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POLÍTICA DE

DEFESA NACIONAL

E

POLÍTICA NACIONAL

DA INDÚSTRIA DE DEFESA







INTRODUÇÃO


Política de Defesa Nacional (PDN) é o documento de mais alto nível do planejamento de Defesa e tem por finalidade estabelecer os objetivos e as diretrizes para o preparo da capacitação nacional, com o envolvimento dos setores militar e civil, em todas as esferas do Poder Nacional.


Nas Orientações Estratégicas relacionadas com a soberania, a PDN ressalta que o país deve possuir Forças Armadas modernas, balanceadas e aprestadas.


Também devem ter características, tais como: versatilidade, interoperabilidade, sustentabilidade e mobilidade estratégica. A política assinala, também, que a capacitação do país no campo da Defesa deve ser obtida com o envolvimento permanente dos setores governamental, industrial e acadêmico, voltados à produção científica e tecnológica e para a inovação.


Nesse contexto, a PDN observa que o desenvolvimento da Indústria de Defesa, incluindo o domínio de tecnologias de uso DUAL, é fundamental para alcançar o abastecimento seguro e previsível de materiais e serviços de Defesa.


Mais adiante, a política orienta para a integração regional da I
ndústria de Defesa e para a busca de parcerias estratégicas com todos os países amigos. Igualmente, a PDN estabelece as diretrizes estratégicas que deverão ser seguidas, pelos setores do Estado para a consecução dos objetivos nacionais.


Contudo, o fato de a PDN ter sido elaborada como uma política de governo e não de Estado confere a este documento de alto nível reduzida força política. Nesse sentido, além desta Nova Política, que já data de 2005, outros avanços vinham sendo discutidos.


Em 22 de novembro de 2007, no Seminário "Elementos para uma Política de Defesa Nacional", na Escola de Guerra Naval,  um dos palestrantes, o vice-almirante Armando Amorim Ferreira Vidigal (CEPE/EGN), apresentou as diretrizes da atual Política de Defesa Nacional, suas deficiências e apontou novos rumos.


Ele propôs um modelo para uma nova Política de Defesa, simbolizada por um octógono, no qual cada um dos 8 vértices representa um aspecto dessa nova Política:

     g   aspirações nacionais;

     g   análise da conjuntura internacional;

     g   vulnerabilidades estratégicas;

     g   operações militares de não-guerra;

     g   operações militares de guerra;

     g   mobilização nacional;

     g   desenvolvimento tecnólogico; e

     g   inteligência/contra-inteligência.


Para Vidigal, antes de elaborar a nova Política de
Defesa, seria preciso primeiro identificar democraticamente quais as aspirações do país. Ele defendeu também a necessidade de identificar as vulnerabilidades estratégicas do Brasil, ao invés de nomear inimigos potenciais, já que nossas ameaças são muito difusas.


Já a Política Nacional da Indústria de Defesa (PNID), também aprovada em 2005, é a mais recente política setorial relacionada com a indústria da Defesa na busca da autonomia nacional. A PNID tem como objetivo geral o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID).


Todos concordam que o Brasil precisa voltar a desenvolver e produzir material bélico, reaparelhar as Forças Armadas e proporcionar a efetiva reativação da Base Industrial de Defesa. Mas somente formular planos, sem ter uma verdadeira vontade política por trás deles, jamais moverá os moinhos dos quais o país tanta necessita.




A - PDN


A Política de Defesa Nacional - PDN, entrou em vigor na data da publicação do Decreto nº 5.484, de 30 de junho de 2005, no Diário Oficial da União de 1º de julho de 2005.


Este Decreto contém dois artigos, um aprovando a Política de Defesa Nacional e outro indicando que  os órgãos e entidades da administração pública federal deverão considerar, em seus planejamentos, ações que concorram para fortalecer a Defesa Nacional .


Segue o Decreto em sua íntegra :




DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO

Edição Número 125 de 01/07/2005



Atos do Poder Executivo
 
DECRETO Nº 5.484, DE 30 DE JUNHO DE 2005
 
Aprova a Política de Defesa Nacional, e dá outras providências.
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea "a", da Constituição,


D E C R E T A :
 
Art. 1º - Fica aprovada a Política de Defesa Nacional anexa a este Decreto.
 
Art. 2º - Os órgãos e entidades da administração pública federal deverão considerar, em seus planejamentos, ações que concorram para fortalecer a Defesa Nacional.
 
Art. 3º - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
 
Brasília, 30 de junho de 2005; 184º da Independência e 117º da República.
 
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
 
José Alencar Gomes da Silva
 
Jorge Armando Felix
 


POLÍTICA DE DEFESA NACIONAL




INTRODUÇÃO
 
A Política de Defesa Nacional voltada, preponderantemente, para ameaças externas, é o documento condicionante de mais alto nível do planejamento de defesa e tem por finalidade estabelecer objetivos e diretrizes para o preparo e o emprego da capacitação nacional, com o envolvimento dos setores militar e civil, em todas as esferas do Poder Nacional. O Ministério da Defesa coordena as ações necessárias à Defesa Nacional.
 
Esta publicação é composta por uma parte política, que contempla os conceitos, os ambientes internacional e nacional e os objetivos da defesa. Outra parte, de estratégia, engloba as orientações e diretrizes.
 
A Política de Defesa Nacional, tema de interesse de todos os segmentos da sociedade brasileira, tem como premissas os fundamentos, objetivos e princípios dispostos na Constituição Federal e encontra-se em consonância com as orientações governamentais e a política externa do País, a qual se fundamenta na busca da solução pacífica das controvérsias e no fortalecimento da paz e da segurança internacionais.
 
Após um longo período sem que o Brasil participe de conflitos que afetem diretamente o território nacional, a percepção das ameaças está desvanecida para muitos brasileiros. Porém, é imprudente imaginar que um país com o potencial do Brasil não tenha disputas ou antagonismos ao buscar alcançar seus legítimos interesses. Um dos propósitos da Política de Defesa Nacional é conscientizar todos os segmentos da sociedade brasileira de que a defesa da Nação é um dever de todos os brasileiros.
 

1. O ESTADO, A SEGURANÇA E A DEFESA
 
1.1 O Estado tem como pressupostos básicos o território, o povo, leis e governo próprios e independência nas relações externas. Ele detém o monopólio legítimo dos meios de coerção para fazer valer a lei e a ordem, estabelecidas democraticamente, provendo-lhes, também, a segurança.
 
1.2 Nos primórdios, a segurança era vista somente pelo ângulo da confrontação entre Estados, ou seja, da necessidade básica de defesa externa. À medida que as sociedades se desenvolveram, novas exigências foram agregadas, além da ameaça de ataques ternos.
 
1.3 Gradualmente, o conceito de segurança foi ampliado, abrangendo os campos político, militar, econômico, social, ambiental e outros. Entretanto, a defesa externa permanece como papel primordial das Forças Armadas no âmbito interestatal.
 
As medidas que visam à segurança são de largo espectro, envolvendo, além da defesa externa: defesa civil; segurança pública; políticas econômicas, de saúde, educacionais, ambientais e outras áreas, muitas das quais não são tratadas por meio dos instrumentos político-militares.

Cabe considerar que a segurança pode ser enfocada a partir do indivíduo, da sociedade e do Estado, do que resultam definições com diferentes perspectivas.
 
A segurança, em linhas gerais, é a condição em que o Estado, a sociedade ou os indivíduos não se sentem expostos a riscos ou ameaças, enquanto que defesa é ação efetiva para se obter ou manter o grau de segurança desejado.
 
Especialistas convocados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Tashkent, no ano de 1990, definiram a segurança como "uma condição pela qual os Estados consideram que não existe perigo de uma agressão militar, pressões políticas ou coerção econômica, de maneira que podem dedicar-se livremente a seu próprio desenvolvimento e progresso".
 
1.4 Para efeito da Política de Defesa Nacional, são adotados os seguintes conceitos:
 
I - Segurança é a condição que permite ao País a preservação da soberania e da integridade territorial, a realização dos seus interesses nacionais, livre de pressões e ameaças de qualquer natureza, e a garantia aos cidadãos do exercício dos direitos e deveres constitucionais;
 
II - Defesa Nacional é o conjunto de medidas e ações do Estado, com ênfase na expressão militar, para a defesa do território, da soberania e dos interesses nacionais contra ameaças preponderantemente externas, potenciais ou manifestas.

 
2. O AMBIENTE INTERNACIONAL

2.1 O mundo vive desafios mais complexos do que os enfrentados durante o período passado de confrontação ideológica bipolar. O fim da Guerra Fria reduziu o grau de previsibilidade das relações internacionais vigentes desde a 2ª Guerra Mundial.
 
Nesse ambiente, é pouco provável um conflito generalizado entre Estados. Entretanto, renovaram-se no mundo conflitos de caráter étnico e religioso, a exacerbação de nacionalismos e a fragmentação de Estados, com um vigor que ameaça a ordem mundial.
 
Neste século, poderão ser intensificadas disputas por áreas marítimas, pelo domínio aeroespacial e por fontes de água doce e de energia, cada vez mais escassas. Tais questões poderão levar a ingerências em assuntos internos, configurando quadros de conflito.

Com a ocupação dos últimos espaços terrestres, as fronteiras continuarão a ser motivo de litígios internacionais.

2.2 O fenômeno da globalização, caracterizado pela interdependência crescente dos países, pela revolução tecnológica e pela expansão do comércio internacional e dos fluxos de capitais, resultou em avanços para uma parte da humanidade. Paralelamente, a criação de blocos econômicos tem resultado em arranjos competitivos. Para os países em desenvolvimento, o desafio é o de uma inserção positiva no mercado mundial.
 
Nesse processo, as economias nacionais tornaram-se mais vulneráveis às crises ocasionadas pela instabilidade econômica e financeira em todo o mundo. A crescente exclusão de parcela significativa da população mundial dos processos de produção, consumo e acesso à informação constitui fonte potencial de conflitos.
 
2.3 A configuração da ordem internacional baseada na unipolaridade no campo militar associada às assimetrias de poder produz tensões e instabilidades indesejáveis para a paz.
 
A prevalência do multilateralismo e o fortalecimento dos princípios consagrados pelo direito internacional como a soberania, a não-intervenção e a igualdade entre os Estados, são promotores de um mundo mais estável, voltado para o desenvolvimento e bem estar da humanidade.
 
2.4 A questão ambiental permanece como uma das preocupações da humanidade. Países detentores de grande biodiversidade, enormes reservas de recursos naturais e imensas áreas para serem incorporadas ao sistema produtivo podem tornar-se objeto de interesse internacional.
 
2.5 Os avanços da tecnologia da informação, a utilização de satélites, o sensoriamento eletrônico e inúmeros outros aperfeiçoamentos tecnológicos trouxeram maior eficiência aos sistemas administrativos e militares, sobretudo nos países que dedicam maiores recursos financeiros à Defesa. Em conseqüência, criaram-se vulnerabilidades que poderão ser exploradas, com o objetivo de inviabilizar o uso dos nossos sistemas ou facilitar a interferência à distância.
 
2.6 Atualmente, atores não-estatais, novas ameaças e a contraposição entre o nacionalismo e o transnacionalismo permeiam as relações internacionais e os arranjos de segurança dos Estados. Os delitos transnacionais de natureza variada e o terrorismo internacional são ameaças à paz, à segurança e à ordem democrática, normalmente, enfrentadas com os instrumentos de inteligência e de segurança dos Estados.

 
3. O AMBIENTE REGIONAL E O ENTORNO ESTRATÉGICO

3.1 O subcontinente da América do Sul é o ambiente regional no qual o Brasil se insere. Buscando aprofundar seus laços de cooperação, o País visualiza um entorno estratégico que extrapola a massa do subcontinente e incluiu a projeção pela fronteira do Atlântico Sul e os países lindeiros da África.
 
3.2 A América do Sul, distante dos principais focos mundiais de tensão e livre de armas nucleares, é considerada uma região relativamente pacífica. Além disso, processos de consolidação democrática e de integração regional tendem a aumentar a confiabilidade regional e a solução negociada dos conflitos.
 
3.3 Entre os processos que contribuem para reduzir a possibilidade de conflitos no entorno estratégico, destacam-se: o fortalecimento do processo de integração, a partir do Mercosul, da Comunidade Andina de Nações e da Comunidade Sul-Americana de Nações; o estreito relacionamento entre os países amazônicos, no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica; a intensificação da cooperação e do comércio com países africanos, facilitada pelos laços étnicos e culturais; e a consolidação da Zona de Paz e de Cooperação do Atlântico Sul .
 
A ampliação e a modernização da infra-estrutura da América do Sul podem concretizar a ligação entre seus centros produtivos e os dois oceanos, facilitando o desenvolvimento e a integração.
 
3.4 A segurança de um país é afetada pelo grau de instabilidade da região onde está inserido. Assim, é desejável que ocorram: o consenso; a harmonia política; e a convergência de ações entre os países vizinhos, visando lograr a redução da criminalidade transnacional, na busca de melhores condições para o desenvolvimento econômico e social que tornarão a região mais coesa e mais forte.
 
3.5 A existência de zonas de instabilidade e de ilícitos transnacionais pode provocar o transbordamento de conflitos para outros países da América do Sul. A persistência desses focos de incertezas impõe que a defesa do Estado seja vista com prioridade, para preservar os interesses nacionais, a soberania e a independência.
 
3.6 Como conseqüência de sua situação geopolítica, é importante para o Brasil que se aprofunde o processo de desenvolvimento integrado e harmônico da América do Sul, o que se estende, naturalmente, à área de defesa e segurança regionais.


4. O BRASIL
 
4.1 O perfil brasileiro ao mesmo tempo continental e marítimo, equatorial, tropical e subtropical, de longa fronteira terrestre com a quase totalidade dos países sul-americanos e de extenso litoral e águas jurisdicionais - confere ao País profundidade geoestratégica e torna complexa a tarefa do planejamento geral de defesa. Dessa maneira, a diversificada fisiografia nacional conforma cenários diferenciados que, em termos de defesa, demandam, ao mesmo tempo, política geral e abordagem específica para cada caso.
 
4.2 A vertente continental brasileira contempla complexa variedade fisiográfica, que pode ser sintetizada em cinco macro-regiões.
 
4.3 O planejamento da defesa inclui todas as regiões e, em particular, as áreas vitais onde se encontra maior concentração de poder político e econômico. Complementarmente, prioriza a Amazônia e o Atlântico Sul pela riqueza de recursos e vulnerabilidade de acesso pelas fronteiras terrestre e marítima.
 
4.4 A Amazônia brasileira, com seu grande potencial de riquezas minerais e de biodiversidade, é foco da atenção internacional. A garantia da presença do Estado e a vivificação da faixa de fronteira são dificultadas pela baixa densidade demográfica e pelas longas distâncias, associadas à precariedade do sistema de transportes terrestre, o que condiciona o uso das hidrovias e do transporte aéreo como principais alternativas de acesso. Estas características facilitam a prática de ilícitos transnacionais e crimes conexos, além de possibilitar a presença de grupos com objetivos contrários aos interesses nacionais.
 
A vivificação, política indigenista adequada, a exploração sustentável dos recursos naturais e a proteção ao meio-ambiente são aspectos essenciais para o desenvolvimento e a integração da região. O adensamento da presença do Estado, e em particular das Forças Armadas, ao longo das nossas fronteiras, é condição necessária para conquista dos objetivos de estabilização e desenvolvimento integrado da Amazônia.
 
4.5 O mar sempre esteve relacionado com o progresso do Brasil, desde o seu descobrimento. A natural vocação marítima brasileira é respaldada pelo seu extenso litoral e pela importância estratégica que representa o Atlântico Sul.
 
A Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar permitiu ao Brasil estender os limites da sua Plataforma Continental e exercer o direito de jurisdição sobre os recursos econômicos em uma área de cerca de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, região de vital importância para o País, uma verdadeira "Amazônia Azul".

Nessa imensa área estão as maiores reservas de petróleo e gás, fontes de energia imprescindíveis para o desenvolvimento do País, além da existência de potencial pesqueiro.

A globalização aumentou a interdependência econômica dos países e, conseqüentemente, o fluxo de cargas. No Brasil, o transporte marítimo é responsável por movimentar a quase totalidade do comércio exterior.

4.6 Às vertentes continental e marítima sobrepõe-se dimensão aeroespacial, de suma importância para a Defesa Nacional. O controle do espaço aéreo e a sua boa articulação com os países vizinhos, assim como o desenvolvimento de nossa capacitação aeroespacial, constituem objetivos setoriais prioritários.
 
4.7 O Brasil propugna uma ordem internacional baseada na democracia, no multilateralismo, na cooperação, na proscrição das armas químicas, biológicas e nucleares e na busca da paz entre as nações. Nessa direção, defende a reformulação e a democratização das instâncias decisórias dos organismos internacionais, como forma de reforçar a solução pacífica de controvérsias e sua confiança nos princípios e normas do Direito Internacional. No entanto, não é prudente conceber um país sem capacidade de defesa compatível com sua estatura e aspirações políticas.
 
4.8 A Constituição Federal de 1988 tem como um de seus princípios, nas relações internacionais, o repúdio ao terrorismo.
 
O Brasil considera que o terrorismo internacional constitui risco à paz e à segurança mundiais. Condena enfaticamente suas ações e apóia as resoluções emanadas pela ONU, reconhecendo a necessidade de que as nações trabalhem em conjunto no sentido de prevenir e combater as ameaças terroristas.
 
4.9 O Brasil atribui prioridade aos países da América do Sul e da África, em especial aos da África Austral e aos de língua portuguesa, buscando aprofundar seus laços com esses países.

4.10 A intensificação da cooperação com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), integrada por oito países distribuídos por quatro continentes e unidos pelos denominadores comuns da história, da cultura e da língua, constitui outro fator relevante das nossas relações exteriores.
 
4.11 O Brasil tem laços de cooperação com países e blocos tradicionalmente aliados que possibilitam a troca de conhecimento em diversos campos. Concomitantemente, busca novas parcerias estratégicas com nações desenvolvidas ou emergentes para ampliar esses intercâmbios.

4.12 O Brasil atua na comunidade internacional respeitando os princípios constitucionais de autodeterminação, não-intervenção e igualdade entre os Estados. Nessas condições, sob a égide de organismos multilaterais, participa de operações de paz, visando a contribuir para a paz e a segurança internacionais.
 
4.13 A persistência de entraves à paz mundial requer a atualização permanente e o reaparelhamento progressivo das nossas Forças Armadas, com ênfase no desenvolvimento da indústria de defesa, visando à redução da dependência tecnológica e à superação das restrições unilaterais de acesso a tecnologias sensíveis.
 
4.14 Em consonância com a busca da paz e da segurança internacionais, o País é signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e destaca a necessidade do cumprimento do Artigo VI, que prevê a negociação para a eliminação total das armas nucleares por parte das potências nucleares, ressalvando o uso da tecnologia nuclear como bem econômico para fins pacíficos.
 
4.15 O contínuo desenvolvimento brasileiro traz implicações crescentes para o campo energético com reflexos em sua segurança. Cabe ao País assegurar matriz energética diversificada que explore as potencialidades de todos os recursos naturais disponíveis.

 
5. OBJETIVOS DA DEFESA NACIONAL

As relações internacionais são pautadas por complexo jogo de atores, interesses e normas que estimulam ou limitam o poder e o prestígio das Nações. Nesse contexto de múltiplas influências e de interdependência, os países buscam realizar seus interesses nacionais, podendo gerar associações ou conflitos de variadas intensidades.
 
Dessa forma, torna-se essencial estruturar a Defesa Nacional de modo compatível com a estatura político-estratégica para preservar a soberania e os interesses nacionais em compatibilidade com os interesses da nossa região. Assim, da avaliação dos ambientes descritos, emergem objetivos da Defesa Nacional:
 
I - a garantia da soberania, do patrimônio nacional e da integridade territorial;
 
II - a defesa dos interesses nacionais e das pessoas, dos bens e dos recursos brasileiros no exterior;
 
III - a contribuição para a preservação da coesão e unidade nacionais;
 
IV - a promoção da estabilidade regional;
 
V - a contribuição para a manutenção da paz e da segurança internacionais; e
 
VI - a projeção do Brasil no concerto das nações e sua maior inserção em processos decisórios internacionais.

 
6. ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS

6.1 A atuação do Estado brasileiro em relação à defesa tem como fundamento a obrigação de contribuir para a elevação do nível de segurança do País, tanto em tempo de paz, quanto em situação de conflito.
 
6.2 A vertente preventiva da Defesa Nacional reside na valorização da ação diplomática como instrumento primeiro de solução de conflitos e em postura estratégica baseada na existência de capacidade militar com credibilidade, apta a gerar efeito dissuasório.
 
Baseia-se, para tanto, nos seguintes pressupostos básicos:
 
I - fronteiras e limites perfeitamente definidos e reconhecidos internacionalmente;
 
II - estreito relacionamento com os países vizinhos e com a comunidade internacional baseado na confiança e no respeito mútuos;
 
III - rejeição à guerra de conquista;
 
IV - busca da solução pacífica de controvérsias;
 
V - valorização dos foros multilaterais;
 
VI - existência de forças armadas modernas, balanceadas e aprestadas; e
 
VII - capacidade de mobilização nacional.
 
6.3 A vertente reativa da defesa, no caso de ocorrer agressão ao País, empregará todo o poder nacional, com ênfase na expressão militar, exercendo o direito de legítima defesa previsto na Carta da ONU.
 
6.4 Em conflito de maior extensão, de forma coerente com sua história e o cenário vislumbrado, o Brasil poderá participar de arranjo de defesa coletiva autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU.

6.5 No gerenciamento de crises internacionais de natureza político-estratégica, o Governo determinará a articulação dos diversos setores envolvidos. O emprego das Forças Armadas poderá ocorrer de diferentes formas, de acordo com os interesses nacionais.
 
6.6 A expressão militar do País fundamenta-se na pacidade das Forças Armadas e no potencial dos recursos nacionais mobilizáveis.
 
6.7 As Forças Armadas devem estar ajustadas à estatura político-estratégica do País, considerando-se, dentre outros fatores, a dimensão geográfica, a capacidade econômica e a população existente.

6.8 A ausência de litígios bélicos manifestos, a natureza difusa das atuais ameaças e o elevado grau de incertezas, produto da velocidade com que as mudanças ocorrem, exigem ênfase na atividade de inteligência e na capacidade de pronta resposta das Forças Armadas, às quais estão subjacentes características, tais como versatilidade, interoperabilidade, sustentabilidade e mobilidade estratégica, por meio de forças leves e flexíveis, aptas a atuarem de modo combinado e a cumprirem diferentes tipos de missões.
 
6.9 O fortalecimento da capacitação do País no campo da defesa é essencial e deve ser obtido com o envolvimento permanente dos setores governamental, industrial e acadêmico, voltados à produção científica e tecnológica e para a inovação. O desenvolvimento da indústria de defesa, incluindo o domínio de tecnologias de uso dual, é fundamental para alcançar o abastecimento seguro e previsível de materiais e serviços de defesa.
 
6.10 A integração regional da indústria de defesa, a exemplo do Mercosul, deve ser objeto de medidas que propiciem o desenvolvimento mútuo, a ampliação dos mercados e a obtenção de autonomia estratégica.
 
6.11 Além dos países e blocos tradicionalmente aliados, o Brasil deverá buscar outras parcerias estratégicas, visando a ampliar as oportunidades de intercâmbio e a geração de confiança na área de defesa.
 
6.12 Em virtude da importância estratégica e da riqueza que abrigam, a Amazônia brasileira e o Atlântico Sul são áreas prioritárias para a Defesa Nacional.
 
6.13 Para contrapor-se às ameaças à Amazônia, é imprescindível executar uma série de ações estratégicas voltadas para o fortalecimento da presença militar, efetiva ação do Estado no desenvolvimento sócio-econômico e ampliação da cooperação com os países vizinhos, visando à defesa das riquezas naturais e do meio ambiente.
 
6.14 No Atlântico Sul, é necessário que o País disponha de meios com capacidade de exercer a vigilância e a defesa das águas jurisdicionais brasileiras, bem como manter a segurança das linhas de comunicações marítimas.
 
6.15 O Brasil precisa dispor de meios e capacidade de exercer a vigilância, o controle e a defesa do seu espaço aéreo, aí incluídas as áreas continental e marítima, bem como manter a segurança das linhas de navegação aéreas.

6.16 Com base na Constituição Federal e em prol da Defesa Nacional, as Forças Armadas poderão ser empregadas contra ameaças internas, visando à preservação do exercício da soberania do Estado e à indissolubilidade da unidade federativa.

6.17 Para ampliar a projeção do País no concerto mundial e reafirmar seu compromisso com a defesa da paz e com a cooperação entre os povos, o Brasil deverá intensificar sua participação em ações humanitárias e em missões de paz sob a égide de organismos multilaterais.

6.18 Com base na Constituição Federal e nos atos internacionais ratificados, que repudiam e condenam o terrorismo, é imprescindível que o País disponha de estrutura ágil, capaz de prevenir ações terroristas e de conduzir operações de contraterrorismo.
 
6.19 Para minimizar os danos de possível ataque cibernético, é essencial a busca permanente do aperfeiçoamento dos dispositivos de segurança e a adoção de procedimentos que reduzam a vulnerabilidade dos sistemas e permitam seu pronto restabelecimento.

6.20 O desenvolvimento de mentalidade de defesa no seio da sociedade brasileira é fundamental para sensibilizá-la acerca da importância das questões que envolvam ameaças à soberania, aos interesses nacionais e à integridade territorial do País.
 
6.21 É prioritário assegurar a previsibilidade na alocação de recursos, em quantidade suficiente, para permitir o preparo adequado das Forças Armadas.
 
6.22 O emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem não se insere no contexto deste documento e ocorre de acordo com legislação específica.

 
7. DIRETRIZES
 
7.1 As políticas e ações definidas pelos diversos setores do Estado brasileiro deverão contribuir para a consecução dos objetivos da Defesa Nacional. Para alcançá-los, devem-se observar as seguintes diretrizes estratégicas:
 
I - manter forças estratégicas em condições de emprego imediato, para a solução de conflitos;
 
II - dispor de meios militares com capacidade de salvaguardar as pessoas, os bens e os recursos brasileiros no exterior;

III - aperfeiçoar a capacidade de comando e controle e do sistema de inteligência dos órgãos envolvidos na Defesa Nacional;
 
IV - incrementar a interoperabilidade entre as Forças Armadas, ampliando o emprego combinado;
 
V - aprimorar a vigilância, o controle e a defesa das fronteiras, das águas jurisdicionais e do espaço aéreo do Brasil;
 
VI - aumentar a presença militar nas áreas estratégicas do Atlântico Sul e da Amazônia brasileira;
 
VII - garantir recursos suficientes e contínuos que proporcionem condições efetivas de preparo e emprego das Forças Armadas e demais órgãos envolvidos na Defesa Nacional, em consonância com a estatura político-estratégica do País;
 
VIII - aperfeiçoar processos para o gerenciamento de crises de natureza político-estratégica;
 
IX - implantar o Sistema Nacional de Mobilização e aprimorar a logística militar;
 
X - proteger as linhas de comunicações marítimas de importância vital para o País;
 
XI - dispor de estrutura capaz de contribuir para a prevenção de atos terroristas e de conduzir operações de contraterrorismo;
 
XII - aperfeiçoar os dispositivos e procedimentos de segurança que reduzam a vulnerabilidade dos sistemas relacionados à Defesa Nacional contra ataques cibernéticos e, se for o caso, permitam seu pronto restabelecimento;
 
XIII - fortalecer a infra-estrutura de valor estratégico para a Defesa Nacional, prioritariamente a de transporte, energia e comunicações;
 
XIV - promover a interação das demais políticas governamentais com a Política de Defesa Nacional;
 
XV - implementar ações para desenvolver e integrar a região amazônica, com apoio da sociedade, visando, em especial, ao desenvolvimento e à vivificação da faixa de fronteira;
 
XVI - incentivar a conscientização da sociedade para os assuntos de Defesa Nacional;

XVII - estimular a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico e a capacidade de produção de materiais e serviços de interesse para a defesa;
 
XVIII - intensificar o intercâmbio das Forças Armadas entre si e com as universidades, instituições de pesquisa e indústrias, nas áreas de interesse de defesa;
 
XIX - atuar para a manutenção de clima de paz e cooperação nas áreas de fronteira;
 
XX - intensificar o intercâmbio com as Forças Armadas das nações amigas, particularmente com as da América do Sul e as da África, lindeiras ao Atlântico Sul;
 
XXI - contribuir ativamente para o fortalecimento, a expansão e a consolidação da integração regional com ênfase no desenvolvimento de base industrial de defesa;
 
XXII - participar ativamente nos processos de decisão do destino da região Antártica;
 
XXIII - dispor de capacidade de projeção de poder, visando à eventual participação em operações estabelecidas ou autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU;
 
XXIV - criar novas parcerias com países que possam contribuir para o desenvolvimento de tecnologias de interesse da defesa;
 
XXV - participar de missões de paz e ações humanitárias, de acordo com os interesses nacionais; e
 
XXVI - participar crescentemente dos processos internacionais relevantes de tomada de decisão, aprimorando e aumentando a capacidade de negociação do Brasil.





B - PNID


A nova Política Nacional da Indústria de Defesa - PNID, entrou em vigor na data da publicação da Portaria Normativa do Ministério da Defesa nº 899/MD, de 19 de julho de 2005, no Diário Oficial da União de 20 de julho de 2005.


Esta Portaria Normativa contém seis artigos : aprovando a PNID, adotando definições, estabelecendo objetivos (gerais e específicos) e orientações, e estabelecendo responsabilidade por sua coordenação.


Após sua publicação, a Associação Brasileira das Indústrias de Material de Defesa - ABIMDE
- declarou ter certeza que a aprovação desta política é um passo decisivo para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa no Brasil – BID, pois além de definir a abrangência desta indústria e os produtos estratégicos de defesa, coloca como objetivos para o fortalecimento da BID a necessidade de:

     g   Conscientização da sociedade em geral quanto a necessidade da BID;

     g   Produzir e desenvolver os produtos estratégicos no Brasil;

     g   Reduzir a carga tributária;

     g   Ampliar a capacidade de aquisição das Forças Armadas em indústrias brasileiras;

     g   Melhorar a qualidade dos produtos;

     g   Aumento da competitividade para expandir as exportações e

     g   A melhoria da capacidade de mobilização.


Segue a Portaria Normativa do Ministério da Defesa em sua íntegra :




DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO

Edição de 20/07/2005




Política Nacional da Indústria de Defesa - PNID

Ministério da Defesa

Gabinete do Ministro

PORTARIA NORMATIVA Nº 899/MD, DE 19 DE JULHO DE 2005


Aprova a



POLÍTICA NACIONAL DA
INDÚSTRIA DE DEFESA - PNID




O MINISTRO DE ESTADO DA DEFESA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos XIV do art. 1 o ; VII do art. 16 e VI do art. 17 do Anexo I ao Decreto n o 5.201, de 2 de setembro de 2004, resolve:

Art. 1
º - Aprovar a Política Nacional da Indústria de Defesa PNID.

Art. 2
º - Para os fins desta Portaria Normativa adotam-se as seguintes definições:

I - Base Industrial de Defesa - BID: é o conjunto das empresas estatais e privadas, bem como organizações civis e militares, que participem de uma ou mais das etapas de pesquisa, desenvolvimento, produção, distribuição e manutenção de produtos estratégicos de defesa; e

II - produto estratégico de defesa: são bens e serviços que pelas peculiaridades de obtenção, produção, distribuição, armazenagem, manutenção ou emprego possam comprometer, direta ou indiretamente, a consecução de objetivos relacionados à segurança ou à defesa do País.

Parágrafo único. A definição dos critérios para a inclusão na categoria de produto estratégico de defesa, a elaboração da concernente relação, bem como os demais aspectos afetos à matéria são de responsabilidade da Secretaria de Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia SELOM, do Ministério da Defesa, e tratados em documentação específica.

Art. 3º A PNID tem como objetivo geral o fortalecimento da BID.

Art. 4º Para a consecução do objetivo geral da PNID, concorrem os seguintes objetivos específicos:

I - conscientização da sociedade em geral quanto à necessidade de o País dispor de uma forte BID;

II - diminuição progressiva da dependência externa de produtos estratégicos de defesa, desenvolvendo-os e produzindo-os internamente;

III - redução da carga tributária incidente sobre a BID, com especial atenção às distorções relativas aos produtos importados;

IV - ampliação da capacidade de aquisição de produtos estratégicos de defesa da indústria nacional pelas Forças Armadas;

V - melhoria da qualidade tecnológica dos produtos estratégicos de defesa;

VI - aumento da competitividade da BID brasileira para expandir as exportações; e

VII - melhoria da capacidade de mobilização industrial na BID.

Art. 5º Para a implementação da PNID devem ser observadas as seguintes orientações:

I - as ações estratégicas devem priorizar a preservação da base industrial já existente;

II - as ações estratégicas devem ser indutoras, sem retirar da indústria sua capacidade de empreendimento, sua iniciativa e seus próprios riscos; e

III - as empresas públicas devem desempenhar suas atividades em complemento às de caráter privado, evitando a concorrência com estas últimas.

Art. 6º A responsabilidade pela coordenação da elaboração das ações estratégicas decorrentes da PNID cabe à SELOM, bem como a preparação do programa de trabalho, com avaliação anual, contendo metas e prazos.

Art. 7º Esta Portaria Normativa entra em vigor na data de sua publicação.

JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA
Ministro da Defesa




C - PNID - AÇÕES ESTRATÉGICAS



As Ações Estratégicas para a implementação da Política Nacional da Indústria de Defesa - PNID, foram estabelecidas pela Portaria Normativa do Ministério da Defesa nº 586/MD, de 24 de abril de 2006, a qual entrou em vigor na data da publicação no Diário Oficial da União, em 25 de abril de 2006.


Segue a Portaria Normativa do Ministério da Defesa em sua íntegra :



DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO

Edição de 25/04/2006




Ministério da Defesa

Gabinete do Ministro

PORTARIA NORMATIVA Nº 586/MD, DE 24 DE ABRIL DE 2006


Aprova as



AÇÕES ESTRATÉGICAS PARA
A POLÍTICA NACIONAL DA
INDÚSTRIA DE DEFESA



O MINISTRO DE ESTADO DA DEFESA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal de 1988; a alínea "o" do inciso VII do art. 27 da Lei no 10.683, de 28 de maio de 2003; e o inciso XIV do art. 1º do Anexo I ao Decreto no 5.201, de 2 de setembro de 2004, resolve:

Art. 1º - Aprovar as Ações Estratégicas para a Política Nacional da Indústria de Defesa (PNID).

Art. 2º - Para os fins desta Portaria Normativa adotam-se as seguintes Ações Estratégicas para implementação da PNID:

I - conscientização da sociedade em geral quanto à necessidade de o País dispor de uma forte Base Industrial de Defesa (BID):
a) realizar campanha de divulgação e conscientização da importância de uma BID forte, em trabalho conjugado de empresas e suas associações, direcionada aos órgãos governamentais, à imprensa, ao Congresso Nacional, aos pesquisadores, aos Centros de Estudos Estratégicos, aos corpos docente e discente dos níveis de ensino médio e superior, à Comunidade Acadêmica e ao público em geral;
b) propor a participação da Presidência da República, dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, das Relações Exteriores, da Fazenda, do Planejamento, Orçamento e Gestão, bem como da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), das Federações das Indústrias, da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa (ABIMDE), do Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa (SIMDE) e outras instituições;
c) ampliar a atuação da Assessoria Parlamentar do Ministério da Defesa (MD) junto ao Congresso Nacional, nos assuntos de interesse da BID, buscando o apoio das empresas e entidades de classe ligadas à indústria de defesa; e
d) utilizar o Fórum das Indústrias de Defesa (FID), de que trata a Portaria no- 611/MD, de 12 de maio de 2005, como instrumento de articulação entre o MD, os demais órgãos do Governo e as empresas, quando oportuno;

II - diminuição progressiva da dependência externa em produtos estratégicos de defesa, desenvolvendo-os e produzindo-os internamente:
a) identificar e listar os produtos estratégicos de defesa, criando uma Relação de Produtos Estratégicos de Defesa;
b) listar tecnologias estratégicas de interesse do MD, relacionadas com os produtos estratégicos de defesa;
c) priorizar as ações para o desenvolvimento de produtos de defesa pela indústria nacional;
d) compatibilizar o tempo de pesquisa e desenvolvimento (P&D) às necessidades da defesa nacional;
e) incrementar ações voltadas para a inovação de produtos e processos, com foco nas demandas das Forças Armadas (FA);
f) incentivar o intercâmbio entre as indústrias de defesa e as FA para a P&D e a produção de produtos de defesa;
g) identificar os projetos estratégicos de defesa para proposição aos Comitês Gestores dos Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia;
h) identificar os projetos estratégicos de defesa tendo em vista a inserção no Orçamento da União;
i) propor que a parcela do orçamento anual do MD destinada a investimentos para P&D seja considerada impositiva, com percentual fixo da arrecadação prevista, permitindo a sustentabilidade da indústria e o desenvolvimento dessa área voltada para P&D; e
j) propor dispositivo legal que estimule as aquisições internas de produtos de defesa como forma de incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias pela indústria nacional;

III - redução da carga tributária incidente sobre a BID, com especial atenção às distorções relativas aos produtos importados:
a) propor dispositivo legal que promova a redução ou a isenção de tributos incidentes sobre os produtos estratégicos de defesa e sobre os insumos necessários a todo o ciclo de sua cadeia produtiva; e
b) sugerir legislação para regular as contrapartidas a serem oferecidas pelas empresas beneficiadas com isenção ou redução de tributos;

IV - ampliação da capacidade de aquisição de produtos estratégicos de defesa da indústria nacional pelas FA:
a) padronizar o material utilizado ou consumido pelas FA em ações militares combinadas, de combate ou logísticas, de modo a obter escala para aquisição centralizada;
b) compatibilizar, em consonância com os critérios de padronização, os programas de reaparelhamento das FA, de modo a obter escala para aquisição centralizada;
c) propor dispositivo legal que imponha a alocação de um valor mínimo, ajustado anualmente, como dotação orçamentária de recursos para as FA, destinados à aquisição de produtos (materiais e serviços) estratégicos de defesa;
d) estabelecer a prioridade de aquisição de bens e serviços constantes da Relação de Produtos Estratégicos de Defesa, por parte das FA, estimulando a aquisição na indústria nacional; e
e) propor a inserção, na Lei de Licitações e Contratos Administrativos, de dispositivos adequados às características das aquisições, para as FA, de produtos da indústria de defesa nacional;

V - melhoria da qualidade tecnológica dos produtos estratégicos de defesa:
a) propor mecanismos de capacitação tecnológica das empresas nacionais, com recursos governamentais ou de outras fontes, para o desenvolvimento final de produtos de defesa que envolvam alta complexidade tecnológica e que sejam estratégicos para o País;
b) listar os centros e pólos de excelência para pesquisa na área de produtos e tecnologias estratégicos de defesa;
c) propor a instituição do MD como órgão central de coordenação do sistema de ciência, tecnologia e inovação na área de interesse da Defesa Nacional;
d) direcionar investimentos para a melhoria da qualidade nas empresas nacionais, nas universidades e nos institutos de pesquisa selecionados, coordenando-os com os interesses das FA;
e) manter a continuidade de projetos de interesse das FA que permitam a inovação;
f) estimular o estabelecimento de instrumentos jurídicos entre as empresas privadas de produtos de defesa, centros tecnológicos, institutos de pesquisa e laboratórios militares para domínio de tecnologias, desenvolvimento e certificação da qualidade;
g) estimular a realização de parcerias das indústrias nacionais com indústrias estrangeiras para desenvolvimento e produção conjunta de produtos de defesa com conteúdo tecnológico não disponível no País;
h) buscar a adoção de contrapartidas de transferências tecnológicas nos acordos de compensação especialmente destinados à área de defesa;
i) incentivar a concessão de financiamentos para projetos de P&D de produtos de defesa; e
j) apoiar políticas voltadas para ciência, tecnologia e inovação, intensificando a aliança da universidade com a empresa e o MD, identificando necessidades e assegurando a formação de massa crítica para o apoio à BID;

VI - aumento da competitividade da BID brasileira para expandir as exportações:
a) propor incentivos e financiamentos a estudos, projetos, pesquisas, desenvolvimento e inovações destinados a superar deficiências e limitações tecnológicas;
b) orientar os futuros adidos militares brasileiros quanto à divulgação do produto de defesa nacional, bem como institucionalizar o apoio por eles prestado às iniciativas dos empresários da BID nos países junto aos quais estiverem acreditados;
c) intensificar a divulgação, junto aos adidos militares estrangeiros
no Brasil, das possibilidades da BID e da qualidade do produto de defesa brasileiro;
d) propor a compatibilização das normas nacionais referentes aos requisitos de embalagem, transporte e armazenagem de produtos de defesa com a normatização internacional correspondente;
e) intensificar a participação do MD no acompanhamento e na divulgação do desempenho dos produtos nacionais exportados, em apoio à BID;
f) subsidiar o Ministério das Relações Exteriores e os órgãos de exportação quanto aos países de interesse da BID;
g) atuar junto aos demais órgãos do Governo para agilizar linhas de crédito para financiamentos, avais, garantias, dentre outros, para transações de produtos de defesa;
h) coordenar ações visando à certificação de produtos de defesa existentes, adequando-a às normas regionais e internacionais, tendo em vista o seu reconhecimento;
i) propor medidas para a redução das dificuldades de ordem burocrática e da infra-estrutura de transporte de produtos controlados;
j) propor a simplificação dos procedimentos de exportação de produtos de defesa, bem como da prestação de serviços a eles inerentes; e
l) propor a regulamentação do uso dos contratos das empresas da BID com as FA como garantia de operações financeiras junto aos bancos e às organizações oficiais de crédito;

VII - melhoria da capacidade de mobilização industrial na BID:
a) em conjunto com a BID, elaborar um instrumento legal que defina a participação das indústrias na preparação da mobilização e na sua execução; e
b) propor instrumentos legais que regulem as contrapartidas a serem oferecidas pela União às empresas participantes de um plano de capacitação de produtos para as ações de execução da mobilização.
Art. 3º- A responsabilidade pela coordenação, supervisão e acompanhamento dessas Ações Estratégicas cabe à Secretaria de Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia - SELOM.

Art. 4º - Esta Portaria Normativa entra em vigor na data de sua publicação.

WALDIR PIRES
Ministro da Defesa






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