INTRODUÇÃO
EVOLUÇÃO
A CRISE DA RCTV
AMEAÇA VENEZUELANA
COMPRAS INICIAIS DE ARMAMENTOS
ALIANÇA MILITAR COM A RÚSSIA
SIMULAÇÃO
REPORTAGENS
FONTES & LINKS
VÍDEOS
O DEFESA BR é uma SIMULAÇÃO de tudo que o Brasil
poderia fazer para manter a soberania sobre suas riquezas
das Amazônias Verde e Azul com um conservador
Orçamento de Defesa de 1 % do PIB.
INTRODUÇÃO
Desde que Hugo_Chávez foi eleito Presidente da Venezuela, vem implantando o que chama de "Revolução Bolivariana" em seu País. Vem procurando com afinco expandir seu poder político por toda a América Latina e alia-se ao extremado Irã.
Paralelamente, alegando precisar se proteger de uma possível perseguição promovida pelo Governo dos EUA, passou a fazer investimentos bilionários em armamentos capazes de garantir a Defesa da Venezuela.
Essa corrida_armamentista pode ameaçar a paz e a tranqüilidade reinantes em todo o hemisfério ocidental desde a guerra das Malvinas em 1982.
(Clique na arte abaixo para ampliação)
Todos os Países da América Latina, especialmente, os da América do Sul, encontram-se bastante preocupados, tanto com uma possível exportação da "Revolução Bolivariana", como com a grande compra de armamentos (ver abaixo) realizada pelo Presidente Chávez.
VÍDEO - VENEZUELA, UNA
AMENAZA REAL (06:10 MIN)
Além disso, ele vem sendo cada vez mais acusado de tentar tornar-se um ditador, ameaçando a frágil democracia de seu País. Ignorar o princípio democrático básico da liberdade de expressão - com a cassação da RCTV, já é uma prova inequívoca dessa perigosa tendência.
Além do mais, Chávez crê que por volta de 2020 será o líder da mais poderosa potência militar da América do Sul. O Brasil poderá ser um dos principais alvos de todo esse esforço por causa das riquezas atualmente indefesas de sua Região Amazônica (ver Sarney).
O Presidente da Venezuela não teria a intenção de investir tanto apenas para enfrentar os EUA, algo impossível para suas Forças Armadas, e visto sua posição no recente caso Brasil-Bolívia envolvendo a Petrobras, em que deu apoio total e irrestrito ao Governo "boliviano" do Presidente Morales contra o Brasil, o que, possivelmente, preveria uma intervenção militar.
Até mesmo o ex-Presidente e atual Senador, Fernando Collor de Mello, já vem alertando o Brasil na CRE do Senado Federal para fatos como o aumento da influência do Governo venezuelano na Bolívia, Equador e Argentina; sua ação por uma aliança militar no âmbito da Alba – Alternativa Boliviana para as Américas; e a sua dedicação à aquisição frenética de armamentos. Ver o seu DISCURSO DO ENTORNO.
Todos entendemos que a real ameaça à paz vem do contínuo descaso governamental para com a Defesa do Brasil, com a presente inexistência de defesa costeira, e de meios aéreos e navais modernos e em quantidade para enfrentarem reais ameaças como essa escalada militar da Venezuela e seus aliados.
Em 2 de dezembro de 2007, Chávez foi derrotado em plebiscito que visava em terceiro mandato presidencial, o que acabaria refletindo na perpetuação do poder em suas mãos.
Vem sendo investigado nos EUA, o famoso caso Maleta-Gate, em que Chávez teria oferecido dinheiro à campanha presidencial de Cristina Kirchner na Argentina.
Em baixa depois da derrota no referendo, o líder populista vem usando bravatas para tentar reconquistar o apoio popular. Em 27 de janeiro de 2008, defendeu a formação de uma aliança militar de aliados contra os EUA, com a organização de um exército comum entre Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Cuba.
Em fevereiro, fez de tudo para armar uma guerra na América do Sul (com a Colômbia), sem ter tido sucesso. Documentos então encontrados em um laptop que pertencia ao segundo homem mais forte das FARC morto por forças colombianas no Equador indicariam apoio da Venezuela e do Equador às FARC. Em setembro, trouxe a Rússia à América do Sul.
Em setembro de 2008, o presidente do Equador, Rafael Correa, expulsou a Odebrecht, uma das principais construtoras brasileiras, sequestrou seus bens, pôs as Forças Armadas nos seus canteiros de obras, e proibiu que 4 funcionários da empresa saíssem do país. Trata-se de mais um rompante à la Evo Morales, provando que ambos são seguidores e aliados incondicionais de Chávez.
EVOLUÇÃO
No final de agosto de 2007, foi finalmente anunciado o primeiro passo dos planos de Chávez em formar unidades militares binacionais entre Venezuela e Bolívia. Para executar obras de engenharia no departamento de Beri, foi criado o Comando Binacional Amazônico, a ser comandado por um coronel de cada País, mas com predominância do venezuelano. O detalhe é que esta unidade está localizada justamente na fronteira com o Brasil.
Chávez vem reafirmando que ficará no cargo até 2027 se os venezuelanos aprovarem o fim do limite à reeleição - uma de suas propostas de reforma constitucional, permanecendo no poder “para concluir a instalação do socialismo do século 21” no País.
Em maio de 2007, helicópteros e outras aeronaves do Exército da Venezuela fizeram sobrevôo ilegal dentro do espaço aéreo brasileiro e chegaram a pousar numa aldeia indígena em Roraima. E essa sequer foi a primeira vez.
Em setembro, a CRE do Senado aprovou 2 requerimentos de informações dirigidos aos Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, além de convidar o Comandante Militar da Amazônia, a fim de esclarecer as denúncias de sobrevôos ilegais de militares venezuelanos.
Em 14 de outubro de 2007, Chávez foi mais longe e prometeu um "Vietnã das metralhadoras" na Bolívia caso a oposição derrubasse o Presidente Evo Morales.
Ele foi enfático em seu programa de televisão "Alô, Presidente" : "Se a oligarquia boliviana conseguir derrubar Evo ou assassiná-lo, saibam vocês, oligarcas da Bolívia, que o governo venezuelano, que os venezuelanos, não vamos ficar de braços cruzados. Tenham muito cuidado, porque não seria o Vietnã das idéias, seria o Vietnã das metralhadoras, o Vietnã da guerra. Saibam disso".
Ainda em outubro, Chávez arranjou um jeito de começar a se promover politicamente no Brasil, usando mais uma vez Bolívar, que pode ter sido um herói na Venezuela e em outras ex-colônias espanholas, mas não interessa em nada ao povo brasileiro, o qual ainda carece de conhecer melhor seus próprios heróis.
No dia 18, Chávez anunciou que lançará no Brasil o livro "Simón Bolívar, o Libertador". Seu Governo vai doar a obra a escolas e bibliotecas brasileiras. Com certeza, ele quer mesmo é popularizar aqui a sua própria "Libertação Bolivariana" que, em resumo, é a ditadura chavista.
Segundo o Professor Andres Cañizales, pesquisador do centro de pesquisa de comunicação da Universidade Católica Andres Bello, em Caracas, o objetivo de Chávez com campanhas como a desse livro é minar a independência das instituições de educação públicas e privadas. Isso faz parte de uma estratégia de controle do Governo venezuelano para ganhar mais adeptos (lá e cá).
- Se Bolívar não foi um líder brasileiro, não vejo porque este este livro ser adotado no Brasil - avalia Cañizales. - Chávez se aproveita da figura de Bolívar para se promover. Não é um ato com intenções educativas, é uma campanha política.
Existem mesmo fortes indícios de que este livro é apenas uma espécie de "ponta de lança" da ameaça do movimento bolivariano, que defenderia a luta armada pelo poder no Brasil ou, em termos chavistas, "luta revolucionária em prol do socialismo do século XXI".
Em discurso feito em 29 de outubro, o Senador José Sarney previu que o Congresso brasileiro não aprovará a entrada da Venezuela no Mercosul pelo simples motivo de que o Governo Chávez está ferindo a cláusula de defesa democrática do tratado.
Em novembro, o Rei Juan Carlos da Espanha mandou Hugo Chávez calar a boca durante a Cúpula Ibero-Americana, em Santiago do Chile. Chávez acusara de fascista o ex-Presidente do governo espanhol José María Aznar.
- Por que você não se cala? - disparou o rei, com o dedo em riste, apontado para Chávez, que discursava no encerramento da Cúpula.
A resposta de Chávez veio sem o respeitososo tratamento de "sua majestade":
- Por que não se cala você, rei ? Já temos 500 anos de silêncio aqui.
VÍDEO - REI JUAN CARLOS
MANDA CHÁVEZ SE CALAR
(02:37 MIN)
Chávez defendeu em 27 de janeiro de 2008 a formação de uma aliança militar de Países latino-americanos aliados contra os EUA, afirmando que eles precisam estar prontos para responder a uma eventual ação militar americana. Ele acusou os americanos de tentarem desestabilizar a América Latina ao reforçar seus laços com a Colômbia.
Na véspera, ele fez outra provocação aos EUA, pedindo aos Países latino-americanos que retirassem suas reservas dos bancos de Washington.
Este foi o sinal definitivo de que Chávez vem organizando um exército comum entre Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Cuba.
Chávez ainda tentou sem sucesso fomentar uma guerra com a Colômbia em fevereiro de 2008, quando esta invadiu o território equatorinao atrás de uma base fixa das FARCs lá e matou seu segundo líder.
Como 2008 ainda era pouco, em setembro, Chávez formalizou uma Aliança Militar com a Rússia e trouxe dois bombardeiros nucleares e um cruzador nuclear russo até a então quase pacífica América do Sul, em uma mútua provocação aos EUA.
A CRISE DA RCTV
Desde 2005, a oposição venezuelana decidiu não participar mais de eleições. Hoje, o congresso não tem um único parlamentar da oposição. Em 2006, Chávez ganhou as eleições presidenciais sem qualquer disputa, fazendo uso explícito da máquina e aumentando a mídia estatal : equipou a TV do governo, comprou mais três emissoras, 145 estações de rádio e 75 jornais locais. Agora, em 2007, passou a possuir também a freqüência que era da RCTV.
Em 27 de maio de 2007 (um Domingo), a concessão da RCTV (Rádio Caracas Televisión), uma rede de TV privada, venceu e não foi renovada pelo Governo da Venezuela. Com isso, desde o primeiro minuto do dia 28 o canal foi ocupado pela estatal Televisora Venezolana Social (Tves).
Em 30 de maio, o Senado Federal brasileiro aprovou um requerimento com o pedido para que Chávez devolvesse a concessão da RCTV, sendo solicitada a reabertura do canal por considerar que se tratou de uma medida política. A moção foi aprovada por 15 legisladores, entre eles diversos aliados do PT.
VÍDEO - CANAL RCTV MIGRA PARA A
INTERNET APÓS FECHAMENTO (02:00 MIN)
Em 31 de maio, o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, considerou LAMENTÁVEL a atitude dos parlamentares brasileiros e respondeu ao Congresso brasileiro :
"A esses representantes da direita brasileira eu lhes posso dizer que é mais fácil que o império português voltasse a se instalar no Brasil do que o governo
da Venezuela devolver a concessão, que já
terminou, a uma emissora da oligarquia".
Além disso, Chávez afirmou que o Congresso brasileiro "aparecia como papagaio de pirata dos Estados Unidos" :
"Que triste! Dou aqui minhas condolências ao povo brasileiro, que não merece este congresso que aparece repetindo como papagaio o que Washington diz. Que fraco serviço à integração latino-americana!"
Em 1º de junho, ao ser informado por jornalistas das afirmações de Chávez, o Presidente Lula disse em Londres : "o Presidente venezuelano tem que cuidar da Venezuela, eu tenho que cuidar do Brasil, o presidente dos EUA, George Bush tem que cuidar dos Estados Unidos e assim por diante".
Lula afirmou também que "cada País faz aquilo da forma mais soberana que puder. No caso do Chávez, é um problema do Chávez com a televisão, a legislação da Venezuela. Não é um problema do Brasil. O problema do Brasil é outro, aqui temos uma prática extremamente democrática com a imprensa, e ela está consolidada. Acho que cada país tem que ter soberania para fazer o que tem que ser feito. Nada mais que isso."
Horas depois, em evidente mudança de tom, Lula pediu ao Ministério das Relações Exteriores que convocasse o Embaixador da Venezuela no Brasil para os indispensáveis esclarecimentos a respeito da declaração de Chávez, para quem o Senado brasileiro seria "papagaio" dos Estados Unidos. A mensagem passada foi a de que as declarações foram fora do tom e das boas relações.
Também reafirmou seu total apoio às instituições brasileiras e expressou seu repúdio a manifestações que coloquem em questão a independência, a dignidade e os princípios democráticos, que norteiam essas instituições.
No mesmo dia, o senador da oposição Eduardo Azeredo (PSDB) disse que a entrada da Venezuela no Mercosul pode ser rejeitada no Congresso brasileiro, devido a cassação da licença da RCTV.
O senador afirmou que : "A Venezuela ainda não é membro pleno do Mercosul e para ingressar precisa da aprovação do nosso Congresso, por isso entendemos que Hugo Chávez deve demonstrar que seu governo é verdadeiramente democrático, realizar eleições não é tudo o que um governo deve fazer, também deve respeitar a liberdade de expressão e o fechamento da RCTV é uma grave ameaça à liberdade de expressão".
No Sábado, dia 3 de junho, após uma semana de manifestações de grupos de oposição que reprovaram a saída da RCTV do ar, milhares de pessoas tomaram as ruas de Caracas em uma "Marcha Antiimperialista" para respaldar a decisão do governo. Discursando, Chávez afirmou : "o Congresso do Brasil emitiu um comunicado grosseiro que me obrigou a respondê-lo. Não aceitamos a ingerência de ninguém em nossos assuntos internos"
Ele avalia que a reação do Congresso brasileiro se deve ao fato de que "a elite internacional está preocupada, porque temem que o exemplo da Venezuela se estenda a outros Países onde eles pensam que são os donos de tudo". "Hoje havia um debate em uma televisão em Brasília sobre o que está acontecendo na Venezuela. O Congresso levou a bola (a situação venezuelana) para o seu terreno, agora joguem com ela", disse Chávez, ainda adicionando :
"Se a oligarquia acredita que nos freará com
planos desestabilizadores, devem saber
que cada plano será respondido com
uma nova ofensiva revolucionária !"Na 2ª feira, dia 4 de junho, o controvertido assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, afirmou não considerar o fim da concessão à RCTV uma violação da democracia na Venezuela : "Andei várias vezes na Venezuela e, em raros países, eu vi tanta liberdade de imprensa".
Em tom parecido, Lula afirmava no mesmo dia, da Índia : "Chávez tem sido um parceiro do Brasil, nós temos grandes negócios na Venezuela, estamos fazendo refinarias conjuntas. Eu não acredito que Chávez represente um perigo para a América Latina." E tudo parecia ter ficado por isso mesmo, como tem sido de rotina nos presentes dias.
MERCOSUL
Em 28 de junho de 2007, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse no encontro de cúpula do Mercosul em Assunção que esperava de Chávez uma "palavra simpática" ao congresso brasileiro.
Mas, 2 dias depois, Chávez declarou em Moscou que poderia retirar a solicitação de adesão plena da Venezuela ao Mercosul, caso fossem mantidas as pressões de alguns setores "de direita" do Brasil. Naquela semana, ele deixou de comparecer à cúpula do Mercosul, para fazer visitar a Rússia e o Irã.
De fato, em 3 de julho, Chávez, afirmou que, se até setembro os congressos brasileiro e paraguaio não aprovarem o processo de adesão de seu País ao Mercosul, ele vai se retirar do bloco :
- Vamos esperar até setembro. Não esperaremos mais porque os Congressos de Brasil e Paraguai não têm razão política ou moral para não aprovar nosso ingresso. Se não o fizerem, vamos nos retirar até que haja novas condições.
Fontes do governo brasileiro disseram que Chávez não cumpria o cronograma de adesão ao Mercosul e estaria "jogando para a platéia".
As declarações do Presidente venezuelano foram prontamente criticadas pela Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e por parlamentares brasileiros, entre eles petistas e tucanos unidos. Dilma disse que não vai aceitar prazos estabelecidos por nenhum País.
Ocorre que, pressionado pelos empresários venezuelanos, Chávez não teria como cumprir os compromissos firmados com os membros do Mercosul. O forte da economia venezuelana é apenas o petróleo, e a sua ineficiente indústria não teria cacife para enfrentar a concorrência dos importados brasileiros e argentinos.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Heráclito Fortes, declarou que Chávez não passa de um "factóide", ou seja, procura ganhar espaço na mídia com fatos que podem ou não ser verdadeiros :
- "O Presidente Hugo Chávez acha que representa os três poderes na Venezuela. Aqui é diferente. Chávez não passa de um factóide, ao dar o ultimato, para desviar a atenção da crise interna."
- "O Senado está consciente de suas obrigações e não se afastará delas. Vamos decidir soberanamente no momento em que julgarmos oportuno."
- "O Congresso vai analisar essa adesão ao longo do tempo que for necessário e pelo seu lado permanente, a Venezuela, e não pelo seu lado transitório, o presidente Chávez."
Em 8 de agosto de 2007, Chávez negou ter dado um ultimato ao Brasil e ao Paraguai para que seus congressos aprovassem o pedido de entrada da Venezuela ao Mercosul, mas lamentou o "inexplicável esfriamento" do processo de integração. Durante um encontro com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, em Montevidéu, responsabilizou os EUA pela demora:
- É uma campanha que vem do norte. Os EUA não querem que a Venezuela se integre ao Mercosul.
AMEAÇA VENEZUELANA
A Venezuela começou em 2006 a investir US$ 60 bilhões no incrível fortalecimento de suas Forças Armadas.
Trata-se de um projeto de longo prazo até 2020 que prevê a compra de 150 caças modernos - começando com 24 Su-30, 35 helicópteros dos mais modernos, 9 a 15 submarinos lançadores de mísseis, 138 navios de guerra de variados portes, exército de 1 milhão de homens com fuzis Ak-103 fabricados localmente, e até capacidade nuclear obtida através do atual apoio explícito ao Irã e à Coréia do Norte.
A maior parte dos equipamentos vem da Rússia, passo que o Brasil parece pretender acompanhar de perto.
A situação é muito preocupante, pois em maio de 2006 foi firmado um Acordo de Cooperação Militar entre a Venezuela e a Bolívia, que inclui a instalação de até 24 bases nas fronteiras bolivianas com Peru, Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Na fronteira com o Brasil vem sendo instalado pelos venezuelanos o Forte boliviano El Prado ao custo de US$ 22 milhões, que inclui um aeroporto, alcançando uma maior presença militar em um enclave de 1.025 hectares, abrigando 2.500 militares e 350 civis (Ver Aliança Militar).
O Acordo prevê a intervenção das forças armadas venezuelanas na “gestão de crises” na Bolívia, a padronização de armamentos e das doutrinas de emprego de força. Isso significa que qualquer problema que o Brasil venha a ter com a Bolívia, terá também com a Venezuela.
Significa que o Presidente Chávez detém hoje o poder real na conturbada Bolívia e pode, deve e vai querer mais. Ele já criou o tal Comando Binacional Amazônico, localizada justamente na fronteira com o Brasil, e comandado de fato por um coronel venezuelano.
Tanto isso é verdade que a recente posse do Presidente do Equador, Rafael Correa, em janeiro de 2007, mais um "bolivariano" aliado de Chávez, acabou sendo marcada pela presença de um convidado especial : o Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
Sentindo-se à vontade, o Presidente iraniano vem proclamando aos quatro ventos estar prestes a dispor de armamentos atômicos desenvolvidos em instalações subterrâneas, tendo Israel como seu primeiro alvo de aniquilamento.
Qual País está livre de vir a ser seu próximo alvo ao tornar-se amigo do imprevisível Chavez ?
O Irã está repassando um projeto FARJ-3 à Venezuela sob a capa de um simpático aviãozinho de treinamento. Porém, no centro disso, pode estar o míssil iraniano FAJR (Sol Nascente em Farsi), que ganhou notoriedade em 2006 ao ser usado pelo Hezbolah contra Israel. O míssil de modelo FARJ-3 alcança 43 km, enquanto que o modelo FARJ-5 tem alcance de 75 km.![]()
Lata de atum distribuída pela Venezuela às vítimas de
terremoto que assolou o Peru em agosto de 2007, com
as fotos de Chávez e do opositor do Governo do Peru.
Além deles, há uma ameaça infinitamente maior que tudo já comentado. Trata-se do míssil balístico também chamado de FAJR-3, que é mesmo o míssil iraniano SHAHAB-3. Ele vem sendo testado desde 1998 e também é usado pelo Paquistão. Pode carregar 3 ogivas (-3), inclusive NUCLEARES.
Ele baseia-se no míssil balístico norte-coreano NODONG-1, financiado pelo Irã. Mas a origem do NoDong é o míssil SCUD-B projetado pela Makeyev OKB da antiga URSS, que produzia os SLBM soviéticos. Na prática, os Shahabs e os NoDongs são verdadeiros herdeiros modernos dos Scuds soviéticos do anos 50.
(Clique na foto abaixo para ampliação)
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Imagem de lançamento do míssil balístico iraniano
SHAHAB-3 na televisão local.
O Irã argumenta que o SHAHAB-3 não poderia ser detectado pelos radares do sistema de defesa Arrow de Israel. O alcance desse míssil balístico é considerado intermediário e em 2005 era de 1.930 km. Já pode ser maior ainda em 2007.
COMPRAS INICIAIS DE ARMAMENTOS
VÍDEO - DESENVOLVIMENTO DO MÍSSIL
IRANIANO SHAHAB-3 (02:30 MIN)
Todo esse quadro acima fica ainda mais complicado sabendo-se que Chávez vem, ativamente, costurando um pacto militar da Venezuela com Cuba, Nicarágua e Bolívia, chamado de ALTERNATIVA BOLIVARIANA, em que os US$ bilhões em armamentos adquiridos pela Venezuela estarão também disponíveis aos integrantes desse seleto grupo.
O Presidente Chávez comprometeu nos últimos 2 anos (2006/2007) cerca de US$ 4,5 bilhões em armamentos, mais do que a China, e isso é apenas o início de um processo que não terá mais fim :
10 helicópteros de ataque Mil Mi-35M2 Hind Piranha, chamados
lá de Caribe - tendo sido 6 na primeira etapa e mais 2 na
segunda. Recebeu 4 unidades em julho (matrículas EV-0675,
EV-0676, EV-0677 e EV-0678) e mais 4 em dezembro de
2006. O Mi-35 é uma espécie de tanque voador, blindado,
equipado com avançados recursos eletrônicos e capaz de
levar 2.455 quilos de armas. Trata-se da versão russa do
Apache americano.
22 helicópteros Mil Mi-17V5 russos, tendo sido 8 na primeira
etapa e mais 14 na segunda. Em 2006, recebeu 3 unidades
(matrículas EV-0679, EV-0680 e EV-0681).
3 helicópteros Mil Mi-26T2 russos, tendo sido 1 na primeira
etapa e mais 2 na segunda. O primeiro, de matrícula EV-0681,
foi entregue em dezembro de 2006.
138 navios de guerra de variados portes, muitos russos.
100 mil fuzis Kalashnikov Ak-103 russos por US$ 54 milhões.
Será construída na Venezuela uma fábrica para atender a um
exército de 1 milhão de homens. São as armas utilizadas pelas
FARC colombianas.
1 sistema Tor-M1 russo com 16 mísseis antiaéreos.
10 aviões espanhóis de transporte militar.
2 aviões de patrulha marítima.
24 caças Sukhoi Su-30 russos. Parece haver planos da FAV
para a aquisição de mais 24 a 36 Su-35 até 2009. As encomendas
totais poderão chegar a 150 Flankers de diferentes modelos.
Dos 138 navios acima, há uma encomenda na Espanha de 4 corvetas de patrulha oceânica e outras 4 embarcações para operações costeiras. Já os helicópteros russos de ataque e de transporte acima discriminados somam 35 unidades iniciais.
VÍDEO - SU-30 MK2 FLANKER -
AVIACIÓN MILITAR VENEZOLANA (08:58 MIN)
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O Mi-35 P é a versão de exportação do Mi-24 P.
(Foto Sukhoi)
Todos os Su-30MK2V serão operados pelo 13º Grupo de Caça da AMV, sediada na Base Aérea venezuelana de Barcelona, estado de Anzoátegui, formada por 2 esquadrões de combate, o Escuadrón 131 "Ases" e o Escuadrón 132 "Pumas".
Além das compras iniciais, a Venezuela de Chávez sonha ir muito mais longe, com seus NOVOS PLANOS, em que todo mês surge uma novidade.SIMULAÇÃO
ALIANÇA MILITAR COM A RÚSSIA
Chávez formalizou uma Aliança Militar com a Rússia (que ressurge) em 2008 com o discurso de que a América Latina precisava de uma parceria intensa com ela, de forma que ajudasse a reduzir a influência dos EUA e a manter um clima de paz na região.
Ele dizia isso em 21 de setembro, no exato momento em que a Marinha da Rússia preparava o envio de uma esquadra para a Venezuela, com a justificativa de exercícios conjuntos, mas que era pura provocação dos dois países contra os EUA. Dias antes, a Venezuela tinha recebido dois bombardeiros estratégicos russos Tu-160.
O Kremlin tem buscado estreitar os contatos com a Venezuela, com Cuba e com outros países latino-americanos da linha de Chávez, como Bolívia e Equador, em meio a um perigoso período de estremecimento das relações Moscou-Washington depois da guerra entre Rússia e Geórgia.
O Tu-160 é um avião supersônico que voa a 2.200 km/h, pode carregar(Foto Tupolev)
12 mísseis de cruzeiro com ogivas nucleares ou convencionais,
e ainda impressionantes 40 toneladas de bombas.
O cruzador movido à energia nuclear Pedro, o Grande e outros três navios da Frota do Norte iniciariam a viagem até o Atlântico naquela manhã do dia 21, bem mais cedo do que o noticiado.
Por outro lado, as cinco maiores empresas russas de petróleo estariam negociando a criação de um consórcio para atuarem na região, construindo uma refinaria de US$ 6,5 bilhões para processar petróleo pesado na Venezuela. Essa expansão dos interesses russos englobaria a Bolívia também.
(Clique na foto para ampliação)
O Cruzador Nuclear Pedro, O Grande em São Peterburgo.
(Foto Naval Technology)
O presidente Chávez continua trazendo os russos e americanos para um renovado confronto pela América Latina. Mas tudo isso ainda é muito pouca confusão. Moscou planeja para breve estacionar, temporariamente, aviões anti-submarinos da marinha russa em um aeroporto na Venezuela. E isso tem tudo para tornar-se permanente e gerar uma nova Crise dos Mísseis, versão Chávez Século XXI.
Baseada nessa possível "Ameaça Venezuelana" com a indefectível companhia da Bolívia, o site RED TEAM conduziu uma incrível simulação tática de enfrentamento com a Venezuela a partir de mais uma crise do gás boliviano. : "VENEZUELA".
Tudo partiu de uma discussão sobre qual caça embarcado o Brasil teria condições de comprar e operar, já que nem a FAB tem conseguido comprar caças novos. Na lista de opções, avaliou-se uma ALTERNATIVA em que o A-7 poderia ser um bom candidato à modernização.
Na simulação, o Navio-Aeródromo A-12 operaria com o caça A-7 Corsair II Modernizado e do S-3B Viking, além do envolvimento da FAB e do EB.
REPORTAGENS SOBRE A AMEAÇA
VENEZUELA
1) Luz Vermelha
2) A Militarização Da Venezuela
3) O Socialismo À Chávez
4) Para Sarney, Venezuela Deve Ficar Fora Do Mercosul
5) Venezuela É Adversário Em Rota De Colisão Com O Brasil
6) A História Oculta Venezuelana
7) Democracia À Chávez
8) Bolivarianismo Hegemônico
9) Boliburguês Sugere Corrupção no Governo Chávez
1) Folha de São Paulo - 14 de julho de 2006
Luz Vermelha
José Sarney
A América do Sul é o mais pacífico dos continentes. Há mais de cem anos não temos uma guerra. A democracia está consolidada em toda a região. Nunca permitimos corrida armamentista. Ao menor sinal, todos reagimos. O momento mais perigoso foi a tentativa de uma corrida nuclear entre Brasil e Argentina, conjurada por mim e Alfonsín.
Há seis anos, quando Menen inventou a tal história da Argentina associada à Otan, o Brasil reagiu e eu tomei a frente desse protesto. Em 1987 - por iniciativa do meu governo, o Atlântico Sul foi considerado, por resolução da ONU, "zona de paz", com um único voto contra, o dos Estados Unidos.
Quando o Chile quis equipar sua força aérea com caças F-16 de última geração, Carter embargou a compra para evitar o desequilíbrio de forças estratégicas na região.
Agora o plano de Chávez de gastar US$ 60 bilhões em armas, transformando a Venezuela numa potência militar, é uma ameaça ao continente. Ele disse que ficará no governo até 2031 (não estarei mais por aqui) e se mostra "integracionista". Mas quem pode saber se um presidente da Venezuela não achará que deve ocupar a Amazônia para evitar sua internacionalização?
Com os novos equipamentos - 14 caças Su-25, 600 mil bombas guiadas por GPS, estações de radar ultra-sofisticadas tridimensionais JYL da China e, em aquisição, 138 navios, dez a 15 submarinos e 150 supersônicos, nossa soberania vira pó. Ninguém imaginou que isso pudesse ocorrer no continente sul-americano.
Para que tudo isso? Para enfrentar os Estados Unidos? Ora, para a superpotência isso não vale nada, mas para nós é uma força de fazer tremer.
De duas uma: ou o Brasil entra na corrida armamentista para assegurar sua defesa, retirando o escasso dinheiro de seu Orçamento que está servindo para nossos programas sociais, ou então, para sobreviver, tem de acobertar-se no guarda-chuva da Otan, tragicamente fazendo voltar a tese de Menen, como única forma de defender-se. Menen era contra o Brasil, agora seremos todos unidos para nos defendermos da "nova potência militar" que dominará a América do Sul.
Os nossos militares voltaram a suas funções constitucionais, estão submetidos ao poder político que é a síntese de todos os poderes. Mas é do dever deles, constitucionalmente, defender o Brasil. Para cumprir sua missão eles certamente demandarão recursos, ou ao menos pedirão ao presidente Lula que faça ver a Chávez que a democracia militar que ele implanta deve parar para não pararmos a nossa democracia de mais pão e menos armas.
2) Estado de São Paulo - 15 de outubro de 2007
A Militarização Da Venezuela
Editorial
O coronel Hugo Chávez não está apenas empenhado em impor à Venezuela um regime socialista - o tal “socialismo do século 21”, rótulo que nada mais é que o disfarce de uma ditadura caudilhesca. Ele também está militarizando a política e a sociedade venezuelanas e para isso emprega métodos tomados de empréstimo de Fidel Castro, de Benito Mussolini e de Adolf Hitler. Afinal, cada um desses personagens era “socialista” à sua maneira, embora fossem todos dirigentes totalitários. Servem, portanto, para os propósitos de Chávez.
Na noite de terça-feira, o caudilho deu um exemplo cabal do que está fazendo com a Venezuela. Anunciou, num grande comício, que vai “desmontar progressivamente” o conceito de propriedade privada, que para ele não tem lugar no socialismo bolivariano. A novidade não é a intenção - é a ênfase que agora dá à questão. De fato, o projeto de reforma da Constituição, que entrou no terceiro turno de discussão na Assembléia Nacional, cria cinco diferentes tipos de propriedade, todas elas, na verdade, controladas ou administradas pelo Estado. Nesse rol, a propriedade privada é apenas tolerada, ficando sujeita às conveniências do Estado e sendo passível de confisco quando “afetar os direitos de terceiros ou da sociedade”. Ou seja, haverá propriedade privada quando e se o caudilho permitir.
Chávez voltou ao tema porque pretende acabar com a livre iniciativa, mas também porque os partidos de oposição começaram a organizar a resistência parlamentar - que, dada a correlação de forças, se sabe que será inútil - contra dispositivos do projeto chavista, entre eles a reeleição indefinida, a destruição do regime federativo pela criação do “poder popular” e a liquidação da propriedade privada. E Chávez não brinca em serviço. A esses partidos e seus líderes - alguns deles ex-companheiros de viagem do bolivarianismo - acusa de traidores da pátria, serviçais da oligarquia e agentes da CIA.
Por sua vez, a presidente da Assembléia, Cilla Flores, uma das signatárias do projeto de reforma constitucional, anunciou que, em dois meses de tramitação, foram realizadas 9 mil consultas sobre modificações do texto fundamental, e 54% dessas audiências foram públicas. O líder do partido Um Novo Tempo, Alfonso Marquina, esclarece, no entanto, que essas consultas não passaram de pantomima. Foram realizadas dentro dos chamados batalhões de estudantes, operários e camponeses, ou seja, entre os seguidores de Chávez. “Cada vez que algum venezuelano quis expor um ponto de vista diferente, foi vaiado, insultado e, em algumas ocasiões, chegou a haver agressões físicas.”
Logo no início de seu governo, Chávez instituiu os “comitês bolivarianos”, grupos de brutamontes incumbidos de impor a disciplina aos habitantes de determinados bairros. Copiou Fidel Castro. De uns tempos para cá, principalmente depois que criou o Partido Socialista Unido da Venezuela, adotou também métodos nazi-fascistas. No comício de terça-feira, por exemplo, tomou o juramento de fidelidade do comitê do partido que organizará o referendo de 2 de dezembro, sobre a nova constituição. No mesmo comício, ouviu o juramento de 14 mil “soldados” que constituirão os “batalhões de elite” do bolivarianismo - a linha de frente que se incumbirá de “convencer” os venezuelanos de que o socialismo do século 21 será o paraíso na Terra. Chávez também está organizando “batalhões de apoio” e “batalhões de retaguarda”. No lugar da camisa negra ou do uniforme cáqui, seus membros vestem camisas vermelhas. Já quebram algumas cabeças, mas ainda não enfiam óleo de rícino goela abaixo dos recalcitrantes. Logo, logo, chegam lá.
Chávez também está organizando a Milícia Nacional Bolivariana, com uma estrutura paralela à das Forças Armadas e obviamente para defender os interesses do Partido Socialista Unido da Venezuela e de seu líder máximo, e não os do Estado. Qualquer semelhança com as SS nazistas não será mera coincidência.
A razão de ser dessa milícia foi explicitada por Chávez, na terça-feira, também em resposta a seus críticos: “O que se passa é que eles têm medo da Milícia Nacional Bolivariana, que já tem quase 1 milhão de milicianos. Vamos ver quem vai se meter conosco!”
É esse o regime que o presidente Lula quer como sócio no Mercosul.
3) Correio Braziliense - 16 de outubro de 2007
O Socialismo À Chávez
Jarbas Passarinho
Foi governador, senador e ministro de Estado
O comunismo implantado por Lênin durou 74 anos, até a glasnost e a perestróica com que Gorbachev pretendeu reformar o comunismo, mas manter o socialismo. Em suas memórias, ele se confessa desapontado, porém orgulhoso de haver vivido um tempo de transformações tão decisivas para a humanidade. “Só os seres que me foram mais próximos sabem quantos fardos me pesaram nos ombros e que, às vezes, me levaram ao limite do desespero. A passagem do totalitarismo à democracia, qualquer que seja a variante, exige a criação de um bloco de forças políticas e sociais capaz de garantir uma sustentação real e crescente ao curso das reformas. De uma maneira geral, não há reformador feliz.”
O senhor Chávez já criou “o bloco de forças políticas e sociais” para passar da democracia ao totalitarismo, de que Gorbachev, ao fim, nega o postulado fundamental de Marx: “De uma maneira geral, a antinomia socialismo versus capitalismo, que nos foi imposta desde a segunda metade do século 19, me parece agora caduca. Outra alternativa se nos oferece, entre uma sociedade que leva à ruína e uma sociedade de esperança. Trata-se de assimilar tudo de valioso nas concepções que têm existido”. A sua experiência universal é uma autocrítica aos fundamentos do marxismo, entre eles a abolição da propriedade privada, que no Manifesto Comunista de 1848, Marx e Engels dizem ser “a síntese da teoria do comunismo”.
Ora, o socialismo do século 21, do senhor Chávez, em vez de assimilar novas concepções de socialismo marxista, prefere como sendo evoluída a caducidade a que se referiu Gorbachev. Não satisfeito com o inchaço do Executivo, que tolera o Judiciário e o Legislativo, que lhe são submissos, dispõe-se a abolir a propriedade privada “progressivamente”. Para isso, fará aprovar a emenda da Constituição que outorgou, pois a tanto equivale a promulgação de um Legislativo totalmente constituído de seus vassalos. Não é à toa que declarou publicamente que seu povo deveria ler Marx e Lênin, mas se Marx deixasse o túmulo em que a Inglaterra abriga seu cadáver, certamente desprezaria esse pupilo primário, que acha novo o que ele escreveu na segunda metade do século 19.
Raymond Aron recebeu críticas acerbas dos comunistas franceses, quando criticou o existencialismo e o falso estruturalismo de Althusser, dizendo-os formuladores do “marxismo imaginário”. Que diria ele do marxismo requentado do senhor Chávez? É mais fácil entender que Oscar Niemeyer, na altura dos quase 100 anos de idade, e Eric Hobsbauwm, um pouco mais novo, continuem comunistas, prosélitos do Marx do século 19. Leio a resposta que um comunista fanático deu a um jornalista que lhe perguntou se não lhe constrangiam os milhões de mortos que essa ideologia havia provocado no mundo. A resposta, fria e sem rebuços, foi a de que fora necessário para acabar com a exploração capitalista dos muitos pelos poucos. Aprendera, certamente, de Stalin resposta semelhante: “Quando a morte é de um, lastima-se; quando são milhões, é caso de estatística”.
A Venezuela, se comunista, e Chávez, seu ditador, esmagadas as resistências democráticas que eventualmente sejam varridas por um estado policial, não creio que nos ameace. O caudilho pouco poderá ir além dos desaforos com que nos tem brindado. Aos congressistas brasileiros chamou de “papagaios repetidores do que dizem os norte-americanos”, porque tiveram a audácia de defender a imprensa livre, ao fechar a RCTV, a televisão de maior audiência, acusada de ser de oposição. Ao nosso povo, disse-o preguiçoso porque ainda não adiantou as obras da refinaria em Recife, em que é sócio.
O general aposentado Müller Rojas ensinou geopolítica a Chávez na Academia Militar. Coordenador de sua primeira campanha eleitoral, ideólogo da revolução “bolivariana”, é encarregado de organizar o futuro partido único, o Socialista Unificado da Venezuela. Em entrevista a uma jornalista brasileira, publicada em O Estado de S.Paulo, de 9 de julho do corrente ano, declarou que: “O Brasil é imperialista desde antes do descobrimento”. Atribui a construção da Transamazônica a “objetivos ofensivos”. Afirma que “as forças conservadoras brasileiras, que dominam o Congresso, querem que o Brasil execute um choque imperial na América do Sul”.
A leitura da entrevista sugere que, depois do ódio aos Estados Unidos, o Brasil é o alvo seguinte do general. Depreende-se que odeia os Estados Unidos e desgosta do Brasil “imperialista, desde antes do descobrimento”. Justifica as compras vultosas de material bélico e munição que fazem do exército venezuelano o mais bem equipado da América Latina. Para quê?
Fidel foi ameaça real ao tempo da guerra fria, de que foi ponta-de-lança da União Soviética em duas das três Américas. Quererá o senhor Chávez expandir o “Socialismo do Século 21”?
4) Valor - 30 de outubro de 2007
Para Sarney, Venezuela Deve Ficar Fora Do Mercosul
Raquel Ulhôa
O senador José Sarney (PMDB-AP) atacou duramente ontem, em discurso, o presidente Hugo Chávez e alertou para o "perigo" aos demais países da América Latina que representa a militarização da Venezuela. Para ele, pode ser o início de uma "corrida armamentista" no continente. Sarney previu que o Congresso brasileiro não aprovará a entrada da Venezuela no Mercosul porque o governo Chávez está ferindo a cláusula de defesa democrática do tratado.
"Nós fizemos um pacto, aqui no continente. Com Alfonsín (Raul Alfonsín, presidente argentino criou as bases do Mercosul junto com Sarney, então presidente brasileiro), foi este o primeiro juramento que nós fizemos: o de só aceitarmos no Mercosul países que fossem democratas", disse Sarney. E acrescentou que no momento não há como considerar que a Venezuela seja uma democracia exemplar. "Na hora em que acaba a alternância do poder, acaba com o coração da democracia", disse.
Da tribuna, Sarney reagiu ao fato de ter sido pessoalmente criticado, na Venezuela, pelo deputado Carlos Escarrá, vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembléia Nacional da Venezuela, que o chamou de "lacaio e servil" por estar condicionando a participação do país no Mercosul à existência de democracia. O deputado teria afirmado que a "democracia venezuelana é, hoje, a mais perfeita do mundo".
Sarney disse não ter, pessoalmente, nada contra Chávez. Mas que, como presidente eleito pela Aliança Democrática, com um programa construído para restaurar a democracia no país, considera sua "obrigação" defender os princípios democráticos.
"É um perigo ao Brasil e à América Latina que tenhamos uma potência militar instaurada aqui dentro do continente. Se não temos recursos no Orçamento para destinarmos às forças militares - nem o Brasil e nem os outros países da América Latina -, uma corrida armamentista na América Latina nos obrigaria a desviar do nosso caminho de investir na área social para termos que fazer o equilíbrio militar. Se não tivermos equilíbrio militar, significará um extraordinário perigo ao Brasil", disse.
Sarney afirmou que Chávez está fazendo da Venezuela uma "potência militar", ao investir R$ 4 bilhões em armas, caças de última geração, armamento de submarinos e foguetes que, segundo ele, "absolutamente não têm o sentido de defesa". Mas a condenação do senador ao governo Chávez não se limita à militarização. Citou, entre outros, o poder de Chávez de criar ou suprimir províncias, cidades, distritos funcionais, municípios federais, regiões marítimas, regiões estratégicas, além de designar e remover suas autoridades.
Enumerou, ainda, que Chávez poderá destituir o vice-presidente e nomear vice-presidentes para governar as novas regiões, além de promover oficiais das Forças Armas em todos os graus e hierarquias, administrar a fazenda pública e as reservas internacionais. "Que democracia, senhor presidente, eles estão construindo!", ironizou Sarney, lembrando que Chávez declarou ser a democracia venezuelana "a melhor do mundo".
Segundo Sarney, os políticos brasileiros têm de ficar "apreensivos" e alertar Chávez de que ele "não terá solidariedade do Brasil e nem do continente em qualquer aventura que transforme a Venezuela num país ditatorial, longe dos ideais democráticos". Lembrou que a América do sul é um continente pacífico, onde há cem anos não há guerras. No caso do Brasil, lembrou a existência de fronteira com dez países, cujos problemas são resolvidos de forma pacífica. "Portanto, não podemos admitir outra fórmula que não a do diálogo para resolver os problemas do continente, nunca o caminho das armas", disse.
Segundo Sarney, para aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul, o Congresso deve examinar se o país está cumprindo esse item fundamental: a existência de uma democracia.
"Pelo clima que tem aqui no Congresso, a Venezuela precisa mostrar que está pronta para alinhar-se com as regras democráticas. Se aprovássemos a entrada da Venezuela no Mercosul, estaríamos violando a cláusula democrática prevista no tratado", afirmou Sarney em entrevista, depois do pronunciamento.
Sarney negou que o governo brasileiro esteja sendo leniente com a política de Chávez. "Não há como um país ter outra posição senão respeitar. Não há como interferir", afirmou. Para ele, o fato de Lula defender publicamente a alternância de poder está dando um recado em defesa da democracia.
Segundo Sarney, como o Brasil é uma "democracia pluralista", cabe aos políticos do país alertarem para o perigo que a militarização da Venezuela causa ao continente. "É uma posição de força (a aquisição de armamento pesado pela Venezuela). Provoca um desequilíbrio estratégico no continente. Isso é inaceitável", afirmou.
5) Estado de São Paulo - 04 de novembro de 2007
Venezuela É Adversário Em Rota De Colisão Com O Brasil
Salvador Raza: diretor-geral do CeTRIS e *Eliezer Rizzo Oliveira: pesquisador da Unicamp
Hugo Chávez é uma preocupação para o Brasil?
Raza - Sim, o Brasil deve ficar preocupado com Chávez. A Venezuela vem acumulando densidade estratégica suficiente para contestar interesses vitais brasileiros e sustentar sua posição no tempo, seja por meios políticos, seja por meios militares. A Venezuela é um adversário em rota de colisão com o Brasil. É uma rota tortuosa, com os vários desvios criados pela diplomacia, mas as conveniências implícitas nas políticas declaratórias não deixam dúvidas - existe uma disputa latente. A invasão da Guiana é uma possibilidade forte nesse quadro, sustentada pela mesma lógica oferecida para a invasão das Falklands/Malvinas - um fato consumado de efeito diversionário de problemas internos. Ao Brasil restariam duas decisões ruins: não fazer nada e perder prestígio ou interferir militarmente e fracassar, pela incapacidade de transportar e sustentar forças para ações substantivas.
Eliezer - Chávez é uma preocupação política e militar. É inaceitável sua interferência em movimentos sociais brasileiros. Aliás, Chávez não é só presidente da Venezuela, é também “el comandante” de um processo revolucionário sul-americano. É inadmissível o conformismo do governo Lula com as reeleições ilimitadas que agora constam da Constituição chavista. Um movimento de Chávez contra um vizinho não será surpresa. Um conflito com a Guiana, por conta da região contestada a oeste do Rio Essequibo, exigirá que o Brasil preserve a integridade do território e do espaço aéreo, proibindo e rechaçando o trânsito de tropas estrangeiras. No caso, deve ser considerado o fato de que a Guiana, na condição de ex-colônia britânica, receberá apoio da Inglaterra nas ações de defesa.
* Centro de Tecnologia, Relações Internacionais e Segurança
6) O Globo - 06 de novembro de 2007
A História Oculta Venezuelana
Moisés Naím
Enquanto o mundo discute, em meio ao espanto de uns e à admiração de outros, as mudanças que Hugo Chávez impõe na Venezuela, outras transformações igualmente profundas mas menos visíveis estão ocorrendo no país. A Venezuela se converteu num importante centro de operações de redes criminosas que operam internacionalmente. O que mais atrai esses traficantes estrangeiros naquele país não é o mercado local, o que lhes seduz são as excelentes condições que oferece como base para a realização de seus negócios criminosos.
A localização do país, uma encruzilhada entre a América do Sul, o Caribe, a América do Norte e a Europa, é ideal. Fronteiras? Amplas, despovoadas e porosas. Sistema financeiro? Amplo e com controles governamentais fáceis de driblar para quem precisa fazê-lo. Telecomunicações, portos e aeroportos? O melhor que o petróleo pode comprar. Níveis de corrupção de políticos, militares, juízes e policiais? A Venezuela ocupa um vergonhoso posto de número 162 na lista da Transparência Internacional, que classifica 179 países de acordo com seus níveis de corrupção. Tem demonstrado o presidente Chávez algum interesse em enfrentar essas redes internacionais em seus oito anos de poder? Não muito.
Apesar desta situação parecer invisível neste momento para a opinião pública mundial, não o é para quem combate o crime transnacional. Para eles não interessam nem a Venezuela nem as políticas de Chávez, mas somente o fato de que a partir daquele país se irradiam para o resto do mundo tentáculos dessas redes criminosas globais. E os números falam: em 2003 partiram da Venezuela 75 toneladas de cocaína; este ano estima-se que serão 276 toneladas. Antes, o principal destino eram os Estados Unidos e o Caribe. Agora, é cada vez mais comum o envio para a Europa, com paradas técnicas em países africanos como Guiné Bissau, onde aumenta a comunidade de venezuelanos e de colombianos.
Um alto funcionário da polícia holandesa me contou que ele e seus colegas passam agora mais tempo em Caracas que em Bogotá e que muitos dos principais chefões dos cartéis de droga operam agora, e com maior impunidade e eficiência, a partir da Venezuela. E não há somente traficantes colombianos, mas também asiáticos, europeus e até gente da Bielorrússia, país que o presidente Chávez visitou várias vezes e dá particular atenção.
A Venezuela também aparece em todas as listas de paraísos mais usados para a lavagem de dinheiro. O dinheiro não chega ao país somente por meio de transações bancárias eletrônicas, a combinação de viagens com jatinhos privados, maletas cheias de dinheiro e imunidade diplomática tem aberto novas possibilidades. Recentemente, um membro da chamada burguesia bolivariana, o novo grupo de milionários que surgiu nos últimos anos, foi descoberto em uma aduana de Buenos Aires com pelo menos uma dessas maletas. Descoberto, mas não preso, já que viajava com um grupo de altos funcionários do presidente da Argentina, Néstor Kirchner. Há algumas semanas, no Uruguai, foi denunciado o tráfico ilegal de armas e munições iranianas facilitado por venezuelanos que tentavam, dessa forma, driblar o embargo imposto pelo Conselho de Segurança da ONU. A história oculta da Venezuela pode acabar sendo muito mais importante para o destino do país do que os experimentos de Chávez.
MOISÉS NAÍM escreveu este artigo para o 'El Pais'
7) Zero Hora - 06 de novembro de 2007
Editorial
Democracia À Chávez
A esperada e nada surpreendente aprovação pelo Congresso da Venezuela de alterações constitucionais que dão poderes ilimitados ao presidente Hugo Chávez constitui, junto com alguns outros movimentos na área diplomática e militar, um novo e preocupante momento para o continente.
A popularidade de que desfruta em seu país, ampliada por equívocos da oposição, e uma insaciável sede de poder levaram o presidente Chávez a subordinar todas as principais instituições venezuelanas à sua vontade pessoal.
O Congresso não possui uma única voz discordante, a Corte Suprema faz o jogo político do presidente, os órgãos de imprensa foram domesticados - com o fechamento daqueles que se aventuravam a fazer críticas - , a economia e especialmente os petrodólares foram transformados em ferramentas para implantar essa nova ordem, a diplomacia foi posta agressivamente a serviço da expansão continental de um difuso socialismo bolivariano e até as forças armadas estão sendo utilizadas nesse pesado jogo de poder.
Há aspectos claramente antidemocráticos na trajetória venezuelana. Embora formalmente legal, o projeto chavista de retirar qualquer limite de tempo nas eleições e reeleições esconde a tentativa de perpetuação do presidente no poder, o que não é nem democrático, nem republicano.
O avanço do bolivarianismo de Chávez sobre alguns países sul-americanos, em especial Bolívia e Equador, expande esse eixo de poder e introduz um fator potencialmente desestabilizante num continente de instituições ainda imaturas.
As sucessivas compras de armas e de aviões de guerra pelo governo Chávez estabeleceu um desequilíbrio militar que está gerando uma corrida armamentista que envolve os vizinhos e que já chegou ao Brasil.
Depois de ver essa ostensiva militarização ao Norte, ao governo brasileiro não restou opção senão a de concordar em triplicar o orçamento para a compra de aviões e tecnologia por parte das Forças Armadas brasileiras.
Impressionado com o expansionismo bolivariano e com a concentração do poder nas mãos de Chávez, o ex-presidente José Sarney lançou um alerta assustado que, pela autoridade de quem o faz, não pode deixar de levar a uma reflexão.
Não se trata apenas do risco do fim da alternância no poder, que é o próprio coração da democracia. Nem se trata apenas de assumir poderes de governar por decreto, de criar ou suprimir províncias e nomear governantes, de promover oficiais sem respeito à hierarquia ou à antigüidade, de controlar a receita dos impostos e do petróleo ou de investir neste ano US$ 4 bilhões em aviões, submarinos e foguetes.
Nem se trata unicamente do silêncio a que estão sendo submetidas, por medo, todas as vozes oposicionistas.
Trata-se da soma desses fatos. Diante deles, o Brasil não pode fingir que está tudo bem e que os episódios da Venezuela são assunto interno daquele país. O ex-presidente Sarney lembrou que o Mercosul, a que a Venezuela quer integrar-se como sócio pleno, nasceu como uma união de países que respeitam o sistema representativo e valorizam a região como um espaço de paz.
Assim, até para integrar o Mercosul, é preciso respeitar a cláusula democrática. O presidente Chávez está disposto a isso?
8) Estado de São Paulo - 13 de novembro de 2007
Bolivarianismo Hegemônico
Jarbas Passarinho *
No Congresso Nacional, a única voz que se faz ouvir reiteradamente, advertindo sobre a política hegemônica do presidente da Venezuela nas duas vertentes dos Andes e sua conseqüente política armamentista, é a do senador José Sarney, admoestação reiterada em entrevista ao Estado, sintetizados seus argumentos num só: a legislação do Mercosul exige que seus sócios sejam democracias. Vige na Venezuela um regime democrático, rodízio no poder, liberdades fundamentais, inclusive de imprensa, eleições livres? A TV que ousou criticá-lo foi fechada. A revista Veja recentemente mostrou e comprovou o estado lastimável do que é a liberdade na Venezuela, o que reforça a advertência do senador Sarney.
Ao pleitear Hugo Chávez a reeleição, as oposições boicotaram a eleição, adiantando que seriam fraudulentas. Resultou num Legislativo constituído somente de eleitores de Chávez, que logo promulgaram a Constituição como lhe aprouve. Mas, declarado “socialista do século 21”, mandou seu povo ler Marx e Lenin. Era imperativo emendar a recente Constituição para ajustar-se ao que mandara ler. Seu Congresso imediatamente as aprovou. Dissentiu o general Raúl Isaías Baduel, decisivo para a volta de Chávez em 2002, que acha as emendas um golpe de Estado, uma das quais lhe dará a Presidência vitalícia. Essa é a democracia venezuelana, mascarada de plebiscitos e referendos, instrumentos democráticos usados para destruir a democracia, como a seu tempo Jean-François Revel mostrou no seu livro Comment les Démocraties Finissent.
Reagindo às justas e ponderadas palavras do nosso ex-presidente, um bajulador do caudilho venezuelano o ofendeu, com palavras compatíveis com seu primarismo raivoso. Mas o próprio Chávez insultou o Congresso brasileiro, que criticou o fechamento da TV Caracas (RCTV). Disse-o “papagaio de repetição dos Estados Unidos”. A Câmara dos Deputados dobrou-se ao insulto: aprovou a entrada da Venezuela no Mercosul. A Argentina, também, et pour cause. Até mesmo o presidente brasileiro foi objeto de ressalva ao reclamar Chávez que seu projeto mirabolante do gasoduto de 11 mil km, ligando a Venezuela à Argentina, ainda não se concretizou porque “Lula se desinteressou”. E acaba de ironizar a descoberta da província petrolífera da Bacia de Santos, ao debochar de Lula, chamando-o de “magnata petroleiro” e sugerindo “trocar petróleo por vacas”. Mas o assessor pessoal de Lula, no papel de Itamaraty do B, logo declarou tratar-se de brincadeiras. Entre companheiros de viagem do “socialismo do século 21” tudo se permite.
Chávez tem objetivos mais amplos, na revolução bolivariana. Sabe-se que Simón Bolívar, depois de libertar as colônias hispânicas, sonhou com “uma idéia grandiosa de formar de todo o Mundo Novo (América do Sul) uma só nação, com um só vínculo que ligue suas partes entre si e com o todo” (Carta de Jamaica,1815). Mas via no Brasil um obstáculo: “Por desgraça, o Brasil se limita com todos os nossos Estados. Por conseguinte, tem facilidades muitas para fazer-nos a guerra, com sucesso, como quer a Santa Aliança” (Carta de Lima, janeiro de 1825). Em sua obsessão com a Santa Aliança, temia que a Monarquia brasileira fizesse parte dela para combater revoluções republicanas. Pensou em usar nossas lutas pela Banda Oriental, com a Argentina, como pretexto para uma ação comum. Chegou a consultar a Inglaterra, para saber como reagiria no caso de uma guerra contra o Brasil. É verdade que, depois de 1826, mudou de idéia sobre o Brasil. Não é de todo uma paranóia supor que Chávez queira reeditar o Libertador, fazendo do Mundo Novo uma só nação. Não podendo isso, quer realizar uma parte do sonho do Libertador. O mundo é outro, mas os visionários sempre existirão. Napoleão fez da Europa, pelas suas mãos, uma só nação. Terminou seus dias prisioneiro da Inglaterra, na Ilha de Santa Helena. Hitler quis criar um mundo nazista por um milênio. Acabou se suicidando, enquanto os soviéticos conquistavam Berlim.
Já devem a Chávez, pelo apoio, os presidentes do Equador e da Bolívia. Desta, já disse, se alguém pretender derrubar Evo Morales, ele reagirá com suas metralhadoras. Não tem só metralhadoras, mas caças supersônicos, que em horas estarão pousando na Bolívia, mísseis terra-ar e o mais equipado Exército da América do Sul. Recebe o “chanceler” da guerrilha comunista, as Farc, assumindo papel de árbitro entre o presidente Álvaro Uribe e os guerrilheiros.
A Inglaterra, depois de tomar parte da Guiana Holandesa, como ensina Hélio Viana na História das Fronteiras do Brasil, ambicionou dominar uma via fluvial para a Amazônia, através de formadores do Rio Branco, onde holandeses e portugueses já haviam reconhecido reciprocamente os seus limites. Ainda assim, a Inglaterra insistiu e o rei da Itália, árbitro do contencioso, decidiu favoravelmente à Inglaterra, sentença injusta que nos fez perder a chamada região do Pirara e toda a vasta região a leste do Essequibo da Guiana Holandesa. Chávez considera-se com o direito de anexar ao seu território esta região.
Quanto ao Brasil, fica-me a impressão de algum ranço histórico. Eu o vivi, ministro em viagem de trabalho da Unesco a Caracas, quando Richard Nixon recebia Emílio Médici, nos Estados Unidos, e proferira a frase que melindrou nossos vizinhos: “Para onde o Brasil se inclinar, a América do Sul se inclinará.” Jornalistas venezuelanos, acompanhados de estudantes grevistas, me entrevistaram, não para saber das diretrizes educacionais da Unesco, a Universidade Central em greve há dois anos, mas para me indagarem como eu via as palavras de Nixon, que os melindraram. Senti a hostilidade e me limitei a dizer-lhes que o Brasil nunca teve objetivo político hegemônica na América do Sul e que eles erravam de entrevistado. Deveriam ir aos Estados Unidos levar a sua queixa ao presidente Nixon. E dei por encerrada a entrevista.
* Jarbas Passarinho, ex-presidente da Fundação Milton Campos, foi senador pelo Estado do Pará e ministro de Estado
9) Valor - 10 de março de 2008
Boliburguês Sugere Corrupção no Governo Chávez, diz Relato do FBI
José de Córdoba e Joel Millman, The Wall Street Journal, de Miami
O Porsche Carrera GT de Franklin Durán e Guido Antonini que concorreu no rali Gumball 3000 no ano passado.Gumball 3000Em dezembro passado, o milionário venezuelano Franklin Durán disse a agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI, a polícia federal dos Estados Unidos) que adorava viajar para a sua mansão na rica ilha de Key Biscayne, na Flórida, para "mergulhar, nadar com os golfinhos e ter paz de espírito".
Mas pode ser difícil para Durán encontrar paz de espírito hoje em dia. O dono da Industrias Venoco CA, a segunda maior petroquímica e uma das maiores fabricantes de lubrificantes da Venezuela, está detido sem direito a fiança em Miami sob acusações relacionadas a uma mala recheada de dinheiro que é o foco de um escândalo internacional que envolve os EUA, a Argentina e a Venezuela. Ele pode ser condenado a até cinco anos de prisão e uma multa de US$ 250.000.
Depois de sua prisão, em dezembro, Durán foi interrogado por agentes do FBI. No interrogatório, a cuja cópia o Wall Street Journal teve acesso, ele falou sobre uma corrupção generalizada no governo venezuelano de Hugo Chávez. Num momento, segundo o relato do FBI, Durán disse que sua ascensão como empresário foi pavimentada por propinas a "políticos, funcionários do governo e autoridades de alto escalão".
As declarações de Durán também fornecem uma brecha para se observar a "boliburguesia" venezuelana, ou os burgueses bolivarianos, uma classe de empresários novos-ricos que têm um estilo de vida extravagante, possuem laços estreitos com o governo Chávez e sua "Revolução Bolivariana" e elegeram Miami como seu playground favorito.
De acordo com o relato do FBI, Durán disse que a única coisa de que ele é culpado é "ter um monte de dinheiro, empresas bem-sucedidas, muitas admiradoras e carros caros".
O processo contra Durán, de 40 anos, e três co-réus decorre da descoberta em agosto, no Aeroporto de Buenos Aires, de uma mala recheada com US$ 800.000 em dinheiro levado num jatinho particular da Venezuela. Promotores americanos dizem que o dinheiro saiu do governo venezuelano e estava destinado para a campanha presidencial da nova presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, uma acusação que Cristina nega.
Durán não estava no avião. Mas o governo americano afirma que ele e outros quatro voaram a Miami nos meses seguintes à descoberta para pressionar o homem preso com a mala, um venezuelano-americano de nome Guido Antonini, a acobertar a fonte e o destino do dinheiro. Os cinco são acusados de agirem como agentes disfarçados do governo venezuelano nos EUA.
Edward Shohat, o advogado de Durán, diz que seu cliente é inocente e o processo é uma tentativa dos EUA de manchar o governo venezuelano. O advogado diz que Durán estava apenas dando conselhos a Antonini. Dois dos co-réus de Durán, entre eles seu sócio na Venoco, Carlos Kauffmann, admitiram culpa das acusações. O caso é conhecido como o "Maleta-gate".
Um ex-mecânico de automóveis de origem pobre, Durán tentou todo tipo de negócio, entre os quais venda de armas e equipamento de controle de insurgências ao governo venezuelano. Ele conseguiu o controle da Venoco depois que o ex-diretor-presidente da empresa tomou parte de uma tentativa de golpe, em 2002, contra Chávez.
Em sua conversa com o FBI, Durán foi calmo - e verborrágico. Ele até dispensou o direito a só se pronunciar na presença de um advogado. Quando agentes do FBI o advertiram de que era um crime mentir para autoridades federais americanas, ele discordou. "O ex-presidente Clinton e o presidente Bush não tiveram problemas por mentir", disse aos agentes, de acordo com o relato do interrogatório.
Como muitos da burguesia bolivariana, o jovem empresário ostenta suas riqueza e vida agitada. Ele possui uma mansão de US$ 4,6 milhões com frente para o mar em Key Biscayne, a apenas alguns quilômetros de distância da cadeia em Miami onde ele passa seus dias agora. No ano passado, Durán destruiu um Porsche Carrera GT de US$ 600.000 no rali dos milionários Gumball 3000, na Europa. Seu parceiro na corrida era Antonini, o homem da mala. Também participaram do rali Kauffmann, o sócio dele na Venoco, que dirigia um McLaren Mercedes SLR de US$ 500.000.
Durán, Kauffmann e Antonini eram todos amigos próximos e sócios. Antonini agia como "presidente executivo nos EUA" de Durán, segundo a transcrição do FBI. Os três compartilhavam uma paixão por carros de luxo. Antonini até dirigiu um Porsche Boxster com um adesivo no pára-choque que louvava a revolução socialista de Chávez. "A Venezuela é agora para todos", dizia o adesivo.
A sorte de Durán aumentou bastante depois que Chávez chegou ao poder, em 1999. Em 2002, Durán e Kauffmann compraram a Venoco dos donos dela logo depois que o presidente da empresa, Pedro Carmona, assumiu um papel de liderança numa fracassada tentativa de golpe contra Chávez. Durante o golpe, Carmona se intitulou "presidente interino" até que Chávez retomou o poder, dois dias depois. Carmona ainda é chamado jocosamente de "Pedro, o Breve".
No interrogatório, Durán disse que o valor de sua empresa triplicou desde a compra, graças a seus contatos no governo e a um relacionamento quase "simbiótico" com a estatal Petróleos de Venezuela SA, ou PDVSA. No ano passado, a Venoco comprou 49 postos de gasolina da Exxon Mobil Corp. depois que a petrolífera americana decidiu deixar a Venezuela por causa da política nacionalista de Chávez.
Durán disse que sua empresa é ajudada por um relacionamento íntimo com os serviços de inteligência da Venezuela, onde ele conhece "todo mundo". De acordo com o relato, ele disse aos agentes que outra chave de seu sucesso é o hábito que ele tem de subornar importantes autoridades venezuelanas, entre as quais "políticos, funcionários do governo e autoridades de alto escalão". Durán não quis citar nomes por "medo de retaliação", dizia o relato.
Apesar de sua ascensão, Durán mostrou desdém pelos mestres políticos da Venezuela - e seus benfeitores. "A Venezuela está sendo governada por gente ignorante e sem educação", disse aos agentes, segundo o relato.
O advogado de Durán, Shohat, não confirma que seu cliente fez essas declarações ao FBI, dizendo: "É o que o FBI disse que ele disse." Shohat acrescentou: "Não vejo a declaração pós-prisão como problemática."
Durán já esteve sob vigilância policial antes. Há dez anos, autoridades americanas e venezuelanas o investigaram por lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, mostram os registros. Dois grandes júris federais nos EUA ouviram depoimentos relativos às supostas atividades de lavagem de dinheiro dele, segundo três pessoas com conhecimento da questão e uma análise do Wall Street Journal de longa correspondência legal. Autoridades dos EUA receberam informações detalhadas sobre transações financeiras suspeitas que totalizam pelo menos US$ 13 milhões, feitas por Durán e seus associados entre 1998 e 2001, segundo os documentos.
Durán nunca foi acusado, diz Shohat, que se negou a discutir a substância das alegações de lavagem de dinheiro. Os processos do grande júri são secretos, e não foi possível determinar o resultado da investigação.
Na tentativa de persuadir o juiz de seu caso atual a permitir que ele saia sob fiança, Durán ofereceu-se a contratar uma empresa de segurança de renome para monitorá-lo. O juiz determinou que Durán, que possui um jatinho particular, oferece um risco de fuga e negou-lhe a fiança.
FONTES & LINKS
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Wikipedia :
Venezuela
Hugo Chávez
Army of Venezuela
Defesanet :
Brasil-Venezuela - Relações Perigosas
Aliança Militar Bolívia-Venezuela
Venezuela Busca Aliança Contra os EUA
Venezuela Faz Sobrevôo Ilegal na Amazônia
Diplomacia Bolivariana ou Diktat Sukhoi
Tambores de Guerra - Brasil x Venezuela
Tambores de Guerra - Ameaça à Soberania
Terra Notícias - Senado Brasileiro e Chavez
Aviación Militar Venezolana
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