INTRODUÇÃO
Surge no Século XXI uma nova estratégia para a luta nos Teatros de Operações. Os militares de hoje buscam mover-se da antiga zona vermelha monolítica e limitada, como era a da época da guerra fria, para uma zona vermelha enorme, difusa e diversa, dificilmente monolítica, e que desafia quaisquer formatos e limites.
Tal inovação requer uma mudança para a “ESTRATÉGIA DA CONECTIVIDADE”, em que o problema não é mais o que contém uma força, mas sim como ela se conecta.
Estar conectado, permanecendo centrado em redes, não é somente uma questão de tangibilidade de aparelhamento mas, principalmente, de competência tecnológica e logística inovadoras.
Estas mudanças na forma com que as guerras são lutadas também trarão mais transformações às Forças Armadas em todos os lugares. Mais unidades pequenas INTEGRADAS transformam-se em norma e a tecnologia está tornando mais fácil e seguro seu trabalho, ao mesmo tempo em que fornece maior eficácia e exatidão.
Estamos entrando em uma nova Era dos :
Pequenos,
Rápidos, e
Muitos.
E essa “ESTRATÉGIA DA CONECTIVIDADE” pode valer tanto em sentido micro, com forças em um Teatro de Operações, como em um sentido macro, com interesse global em alianças tecnológicas entre nações.
A concepção da realização de operações centradas em rede é a maior transformação ocorrida no modo de fazer a Guerra nos últimos 40 anos. A evolução tecnológica, a guerra assimétrica explorando as vulnerabilidades e o ambiente de incertezas e surpresas estão mudando a forma de combate.
Estas alterações geram a necessidade cada vez maior de rapidez nas decisões, economia de meios e sincronismo nas ações.
Para exemplificar os pequenos, muitos e rápidos, ressalte-se que, em abril de 2009, o governo brasileiro acertou a encomenda de 3,3 mil embarcações tipo Lancha de Ação Rápida (LAR) e 300 Trimarãs para uso no transporte escolar, principalmente, na região amazônica e no litoral.
A compra faz parte do programa Caminho da Escola, administrado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia ligada ao Ministério da Educação.
(Clique na foto abaixo para conhecer o Caminho da Escola)
Lancha de Ação Rápida da Marinha do Brasil.
Em 2009, o governo encomenndava 3,3 mil
LAR para transporte estudantil no Brasil.
(Foto MB)Aliás, o novo Sistema Nacional de Mobilização - SINAMOB, prevê que a Forças Armadas venham a envolver os civis na defesa da nação. Entende-se aí que empresas, construções e meios civis poderão ter emprego DUAL e passarem a ser usados para fins militares em tempos de guerra.
Com o advento do Link-BR2 em 2009, a FAB passou a dispor de um protocolo de enlace de dados de alta qualidade, equiparável aos mais modernos protocolos de sistemas táticos de conexão em rede utilizados no mundo.
Desenvolvido pela Embraer, este protocolo permitirá a viabilização de um moderno sistema de intercâmbio de dados durante operações da FAB, e com a interoperabilidade junto à MB e o EB, em operações conjuntas.
Em 2 de outubro de 2009, a FAB realizou um enlace inédito de comunicação segura durante a Operação Laguna, no Mato Grosso do Sul, em exercício conjunto das Forças Armadas Brasileiras.
Pela primeira vez, as comunicações entre aeronaves de transporte C-105 Amazonas foram realizadas com o avião-radar E-99 e com caças A-29 Super Tucano e F-5EM por meio de sistema com criptografia de voz, para impedir a interceptação inimiga.
O teste ocorreu em uma das missões do dia 2, no início das operações aéreas, enquanto a tropa do Comando Conjunto avançava em território inimigo, de acordo com o cenário fictício do conflito. Num mesmo pacote ocorreram missões de transporte e lançamento de carga, patrulha aérea de combate e escolta.
A rede de comunicações V/UHF foi utilizada com medidas de proteção eletrônica eficazes contra eventuais meios de escuta inimiga, tornando a operação mais segura no contexto de guerra moderna, além de promover o aumento da capacidade operacional da FAB.
TEATRO DE OPERAÇÕES
As comunicações entre tropas e demais unidades em operação conjunta com enlace em redes é a forma básica de atuação na nova era.
Porém, cada vez ainda mais importante será o aspecto logístico contido na habilidade de transporte pesado em grande difusão, com extrema rapidez e forte discrição. Esse somatório será a chave da eficácia nos mutáveis campos de batalha do futuro próximo.
Os EUA vivem essa necessidade de mudança para novos tempos mais do que ninguém no mundo moderno, assistindo suas antigas concepções de Defesa virarem rapidamente de cabeça para baixo. Eles sempre tiveram em mente uma força estrategicamente defensiva, mas operacionalmente ofensiva.
Hoje, com o terrorismo estrangeiro em sua própria casa ameaçando com armas de destruição de massa e respectivas respostas ofensivas equivocadas – como foi a invasão do Iraque, descobriram a necessidade de serem operacionalmente defensivos. Apenas em casos mais graves empregar-se-ia sua forte estratégia ofensiva.
Isso parece ser uma incrível reviravolta impensável no início deste Século XXI, no exato ano de 2001, ano do fatídico “11/9”.
Tal mudança contradiz tudo o que suas mais graduadas mentes estratégicas pensavam, pois agora seu principal foco de inteligência poderá deixar de ser o puramente militar para privilegiar-se, finalmente, uma inteligência social. Essa seria apenas um conhecimento “profundo” da cultura e dos costumes locais.
O assunto segurança nacional passa a ser muito mais abrangente, avançando para um formato global que abarcaria cada elemento de empreendimento humano, seja social, político, técnico, científico, ou econômico.
O SIVAM / SIPAM
O objetivo do Projeto SIVAM - Sistema de Vigilância da Amazônia, do governo brasileiro é assegurar o desenvolvimento contínuo e sustentado desta região. As tarefas principais são vigilância e controle de tráfego, vigilância de fronteira, prevenção de atividades ilegais e monitoração ambiental.
Já o SIPAM - Sistema de Proteção da Amazônia é o braço armado e inteligente da Política de Defesa da AMAZÔNIA. Trata-se de uma gigantesca rede de radares, sensores, satélites e aviões especiais gradualmente ativada desde julho de 2002.
Em um futuro próximo, esse sistema poderia contar com plataformas localizadas na estratosfera como o ISIS, ora sendo desenvolvido pela Lockheed Martin para a USAF.
O Sistema SIVAM / SIPAM cobre 5,2 milhões km2, o equivalente à Europa Ocidental, e que cobre 60 % do Brasil, contendo 1/3 da floresta tropical da Terra. Sua bacia é a maior do mundo.
O Ministério da Defesa segue aprofundando cada dia mais a presença das Forças Armadas e da sociedade civil com o Sistema SIVAM / SIPAM. Juntos formam o elemento chave do programa de blindagem da Amazônia contra traficantes, terroristas e outros tipos de criminosos.
As Forças Armadas intensificam a proteção do território e do espaço aéreo no Norte, Noroeste e Oeste por meio da instalação de novas bases, transferência para a região de tropas do Sul-Sudeste e expansão da flotilha fluvial da Marinha. O contingente local chegará a 30 mil militares em 2006.
(Clique na foto abaixo para ver imagem gigante de Carajás)
Vista completa da Mina de Carajás, no Estado do Pará,
considerada a maior mina de minério de ferro do mundo.
(Foto Sala de Imprensa CVRD - 81)
Em todo o arco da fronteira norte, noroeste e oeste, o Comando Militar da Amazônia (CMA) prepara-se para instalar novas bases para receber todas as unidades sendo transferidas.
Serão instaladas 3 novas bases no Acre entre os distritos de Foz do Breu, Pé de Serra e Foz do Moa, todos integrantes do município de Marechal Taumaturgo. Há 3 anos já havia sido anunciada a criação de 5 outras unidades no Amazonas e no Amapá.
Só como exemplo, em 2005, uma brigada completa, com aproximadamente 4 mil soldados - foi deslocada para a linha de divisa com a Colômbia, vindo de Niterói (RJ).
O Comando da Aeronáutica está montando na região 2 centros avançados de operações aéreas em Vilhena (RO) e Eirunepé (AM). Atualmente a aviação militar dispõe de bases em Manaus (AM), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR) e com certas limitações, em Rio Branco (AC).
Na estratégica São Gabriel da Cachoeira (AM) - onde guerrilheiros das FARC já se mostraram presentes, está sendo construída a maior das bases da Força Aérea Brasileira (FAB). Na serra do Cachimbo, onde a FAB mantém um centro de testes, também haverá uma pista.
VÍDEO - A AMAZÔNIA NOS PERTENCE (06:58 MIN)
Os primeiros aviões de combate A-29 Supertucano operacionais, parte importante do braço armado do SIPAM, já vêm sendo entregues pela Embraer.
O recém-criado Comando Naval da Amazônia, com sede na Ilha de São Vicente, abrange um longo eixo, da Ilha de Marajó até Mato Grosso, passando pelo Acre e por Rondônia.
Com apenas 5 Navios-Patrulha fluviais e três Navios Hospitais, a flotilha é pequena e tecnologicamente defasada, pois precisaria dispor de pelo menos mais 10 embarcações pesadas, lanchas rápidas e helicópteros.
Uma das operações fundamentais do SIVAM / SIPAM é a coleta de informações de inteligência por meio de grandes jatos R 99 A e R 99 B, versões militares do regional ERJ 145 da Embraer, que monitoram, por exemplo, as comunicações das colunas das FARC até considerável distância da linha de fronteira.
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Cerimônia de ativação do Comando do 9º Distrito Naval
(Com9ºDN) em Manaus, no dia 03 de maio de 2005.
(Foto MB)
OPERAÇÃO DO SIPAM
Desde o dia 03 de abril de 2006, o SIPAM, passou a ocupar a última instalação a ter sido planejada, arquitetada, construída pela Comissão para Coordenação do Sistema de Vigilância da Amazônia (CCSIVAM), órgão do Comando da Aeronáutica, subordinado ao DECEA.
O Centro de Coordenação Geral (CCG) do SIPAM, considerado o marco finalizador da implantação do Projeto SIVAM, abriga equipamentos e recursos humanos voltados, exclusivamente, às atividades de coordenação das ações governamentais na Amazônia. Trata-se de um complexo com 3.600 m2 de área construída, de arquitetura moderna e altamente funcional.
O Brasil tem hoje todos os meios para garantir, de forma racional, a harmonia entre as necessidades humanas e ambientais na Região Amazônica e propiciar seu desenvolvimento, inaugurando um novo modelo de administração pública, onde as informações, muitas delas em tempo real, são compartilhadas entre os vários órgãos do Governo, permitindo ações coordenadas entre todas essas instituições que têm atribuições funcionais na Região Amazônica.
OS R 99 NA AMAZÔNIA
A Região Amazônica estende-se por 5,2 milhões de km2 e cobre 60 % do Brasil. Para atender todas as operações nessa imensa área, 2 versões especiais do EMB 145 foram adquiridas pela FAB e já cumprem missões, regularmente. São as Aeronaves de Inteligência de Combate na Amazônia.
A primeira é conhecida pela designação EMB 145 SA (R 99 A) e é uma das mais avançadas e acessíveis aeronaves de alerta aéreo antecipado e controle disponíveis no mercado. Garante altos níveis de eficiência de missão devido a seu curto tempo de reação, alcançando rapidamente altitudes operacionais com ampla cobertura de área e excelente capacidade de tempo em estação.
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EMB 145 SA - R 99 A.
(Foto FAB)
A segunda aeronave é designada EMB 145 RS (R 99 B) e foi especialmente preparada para missões de vigilância do solo e as atividades de proteção ambiental sobre a vasta bacia amazônica brasileira, através de um avançado sistema de sensoriamento remoto disponível. Este é um recurso avançado capaz de prover imagens e inteligência eletrônica sobre alvos no solo em tempo real e quase real.
VÍDEO - R 99 A + R 99 B + A-29 (03:47 MIN)
INTERESSE GLOBAL
Já a “ESTRATÉGIA DA CONECTIVIDADE” movendo-se para um sentido macro, passa a existir hoje o interesse global em alianças tecnológicas entre nações.
Passa a haver em todo o mundo um movimento de abrir-se cada isolada indústria de defesa nacional para um novo e diferente tipo de relacionamento internacional, a fim de não mantê-la limitada às idéias, tecnologias e pesquisas que venham somente de dentro de um único país isolado.
Faz-se necessário a cada país atingir nova escala para competir em um mundo de Orçamentos de Defesa menores após a Guerra Fria, e com equipamentos cada vez mais tecnologicamente sofisticados e dispendiosos, exigentes de materiais, serviços e outros recursos de todos os tipos e fontes.
O CASO DO UNASUL / MERCOSUL
Com a eventual evolução da UNASUL, ou mesmo do MERCOSUL, para toda a América do Sul, novos interesses comuns tendem a começara surgir em todos os campos, inclusive no campo institucional de Defesa e no industrial que lhe é relativo.
A partir de 2004, o Brasil passou a estudar uma nova política para o fortalecimento de sua cambaleante indústria de Defesa. Mostrou-se basicamente necessário planejar-se a criação de uma nova Base Industrial de Defesa (BID), que tivesse um mercado por trás, suficiente para aquecê-la e levá-la a outros novos mercados pelo mundo, visando enriquecê-la, e realimentando o processo.
Essa Base Industrial engloba todos os segmentos industriais e de serviços que tenham interesse estratégico para a área de Defesa.
Em primeiro lugar, concluiu-se que as 3 Forças Armadas no Brasil atuavam e compravam totalmente isoladas. O fim desse isolamento seria o primeiro passo da mudança a ser apresentado com a Política Nacional da Indústria de Defesa - PNID, que importará em forte mudança da concepção de trabalho das Forças Armadas.
Concluiu-se ainda que deveriam acabar de uma vez por todas as desconfianças intra-regionais para o bem do novo MERCOSUL ampliado. Mesmo o Brasil, maior país da região, não possui hoje demanda suficiente de Defesa para a sua indústria sobreviver e muito menos crescer, ainda que venha a ocorrer o esperado reaparelhamento de suas Forças Armadas.
A PNID objetiva integrar as operações das Forças Armadas nacionais e até mesmo, de certa forma, regionais, além de consolidar seu reaparelhamento.
Para tal, a necessária Base Industrial de Defesa deverá integrar todo um mercado regional, empregando-se aqui a “ESTRATÉGIA DA CONECTIVIDADE” em seu sentido macro.
Passaria a ser construída em conjunto com Argentina, Chile, Peru e Colômbia, dividindo-se tarefas em várias escalas de complexidade tecnológica.
Será básica a integração das FFAA desses países para a criação dessa BID com o objetivo e uma tentativa de formarem um mercado uniforme em que todas fornecem e demandam, obedecidas suas características e limitações. Tal mercado poderá ter uma razoável escala se puderem investir em PD&I.
Para alcançar o fortalecimento da Base Industrial serão necessárias ações estratégicas, como mostrar transparência e conscientizar a população para a importância do setor. Além disso, deverá haver redução da carga tributária, ampliação da capacidade de aquisição das Forças Armadas e aumento da competitividade no mercado internacional, hoje avaliado em torno de US$ 1 trilhão.
A indústria bélica brasileira chegou a exportar US$ 1,2 bilhão ao ano na década de 80. Em 2006, estava em menos de US$ 100 milhões.
Ressalte-se ainda o notável esforço que vem sendo feito pelos países da América do Sul para a sua integração física e CONECTIVIDADE, com o desenvolvimento de novas estradas, ferrovias, hidrovias, linhas aéreas, telecomunicações, energia, etc.
O CASO DOS PAÍSES BALEIAS
Paralelamente à “ESTRATÉGIA DA CONECTIVIDADE” empregada no UNASUL, vislumbra-se também um universo ainda mais amplo proporcionado por essa mesma estratégia com alianças junto aos PAÍSES BALEIAS, em que novas tecnologias e múltiplas escalas seriam fundamentais para grandes programas.