INTRODUÇÃO
Em
7 de Setembro de 2009, os
governos Lula e Sarkozy divulgaram nota conjunta dos dois
países confirmando que o Brasil iria adquirir 36
caças
Rafale F3.
Tal anúncio oficial
significaria o encerramento do
processo FX-2 de
seleção feito pela FAB. Poucas horas depois, foi
noticiado que não era bem assim e que a concorrência ainda
levaria mais algum tempo. Este
foi o início do fim do FX-2.
De fato, o cancelamento do FX-2 pela
presidente Dilma Rousseff foi
noticiado em 18 de janeiro de 2011, no seu primeiro mês de
governo, ao melhor estilo Lula. E no melhor estilo Jobim, o ministro da
Defesa disse à imprensa no dia 25 que nada tinha mudado.
No início de 2012,
o assunto foi retomado e os desmentidos voltaram com novos adiamentos.
Será aberta a temporada de CAÇA do FX-3?
Em 10 de junho de 2012, escrevi
um comentário no blog sobre
matéria da revista "Isto é" com o título "FX-2
no limite", a qual foi publicada no Notimp da FAB 162,
no dia seguinte:
(Clique na imagem abaixo para
ampliação)
O FX-2/3 DE DILMA
O
Projeto FX-2 pretende reequipar e renovar a
Aviação
de Caça da Força
Aérea Brasileira (FAB),
beneficiando inicialmente o 1º
Grupo de Defesa Aérea - 1º GDA - JAGUAR.
Em junho de 2012, o prazo
das propostas
do FX-2 terminari de vez. Daí, o prazo foi esticado com
extensão para dezembro de 2012 e depois para março de
2013. Mas só Deus sabe em que ano vai terminar essa longa
escolha.
Agora, se for para dar a velha desculpa, usada por Lula em 2003, de que
o país deverá fazer cortes orçamentários em
2012 e precisará economizar, isso está totalmente errado.
Esse tipo de contrato é feito com financiamento de longo prazo e
nada é pago nos primeiros anos, pois há prazo de
carência.
O ideal seria que tudo fosse feito rápido e em segredo. E se uma
decisão de investimentos para o desenvolvimento de um
caça de superioridade aérea tivesse sido tomada no fim do
século XX, à época do FX BR, o país
já estaria com seus próprios vetores lá em 2010 e
não
teria seguido modernizando antiguidades como F-5 e AMX e sendo alvo de
chacotas pelo mundo.
Pode-se especular quais serão os caças que
entrarão na disputa de uma nova novela da FAB, a FX-3, e qual
será ou
deveria ser a quantidade a ser negociada.
Quanto aos caças, não há dúvida de que a
decisão precisa contemplar um vetor de 5ª
Geração. Nesse campo hoje, há somente duas
opções, os EUA e a Rússia. Esses países
estão para introduzir o F-35 e o T-50 PAK FA até 2015.
Imagem do primeiro voo do
T-50 PAK FA em 2010.
(Foto Sukhoi Design
Bureau - JSC)
Uma "Short List" do
DEFESA BR seria
composta apenas por aeronaves de
5ª Geração:
Lockheed Martin dos EUA - F-35 Lightinng II.
Nem vou me alongar na
conhecida opinião do DEFESA BR
sobre uma decisão que favoreça
os americanos, pois os considero nossa maior ameaça. Por
eliminação, só restariam os russos (ou uma
aventura chinesa).
Foi dito pelo ex-ministro Jobim que os russos não iriam
transferir tecnologia e
baseado nesse argumento o Su-35 foi desclassificado para a fase final
do FX-2.
Para desmistificar esse argumento, basta viajarmos até a
Índia, que constrói em seu próprio país o
Su-30 Flanker há anos e às centenas.
O Su-30 e seu irmão Su-35 não deveriam ser o nosso
objetivo, mas sim o T-50 PAK-FA,
um
verdadeiro caça de 5ª Geração, que vem sendo
desenvolvido justamente com a Índia.
Não importa o quanto de tecnologia os indianos estejam
contribuindo hoje. Importa é que estarão aptos a
construir sua frota dentro de casa. Os indianos são parceiros e
ponto final.
Quanto à quantidade, começamos com 12 e terminamos com 36
unidades nas duas novelas anteriores do FX. Por trás dos panos,
sempre houve a informação de que o Brasil viria a comprar
e construir um total de 120 unidades.
Isso é pouco para nossa geografia com suas riquezas e para o
inevitável crescimento político de uma economia que
chegará à 5ª posição mundial ou mais
nesta
década de 10.
Não vou pregar que deveremos ter com esse governo atual um quadro de 1.200
caças, pois isso
seria impossível, embora algo próximo fosse o realmente
necessário no desafiador futuro próximo. Tal quadro
não é irrealista, manter cacarecos na FAB é que
sim.
Contudo, um mínimo de 300 unidades sendo construídas aqui
ao longo de 10 anos poderia representar uma defesa razoável,
mesmo contra forças superiores, na medida em que as perdas
inimigas seriam pesadas. É o aspecto dissuasório.
A
HISTÓRIA DO PROJETO
FX BR E DO FX-2
Iniciado no governo FHC, o
Projeto FX BR
previa a compra de 12 supersônicos com a
transferência de tecnologia do fabricante para a FAB, que
culminaria em um total final de 120 unidades, fabricados no Brasil.
O interminável
processo remonta a
1998,
quando começaram a ser definidos os concorrentes. Sua origem
oficial vinha de agosto de 2001.
O Projeto FX BR previa a substituição da atual e
obsoleta frota de 16 Mirage III EBR/DBR (F-103) pertencente ao 1º
Grupo de Defesa Aérea - 1º GDA - JAGUAR -
responsável pela superioridade aérea e
interceptação de aeronaves hostis em território
nacional. Deveria ter sido feita uma compra inicial de 12 caças
a serem fabricados no país de origem.
As propostas iniciais do
FX BR foram apresentadas em 2002.
Houve a mudança de governo em 2003. Após idas e vindas, o
governo
Lula solicitou novas propostas sem demonstrar convicção,
as quais perderam validade
em 31 de dezembro de 2004, e o Brasil
não solicitou mais qualquer renovação, encerrando
a concorrência, tida por todos como um verdadeiro
"papelão" a nível mundial.
Desde que se decidiu pela "Meia-Sola Francesa"
em 2005, circulava no mercado
internacional de Defesa a informação de que Lula
e Chirac teriam assinado um protocolo reservado por meio do qual o
Brasil exerceria em 2007 uma opção de compra sobre os
caças Rafale.
Na cerimônia de incorporação dos primeiros Mirage
2000 ao 1º GDA, em 04 de setembro de 2006, Lula sinalizou
retomar o Projeto FX BR. Por um lado, era
véspera de 7 de Setembro, mas por outro lado, também era
véspera das eleições presidenciais :
"Mas
o
planejamento estratégico de nossa
defesa inclui a chegada futura do
FX,
imprescindíveis elementos de
avanço
tecnológico para a
Força Aérea."
As empresas que disputaram o
contrato da FAB no FX BR, inicialmente avaliado em
US$ 700 milhões, foram :
Dassault / Embraer (França)
- Mirage 2000 BR,
SaaB-BAE / Varig
(Suécia-UK)
- JAS-39 Gripen,
Lockheed Martin (EUA)
- F-16,
Rosoboronexport /
Avibrás
(Rússia) - Sukhoi Su-35, e
Mikoyan-Gurevich / RAC
(Rússia) - MiG-29.
Todas as concorrentes haviam
retomado o processo de seleção para 2004 e receberam
instruções relativas aos novos procedimentos que iriam
regular a realização das atividades.
A seguir, o F-16 e o MiG-29 foram desclassificados. A decisão
final deveria ter sido tomada em junho
de 2004, mas não houve mais notícia importante
até seu encerramento em 2005.
O
então presidente da
Rússia,
Vladimir Putin, visitou o
Brasil em 22 de novembro de 2004, e pairou no ar que nada mais iria
avante entre os dois países no âmbito do Projeto FX BR, o
que viria a se confirmar alguns meses depois.
No início de 2005, o
governo
federal deu por encerrada a disputa pelo Projeto
FX BR,
de reequipamento e renovação da Aviação de
Caça da FAB.
Sabia-se que a melhor proposta tinha sido a da empresa Avibras, com o SU-35 Super Flanker, inferior a US$ 700 milhões,
enquanto a da Embraer com o Mirage 2000-5 BR teria ultrapassado US$ 1
bilhão.
Seja como for,
o Brasil não irá a lugar algum apenas pensando em
pequenas aquisições condicionadas a uma improvável
e fantasiosa transferência de tecnologia. Somente
alcançará seus objetivos
se abrir os olhos para reais parcerias de desenvolvimento, caminhando
aí sim para obter tecnologia própria no futuro.
Em abril de 2007, foi noticiado
que a
FAB estaria se preparando para anunciar a aquisição de 20
caças Rafales, devendo ser 14
monoplaces e 6 biplaces.
Em agosto de 2007, houve boato que seriam 28 unidades do Rafale
F3, acompanhados de mais 12 Mirage
2000C/B. Isso definiria de vez o
futuro do
caçador da FAB em prol dos franceses.
VÍDEO -
DASSAULT RAFALE (04:10 MIN)
Já em outubro de 2007, passou-se
a falar em 36 unidades orçadas em US$ 2,2 bilhões (US$
61 milhões cada), com as preferências divididas entre o
Rafale F3 e o Su-35.
Ganharia aquele que transferisse mais tecnologia.
Pareciam melhorar as chances dos russos, o que já demonstrava
haver
extenuantes negociações diplomáticas por
trás da cena.
A torcida do DEFESA BR ainda
é apenas por inteligência e
legitimidade da escolha!
Para esse aumento
para 36 caças, existiria o então "Fator
Chávez" com suas compras de armamentos em grande
escala e atração da Guerra Fria para a América do
Sul. Ele mostrou à sociedade brasileira
que o país não contava com Defesa à altura do
país havia
décadas.
Entretanto, o explosivamente crescente transporte de centenas de
autoridades pelo
sobrecarregado GTE nem chega a ser uma obrigação
constitucional, mas é uma atividade da FAB que continua de vento
em popa.
Essa compra do FX-2 poderia ser bem superior, pois o FX
original objetivava a montagem no Brasil sob licença, em uma fase seguinte, de 84
aeronaves de modelo já
aperfeiçoado ao inicialmente escolhido, vindo a totalizar 120
aeronaves de interceptação. Só Chávez planejava
chegar a 150 Su-30 e Su-35BM para a sua Venezuela.
Uma aquisição menor
que essa não ensejaria montagem local nem poderia
contar com plena transferência de tecnologia. Mesmo 120 unidades
produzidas aqui sob licença não garantiriam
transferência de tecnologia atualizada. Isso é muito
improvável de acontecer.
Na primeira fase do FX-2,
chamado pela FAB de 1º Lote, o
Brasil selecionou em 2009 e importaria somente 36 unidades, para
entregas iniciando
somente em 2014 ou 2015.
Havia no dia 2 de
fevereiro de 2009, apenas 3 finalistas :
Um Rafale Marine da Marinha
Francesa
tocando no convôo
do CVN 74 USS John C. Stennis, em 12 de abril de 2007.
(Foto US Navy por Denny Cantrell - Wikimedia Commons)
Gripen NG.
(Arte
Revista
Isto é)
F/A-18 Super Hornet.
(Arte
Revista
Isto é)
A escolha desses finalistas
foi
divulgada
em 1º de outubro de 2008 e a entrega das propostas finais deu-se
em 2 de fevereiro de 2009.
Apenas dois dias depois, em 4 de fevereiro,
o ministro Jobim reuniu-se com representantes da Rosoboronexport russa,
quando teria aceitado a
volta
do Su-35 e do Eurofighter europeu ao FX-2, o que seria
praticamente rasgar a short list
dos 3 finalistas e
remontando outra de 5 caças.
Desde o dia 4 de fevereiro de
2009, haveria então 5 finalistas no FX-2, o que nunca mais foi
confirmado:
Dassault da França - Rafale
F3,
SaaB-BAE (Suécia-UK)
- JAS-39 Gripen NG,
Boeing dos EUA - F/A-18 E/F Super
Hornet, e
Consórcio Eurofighter europeu
(Alemanha, Itália, Espanha e
Inglaterra) - EF-2000
Typhoon.
A transferência completa das
linhas de código dos softwares dos concorrentes era um
ponto básico nas exigências brasileiras. A FAB
também colocava mais ênfase em autonomia na
manutenção dos sistemas e não em
produção sob licença.
Seria interessante que, em nome da transparência do processo de
seleção, a FAB tivesse mostrado a previsão dos
custos de
manutenção para os próximos 30 anos dos 3
finalistas.
(Clique na arte abaixo para
ampliação)
Alguns
detalhes do Rafale que o Brasil estaria para adquirir,
segundo a Isto É de 28 de agosto de 2007.
(Arte
Revista Isto
É )
CARACTERÍSTICAS
DOS 3 FINALISTAS
Características
|
Rafale
F3
|
Gripen
NG
|
F/A-18
|
Dimensões
(Envergadura x Comprimento x Altura - m)
|
10,9
x 15,3 x 5,0
|
8,4
x 14,1 x 4,5
|
13,6
x 18,3 x 4,8
|
Peso
Máximo (kg)
|
24.000
|
16.000
|
29.900
|
Carga
Bélica (kg)
|
8.000
|
6.300
|
8.000
|
Velocidade
(km/h)
|
2.125
|
2.126
|
1.915
|
Alcance
Máximo (km)
|
3.125
|
4.070 |
3.700
|
Raio
de Ação (km)
|
1.055
|
1.850
|
1.231
|
O F/A-18 E/F da Boeing na
disputa final poderia nada significar, pois suas
chances eram quase nulas, devido à tradicional
restrição americana a transferências de tecnologia
militar.
VÍDEO -
62º FPB - TECNOLOGIA MILITAR
(43:44 MIN)
62º FPB - Tecnologia
Militar - A
Defesa e o Novo
Plano da Política
Industrial - 17/12/2008. Relato
da infinita série de embargos americanos ao Brasil.
O Gripen, um avião
pequeno que foi reformulado para ter
maior autonomia de combate, estava no mesmo rol, pois boa parte de
seus componentes era de origem americana, a começar pelo
seu único motor.
O maior problema do Gripen
é o curto
alcance, com sua baixa autonomia tornando-o inviável para um
país continental com a extensa Amazônia sendo sobrevoada
com um único motor. Além disso, tratava-se de um projeto
de risco, poid ainda não existia o avião.
Ressalte-se que, em 2009,
muitas empresas brasileiras aderiram ao projeto, o que parecia levar a
uma segunda opção de compra pelo governo brasileiro
após o FX-2.
Só que, em 2012, os americanos embargaram a entrega do Gripen
à Tailândia. Ponto final para ele no Brasil.

As bandeiras do Gripen
NG BR.
(Arte SAAB)
A vantagem
do Rafale foi justamente não contar com fornecedores
americanos.
No meio desse jogo, o Brasil já estava montando com a
França
uma grande parceria estratégica baseada na Estratégia
Nacional de Defesa.
Resumindo, o Rafale
parecia já ter sido escolhido há tempos, e os outros 2
teriam sido selecionados apenas para formalizarem uma
concorrência para o FX-2. Porém,
continuaram as
críticas do mercado sobre o Rafale,
pelo alto
custo de compra e de manutenção.
A grande decisão
do FX-2
tinha vindo em 1º de outubro de 2008, quando o MD e a FAB
descartaram o Su-35BM russo.
Em junho de 2009, o jornal
francês “La Tribune“ já afirmava que os fabricantes
franceses
estariam otimistas por um anúncio favorável em setembro,
quando o presidente Sarkozy estivesse aqui.
Noticiava também que
Sarkozy teria proposto ao
presidente Lula que ambos os países passassem a desenvolver suas
aviações militares em conjunto, empregando
transferências de tecnologias.
Não parece ser algo
limitado apenas a caças de combate de
4ª e 5ª Gerações, mas algo finamente inovador
aberto a todo um espectro de aeronaves de asas fixas e rotativas,
podendo chegar a KC-390 e muito mais.
Seria uma grande aliança
industrial e científica de fins militares com ampla
independência dos americanos, russos e mesmo chineses.
Essa aliança já
vinha ocorrendo no campo dos
submarinos. A Espanha não era mais parceira
da França no Scorpène e o Brasil estaria se
estabelecendo como um novo sócio dos franceses nesse campo. E
outros “dossiês” estariam sendo preparados.
Rafale Animado.
Em 7 de Setembro de 2009, os
governos Lula e Sarkozy divulgaram nota conjunta dos dois
países finalmente confirmando que o Brasil iria adquirir 36
caças
Rafale F3.
O anúncio
oficial significaria o encerramento do
processo FX-2 de
seleção feito pela FAB. Poucas horas depois, foi
noticiado que a concorrência ainda levaria mais algum tempo. Este
foi o início do fim do FX-2.
Clique e conheça a
Aliança Estratégica Brasil - França
Uma Visão Integrada.
(Arte Centro Europeu)
A decisão foi tomada durante
uma reunião dos então presidentes
Lula e o francês Nicolas Sarkozy,
no Palácio da
Alvorada, no dia da Festa da Independência, na qual os franceses
também desfilaram em Brasília.
Como já era previsto, mesmo com o desmentido inicial, tudo ainda
levava a crer que a
França tinha vencido a disputa dos
caças e pretendia adquirir aviões do Brasil, tornando os
dois países “parceiros estratégicos também no
domínio aeronáutico”.
O presidente Sarkozy declarou que a França pretendia adquirir
10 unidades do avião de transporte militar KC-390, com
industriais franceses contribuindo para o desenvolvimento desse
programa.
SEM E COM O SU-35BM
RUSSO
O Brasil inteiro ficou surpreso com a notícia da saída do
Su-35BM Super Flanker antes da última etapa do FX-2, gerando
reclamações e indignação geral, não
importando se a decisão teve base política ou
técnica.
Examinando-se pelo lado político, vê-se que os russos
poderiam ter avançado no processo seletivo da FAB,
porém ao tentarem intimidar os EUA com manobras navais conjuntas
com a Venezuela no Caribe, deram um tiro no pé e a Venezuela
ficou sendo o seu único mercado potencial na America
Latina.
É dito no meio que,
graças ao
"Fator Chávez"
e sua crescente aproximação militar com a Rússia,
diplomatas americanos teriam feito chegar ao governo brasileiro,
sinalizações de que Washington não reagiria bem a
uma eventual escolha russa.
A pressão teria sido velada, incluindo no rol de
retaliações hipotéticas limitações
de fornecimento tecnológico a empresas brasileiras como a
Embraer, mas a mensagem central foi a de que a opção
francesa não seria mal vista - e isso poderia acabar definindo
o vencedor.
Já em uma versão técnica, teria havido diversos
problemas na escolha
russa, que vão de uma logística extremamente diferente da
ocidental, em que a manutenção seria um pesadelo,
até fadigas de peças devido ao seu alto esforco
estrutural. Havia ainda dúvidas na possivel
integração de componentes ocidentais.
Também falou-se que, no momento decisivo da escolha dos
três finalistas, a intenção de transferência
de tecnologia do Su-35BM
pelos russos não se confirmou. Podem ter considerado essa
proximidade entre brasileiros e americanos.
Disseram ainda que os russos não estariam cumprindo prazos de
alguns
contratados com a Índia, além de haver casos de supostos
aviões recuperados e entregues como novos. Mas são
justamente os indianos que estão fechados com os russos no PAK
FA. O Brasil deixou de lado esse fantástico projeto
de 5ª Geração, pois o contrato com os russos
não foi
assinado.
Tudo parecia ter mudado nos
bastidores da política internacional com a mudança de
governo nos EUA, tendo o presidente Barack Obama tomado posse em 20 de
janeiro de 2009.
Duas semanas depois, o Su-35BM parecia ser parcialmente
reaceito no
FX-2 brasileiro, de acordo com as palavras
do então ministro Jobim no
dia 5 de fevereiro de 2009. Depois que ele deixou o governo,
praticamente não se falou mais dos russos
no FX-2.
O
PROBLEMA DA
PREVENÇÃO DE USO
Há um tipo de prevenção que, praticamente, todo
fabricante de equipamentos militares sofisticados adiciona nos
softwares embarcados de caças de forma a previnir o seu uso
contra os países fornecedores.
Esse equipamento sempre tem uma ou mais vias de
comunicação com o meio externo. Um míssil, por
exemplo, pode receber informações do radar da aeronave
lançadora para atualização de trajetória
(apesar de não ser necessário isso, pode inclusive ser
feito com os fire and forget, aumentando a precisão).
Esse mesmo canal de comunicação com o radar pode ser
usado por quem o conhece (o fabricante), para, usando códigos de
segurança previamente estabelecidos, enviar
informações ao míssil. Essa
informação pode, por exemplo, comandar o
desativação da espoleta de detonação da
carga explosiva, ou apagar os dados de guiagem.
O satélite não é a única forma de se
estabelecer esse tipo de comunicação com as armas. Isso
pode ser feito através das mais variadas frequências de
rádio. A vantagem do satélite é o alcance global.
Em qualquer lugar do globo em que a arma estiver, assim que seu sistema
operacional for ativado, a arma pode ser posta "fora de
serviço".
No caso de comunicação por outros meios (rádio), a
arma precisa estar perto da fonte para estabelecimento de
comunicações. No caso de mísseis, esse perto pode
significar em rota de interceptação após o
lançamento. Há muitos boatos de que foi usado esse
recurso nos EXOCETs argentinos. Alguns erraram o alvo, outros, apesar
de terem atingido o alvo, não detonaram.
Os ingleses teriam solicitado os códigos de
desativação aos franceses, evocando a aliança da
OTAN. Entretanto, tinham que esperar os mísseis serem
lançados e se aproximarem perigosamente dos seus navios para
enviarem o código de desativação.
No caso de caças, há vários canais de
comunicação com o ambiente externo. Várias
antenas, UHF/VHF, RWR, e o próprio radar, entre vários
outros canais de estabelecimento de comunicações com os
mesmos.
Certamente, existe esse recurso nos três caças do FX-2,
assim como em qualquer caça moderno. A diferença é
que os EUA possuem uma rede de satélite global, tendo capacidade
de desativar os caças assim que eles decolarem de suas bases. No
caso de franceses e suecos, o uso desse recurso é mais restrito.
Em tese, esses dois países só usariam esse recurso em
caso de serem atacados com suas armas ou um aliado de peso, que
exerça forte pressão para o fornecimento dos
códigos (como no caso das Malvinas).
Já os EUA, até por serem a maior potência
econômico-militar do mundo, assumindo postura de maior
ingerência, fariam, em tese, um uso muito mais generalizado desse
recurso, isto é, sempre que fossem contrariados minimamente seus
interesses no uso dessas armas pelo Brasil.
Além disso, todos os caças modernos ocidentais fazem uso
de sistema de navegação por satélite (GPS). Nesse
caso, o sistema de posicionamento/navegação solicita
dados de posicionamento aos membros da constelação no
visual (não cobertos).
Cada sistemas de GPS possui um identificador exclusivo (como os chips
de celular). Dessa forma, fica acessível aos operadores da
constelação de satélites (NASA/EUA) a
localização de cada sistema de GPS no globo.
Sendo assim, cada um dos Super Hornets que o Brasil eventualmente
comprasse seria localizado imediatamente e em tempo real assim que
ligasse o sistema operacional (antes mesmo de decolar).
Esse é o motivo porque Rússia e China, por exemplo, mesmo
que lhes fossem oferecido o uso do sistema GPS de graça e com
precisão máxima (sem nenhuma degradação
intencional), não aceitariam sob hipótese alguma.
É por isso também que o projeto GLONASS foi um dos poucos
que foi mantido a um ritmo no mínimo razoável, apesar de
todo o caos sócio-econômico durante a queda da URSS. E
é por isso também que os europeus estão
desenvolvendo o sistema GALILEO. Apesar de aliados dos EUA, eles
não se sentem nem um pouco confortáveis com essa
situação.
Os EUA, por serem a maior potência política,
econômica e militar do mundo, serim naturalmente a maior
ameaça potencial. Isto é, eles têm capacidade, mas
para essa capacidade se materializar em verdadeira ameaça
é necessário que eles assim o decidam, e ficar na
dependência da boa vontade dos outros não é boa
situação a qualquer nação do mundo.
PROJETO MEIA-SOLA
Já cancelado o Projeto FX BR, em março de 2005 surgiu
forte especulação sobre uma rápida decisão
entre usados Mirage
2000C, F-16A e Su-27, que entrariam em serviço em poucos
meses, visto que os Mirage III estariam sendo desativados ao final
daquele ano.
O Estado-Maior da FAB
recebeu propostas endossadas pelos Governos da França, dos
EUA e da Rússia. Inicialmente, a França encaminhou uma
oferta da Força Aérea dos Emirados
Árabes Unidos de 12 Mirage 2000C, ao preço
unitário de US$ 15 milhões (total de
U$ 180 milhões).
Depois, colocou aeronaves de sua própria frota em oferta. Seriam
12 caças Mirage 2000 usados no valor de US$ 60 milhões, a
um preço unitário bem inferior, de apenas US$ 5
milhões. Eles estariam em uso pela Armée de l'Air, e
seriam 10 Mirage 2000C monoplaces de interceptação e 2
Mirage 2000B biplaces de treinamento.
Os americanos apoiariam a venda de 43
caças F-16A modernizados das forças aéreas da
Holanda
(29 unidades) e da Bélgica
(14).
Seriam aparelhos com custo baixo, de US$ 6 milhões
(total
de U$ 258 milhões).
Os russos
renovaram a proposta de venda de 12 Sukhoi
Su-27 ao Brasil, feita inicialmente em 2002.
Os aparelhos fariam parte do estoque estratégico da força
aérea russa e estariam
orçados em US$ 10 milhões cada (total de U$ 120
milhões).
No final de maio de 2005, a revista francesa Air & Cosmos publicou
: "Um Acordo Iminente", abaixo
livremente resumido :
"De fonte brasileira, amplamente
utilizada pela imprensa local, o
Brasil teria concordado com a proposta francesa para a venda de ocasião (usados), com
preço bem razoável, de Mirage 2000C/B com radar RDI, retirado dos estoques da Armée de
l'Air (Força Aérea Francesa)."
"Um acordo de princípios
já teria sido firmado e o contrato oficial
estaria previsto para a ocasião da visita do
Presidente Lula à
França, convidado de honra do Presidente Jacques Chirac para as festas nacionais francesas de
14 de julho."
"A venda compreenderia um total
de 16 aparelhos - 14 Mirage 2000C monoplaces de
interceptação e 2 Mirage 2000B biplaces de treinamento - cujo montante de US$ 80 milhões seria
pago em um período de 15 anos (US$ 5 milhões por
aeronave). Haveria ainda um contrato
ao qual se adicionaria em torno de US$ 50 milhões para atualizar
os aviões com uma
padronização brasileira."
A
atualização dos 16 Mirage 2000C/B
para um
padrão brasileiro por US$ 3,125 milhões
por aeronave significaria
uma padronização com
o datalink usado pela FAB e
compatibilização de armamentos, como
a do BVR
a ser usado pelos F-5 EM, ou até mesmo uma
adaptação para o moderno míssil
BVR MICA francês.