços e a quantidade
(6) de aparelhos deverão ser exaustiva, porém,
pontualmente negociados para baixo, se houver tal competência
à disposição.
A
TRADIÇÃO DO AIR FORCE ONE
O AIR
FORCE ONE - AFO-
transformou-se no grande símbolo da Hegemonia política,
econômica e militar dos Estados Unidos. Entretanto, foi
lançado como uma útil plataforma de viagens de
negócios para promoção das empresas americanas
pelo mundo todo, na metade do Século XX.
É um orgulho para todo americano, como também espera-se
que o novo FAB
001 venha a ser um motivo de orgulho para todo brasileiro no
futuro, menos por ser um valor patriótico e mais pelos
negócios que o Presidente possa gerar para o Brasil em suas
viagens internacionais.
Em junho de 2003, o
antigo AFO, conhecido como "The Spirit of 76", fez sua
última viagem, só que dessa vez desmontado em
caminhões, rumo à Biblioteca Presidencial Ronald Reagan,
que mais o utilizou (1981 a 1989).
O velho Boeing 707 - prefixo de cauda nº 27000 - serviu a 7
presidentes desde Nixon em 1973. Voou em 445 missões como AFO, cobrindo mais de 1,3 milhão de
milhas. Viajaram nele os presidentes Richard Nixon, Gerald Ford, Jimmy
Carter, Ronald Reagan, George Bush e Bill Clinton.
O então presidente George W. Bush também voou nele uma
semana
antes de sua retirada de serviço. Esse último vôo ocorreu em setembro
de 2001. Desde 1990, era reserva do 747.