O PROGRAMA MAR DE TITÃ visa a
recuperação e
consolidação da indústria naval brasileira, parte
inicial do Componente Naval do PLANO BRASIL.
A primeira parte de seu NÍVEL I -
MAR
PROFUNDO, é
denominada PROJETO KRAKEN, e
apresenta o desenvolvimento nacional de um Submarino
Nuclear de Ataque - SNA, capacitado à guerra
futura.
O ano de 2006 terminou de forma tumultuada e recheado de
acusações e discussões inebriantes, muitas vezes
carregadas de eufemismos e levadas à mídia por
Ex-Almirantes e seus colegas na Ativa.
No epicentro da controvérsia está a recente e
polêmica decisão por parte da Marinha do Brasil em
adquirir novos submarinos do tipo U-214 e modernização
dos IKL-209, prorrogando, indefinidamente, a continuidade do projeto do
Submarino Nuclear Brasileiro.
É possível que essas medidas tomadas
pelo nosso governo venham a satisfazer temporariamente as necessidades
(operação tapa-buraco) da nossa Marinha de Guerra. No
entanto, nossa visão pessoal direciona-nos para um outro
sentido, o da busca incessante pela autonomia e independência
tecnológica, até mesmo porque algumas perguntas ainda
carecem de serem respondidas.
Não teria sido feita a escolha dos IKL naquela dada altura
justamente com o intuito de introduzir, capacitar e desenvolver nossa
indústria, pessoal, maquinaria, ferramentas e sistemas?
Essa escolha então não nos capacitou
a projetar e construir submarinos na forma como foi pretendida
e tal qual se destina essa recente escolha pelos U-214 ? O que foi
feito desse know-how ?
Ou a pergunta certa não seria? será que mais uma vez
vamos adquirir sistemas, os quais em 15 anos já estarão
defasados e em nada colaborarão para o desenvolvimento
tecnológico, científico militar do nosso país?
E mais uma vez, daqui a 15 anos vamos novamente criar empregos em
países estrangeiros, investindo vultosas quantias em suas
indústrias sobre a justificativa de “capacitar nossa
nação a um dia poder projetar e construir seus
próprios submarinos” e manter o paradoxal círculo vicioso
que há tempos assola nossas Forças Armadas.
A escolha do U-214 seria muito bem-vinda se viesse
seguida da transferência de tecnologia, a qual pudesse dotar
nossos submarinos da capacidade AIP e que não restringisse
o desenvolvimento nacional de um submarino convencional paralelamente
ao desenvolvimento de um de propulsão nuclear.
O que justifica, mais uma vez, como fator determinante e limitante
nesta escolha foi a eterna falta de recursos. Falta de verbas esta que
não atormenta nações social ou economicamente
desfavoráveis em relação ao Brasil, tais como
Índia, Rússia e até mesmo a
China, cujos problemas sociais são ainda maiores que os nossos,
dada a sua superlativa população.
Certamente, este assunto não está terminado e a
problemática que o envolve ainda se mostrará mais
difícil ainda de ser resolvida.
Somos favoráveis ao desenvolvimento nacional desse tipo de
armas, ainda que para isso tenhamos que sacrificar uma
geração, para que no futuro as próximas
gerações não tenham o mesmo destino.
Nossas autoridades parecem viciadas em cometer os erros do passado,
recorrendo a eles justamente nos períodos críticos, nos
quais são necessárias mudanças profundas.
Estaríamos nós mais uma vez enterrando a possibilidade de
desenvolvermos nossa indústria e mentes pensantes em detrimento
da eterna falta de planejamento e ambição? Sem
dúvida alguma, faz-se necessária uma mudança
profunda.
PROJETO KRAKEN
Neste projeto, o qual denominamos PROJETO KRAKEN,
apresentamos a possibilidade do desenvolvimento
nacional de um submarino de ataque capacitado à guerra futura,
guerra esta que lhe exigirá desempenhos ainda muito superiores
aos praticados pelos atuais submarinos em operação no
globo e que ainda são negligenciados por nossas autoridades.
Esse tipo de submarino terá que possuir excelentes capacidades
de combate em guerra de litoral ou costeira, bem como em combates em
águas azuis.
Para tanto, seu projeto deveria incorporar avanços em
capacidades de poder de fogo, furtividade, sigilo, sistemas de
espionagem eletrônica e comunicações.
O resultado desse projeto seria o de um Submarino Nuclear de Ataque - SNA,
capaz de substituir, instalar e manter
o poder de dissuasão da futura Força Naval Brasileira a
partir do ano 2020 e durante o período corrente da primeira
metade do século XXI.
Ele seria integrado à FSA (Força de Submarinos de
Ataque), cuja doutrina de emprego se basearia em forças de
submarinos compostas por um número considerável
desses navios, aptos a desempenhar suas missões em quaisquer
condições e em qualquer parte do globo terrestre, agindo
isoladamente ou em grupos de batalha.
O Navio seria projetado e construído em sistema modular,
incorporando seções modulares, que lhes
possibilitariam incorporações de novos sistemas e
facilitariam as futuras manutenções e
modernizações.
O nível de máximo silêncio seria conseguido com a
incorporação de revestimentos especiais e supressores
acústico. Materiais com essas propriedades
estariam presentes também nas interfaces das
seções, bem como, nos compartimentos internos do navio.
Isso reduziria em muito
o ruído emitido pelas tripulações, o que tornaria
a belonave ainda mais sigilosa.
A hidrodinâmica associada aos revestimentos externos da
superfície seriam concebidas de forma a minimizar o atrito, o
que associado ao grupo propulsor, permitiriam a essa nave deslocar-se a
velocidades próximas a 60 km/h, quando submersas, mergulhando a
profundidades de 450 m.
(Clique na
arte abaixo para ampliação)
Submarino Nuclear de Ataque proposto
no
PROJETO KRAKEN.
(Arte Edilson Moura Pinto)
Esses navios, necessariamente, deveriam
ser dotados de modernos sistemas de sonares, possuindo para isso um
sonar principal esférico posicionado no nariz da nave; este
sonar atuaria em ambos modos, passivo e ativo.
No entanto, o navio faria uso ainda de sonares rebocáveis e de
seis grupos de sonares de abertura de detecção passiva,
posicionados em grandes painéis de 3 em 3, distribuídos
pelas laterais do submarino.
Os Navios contariam ainda com radares de navegação e de
direção de tiro para mísseis de defesa
Anti-Aérea.
Com a evolução natural dos sistemas eletro-óticos,
novos sistemas de observação substituirão os
tradicionais periscópios presentes nos atuais submarinos.
O PROJETO
KRAKEN deverá
seguir a tendência mundial e incorporar tais sistemas. Esses
dispositivos montados em mastros retráteis incorporariam
sistemas de imageamento por TV, Infra-Vermelho - Ulta-Violeta IV-UV, e
ainda deveriam incorporar telêmetros a laser ESM / GPS, cujas
funções seriam as de permitir a
classificação dos alvos a grandes distâncias com
grande precisão,
permitindo as tripulações das Naves obterem 360º
de visão do campo de batalha.
As naves teriam ainda sistemas de sensores sub-aquáticos
integrados a todos os outros sensores do submarino. Conectados via
Enlace de Dados, esses sistemas proporcionariam conexões de
dados táticos com outras plataformas, como navios,
aviões, satélites ou bases posicionadas em terra.
Os sistemas de armas dessa belonave englobariam uma plêiade de
armamentos extremamente letais.
À sua frente, essa belonave teria 10 (dez) tubos de torpedos
destinados ao lançamento de torpedos pesados Classe TP-01
de 533 mm, 1.600 kg e 60 km de alcance (descritos
no PROGRAMA CAVERNA DE VULCANO,
Parte III, o TRIDENTE
DE NETUNO), os quais teriam
8 recargas.
(Clique na
arte abaixo para ampliação)
Torpedo Naval Pesado TP-01
A belonave teria ainda outros 8 (oito)
tubos frontais (sem recargas) dispostos ao lançamento de sua
arma principal, o torpedo Super-Cavitante TPSC-01
de 533 mm, de 12 km de alcance e de 2.800 kg
(também descrito no Projeto Tridente de
Netuno), o qual seria baseado no torpedo super cavitante russo SHKVAL.
(Clique na
arte abaixo para ampliação)
Torpedo Super-Cavitante TPSC-01
Essa nova arma seria desenvolvida para
operar em simbiose com o submarino de ataque. Faria uso de
um sistema propulsor composto de um motor a jato capaz de
impulsioná-lo a grandes velocidades, permitindo-lhe as
condições necessárias para efetuar o translado em
túnel supercavitante, diminuindo com isso o seu atrito
hidrodinâmico, permitindo-lhe atingir velocidades próximas
a 450 km/h, e constituindo-se na bala de
prata das forças de ataque submarinas.
Outros sistemas de armas seriam também incorporados ao PROJETO
KRAKEN, de forma a capacitar tais belonaves ao
lançamento vertical de mísseis de cruzeiro, ainda que em
submersão e movimento.
(Clique na
arte abaixo para ampliação)
Seção do casco do submarino e seus silos
lançadores
verticais, contendo os casulos lançadores de mísseis
de Ataque naval e de bombardeio de cruzeiro
(Arte Edilson Moura
Pinto)
Para tanto, a belonave teria em sua
corcova o espaço reservados para até 24 silos de
lançamento de mísseis, cujas operações
padrão se constituiriam em 12 sub-mísseis Anti-Navio de
logo alcance MANL-360,
e um misto de até 12 sub-mísseis
bombardeiros de cruzeiro de médio alcance MBM-360
e ou mísseis de cruzeiro de longo alcance MCBL-3000.
Mísseis de
Cruzeiro MCBL-3000
Além dessas armas, os submarinos
do PROJETO
KRAKEN seriam
capacitados a lançarem minas navais e estariam ainda habilitados
a operarem integralmente, lançando e
resgatando grupos de Forças Especiais da MB - GRUMEC.
Para isso, a belonave possuiria uma “câmara de quarentena”,
destinada ao resgate e lançamento de tropas, posicionada logo
à ré da vela do submarino.
Essa seção abrigaria as Forças Especiais - os GRUMEC,
durante o processo de embarque e
desembarque aos mini-submarinos (pigmeus) de forças especiais
(também transportados na corcova do navio), o qual funcionaria
como nave-mãe.
(Clique na
arte abaixo para ampliação)
Ilustração da posição da
seção da câmara de quarentena, destinada
ao resgate
e lançamento de tropas posicionada logo à ré da
vela do submarino.
(Arte
Edilson Moura Pinto)
Tal seção seria
construída de forma a poder recolher, ainda que em
submersão, os mergulhadores que, por característica
da missão, tivessem que executá-la sem o auxílio
dos pigmeus.
(Clique
na
arte abaixo para ampliação)
Mini-submarino de infiltração de forças especiais
-
PIGMEU
do PROJETO KRAKEN.
(Arte
Edilson Moura Pinto)
(Clique na
arte abaixo para ampliação)
Submarino de
Ataque transportando um Mini-submarino
PIGMEU do PROJETO KRAKEN.
(Arte Edilson Moura Pinto)
As
naves seriam capacitadas ainda à operação de
mini-submarinos não tripulados destinados à guerra
Anti-Mina e reconhecimento.
As dimensões dessa nova família de submarinos nacionais
seriam de 120 m de comprimento por 12 m de diâmetro. Com a
aplicação de tecnologias e do conceito de
automação, transportariam uma tripulação
muito reduzida de, no máximo, 72 tripulantes, podendo ainda
transportar até 24 comandos ou até 60 náufragos.
Os maiores espaços internos, devido à
redução das tripulações, proporcionariam
aos usuários melhores níveis de conforto físico e
psicológico.
Seriam também introduzidos no projeto sistemas e dispositivos
que permitissem aos tripulantes uma maior interface
homem/máquina. Com isso, suas tripulações estariam
melhor preparadas para os desafios a que seriam deparadas.
A planta propulsora dos submarinos seria constituída por
reatores termo-nucleares do tipo PWR,
resfriados por circuitos fechados (circuitos
primários), constituídos de bomba, gerador de vapor e
pressurizador.
Os geradores de vapor produzem vapor que trabalha em um circuito
fechado (circuitos secundários), constituído de turbinas,
condensadores e bombas.
As turbinas seriam projetadas e constituídas de tal forma a
acionarem os geradores elétricos de bordo e ainda poderem
acionar diretamente a linha de eixo de propulsão ou acionarem os
geradores elétricos, cuja energia alimentaria um motor
elétrico de propulsão.
O grupo propulsor seria composto por dois reatores
nucleares e duas turbinas capazes de produzirem 30 MW e 45.000
Hp.