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A ALIANÇA DO GRUPO BRIC



(Clique na foto abaixo para ampliação)

  Lula e o BRIC

Primeiro encontro dos 4 governantes do GRUPO BRIC para conversações em torno
da formalização do grupo, e
m 9 de julho de 2008, durante o G-8 realizado em
Sapporo, Hokaido, Japão. Da esquerda para a direita, o Premiê da Índia,
Manmohan Singh; o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev; o Presidente
da China, Hu Jintao; e o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
(Foto Ricardo Stuckert - PR -
1000RS013)



BRIC



INTRODUÇÃO

PAÍSES BALEIAS - GRUPO BRIC

CRIAÇÃO DO GRUPO BRIC

CÚPULA DO GRUPO BRIC EM 2009

A VISÃO DE MANGABEIRA UNGER

A VISÃO DE RIORDAN ROETT

CÚPULA DO GRUPO BRIC EM 2010

FONTES & LINKS


O DEFESA BR é uma SIMULAÇÃO de tudo que o Brasil
poderia fazer
para manter a soberania sobre suas riquezas
das Amazônias Verde e Azul
com um conservador
Orçamento de Defesa de 1 % do PIB
.




INTRODUÇÃO


Em 2003, comentou-se a formação de uma aliança defendida pelo DEFESA BR desde o seu início em 2001, quando o assunto ainda era desconhecido até da imprensa, que seria a ALIANÇA DOS PAÍSES BALEIAS ou GRUPO BRIC, aqueles países de gigantescas extensões territoriais e enormes mercados internos ascendentes, como o próprio Brasil.



BRIC - Mapa



A Rússia e a China já haviam formalizado sua Aliança Estratégica no dia 27 de maio de 2003, através dos presidentes Vladimir Putin e Hu Jintao, que declararam apoio a um mundo multipolar para poder ser estável e previsível.


Isso já ocorria com Rússia e Brasil antes mesmo de 2003. O mesmo ocorreu em 24 de maio de 2004 entre China e Brasil (AE). E um novo passo foi dado em 22 de outubro de 2004, com a assinatura do Acordo de Cooperação Mútua em assuntos relativos à Defesa, implementado com o Comitê Conjunto de Defesa Brasil-China (CCD).


Existia ainda um "diálogo trilateral" entre Rússia, China e Índia, que deveria ser formalizado em uma Aliança Estratégica Trilateral para fortalecer a estabilidade e segurança regional e internacional, além de enfrentar os novos desafios e ameaças globais.


Durante o Encontro do G-8 de 2003 em Evian, ficou claro que o já Brasil trabalhava para reforçar as relações com Rússia, China e Índia, para negociarem juntos com os EUA e a UE, o que um dia poderia evoluir para uma Aliança entre os 4 países.


Uma Aliança Estratégica de Cooperação de Defesa dos PAÍSES BALEIAS poderá até representar uma nova Aliança para os 4 países conhecidos como GRUPO BRIC, a:



ALIANÇA ESTRATÉGICA
DE DEFESA CONJUNTA
DO GRUPO BRIC




(Clique na arte abaixo para ampliação)

BRIC



Há o objetivo comum de redução de custos e de aprendizado conjunto, para o bem comum econômico, e bem-estar social e defesa da soberania de todas essas nações contra os novos desafios e ameaças globais.


Em 14 e 15 de dezembro de 2006, houve uma importante visita oficial a Brasília de Serguei V. Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia.


Os chanceleres Celso Amorim e Serguei V. Lavrov fizeram avaliação positiva da primeira reunião do Grupo, realizada por iniciativa da Federação da Rússia, em setembro de 2006, em Nova York, à margem da 61ª Assembléia-Geral da ONU.


Em torno da análise das complementaridades econômicas dos países do GRUPO BRIC, ambos expressaram a expectativa de dar continuidade ao processo de coordenação, mediante a realização de reunião ministerial em 2007. Tal reunião acabou ocorrendo em maio de 2008, com grande sucesso. Este foi o embrião oficial para a Aliança do GRUPO BRIC.


O grupo foi formalizado finalmente em 16 de maio de 2008, na cidade russa de Yekaterinburg, quando as 4 maiores economias emergentes do mundo ratificar seu peso na economia global. O GRUPO BRIC teve a sua primeira cúpula, em 16 de junho de 2009, na sua já conhecida cidade de Yekaterinburg, na Rússia. Essa cidade fica 1.420 km a leste de Moscou em plenos Montes Urais.


O quatro países deverão passar a adotar  posições conjuntas para ganhar mais força nos fóruns internacionais e nas próximas reuniões do G-20. Haverá uma reunião do G-8 na Itália, com participação da Rússia, que aceitou a delegação de representar as reivindicações dos demais países do BRIC. Depois, haverá uma reunião do G-20 nos Estados Unidos, em setembro de 2009, quando se discutirá a maior participação dos países em desenvolvimento nos órgãos mundiais.


O importante é a crescente participação do GRUPO BRIC na economia mundial e o fim da hegemonia americana. Os BRICs serão fundamentais no inevitável processo de desdolarização da economia internacional e no futuro sistema mundial multipolar.




PAÍSES BALEIAS - GRUPO BRIC



BRIC



Os 4 grandes países são chamados de BALEIAS por disporem de gigantescas extensões territoriais e enormes mercados populacionais com crescente poder aquisitivo e necessidade de qualidade de vida.


A Aliança Estratégica de Cooperação de Defesa dos PAÍSES BALEIAS ou GRUPO BRIC poderá  representar, em seu centro, uma Aliança de DEFESA CONJUNTA, mas baseada em ênfase tecnológica e econômica.


Especula-se em todo o mundo atual que, em 2002, foi formada uma ALIANÇA ESTRATÉGICA entre estes países BRIC, a qual nunca foi anunciada abertamente, nem teriam sido formalizados documentos a respeito.


Em 2003, o Banco de Investimentos Goldman Sachs divulgou, coincidentemente,  um trabalho conhecido como "Sonhando com os BRICs". Também foi a partir de 2003 que estes países passaram a ser convidados para as reuniões do G-8 (com a Rússia), anualmente, o que passou a ser denominado de G-8 Ampliado.


Haveria então uma discreta mas estreita colaboração entre os BRICs até chegar-se à formação de um bloco econômico poderoso, de modo que Brasil e Rússia tornem-se os supridores de commodities para Índia e China.


O Brasil seria dominante em soja e minério de ferro e a Rússia em petróleo e gás. Enquanto isso, do outro lado, China e Índia tornam-se dominantes em bens manufaturados e serviços.




BRIC



Em 2006, um estudo elaborado pela consultoria PricewaterhouseCoopers, chamado "O Mundo em 2050", previu que a economia brasileira será a 4ª maior do mundo em 2050, sendo superada apenas por China, EUA e Índia.


O levantamento fortalece uma crescente aposta da comunidade financeira internacional de que o mapa econômico mundial será profundamente alterado nas próximas décadas, com os grandes países emergentes se tornando potências econômicas.


Com isso, os BRICs já vinham se consolidando como uma aposta de longo prazo entre os grandes investidores mundiais.



O estudo prevê que a economia chinesa deverá se desacelerar no longo prazo por causa de um substancial declínio na sua população ativa no período. As tendências demográficas de longo prazo sugerem que países como o México, Indonésia, Brasil e Turquia terão em 2050 populações jovens e em crescimento se comparadas às dos países da Europa Ocidental.


Este caminho seria interessante para todos os países PAÍSES BALEIAS ou GRUPO BRIC, pois são complementares em sua grandeza. Ademais, trata-se de um fabuloso exemplo de multipolaridade para uma nova e estável ordem mundial.


Cada país do grupo poderia ser assim descrito :
  
                             
     g  BRASIL   -  Área de 8,5 milhões de km2 e
          população de 190 milhões de habitantes. Baixa
          densidade populacional de 22,3 habitantes por
          km2. Possui 55 milhões de hectares de área plantada
          (com potencial superior a 250). Necessita de
          tecnologia industrial militar e aeroespacial, e de
          maior escala. Dispõe de boa capacidade industrial.
          Será grande fornecedor de alimentos e energia para China
          e Índia, com uma população conjunta atual de quase
          2,3 bilhões de habitantes, ou 86 % dos 4 países.
         
Dados da CIA sobre o BRASIL.


    
g   RÚSSIA (FEDERAÇÃO)   -  Maior país do
          mundo em extensão, superior a 17 milhões de
          km2. Tal área representa 42 % da área total
          dos 5 países. População de 140 milhões de
          habitantes, em declínio. Baixíssima densidade
          populacional de 8,3 habitantes por km2.
          Fortíssimo em tecnologia industrial militar e
          aeroespacial. Economia em franca expansão,
          com a exportação de petróleo à frente. Necessita
          de parceiros para projetos em várias áreas.
Dados
          da CIA sobre a
RÚSSIA.


    
g   ÍNDIA  -  Área de quase 3,3 milhões de km2 e
          população superior a 1,15 bilhão de habitantes. Enorme
          e problemática densidade populacional de 343,7
          habitantes por km2. É o segundo maior mercado
          mundial. Forte em Tecnologia, principalmente, de
          Informática e Aeroespacial. 
Dados da CIA sobre
          a
ÍNDIA.    


    
g   CHINA  -  Área de 9,5 milhões de km2 e população
          superior a 1,3 bilhão de habitantes. Grande densidade
          populacional de 137,7 habitantes por km2. Possui
          130 milhões de hectares de área plantada, decaindo
          a passos largos. Dispõe de boa capacidade industrial.
          Já é o maior mercado do mundo. Foi aceito para a
          OMC no final de 2001.
Dados da CIA sobre a CHINA.



MAPA-MUNDI

(Clique na imagem abaixo para ampliação)

Mapa-Mundi (1999)

Mapa-Mundi de 1999.



Como antes mencionado, os EUA estão bastante interessados nos mercados representados por Rússia e China, procurando considerá-los como parceiros preferenciais.


A Rússia vem mostrando ser um país ainda com altíssima tecnologia militar, especialmente em aviação, capaz de lhes rivalizar comercialmente, o que já não pode mais no Século XXI ser obtido pelos europeus.


Essa é a herança deixada aos russos por décadas de Guerra Fria, em que quase tudo era investido em gigantescos programas para disputarem a hegemonia mundial, que já foi perdida e esquecida.


Hoje, sem o Comunismo, a Federação Russa é uma democracia iniciante e bastante exitante, possui uma economia sempre em recuperação e, por isso, necessita atrair parceiros de peso para a manutenção de todo o caminho tecnológico desenvolvido com muito esforço por mais de 60 anos, com risco de perda total para o hoje hegemônico e grande competidor americano, caso não tenha sucesso.


Uma Aliança Estratégica entre estes 4 países, e suas regiões, de enormes extensões territoriais e populacionais neste início de Século XXI mostra-se como excelente oportunidade para todos os envolvidos: Brasil, Rússia, Índia, e China, o novo GRUPO BRIC.


Os quatro motivos simples :

     B   Necessidades e Economias Semelhantes,

    
B   Gigantesco Mercado Único,

  
  B   Possibilidades de Forte Crescimento Conjunto, e
    
     B   Interesses Comuns com Confiança e Compreensão
          Mútuas.

    

As principais vantagens para Aliança são :

     B   Soma competências,

     B   Compartilha investimentos,

     B   Reduz riscos e ameaças,

     B   Diminui o tempo de projetos, e

     B   Garante mais mercados para todos.



QUADRO GERAL DOS 4 PAÍSES DO GRUPO BRIC


PAÍS
POP
%
ÁREA
     %
DENS.
BRASIL
190,0
6,8
8.511.965
22,1
22,3
CHINA
1.321,9
47,5
9.596.960
25,0
137,7
ÍNDIA
1.129,9
40,6
3.287.590
8,5
343,7
RÚSSIA  (FED.)
141,4
5,1
17.075.200
44,4
8,3
TOTAL
2.783,2
100,0
38.471.715
100,0
72,3

Obs: dados referentes a julho de 2007. População (aproximada) em milhões de habitantes.
Área em Km2. Densidade Populacional é o número de habitantes po km2.
A Rússia chama-se Federação Russa, pois engloba outras nações.



MAPAS

Clique em cada bandeira abaixo para abrir o mapa referente ao País :


Brasil
         Brasil

Fed. Russa
      Rússia


Índia
           Índia


China
          China





CRIAÇÃO DO GRUPO BRIC


Em 16 de maio de 2008, na cidade russa de Yekaterinburg, as 4 maiores economias emergentes do mundo finalmente acertaram a formalização do GRUPO BRIC, a fim de ratificar seu peso na economia global.


"Trata-se de uma iniciativa do Brasil que todos apoiamos", disse o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, que afirmou que Moscou concede uma grande importância ao diálogo no marco do GRUPO BRIC.




CÚPULA DO GRUPO BRIC EM 2009



1ª Cúpula dos BRICs

Os quatro chefees de Estado na primeira cúpula
do BRIC foi realizada em 16 de junho de 2009,
na cidade de Ecaterimburgo, Rússia.
(Foto Wikimedia Commons)



Os líderes do GRUPO BRIC tiveram sua primeira cúpula, em 16 de junho de 2009, na sua já conhecida cidade de Yekaterinburg, na Rússia.


Eles conversaram sobre como tornar mais justo o processo de tomada de decisões sobre as questões internacionais mais importantes - na agenda econômica, e na agenda de política internacional sobre segurança.


A intenção é de que as cúpulas BRIC consigam criar as condições para uma ordem mundial mais justa.
No fim, o grupo comprometeu-se em avançar na reforma das instituições financeiras internacionais para refletir as mudanças na economia mundial. O comunicado final exigiu mais poderes para os países em desenvolvimento em instituições financeiras internacionais e na ONU.


A Rússia falava mais alto que os outros países contra a dominação dos EUA no sistema financeiro global. Os demais se colocaram a favor de uma abordagem mais cautelosa e diplomática.


Foi discutido um papel menor para o Dólar e uma moeda supranacional como reserva de valor. Há necessidade de um sistema monetário internacional estável, previsível e mais diversificado. Os ministros de finanças e os bancos centrais do grupo devem trabalhar em propostas sobre moedas de reserva.


Os líderes do GRUPO BRIC debateram sobre o investimento de suas reservas em moedas de outros países do grupo, abertura do comércio bilateral em moeda doméstica e acordos de swap cambial.


Por enquanto, a semelhança entre os quatro países do Bric praticamente se resume ao forte crescimento econômico dos últimos anos. Suas posições políticas e prioridades globais diferem muito e diplomatas se perguntavam se o fórum poderia impulsionar posições fortes e unidas. Em 2010, haverá uma nova cúpula, dessa vez no Brasil.


Antes da cúpula, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, ligou a recuperação econômica mundial ao sucesso das economias BRIC. Segundo ele, o grupo tem potencial para liderar a
recuperação e o crescimento econômico do mundo.


O importante, no fundo, é a crescente participação do
GRUPO BRIC na economia mundial. Com isso, deverá haver representatividade proporcional a essa participação. Então, é necessária reformulação nos organismos internacionais, de modo a representar mais fielmente o peso econômico do grupo.


De qualquer maneira, o que aparece no horizonte é o fim da hegemonia americana. Os EUA não deixarão de ser a maior economia e a maior força entre os países do mundo, mas não serão mais o país hegemônico. A tendência é que os BRICs tenham uma importância nesse processo de desdolarização da economia internacional, em um sistema mundial mais multipolar.




A VISÃO DE MANGABEIRA UNGER


Na opinião do ministro de Planejamento Estratégico, Mangabeira Unger, que participou de reuniões preparatórias da Cúpula do GRUPO BRIC em Yekaterinburg, a decisão de atuar de forma coordenada na reforma do sistema financeiro internacional  é apenas parte do que está por acontecer. Para ele, o "pano de fundo, a raiz profunda, que vai demorar ainda a transparecer", tem muito mais densidade, e tem o poder de mudar nossa política externa.



Mangabeira

O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, apresenta
em Brasília, em 1º de junho de 2009, o resultado da reunião dos responsáveis
pela área de assuntos estratégicos do GRUPO BRIC, realizada em Moscou.
(Foto Roosewelt Pinheiro - ABr -
1200RP9999)



Para ele, embora o sistema financeiro seja um tema premente, tornado conhecido pelas discussões do G-20, e haja uma tendência nessas reuniões de evitar colocar temas controversos e difíceis nos comunicados, seria "um grande equívoco" interpretar o que está ocorrendo como uma mera continuação das discussões do G-20.


O ministro considera que o eixo central dessa discussão "é o esforço para desvincular os objetivos de abertura econômica e de segurança política da imposição de uma fórmula institucional ao mundo". O ponto comum entre os quatro países seria o "desejo de criar uma ordem que ofereça mais espaço para as alternativas, os experimentos, as divergências, as heresias".


Este evento do
GRUPO BRIC pode marcar um momento importante para o país. O projeto brasileiro para a América do Sul e sua ligação com os Estados Unidos e a União Europeia será altamente impactado pelo movimento dos BRICs, o qual já está despertando muita preocupação nos EUA, e é visto como um jogo de contenção de poder americano, o que considera um equívoco.


A consolidação do grupo vai colocar nossa relação com os EUA em uma encruzilhada, mas ao mesmo tempo em que tensiona, cria uma grande oportunidade de dar uma reviravolta e engajar os Estados Unidos na discussão sobre um projeto interno ampliador de oportunidades e uma ordem mundial mais pluralista.


Mangabeira Unger está convencido de que o
GRUPO BRIC vai mexer de uma maneira profunda com toda nossa política exterior, e que uma das condições para aumentar nosso grau de iniciativa é estabelecer a política exterior como tema da política interna do país, e entender que a política exterior não pode ser delegada aos diplomatas, que não formulam, devem apenas executá-la.


Para Mangabeira, a política exterior é construída no debate nacional e definida pelo governo eleito, e não é um ramo do comércio, mas um ramo da política. Os temas comerciais, por importantes que sejam, são acessórios aos temas geopolíticos.





A VISÃO DE RIORDAN ROETT


Não se sabe se o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China, conhecido pela sigla BRIC, é uma associação coesa ou um grupo informal, mas é certo que este bloco aponta para uma mudança na estrutura de poder mundial que deverá ocorrer nas próximas décadas.


É essa a opinião de Riordan Roett  (ver Currículo em inglês, até maio de 2007, em pdf), um influente cientista político americano especializado em América latina. Ele é diretor do programa das Américas da Universidade Johns Hopkins, de Washington. Roett prepara um livro sobre como o Brasil se tornou um dos BRICs.


“Ainda não sabemos ao certo (a verdadeira natureza dos BRICs), é imprevisível. Mas o que temos é a ascensão de um grupo de atores que agirá conjuntamente em diferentes ocasiões, como já fizeram em Londres (na reunião do G20). Este grupo indica uma transferência de poder e de dinheiro dos velhos países desenvolvidos para as novas nações emergentes”, afirma Roett.


De acordo com o analista, as regras do jogo terão de mudar, porque o velho paradigma do poder internacional está mudando para o lado dos BRICs e dos países asiáticos.


No entender de Roett, velhos acordos internacionais estabelecidos pelas grandes potências, como o de Bretton Woods, que estabeleceu a criação do FMI e do Banco Mundial, em 1944, estão mortos.


CRESCIMENTO


Para Riordan Roett, o ingresso do Brasil em um bloco como os BRICs se dá porque o papel do país internacionalmente transcende a sua liderança sul-americana.


O Brasil é agora grande demais para a América do Sul. Ele sempre terá um papel importante a desempenhar nas relações com seus vizinhos. Mas agora pertence a um clube muito diferente do que países como Argentina e Peru. Não haverá uma decisão final sobre Doha sem a participação brasileira. Não poderá haver uma nova arquitetura financeira global sem a presença de Brasil, Índia e China.


Segundo o analista, as nações que integram o G7 (Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, Japão, Alemanha, França e Itália) estão demorando em aceitar a mudança de paradigma de poder.


Esta mudança, para Roett, seria um processo inevitável, visto que o crescimento destes países (do G7), que quase não existe, perde feio na comparação com o forte crescimento dos BRICs, isso deverá indicar uma mudança nas relações entre estes blocos.



BRIC



DIFERENÇAS


Roett acredita que existem diferenças claras entre os países que formam o
GRUPO BRIC, mas que isso não inviabiliza a sua existência como bloco.


Diz que este bloco nem sempre agirá conjuntamente, nem sempre terá a mesma posição, assim como o G7 nem sempre adota a mesma posição, por isso não há razão para achar que os BRICs farão diferente. Mas estes países, que já foram chamados de mercados emergentes, mundo em desenvolvimento ou Terceiro Mundo serão líderes em termos de crescimento mundial e consumo nos próximos 25, 30 anos.


O analista acrescenta que potenciais divergências não deverão representar ameaças para o futuro dos BRICs.

Atualmente, existem diferenças entre Estados Unidos e França. E houve divergências entre a Grã-Bretanha de Gordon Brown e a Alemanha de Angela Merkel, mas, ainda assim, o G7 trabalhou bem conjuntamente. Os BRICs passarão pelo mesmo processo. Como na última rodada de negociações de Doha, quando o Brasil seguiu caminho distinto da Índia.


Roett se refere a julho de 2008, durante as discussões em torno da rodada Doha de liberalização do comércio global, em Genebra, quando a Índia travou as negociações ao exigir um mecanismo de salvaguarda especial para a agricultura. Na ocasião, o Brasil foi um dos países que adotou posição distinta da indiana.


O especialista acredita que outras nações poderão, em breve, aderir ao bloco, como a Coreia do Sul ou a África do Sul, que já participa, inclusive, de outro grupo similar, o Ibas, integrado ainda por Índia e Brasil.


Ao mesmo tempo, a Rússia, que enfrenta séria crise econômica, é considerada o país mais vulnerável dos BRICs.


A Rússia é seguramente uma economia pequena, quando comparada com os demais países do
GRUPO BRIC. E alguns colegas em Washington já falam que o bloco deveria ser chamado de BICs.


A Rússia tem petróleo e gás. Quando os preços estão altos, ela conta com um lugar na mesa. Quando estão baixos, não. Mas é uma potência nuclear, que conta com uma posição geográfica estratégica, por isso faz sentido incluí-la no bloco.


PODER MILITAR


Entre as nações do
GRUPO BRIC, o Brasil é o único que não possui armas nucleares e que não é uma potência militar, mas isso, na visão do especialista, não reduz o poder do país frente aos outros membros do bloco, apenas expressa suas particularidades.


Para ele, o Brasil não está em uma região em que precisa de poderio militar. Não possui ameaças militares à beira de sua fronteira, como a Índia enfrenta com o Paquistão ou como a China encara com Taiwan. Mas, ainda que o país não esteja em uma região em que precise de um grande Exército, certamente veremos nos próximos anos um crescimento do orçamento militar do país.


“Nos próximos anos, o Brasil contará com um submarino nuclear e a verba destinada à Marinha deverá crescer devido à descoberta de Júpiter e Tupi”, diz Roett, referindo-se aos dois gigantescos poços petrolíferos descobertos na camada Pré-Sal da Bacia de Santos.


Vê-se como a Rússia é só meio G-8 e só meio BRIC, e como até o americano Riordan Roett conhece o futuro de ÁGUAS AZUIS (futuro oceânico) da nossa Marinha de Guerra. E não será só pelos poços de Júpiter e Tupi, será pelo PRÉ-SAL inteiro e seus fabulosos ROYALTIES.




CÚPULA DO GRUPO BRIC EM 2010


Os líderes do
GRUPO BRIC tiveram sua segunda cúpula, em 15 de abril de 2010, em Brasília.


Apesar de posições divergentes em vários temas, os quatro países do GRUPO BRIC se reuniram na segunda cúpula com um objetivo em comum: fazer mais pressão por reformas no sistema financeiro internacional.


Embora tenham posições por vezes conflitantes em temas como comércio mundial ou aquecimento global, os BRICs vêm cada vez mais unindo forças para obter mais poder em instituições como o FMI ou o Banco Mundial.


A divisão de forças atual está ultrapassada e não reflete o cenário atual nem a importância dessas quatro economias. Como eles passaram a ter grande importância no comércio mundial e são economias de elevado crescimento, as antigas potências industriais do G7 não terão outra alternativa, senão aceitar essa nova realidade.



BRIC



A pressão dos BRICs por um papel mais relevante no cenário internacional ganhou força com a crise econômica mundial. Os quatro sofreram bem menos do que as economias da Europa ou dos EUA, e também se recuperaram mais rapidamente.


Calcula-se que somente eles serão responsáveis por mais da metade do crescimento econômico mundial até 2014. Os BRICs representam em 2010 por volta de 16% do PIB global, o que seriam 65% dos Estados Unidos. Antes de 2020, serão coletivamente tão grandes quanto os EUA. Além disso, é onde está o crescimento rápido da economia e do consumo.


Embora excluída da pauta formal do encontro de Cúpula
do GRUPO BRIC, a criação de uma moeda de referência alternativa ao dólar para as reservas dos quatro países voltou a ser discutida nos encontros privados entre os líderes.


Outro tema sendo discutido é a adoção de moedas locais no comércio entre os quatro. O Banco Central deverá promover um seminário para técnicos indianos, russos e chineses para detalhar a experiência desse modelo nas trocas entre Brasil e Argentina.


Bancos comerciais brasileiros, indianos, russos e chineses estão analisando mecanismos para permitir uma participação mais ativa e direta no financiamento do comércio entre os quatro países.


Uma das iniciativas em estudo é a possibilidade de concessão de cartas de crédito para as trocas comerciais entre esses países, sem a necessidade de intermediação por instituições americanas e europeias. Em paralelo à Cúpula, também foram realizados encontros entre bancos de fomento dos quatro países.


Na ocasião, houve a assinatura de um acordo entre as entidades estatais financeiras de desenvolvimento dos BRICs com objetivo de facilitar a cooperação econômica do grupo e ampliar os investimentos do bloco, criando uma espécie de "superbanco".


O acordo envolve o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco de Desenvolvimento da Rússia, o Exim Bank India e o China Development Bank (CDB). Juntas, as quatro instituições financeiras têm um patrimônio de cerca de US$ 185 bilhões.


O Brasil deverá criar seu Eximbank
(com estrutura administrativa dedicada ao apoio específico à exportação) ainda em 2010. Segundo o BNDES, a questão só depende de entendimentos com o Ministério da Fazenda. “Ele poderá vir a funcionar como uma subsidiária do BNDES.


n


VÍDEO - CELSO AMORIM CONCEDE
ENTREVISTA À AL JAZEERA (42:13 MIN)



Em 29 de abril de 2010, o ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, concedeu entrevista ao canal de televisão "Al Jazeera".
Dentre outros temas, o Chanceler brasileiro discorre sobre o
papel do BRIC na atual configuração das relações internacionais.




A China declarou esperar que a cúpula fortaleça o "consenso estratégico" e confiança mútua entre os quatro países e promova a cooperação "pragmática" entre eles.


O presidente Hu Jintao teve encontros com Lula e com os presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara dos Deputados, Michel Temer. Entre os acordos assinados está o Plano de Ação Conjunto, que estabelece as diretrizes do relacionamento bilateral para o período 2010-2014.


Para o vice-ministro de Relações Exteriores da China, responsável por América Latina, Li Jinzhang, o relacionamento entre Brasil e China transcendeu o caráter bilateral e assumiu significado global estratégico.



BRIC



DECLARAÇÃO COM COBRANÇAS


GRUPO BRIC terminou sua segunda cúpula cobrando a fatura por ter ajudado a sustentar a economia mundial durante a crise. Na declaração publicada ao final do encontro, os quatro países ressaltaram que ajudaram "significantemente" a dar poder de fogo financeiro ao FMI durante a turbulência, por meio de aporte de capital, mas, mesmo assim, continuam subrepresentados na instituição.


Impondo prazo para que os BRICs sejam atendidos, a declaração afirma: "Nós demandamos que a reforma do poder de voto no Banco Mundial seja concluída na próxima reunião de primavera e esperamos que a reforma de cotas no FMI seja concluída até o encontro do G-20 em novembro deste ano". O texto ressalta ainda: "Existe uma necessidade de aumento da participação dos países emergentes no FMI".



Na esfera política, os BRIC defenderam também uma reforma da ONU, fazendo uma referência indireta às candidaturas de Brasil e Índia a um assento no Conselho de Segurança da ONU. "Nós reiteramos a importância que damos ao status da Índia e do Brasil nos temas internacionais e entendemos e apoiamos suas aspirações em ter um papel maior nas Nações Unidas", afirma a declaração.
 

Para aumentar o cacife do bloco de maiores nações emergentes do mundo, os países confirmaram que vão aprofundar sua cooperação na área de comércio e estudar acordos de utilização de compra e venda de mercadorias em moeda local, a partir da coordenação de seus ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais.


Reiteradas vezes os representantes do Bric afirmaram que o mundo deve contar com mais de uma moeda de referência. O documento também diz que é importante a manutenção de reservas elevadas e de políticas fiscais sustentáveis.
 

Diferentemente do encontro de Moscou, há um ano, quando ainda estavam na fase da criação de grupos de trabalho, os quatro líderes assinaram acordos de cooperação, ampliação do comércio e investimentos. O primeiro ato assinado pelos líderes foi uma cooperação entre os bancos de desenvolvimento do bloco para financiar projetos dos quatro.
 
 
- O acordo de cooperação entre nossos bancos de desenvolvimento vai nos permitir ampliar as atividades de fomento dos projetos de infraestrutura e a integração entre nossas cooperativas para estimular vários setores produtivos - afirmou o presidente Lula ao fim do encontro e antes do jantar oficial.
 

O economista-chefe do banco Goldman Sachs, Jim O'Neill, criador da expressão BRICs, disse que a cúpula se tornou um evento político relevante devido à importância que essas nações têm hoje na economia global. Ao mesmo tempo, o evento evidencia a perda de representatividade dos organismos multilaterais.
 


OS BASTIDORES DA CÚPULA EM BRASÍLIA


Pedidos inusitados e sigilo fazem parte do ritmo frenético de trabalho que antecediam a realização da cúpula, em Brasília


Enquanto dirigentes ilustres se preparam para os debates que produziriam acordos políticos e econômicos durante a II Cúpula do BRIC, um batalhão de desconhecidos trabalhou freneticamente por vários dias na cidade.


Nos hotéis das delegações estrangeiras, gerentes, camareiras e mensageiros se esforçavam para atender pedidos mirabolantes e adequar a estrutura dos prédios aos requisitos de segurança dos visitantes. A equipe de cerimonial do Itamaraty também viveu dias difíceis. Dois conselheiros vieram do exterior só para ajudar a pequena equipe nos preparativos. Em eventos como esse, nenhum detalhe pode dar errado.


A delegação da China, a mais numerosa, fechou um grande hotel da cidade, o Grand Bittar, onde estão 250 pessoas. Mas não foi suficiente. Outras 60 ficaram em outro hotel. Os chineses exigiram inúmeras adaptações na estrutura dos quartos, cozinha e elevadores. A suíte presidencial, por exemplo, teve a varanda lacrada com uma parece de madeira. Dentro do quarto, não entra luz ou barulho. Como um cofre.


A mesa de escritório precisou ser trocada. Depois de três ou quatro tentativas, a delegação finalmente aceitou a peça adquirida pelo hotel exclusivamente para compor a suíte do presidente chinês Hu Jintao. O chefe de Estado teve uma entrada e corredor privativo para se locomover entre a suíte e as salas de reuniões montadas em diferentes andares do hotel.


Para isso, o elevador de serviço precisou ser reformado. Ganhou papéis de parede, espelhos, teto novo, quadros e, claro, tapete vermelho. Esse foi um dos itens mais vistos em todos os ambientes dos encontros do BRIC. Hotéis e Itamaraty estavam com tapetes vermelhos por todos os lados. Na suíte, quadros e flores também foram dispostos por todos os lados.


“Os chineses são super metódicos. Fazem muitas exigências e querem que o serviço seja feito rapidamente. Mas está sendo um grande aprendizado”, afirmou o gerente do Grand Bittar. Só para atender a delegação, ele contratou cerca de 50 novos funcionários, que se somaram aos outros 80. Equipes chinesas acompanhavam o trabalho das camareiras e dos cozinheiros.


Essa foi outra exigência feita pela Embaixada da China: que o hotel criasse uma cozinha exclusiva para o presidente. Toda a comida e a água consumidas pelo chefe de Estado foram fornecidas pelo próprio governo chinês. Os cardápios tiveram pratos brasileiros e chineses e o preparo da comida foi acompanhado por um chef que veio com a comitiva.


Outros itens aparentemente menos importância também deram dor de cabeça ao gerente. A posição dos telefones nos quartos e nas salas de reuniões precisou ser trocada. Flores amarelas são itens proibidos pelos corredores.


Os russos e os indianos ficaram hospedados no mesmo hotel, o Royal Tulip. As duas delegações somavam mais de 400 pessoas, mas os representantes das embaixadas não confirmaram números ou pedidos feitos por eles aos hotéis ou governo brasileiro.


Uma enorme comitiva de 60 pessoas visitou o Grand Bittar para conhecer as instalações onde seriam realizadas reuniões particulares entre Hu Jintao e Dmitri Medvedev. A quantidade aparentemente exagerada só queria garantir a segurança de seu líder.


Um detalhe curioso é que, durante toda a estadia de Medvedev no Brasil, as equipes de segurança precisaram garantir que um dispositivo chamado de “adjunto nuclear” estivesse sempre próximo do presidente russo. O tal equipamento serve para que ele tenha controle sobre o armamento estratégico nuclear russo onde quer que esteja.


A Polícia Federal, as Polícias Civil e Militar do Distrito Federal e o próprio Exército estiveram envolvidos na operação. Só dentro do Itamaraty, havia 150 pessoas cuidando da segurança das delegações. Do lado de fora, outros 200 homens trabalhavam para garantir a segurança do evento.




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BRIC e VODKA

Apenas uma sátira divertida sobre a união do Grupo BRIC.






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