INTRODUÇÃO
Em
2003, comentou-se a
formação de uma
aliança defendida pelo DEFESA BR
desde o seu início em
2001,
quando o assunto ainda era desconhecido até da imprensa, que
seria a ALIANÇA DOS PAÍSES
BALEIAS ou GRUPO BRIC, aqueles
países de gigantescas extensões territoriais e enormes mercados internos
ascendentes, como o
próprio Brasil.
A Rússia e a China
já haviam formalizado sua Aliança Estratégica no dia 27 de maio de
2003, através
dos presidentes Vladimir Putin
e Hu Jintao, que declararam apoio
a um mundo multipolar para poder ser estável e previsível.
Isso já ocorria com Rússia
e Brasil antes mesmo de 2003. O mesmo ocorreu em 24 de maio de
2004 entre China
e Brasil (AE).
E um novo passo foi
dado em 22 de outubro de 2004, com a assinatura do Acordo de Cooperação
Mútua em assuntos relativos à Defesa, implementado com o Comitê Conjunto de Defesa
Brasil-China (CCD).
Existia ainda um "diálogo
trilateral" entre Rússia, China e Índia, que deveria ser formalizado em
uma Aliança Estratégica
Trilateral para fortalecer a estabilidade e segurança regional e internacional,
além de enfrentar os
novos desafios e ameaças globais.
Durante o Encontro do G-8 de 2003 em Evian,
ficou claro que o já
Brasil
trabalhava para reforçar as relações com Rússia, China e Índia, para negociarem juntos com os EUA e a UE, o que um dia poderia evoluir para uma Aliança entre os 4
países.
Uma
Aliança Estratégica de Cooperação de Defesa
dos PAÍSES
BALEIAS poderá
até representar uma nova Aliança
para os 4 países
conhecidos como GRUPO BRIC, a:
ALIANÇA
ESTRATÉGICA
DE DEFESA CONJUNTA
DO GRUPO BRIC
(Clique na arte abaixo para
ampliação)
Há o objetivo comum de
redução de custos e de aprendizado conjunto, para o bem comum econômico, e bem-estar social e defesa da
soberania de todas essas nações
contra os novos desafios e
ameaças globais.
Em 14 e 15 de dezembro de 2006,
houve uma importante visita oficial a Brasília de Serguei V.
Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da
Federação
da Rússia.
Os chanceleres Celso Amorim e Serguei V. Lavrov fizeram avaliação positiva da primeira
reunião do Grupo, realizada por iniciativa da
Federação da Rússia, em setembro de 2006, em Nova
York, à margem da 61ª Assembléia-Geral da ONU.
Em torno da análise
das complementaridades econômicas dos países do GRUPO BRIC, ambos
expressaram a expectativa de dar continuidade ao
processo de coordenação, mediante a
realização de reunião
ministerial em 2007. Tal reunião acabou ocorrendo em maio de
2008,
com grande sucesso. Este foi o embrião oficial para a
Aliança do GRUPO BRIC.
O grupo foi formalizado
finalmente em 16
de maio de 2008, na cidade russa
de Yekaterinburg, quando as 4
maiores
economias emergentes do mundo ratificar
seu peso na economia global. O GRUPO BRIC teve a sua primeira cúpula, em 16
de junho de 2009, na sua já conhecida cidade de Yekaterinburg, na Rússia. Essa cidade fica 1.420 km a leste de
Moscou em plenos Montes Urais.
O quatro países
deverão passar a adotar posições conjuntas
para
ganhar mais força nos fóruns internacionais e nas
próximas reuniões do G-20. Haverá uma
reunião do G-8 na Itália, com participação
da Rússia, que
aceitou a delegação de representar as
reivindicações dos demais países
do BRIC. Depois, haverá uma reunião do G-20 nos Estados
Unidos, em
setembro de 2009, quando se discutirá a maior
participação dos países em
desenvolvimento nos órgãos mundiais.
O importante é a crescente
participação do GRUPO BRIC
na economia mundial e o fim da hegemonia americana.
Os BRICs serão fundamentais no inevitável processo de
desdolarização da
economia internacional e no futuro sistema mundial multipolar.
PAÍSES BALEIAS - GRUPO BRIC
Os 4 grandes
países são
chamados de BALEIAS por
disporem de gigantescas extensões territoriais e enormes mercados populacionais com crescente poder aquisitivo e necessidade de
qualidade de vida.
A Aliança
Estratégica de Cooperação de Defesa dos PAÍSES
BALEIAS ou GRUPO BRIC poderá representar, em seu
centro, uma Aliança de DEFESA CONJUNTA, mas baseada em ênfase tecnológica e econômica.
Especula-se em todo o mundo atual
que, em 2002, foi formada uma ALIANÇA
ESTRATÉGICA entre estes países BRIC, a qual nunca foi anunciada abertamente,
nem
teriam sido formalizados documentos a respeito.
Em 2003, o Banco de Investimentos
Goldman
Sachs divulgou, coincidentemente, um trabalho conhecido como "Sonhando com os BRICs". Também foi a
partir de 2003 que estes países passaram a ser convidados
para as reuniões do G-8 (com a Rússia), anualmente, o que
passou a ser denominado de G-8 Ampliado.
Haveria
então uma discreta mas estreita colaboração entre os BRICs até chegar-se à
formação de um bloco econômico poderoso, de modo
que Brasil e Rússia tornem-se os supridores de commodities para Índia e
China.
O Brasil seria dominante em soja e minério de ferro e a
Rússia em petróleo e gás. Enquanto isso, do outro
lado, China e Índia tornam-se dominantes em bens manufaturados e
serviços.
Em
2006,
um estudo elaborado pela consultoria PricewaterhouseCoopers,
chamado "O Mundo em 2050", previu que a
economia brasileira será a 4ª maior do mundo em 2050, sendo
superada apenas por China, EUA e Índia.
O levantamento fortalece uma
crescente aposta da comunidade financeira internacional de que o mapa
econômico mundial será profundamente alterado nas
próximas décadas, com os grandes países emergentes
se tornando potências econômicas.
Com isso, os BRICs
já vinham se
consolidando como uma aposta de longo prazo entre os grandes
investidores mundiais.
O estudo prevê que a economia
chinesa deverá se desacelerar no longo prazo por causa de um
substancial declínio na sua população ativa no
período. As tendências demográficas de longo prazo
sugerem que países como o México, Indonésia,
Brasil e Turquia terão em 2050 populações jovens e
em crescimento se comparadas às dos países da Europa
Ocidental.
Este
caminho seria interessante para
todos os países PAÍSES
BALEIAS ou GRUPO BRIC, pois são complementares em sua
grandeza. Ademais, trata-se de
um
fabuloso exemplo de multipolaridade
para uma nova e estável ordem mundial.
Cada país do grupo poderia
ser assim
descrito :
BRASIL
- Área de 8,5 milhões de km2 e
população de 190
milhões de habitantes. Baixa
densidade populacional de 22,3
habitantes por
km2. Possui 55 milhões de
hectares de área plantada
(com potencial superior a 250).
Necessita de
tecnologia
industrial militar e aeroespacial, e de
maior escala. Dispõe de boa
capacidade industrial.
Será grande fornecedor de
alimentos e energia para China
e Índia, com uma
população conjunta atual de quase
2,3 bilhões de habitantes, ou
86 % dos 4 países.
Dados da CIA sobre o BRASIL.
RÚSSIA
(FEDERAÇÃO) - Maior país do
mundo em extensão,
superior a 17 milhões de
km2. Tal área representa
42 % da área total
dos 5 países.
População de 140 milhões de
habitantes, em declínio.
Baixíssima densidade
populacional de 8,3 habitantes por
km2.
Fortíssimo em tecnologia
industrial militar e
aeroespacial. Economia em franca
expansão,
com a exportação de
petróleo à frente. Necessita
de parceiros para projetos em
várias áreas. Dados
da CIA sobre a RÚSSIA.
ÍNDIA -
Área de quase 3,3 milhões de km2 e
população
superior a 1,15 bilhão de habitantes. Enorme
e problemática densidade
populacional de 343,7
habitantes por km2. É o
segundo maior mercado
mundial. Forte em Tecnologia,
principalmente, de
Informática e
Aeroespacial. Dados da CIA
sobre
a ÍNDIA.
CHINA
- Área de 9,5 milhões de km2 e
população
superior a 1,3 bilhão de
habitantes. Grande densidade
populacional de 137,7 habitantes por
km2. Possui
130
milhões de hectares de área plantada, decaindo
a passos largos. Dispõe de
boa capacidade industrial.
Já é o maior mercado
do mundo. Foi aceito para a
OMC no final de 2001. Dados da CIA sobre a CHINA.
MAPA-MUNDI
(Clique na imagem
abaixo para ampliação)
Mapa-Mundi
de 1999.
Como antes mencionado, os EUA
estão bastante interessados
nos mercados representados por Rússia e China, procurando considerá-los
como parceiros preferenciais.
A Rússia vem mostrando ser
um país ainda com
altíssima tecnologia militar, especialmente em aviação, capaz de lhes
rivalizar comercialmente, o que
já não pode mais no Século XXI ser obtido pelos
europeus.
Essa é a herança
deixada aos russos por décadas de Guerra Fria, em que quase tudo era investido em gigantescos programas para disputarem a hegemonia mundial, que já foi perdida
e esquecida.
Hoje, sem o Comunismo,
a Federação Russa é uma democracia iniciante e
bastante exitante, possui uma
economia sempre em recuperação e, por isso,
necessita atrair parceiros de
peso para
a manutenção de todo o caminho tecnológico desenvolvido com muito esforço por mais de 60 anos, com
risco
de perda total para o hoje
hegemônico
e grande competidor americano,
caso
não tenha sucesso.
Uma Aliança Estratégica entre estes 4
países, e suas regiões,
de enormes extensões territoriais e populacionais
neste
início de Século XXI mostra-se como
excelente oportunidade para todos os envolvidos:
Brasil, Rússia, Índia, e China, o novo GRUPO BRIC.
Os quatro motivos simples :
Necessidades
e Economias Semelhantes,
Gigantesco
Mercado Único,
Possibilidades de Forte Crescimento Conjunto, e
Interesses Comuns com Confiança e Compreensão
Mútuas.
As principais vantagens para Aliança
são
:
Soma
competências,
Compartilha
investimentos,
Reduz riscos e
ameaças,
Diminui
o tempo de projetos, e
Garante
mais mercados para todos.
QUADRO
GERAL DOS 4 PAÍSES DO GRUPO BRIC
|
PAÍS
|
POP
|
%
|
ÁREA
|
%
|
DENS.
|
BRASIL
|
190,0
|
6,8
|
8.511.965
|
22,1
|
22,3
|
CHINA
|
1.321,9
|
47,5
|
9.596.960
|
25,0
|
137,7
|
ÍNDIA
|
1.129,9
|
40,6
|
3.287.590
|
8,5
|
343,7
|
RÚSSIA
(FED.)
|
141,4
|
5,1
|
17.075.200
|
44,4
|
8,3
|
|
TOTAL
|
2.783,2
|
100,0
|
38.471.715
|
100,0
|
72,3
|
Obs: dados referentes a julho
de
2007. População (aproximada) em milhões de
habitantes.
Área em Km2. Densidade Populacional é o
número
de habitantes po km2.
A Rússia chama-se Federação
Russa, pois engloba outras nações.
MAPAS
Clique em
cada
bandeira abaixo para abrir o mapa referente ao País :
Brasil
Rússia
Índia
China
CRIAÇÃO DO GRUPO
BRIC
Em 16
de maio de 2008, na cidade russa
de Yekaterinburg, as 4 maiores
economias emergentes do mundo finalmente acertaram a formalização do GRUPO BRIC, a fim de ratificar seu peso na economia global.
"Trata-se de uma iniciativa do Brasil
que todos apoiamos", disse o
chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, que afirmou que Moscou concede uma grande
importância ao diálogo no marco do GRUPO BRIC.
CÚPULA DO GRUPO BRIC EM 2009
Os líderes do GRUPO BRIC tiveram sua primeira cúpula, em 16
de junho de 2009, na sua já conhecida cidade de Yekaterinburg, na Rússia.
Eles conversaram sobre como
tornar mais
justo o processo de tomada de decisões sobre as questões
internacionais
mais importantes - na agenda econômica, e na agenda de
política
internacional sobre segurança.
A
intenção é de que as cúpulas BRIC consigam
criar as condições para uma ordem mundial mais
justa. No fim, o grupo
comprometeu-se em
avançar na reforma das instituições financeiras
internacionais para refletir as mudanças na economia mundial. O comunicado final exigiu mais
poderes para os países em desenvolvimento em
instituições financeiras
internacionais e na ONU.
A Rússia falava mais
alto que os outros países contra a dominação dos
EUA no
sistema financeiro global. Os demais se colocaram a favor de uma
abordagem mais cautelosa e diplomática.
Foi discutido um papel menor
para o Dólar e uma moeda supranacional como reserva de valor. Há necessidade de um sistema
monetário internacional estável, previsível e mais
diversificado. Os ministros de
finanças e os bancos centrais do grupo devem trabalhar em
propostas sobre moedas de reserva.
Os líderes do GRUPO BRIC debateram sobre o
investimento de suas reservas em moedas de outros países do
grupo,
abertura do comércio bilateral em moeda doméstica e
acordos de swap
cambial.
Por enquanto, a semelhança
entre os quatro países do Bric praticamente se resume ao forte
crescimento econômico dos últimos anos. Suas
posições políticas e prioridades globais diferem
muito e diplomatas se perguntavam se o fórum poderia impulsionar
posições fortes e unidas. Em 2010, haverá uma nova
cúpula, dessa vez no Brasil.
Antes da cúpula, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan
Singh, ligou a recuperação econômica mundial ao
sucesso das economias BRIC. Segundo ele, o grupo tem potencial para
liderar a recuperação
e o crescimento econômico
do mundo.
O importante, no fundo, é a crescente participação
do GRUPO BRIC na economia mundial. Com isso,
deverá haver representatividade proporcional a essa
participação. Então, é necessária
reformulação nos organismos internacionais, de modo a
representar mais fielmente o peso econômico do grupo.
De qualquer maneira, o que aparece no horizonte é o fim da hegemonia americana.
Os EUA não deixarão de ser a maior economia e a maior
força entre os países do mundo, mas não
serão mais o país hegemônico. A tendência
é que os BRICs tenham uma importância nesse processo de
desdolarização da economia internacional, em um sistema
mundial mais multipolar.
A
VISÃO DE MANGABEIRA UNGER
Na opinião do ministro
de Planejamento Estratégico, Mangabeira Unger, que participou de reuniões
preparatórias da Cúpula do GRUPO
BRIC em Yekaterinburg, a decisão de atuar de forma
coordenada na reforma do sistema financeiro internacional
é apenas parte do que está por acontecer. Para ele, o
"pano de fundo, a raiz profunda, que vai demorar ainda a transparecer",
tem muito mais densidade, e tem o poder de mudar nossa política
externa.
O ministro da Secretaria de
Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, apresenta
em Brasília, em 1º de junho de 2009, o resultado da
reunião dos responsáveis
pela área de assuntos estratégicos do GRUPO BRIC, realizada em Moscou.
(Foto Roosewelt Pinheiro - ABr - 1200RP9999)
Para ele, embora o sistema
financeiro seja um tema premente, tornado
conhecido pelas discussões do G-20, e haja uma tendência
nessas reuniões de evitar colocar temas controversos e
difíceis nos comunicados, seria "um grande equívoco"
interpretar o que está ocorrendo como uma mera
continuação das discussões do G-20.
O ministro considera que o eixo central dessa discussão
"é o esforço para desvincular os objetivos de abertura
econômica e de segurança política da
imposição de uma fórmula institucional ao mundo".
O ponto comum entre os quatro países seria o "desejo de criar
uma ordem que ofereça mais espaço para as alternativas,
os experimentos, as divergências, as heresias".
Este evento do GRUPO BRIC pode marcar um momento importante para
o país. O projeto brasileiro para a América do Sul e sua
ligação com os Estados Unidos e a União Europeia
será altamente impactado pelo movimento dos BRICs, o qual
já está despertando muita preocupação nos
EUA, e é visto como um jogo de contenção de poder
americano, o que considera um equívoco.
A consolidação do grupo vai colocar nossa
relação com os EUA em uma encruzilhada, mas ao mesmo
tempo em que tensiona, cria uma grande oportunidade de dar uma
reviravolta e engajar os Estados Unidos na discussão sobre um
projeto interno ampliador de oportunidades e uma ordem mundial mais
pluralista.
Mangabeira Unger está convencido de que o GRUPO BRIC vai mexer de uma maneira profunda com
toda nossa política exterior, e que uma das
condições para aumentar nosso grau de iniciativa é
estabelecer a política exterior como tema da política
interna do país, e entender que a política exterior
não pode ser delegada aos diplomatas, que não formulam,
devem apenas executá-la.
Para Mangabeira, a política exterior é construída
no debate nacional e definida pelo governo eleito, e não
é um ramo do comércio, mas um ramo da política. Os
temas comerciais, por importantes que sejam, são
acessórios aos temas geopolíticos.
A
VISÃO DE RIORDAN ROETT
Não se sabe se o bloco formado por Brasil, Rússia,
Índia e China, conhecido pela sigla BRIC, é uma
associação coesa ou um grupo informal, mas é certo
que este bloco aponta para uma mudança na estrutura de poder
mundial que deverá ocorrer nas próximas décadas.
É essa a opinião de Riordan Roett
(ver Currículo em
inglês, até maio de 2007, em pdf), um influente cientista
político americano especializado em América latina. Ele
é diretor do programa das Américas da Universidade Johns
Hopkins, de Washington. Roett prepara um livro sobre como o Brasil se
tornou um dos BRICs.
“Ainda não sabemos ao certo (a verdadeira natureza dos BRICs),
é imprevisível. Mas o que temos é a
ascensão de um grupo de atores que agirá conjuntamente em
diferentes ocasiões, como já fizeram em Londres (na
reunião do G20). Este grupo indica uma transferência de
poder e de dinheiro dos velhos países desenvolvidos para as
novas nações emergentes”, afirma Roett.
De acordo com o analista, as regras do jogo terão de mudar,
porque o velho paradigma do poder internacional está mudando
para o lado dos BRICs e dos países asiáticos.
No entender de Roett, velhos acordos internacionais estabelecidos pelas
grandes potências, como o de Bretton Woods, que estabeleceu a
criação do FMI e do Banco Mundial, em 1944, estão
mortos.
CRESCIMENTO
Para Riordan Roett, o ingresso do Brasil em um bloco como os BRICs se
dá porque o papel do país internacionalmente transcende a
sua liderança sul-americana.
O Brasil é agora grande demais para a América do Sul. Ele
sempre terá um papel importante a desempenhar nas
relações com seus vizinhos. Mas agora pertence a um clube
muito diferente do que países como Argentina e Peru. Não
haverá uma decisão final sobre Doha sem a
participação brasileira. Não poderá haver
uma nova arquitetura financeira global sem a presença de Brasil,
Índia e China.
Segundo o analista, as nações que integram o G7 (Estados
Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, Japão, Alemanha,
França e Itália) estão demorando em aceitar a
mudança de paradigma de poder.
Esta mudança, para Roett, seria um processo inevitável,
visto que o crescimento destes países (do G7), que quase
não existe, perde feio na comparação com o forte
crescimento dos BRICs, isso deverá indicar uma mudança
nas relações entre estes blocos.
DIFERENÇAS
Roett acredita que existem diferenças claras entre os
países que formam o GRUPO BRIC, mas que isso não inviabiliza a
sua existência como bloco.
Diz que este bloco nem sempre agirá conjuntamente, nem sempre
terá a mesma posição, assim como o G7 nem sempre
adota a mesma posição, por isso não há
razão para achar que os BRICs farão diferente. Mas estes
países, que já foram chamados de mercados emergentes,
mundo em desenvolvimento ou Terceiro Mundo serão líderes
em termos de crescimento mundial e consumo nos próximos 25, 30
anos.
O analista acrescenta que potenciais divergências não
deverão representar ameaças para o futuro dos BRICs.
Atualmente, existem diferenças entre Estados Unidos e
França. E houve divergências entre a Grã-Bretanha
de Gordon Brown e a Alemanha de Angela Merkel, mas, ainda assim, o G7
trabalhou bem conjuntamente. Os BRICs passarão pelo mesmo
processo. Como na última rodada de negociações de
Doha, quando o Brasil seguiu caminho distinto da Índia.
Roett se refere a julho de 2008, durante as discussões em torno
da rodada Doha de liberalização do comércio
global, em Genebra, quando a Índia travou as
negociações ao exigir um mecanismo de salvaguarda
especial para a agricultura. Na ocasião, o Brasil foi um dos
países que adotou posição distinta da indiana.
O especialista acredita que outras nações poderão,
em breve, aderir ao bloco, como a Coreia do Sul ou a África do
Sul, que já participa, inclusive, de outro grupo similar, o
Ibas, integrado ainda por Índia e Brasil.
Ao mesmo tempo, a Rússia, que enfrenta séria crise
econômica, é considerada o país mais
vulnerável dos BRICs.
A Rússia é seguramente uma economia pequena, quando
comparada com os demais países do GRUPO
BRIC. E alguns
colegas em Washington já falam que o bloco deveria ser chamado
de BICs.
A Rússia tem petróleo e gás. Quando os
preços estão altos, ela conta com um lugar na mesa.
Quando estão baixos, não. Mas é uma potência
nuclear, que conta com uma posição geográfica
estratégica, por isso faz sentido incluí-la no bloco.
PODER
MILITAR
Entre as nações do GRUPO BRIC, o Brasil é o único que
não possui armas nucleares e que não é uma
potência militar, mas isso, na visão do especialista,
não reduz o poder do país frente aos outros membros do
bloco, apenas expressa suas particularidades.
Para ele, o Brasil não está em uma região em que
precisa de poderio militar. Não possui ameaças militares
à beira de sua fronteira, como a Índia enfrenta com o
Paquistão ou como a China encara com Taiwan. Mas, ainda que o
país não esteja em uma região em que precise de um
grande Exército, certamente veremos nos próximos anos um
crescimento do orçamento militar do país.
“Nos próximos anos, o Brasil contará com um submarino
nuclear e a verba destinada à Marinha deverá crescer
devido à descoberta de Júpiter e Tupi”, diz Roett,
referindo-se aos dois gigantescos poços petrolíferos
descobertos na camada Pré-Sal da Bacia de Santos.
Vê-se como a Rússia é só meio G-8 e
só meio BRIC, e como até o americano Riordan Roett
conhece o futuro de ÁGUAS
AZUIS (futuro oceânico) da nossa Marinha de Guerra. E
não será só pelos poços de Júpiter e
Tupi, será pelo PRÉ-SAL
inteiro e seus fabulosos ROYALTIES.