Existe nos
dias atuais uma certa involução nas quantidades
de submarinos encomendados, mundialmente, a
primeira
vez desde a sua invenção,
devido aos novos cenários Pós-Guerra-Fria. Com isso, houve uma
profunda mudança representada pela
ameaça de submarinos, pois simplesmente
mudaram-se todos os
paradigmas nos últimos 23 anos (1989-2012).
Em muitos
países, diminuíram a quantidade de submarinos
- e outros sistemas de armas, e até levaram muitos programas ao fim. Isso se
manifesta em praticamente todos programas de
defesa de maior
envergadura, pois os custos de desenvolvimento
e
aquisição desses novos sistemas de armas aumentam
fortemente a cada geração, e as
ameaças já não são as mesmas.
Até mesmo nos EUA, os principais programas de
aquisição andaram mais devagar do
que o planejado
ou tiveram cortes dos números originais.
Nos demais
países, a situação é
ainda mais critica.
A GUERRA FRIA
A URSS tinha
em serviço no final da Guerra Fria 66 unidades de três
classes de submarinos lançadores de
mísseis balísticos (Delta III, Delta
IV e TYPHOON),
três classes de submarinos nucleares de ataque,
duas classes de
submarinos lançadores de mísseis de cruzeiro, e três classes de
submarinos diesel elétricos. Tudo somava
203 submarinos em
serviço.
Projeto 941 da Classe Typhoon,
SSBN de 26.500 ton.
Comparativamente,
os EUA tinham uma classe de submarinos lançadores
de
mísseis balísticos (OHIO) (2) (3) - os SSBN TRIDENTs, e uma classe de submarinos nucleares
de ataque
(Los
Angeles). Somando as duas classes, havia mais
de 70 submarinos na US Navy.
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante do Trident)
Míssil Trident (Foto USAF)
Submarino SSBN 726 Ohio, que
esteve em conversão entre 2002 e 2006
para
SSGN
(apelidado para
steel shark, giant
shadow, ou tubarão de
aço, sombra de gigante). Reincorporado no início de
2006, pode
agora
disparar 154 mísseis Tomahawk e levar 66 SEALS e
seus equipamentos.
(Foto U.S. Navy)
Esquema de um SSGN Ohio, que poderá carregar
154 mísseis Tomahawk e Forças Especiais.
Considere-se
que os EUA já operavam somente
submarinos nucleares. Em uma
comparação nuclear x convencional,
a diferença
não era muito grande. Assim como a eficiência dos submarinos
americanos era tida como superior.
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante da Classe Ohio)
Submarino Balístico
Nuclear da Classe Ohio SSBN 727 USS Michigan entrando
no Estaleiro Naval de Puget Sound em 2 de fevereiro de 2004 para
reforma de
meia vida e conversão para Submarino de Mísseis de
Cruzeiro (SSGN).
(Foto da U.S. Navy 040202-N-1003P-001)
Porém,
o fato é que em 1989, existia um fator quantitativo amplamente
desfavorável aos EUA. O uso de submarinos para negar o controle de
navegação do Atlântico Norte e regiões do
Oceano Pacífico era pedra angular da
estratégia de
guerra soviética.
PÓS-GUERRA FRIA
Saltando
no tempo e olhando-se a Rússia Pós-Guerra Fria em um futuro por volta de
2015, a sua força
de submarinos
2
deverá ser, incomparavelmente, menor que no Século XX.
Nos últimos anos, a Rússia desmontara mais de 118
submarinos desde 2004. De acordo com sua Agência Federal de
Energia
Atômica, o país descomissionou 193 submarinos
atômicos
até 2003.
Além
disso, a Rússia ainda vinha perdendo, por razões
orçamentárias, os
caríssimos submarinos de
lançamento de mísseis balísticos. Desde a era
Putin, os planejamentos
começaram a rezar o contrário.
Os Typhoon
e Delta IV atualmente em serviço vêm sendo
substituídos pelo SSBN Projeto 955 da
Classe BOREY. A Rússia planeja construir vinte submarinos da
classe até 2020 (955 e 955A).
Este projeto
é relativamente austero em
comparação
às atuais classes, mas ainda é significativamente
maior (170 metros) do que os novos projetos de submarinos nucleares
estratégicos da marinha inglesa e
francesa
colocados em serviços desde os anos 90.
Estas
classes de submarinos SSBN franceses (Classe Le Triomphant)
e ingleses (Classe Vanguard 2) podem
ser descritas como o maior programa naval de natureza estratégica que
se conseguiu fazer no mundo durante os anos 90, fora dos EUA.
Impressionante imagem noturna
de um Vanguard da Royal Navy.
(Foto da Royal Navy)
Sobre a Classe
Borey, sabe-se que estava com o cronograma de
execução
extremamente atrasado, e que as demais classes
não
estavam conseguindo manter-se operacionais em função
de
problemas
orçamentários.
Um primeiro submarino SSBN Projeto 955 da
Classe BOREY, o Yury Dolgoruky,
construído no Estaleiro Sevmash, em Severodvinsk, norte da
Rússia, foi retirado das oficinas e lançado ao mar em 15
de abril de 2007, para a
continuação dos
trabalhos e colocação de armamentos. Ele
foi comissionado na Frota do Norte em janeiro de 2012.
Trata-se da 4ª Geração de SSBN, que carrega 16
mísseis balísticos de nova
geração, conhecidos como Bulava, baseado no Topol-M,
só que
mais leve, bem mais sofisticado.
Os Bulava são capazes de carregarem até 10 cargas
nucleares individuais com um alcance de 8 mil km.
O Borey pesa impressionantes 24.000 ton, tem 170 m de
comprimento, diâmetro de 13,5 m
(na parte mais larga) e uma velocidade submersa de 29 nós.
Poderá navegar a até 450 m
de profundidade e sua tripulação é integrada
por 107 marinheiros.
Cerimônia de
lançamento do primeiro
submarino SSBN Projeto 955
da Classe BOREY, o Yury
Dolgoruky, em 15 de abril de 2007.
(Foto NOVOSTI 63706284-4)
Todo esse atraso deveu-se às poucas verbas
disponíveis para a sua conclusão. Ele
deveria ter entrado em serviço em 2009
(houve 3 anos de atraso) e
custar algo próximo a US$ 1 bilhão.
Dois outros da Classe
Borey estão em construção no Sevmash, o
Alexander Nevsky e o Vladimir Monomakh. O Nevsky
deverá entrar em operação ainda em 2013 e o Monomakh
em 2014.
Modelo do Projeto 955 da
Classe Borey,
SSBN de 24.000 ton. e 170 metros.

O estaleiro Sevmash deve começar em 2013 a
construção de duas embarcações do Projeto
955A, uma atualização do atual 955. O Alexander Suvorov e
o Mikhail Kutuzov serão capazes de transportar 20 mísseis
balísticos cada um.
A classe Borei deve se tornar o elemento principal da força de
submarinos russa, substituindo os já obsoletos Projeto 941
(classe Typhoon) e 667 (classes Delta-3 e Delta-4).
O magnífico custo operacional
dos Typhoon é proibitivo, maiores submarinos já construídos, que simplesmente
têm o dobro do tamanho do segundo maior (a
enorme Classe Ohio da US
Navy).
Com o advento
da Classe Borey, o impacto
orçamentário
também vai reduzir em muito as classes
de submarinos nucleares de
ataque.
A Rússia ainda é um pais com economia
relativa à da
França e Inglaterra, e hoje esses
dois
países operam de 5 a 8 submarinos nucleares
de ataque em suas marinhas.
Um projeto convencional russo muito interessante é o Projeto
1650 de 4ª Geração da Classe Amur,
variante para exportação do Projeto 677, da Classe Lada.
O Amur possuirá sistema AIP e
será muito
mais sofisticado e silencioso que os submarinos da Nova Classe Kilo, Projeto 636,
considerados dos mais silenciosos hoje.
Diz-se que sua principal habilidade é atingir diferentes alvos
com uma salva de mísseis. Possui os
mísseis antinavio e
anti-submarino KLUB-S
de lançamento vertical e os STALLION
com alcance entre 50 e 120 km. Outra vantagem
é o maior
diâmetro do casco, o que facilitará
adaptações futuras.
Projeto 1650, Classe Amur
Classe Amur
(Clique na
arte abaixo para imagem maior do esquema)
Visão seccional do
largo casco do Projeto 1650 da Classe Amur.
Já o
Projeto 636 é maior que o Amur, com 2.300 ton, e é o real
sucessor da venerável Classe
Kilo, contando com
muitos
aperfeiçoamentos. Ele vem sendo bastante trabalhado no mercado
internacional e foi oferecido ao Brasil em 2007.
Os chineses já possuíam 2 submarinos dessa Classe
Improved Kilo e, em 2002, fecharam um contrato de US$ 1,6
bilhão com a Rússia para o fornecimento
de mais 8 para
a PLA Navy, sendo que 6 unidades já foram
entregues
e não parece haver reclamações.
(Clique na arte abaixo para imagem maior
do esquema)
Visão seccional do
largo casco do Projeto 636, a nova Classe Kilo.
Um submarino do Projeto 636, a
nova Classe Kilo.
(Foto
Rubin)
Fora da
Rússia as coisas mudaram muito nos últimos 15 anos em se tratando de submarinos. A
questão é o custo elevado de novos programas. Mesmo assim,
os EUA pretendem manter sua atual hegemonia
submarina construindo
seus novos SSN multimissão Virginia
(primeiras 4 naves de 30), reais substitutos dos 50 Submarinos
Nucleares de Ataque
Los Angeles.
Arte da nova Classe Virginia da
U.S.
Navy.
Em 2008, a US Navy assinou
um contrato
de cinco anos com a Electric Boat Corporation, no valor de US$ 14
bilhões, para a construção de mais 8 submarinos da
Classe Virginia.
O contrato para o Block III prevê a construção de
um navio por ano nos anos fiscais 2009 e 2010, e dois navios por ano,
em 2011, 2012 e 2013. O contrato atende ao requisito de
redução de custos em cerca de 20 por cento, para o ano
fiscal 2012.
(Clique na
arte abaixo para imagem gigante do esquema do Virginia)
Classe
Virginia em detalhes.
(Arte GD Electric Boat
Corporation)
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante do novo PCU Virginia)
Foto histórica da
1ª viagem (teste alfa) em mar aberto do 1º submarino
da Classe Virginia, o PCU Virginia, SSN 774. Ele retornava para o
Estaleiro
da General Dynamics Electric
Boat (GDEB), em Groton, Connecticut,
no
dia 30 de julho de 2004. O Virginia foi comissionado em
12 de outubro de 2004.
A Newport News lançou o USS Texas - SSN 775 - em
9 de abril de 2005.
(Foto da U.S. Navy pela GD Electric Boat
040730-N-1234E-002)
Ao fim da Guerra
Fria, a Classe Seawolf
deveria substituir os Los Angeles e ser capaz de enfrentar os grandes
submarinos soviéticos. Mas, com as mudanças
políticas, seu alto custo foi suficiente para que o programa
fosse cortado em favor da Classe Virginia, menor e mais barata, embora
custe US$ 2 bilhões a unidade.
Assim, a Classe
Seawolf só teve
3 exemplares e seu 3º submarino (modificado) - o SSN 23,
foi
batizado em 5 de junho de 2004. São empregados em missões
especiais
(SEALS).
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante da Classe Seawolf)
Foto histórica da
1ª aparição a público do 3º e
último submarino da Classe Seawolf -
SSN 23 Jimmy Carter, no
Estaleiro da General Dynamics Electric Boat,
em Groton, Connecticut, no dia 4 de junho de 2004. O Jimmy Carter
é
diferente
e maior que os dois Seawolf anteriores (de 107,6 m e 8.060 ton). Mede
115,83 m,
pesa 12.139 ton submerso, e possui um inédita Plataforma
Multimissão (MMP).
(Foto da U.S. Navy
040604-O-0000C-003)
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante da Cerimônia de Batismo)
Foto do batismo do SSN 23 Jimmy Carter, em 5 de junho de 2004.
O SSN 23 é o primeiro submarino americano a não possuir
tubos de
torpedos. Ver tripulação postada sobre o submarino
durante a cerimônia.
(Foto da U.S. Navy
040605-O-0000C-002)
Fora os EUA e
seus suaves problemas, dado o orçamento militar gigantesco,
todos os demais países sofrem muito com o aumento dos custos na
atualidade, acompanhados da grande recessão mundial.