INTRODUÇÃO
Desde 2002, ainda
no governo FHC, Brasil e Rússia vem desenvolvendo uma
Aliança ou Parceria
Estratégica bilateral.
Em 18 de outubro de 2005, os presidentes Lula e Putin conseguiram
fechar em
Moscou um amplo acordo para a área espacial e abriram caminho para
outras áreas. A Declaração
Conjunta dos dois chefes de Estado destacava a
formação de uma "ALIANÇA
ESTRATÉGICA" bilateral.
Em 14 e 15 de dezembro de 2006, houve
uma importante visita oficial a Brasília de Serguei V. Lavrov,
ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da
Rússia. Alguns acordos foram firmados, conforme a Declaração
Conjunta dos dois
governos.
Foi ressaltada a excelência dos
trabalhos da IV Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de
Alto
Nível de Cooperação (CAN), realizada em
Brasília,
em 4 de abril de 2006.
Foi realizada no Brasil em 2007 a
V Reunião da Comissão Intergovernamental
Brasil-Rússia de Cooperação Econômica,
Comercial, Científica e Tecnológica (CIC), para a
dinamização da cooperação bilateral nas
áreas econômico-comercial, científica,
tecnológica, cultural e esportiva.
Brasil e Rússia trataram dos
principais temas da pauta bilateral e da possibilidades de
intensificação do relacionamento nos mais diversos
campos. Como exemplo desse bom relacionamento, foi assinado
o Acordo sobre Proteção
Mútua de Tecnologias Associadas à
Cooperação na Exploração e Uso do
Espaço Exterior para Fins Pacíficos.
Já existia um compromisso dos dois países com uma nova
ordem mundial mais justa e democrática, baseada no primado do
direito internacional e no fortalecimento do multilateralismo, de
acordo com a Carta
da ONU, com vistas a assegurar a estabilidade e segurança nos
níveis
global e regional e a criar condições favoráveis
para
o desenvolvimento sustentável.
Nesse sentido, foi reafirmado o
compromisso mútuo com o multilateralismo e com as
ações coletivas no contexto dos esforços em prol
do desarmamento geral e completo e da
não-proliferação, bem como da
prevenção da corrida armamentista no espaço
exterior de acordo com as decisões da ONU.
Brasil e Rússia reconheceram o
direito de todos os Estados à escolha independente e
autônoma de seu caminho de desenvolvimento, de acordo com a sua
própria experiência histórica, bem como a
participação, com igualdade
de direitos, na condução dos assuntos internacionais. Foi
enfatizado ainda a necessidade de respeito à diversidade de
culturas
e civilizações no mundo contemporâneo.
O Brasil agradeceu o apoio da
Rússia ao Brasil na qualidade de um dos candidatos fortes a uma
vaga de membro
permanente de um Conselho de Segurança das Nações
Unidas
reformado.
(Clique na foto abaixo para
ampliação)
Primeiro
encontro dos 4 governantes do GRUPO
BRIC para
conversações em torno
da formalização do grupo, em 9 de julho de 2008,
durante o G-8 realizado em
Sapporo, Hokaido, Japão. Da esquerda para a direita, o
Premiê da Índia,
Manmohan Singh; o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev; o
Presidente
da China, Hu Jintao; e o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula
da Silva.
(Foto Ricardo Stuckert/PR - 1000RS013)
Em 26 de novembro de 2008, os
presidentes Luiz Inácio Lula
da Silva e Dmitri Medvedev, reuniram-se no
Rio de Janeiro, em histórico encontro que celebrou o 180°
aniversário do
estabelecimento de relações diplomáticas entre os
dois países.
Os presidentes
expressaram sua
satisfação com as conversações em andamento
relacionadas às áreas de
telecomunicações, navegação por
satélites (Glonass), capacitação em áreas
técnicas e de engenharia, bem como à
realização de experimentos
brasileiros no segmento russo da Estação Espacial
Internacional.
Eles manifestaram
pleno apoio aos trabalhos bilaterais em curso para a
modernização do
Veículo Lançador de Satélites brasileiro (VLS) e
expressaram sua
determinação em promover a parceria tecnológica
para o desenvolvimento
de veículos lançadores de nova geração.
Desde 2003, vem sendo negociada a construção conjunta de
veículos espaciais. Parece que
estão se preparando
para o Programa KLIPER,
a futura nave espacial russa.
Maquete da KLIPER (2), a nova
cápsula reutilizável
que substituirá a antiga e confiável nave Soyuz.
(Foto ESA)
Ilustração
interna da KLIPER,
que
levará 6 tripulantes
e pesará 14,5 ton
em missões para a Lua e a ISS.
(Arte RKK Energiya)
Os presidentes comemoraram
ainda a assinatura do "Acordo de
Cooperação Técnico-Militar", que permitirá
explorar o potencial
existente entre os dois países, com a formação de
parcerias para o
desenvolvimento de novas tecnologias no setor de defesa. Os dois
presidentes confirmaram a aquisição
de 12 helicópteros de ataque MI-35 M. Em 2010, havia interesse
de aumentar esse intercâmbio.
Foi realizada na Rússia, em 2009, a V Reunião
da Comissão
Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação
(CAN).
TECNOLOGIA E DEFESA
Na visita do ministro Serguei V. Lavrov
a Brasília, em dezembro de 2006, foi
acordado que o Brasil deverá construir uma versão mais
moderna do
VLS - Veículo Lançador de Satélites, com ajuda
tecnológica da Rússia.
O ministro Celso Amorim confirmou na ocasião que o Brasil
negociava a compra de até 40 helicópteros russos, que se
concretizou em 2008 com apenas 12 unidades do Mil Mi-35 M - uma
transação avaliada em até US$ 300 milhões.
Tais helicópteros de ataque servirão basicamente para
combate ao
tráfico e contrabando, especialmente na Região
Amazônica.
A introdução deles ocorrerá em várias
etapas. Na primeira, haverá a aquisição de
helicópteros inteiros. Em uma segunda, eles serão
montados no Brasil. Já em uma terceira etapa, eles serão
montados no Brasil com conteúdo nacional. Por outro lado, a Embraer poderá vir a abrir
uma linha de
montagem do jato regional ERJ-145 na Rússia.
Esse negócio é apenas o início de um pacote de
contrapartidas comerciais negociados pelo Ministro em outubro de 2006
em Moscou, que conseguiu fechar com os russos expressivos
negócios de exportação de carne bovina e de
frango.
Essa pauta vem sendo continuamente travada com
problemas de febre aftosa, cancelamento do Projeto FX-1 e a inesperada
derrota do Su-35BM
no Projeto FX-2.
MI-35 M HIND -
COMBATE
Os Mi-35 M HIND ou Piranha são helicópteros de ataque de
grande velocidade. O Mi-35
é
uma espécie de tanque voador, blindado, equipado com
avançados recursos eletrônicos e capaz de levar 2.455
quilos de armas. Trata-se da versão russa do Apache americano.
Conseguem atingir até 335 km/h.
Levam uma metralhadora pesada, capaz de disparar mais de 3 mil tiros
por minuto, ou um canhão de 30 mm capaz de perfurar até
80 mm de blindagem. Podem ser armados com 6 lança-foguetes e
mísseis antitanques e para combate aéreo.
O Mi-35 P é a
versão de exportação do Mi-24 P.
(Foto Sukhoi)
Esquema do Mi-35 D, que
é a versão de exportação do Mi-24 D.
(Foto Sukhoi)
Além disso, esses especialistas
em missões de assalto podem transportar um grupo de combate
completo, com 12 soldados. Basicamente, são versões
modernizadas do antigo Mi-24 para exportação, que eram
já empregados pelos
soviéticos no Afeganistão, mas hoje com eletrônica
moderna
e motores mais possantes.
(Clique na foto abaixo
para ampliação)
Esquema geral do Mi-35.
(Arte Mil)
DECLARAÇÃO
CONJUNTA 2005
DECLARAÇÃO CONJUNTA BRASIL
- RÚSSIA
Moscou - 18 de Outubro de 2005
1.O Presidente
da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da
Silva, e o Presidente da Federação da Rússia,
Vladimir V.
Pútin, expressaram satisfação com a
realização
da visita oficial do Chefe de Estado brasileiro à
Federação
da Rússia e constataram a importância desta visita para a
consolidação da parceria estratégica entre os dois
Países.
2. Nas
conversações, os Presidentes do Brasil e da Rússia
confirmaram a importância que atribuem à paz, à
democracia, ao desenvolvimento com
justiça social, à igualdade e ao respeito e
proteção
dos Direitos Humanos.
Os dois Chefes de Estado
expressaram igualmente sua satisfação com o adensamento
do relacionamento bilateral ocorrido desde a visita do Presidente
Vladimir V. Pútin ao Brasil, em novembro de 2004, a primeira de
um Chefe de Estado russo àquele país.
Nesse contexto,
atribuíram elevada importância ao papel da Comissão
Brasileiro-Russa
de Alto Nível de Cooperação e da Comissão
Intergovernamental Brasileiro-Russa de Cooperação
Econômica, Comercial, Científica e Tecnológica.
3. Os Presidentes avaliaram
positivamente o grande dinamismo do intercâmbio comercial
bilateral, que alcançou a cifra de 2,1 bilhões de
dólares nos primeiros sete meses de 2005. Manifestaram
disposição de incentivar os setores
público e privado de seus países a incrementar e
diversificar
a pauta bilateral de bens e serviços, a fim de
aperfeiçoar
o perfil da balança comercial entre os dois países,
buscando,
em particular, o aumento de produtos de alto valor agregado, bem como a
elaboração de novos projetos de cooperação
econômica,
inclusive de investimentos recíprocos.
Os dois Presidentes
constataram com satisfação o considerável
potencial de cooperação na área da
indústria da aviação. Nesse contexto, assinalaram
a disposição da empresa brasileira Embraer de
estabelecer parceria com empresas russas, inclusive a possibilidade de
estabelecimento de linha de montagem de jatos ERJ-145 na Rússia.
Ao mesmo tempo consideraram
positivamente a colocação no mercado brasileiro de
helicópteros
e hidroaviões russos, em particular o helicóptero MI-171A
e do avião BE-103, já certificados no Brasil, e de outros
tipos de helicópteros que venham a ser certificados brevemente.
4. O Presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e o Presidente Vladimir V. Pútin
registraram com satisfação a conclusão das
negociações bilaterais sobre a acessão da
Rússia à Organização Mundial do
Comércio [OMC], cuja efetivação
possibilitará o fortalecimento do sistema mundial de
comércio e das relações econômico-comerciais
bilaterais.
5. No contexto da
formação da ”aliança tecnológica” entre o
Brasil e a Rússia, proposta pelos dois Presidentes, foram
constatados avanços, em particular, no desenvolvimento da
cooperação bilateral para os usos pacíficos do
espaço exterior. Especial destaque foi dado à
missão de astronauta brasileiro no segmento russo da
Estação Espacial Internacional, em 2006, conforme
contrato assinado na presença dos dois Mandatários.
Observaram que as
negociações sobre a cooperação
brasileiro-russa para a modernização do ”VLS-1”
brasileiro encontram-se em fase avançada e que está em
fase de negociação programa conjunto para a
construção de equipamento espacial de
telecomunicações.
Ainda no tocante à
cooperação bilateral na área espacial, os dois
Presidentes instruíram as instituições competentes
de seus respectivos países a dar continuidade à
implementação do programa de cooperação na
área dos usos pacíficos do espaço exterior.
Decidiram acelerar a criação da base legal e contratual
necessária, priorizando-se a conclusão de acordo entre o
Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da
Federação da Rússia sobre as medidas para
proteção de tecnologias relacionadas à
cooperação na pesquisa e utilização
do espaço exterior para fins pacíficos.
6. Ao manifestarem sua
satisfação com os recentes avanços no
desenvolvimento da cooperação
técnico-científica, os dois Mandatários
sublinharam a necessidade de se aproveitar de forma mais eficaz o
potencial de cooperação existente nessa área.
7. Foi constatado
avanço na cooperação bilateral na área
energética, em particular, a possibilidade do aumento da
participação russa na construção de usinas
hidrelétricas no Brasil e o
fortalecimento da coordenação entre empresas do setor do
petróleo
e do gás, da área petroquímica dos dois
países, bem como intercâmbio de experiências na
área de energia renováveis, em particular o etanol.
Constatadas aquelas
perspectivas promissoras, os dois Presidentes concordaram com a
conveniência de estabelecer uma parceria privilegiada na
área de energia.
8. Os Presidentes confirmaram
sua disposição de examinar favoravelmente maneiras de
explorar o potencial da cooperação
técnico-militar, conforme
os interesses dos dois países.
9. As Partes reiteraram seu
compromisso com a utilização racional dos recursos
naturais, com o objetivo de promover o desenvolvimento
sustentável.
Constataram o potencial
existente para o incremento da cooperação bilateral em
áreas
como a utilização de tecnologias ecologicamente limpas e
pesquisas na área ambiental.
10. Os Presidentes assinalaram
o adensamento das relações bilaterais nas áreas
cultural, educacional e esportiva, que contribui para o enriquecimento
cultural mútuo, assim como para um melhor conhecimento
recíproco dos povos dos dois países.
11. Foi destacada a crescente
interação entre as unidades da Federação no
Brasil
e na Rússia no estabelecimento de laços diretos e de
cooperação. Os mandatários dos dois países
continuarão a apoiar
o desenvolvimento desta tendência.
12. Os Presidentes expressaram
sua satisfação com a assinatura, no decorrer da visita,
dos seguintes documentos:
- Memorando entre a
Agência Espacial Brasileira e a Agência Espacial Federal da
Rússia
sobre a Criação de Grupo de Trabalho Conjunto;
- Protocolo entre a
Agência Espacial Brasileira e a Agência Espacial Federal da
Rússia
sobre Cooperação para Modernização do
Veículo Lançador VLS-1; e
- Contrato para Missão
Espacial de um Participante em Vôo Espacial [SFP] ao Setor Russo
da Estação Espacial Internacional.
13. Os Presidentes Luiz
Inácio Lula da Silva e Vladímir V. Pútin
confirmaram a proximidade de posições do Brasil e da
Rússia com relação às principais
questões internacionais. Declararam-se a favor da
ampliação da cooperação dos dois
países no plano bilateral e em foros multilaterais, em prol do
fortalecimento
da paz e da segurança mundiais, e de uma nova ordem mundial,
multipolar, mais democrática, justa e segura, com base no
direito internacional.
14. Os Presidentes da
República Federativa do Brasil e da Federação da
Rússia estão convencidos de que apenas
ações conjuntas da comunidade internacional podem
responder adequadamente às novas ameaças e desafios.
Repudiam as decisões e
ações unilaterais e defendem o fortalecimento do papel
central do sistema das Nações Unidas.
15. Os Presidentes sublinharam
que o sexagésimo aniversário da ONU constitui
oportunidade para que todos os seus membros reafirmem seu compromisso
com os objetivos e princípios da Carta da
Organização e dêem
sua contribuição para o seu fortalecimento e o aumento da
eficácia da Organização.
Os dois Chefes de Estado
apoiaram os resultados da Cúpula do Milênio. Neste
contexto, e reconhecendo a importância da reforma do Conselho de
Segurança da ONU,
o Presidente Vladímir V. Pútin expressou o apoio da
Rússia ao Brasil na qualidade de um dos fortes candidatos a vaga
de membro permanente do Conselho de Segurança reformado, no
entendimento de que seja tomada decisão, mediante acordo, sobre
a ampliação do Conselho de Segurança da ONU em
ambas as categorias.
Ao mesmo tempo, as Partes
assinalaram a necessidade de obtenção do mais amplo
acordo na tomada
de decisões relativas a todos os processos de reforma na ONU.
O Presidente Lula agradeceu o
gesto de apoio russo, que reconhece a necessidade de reforma da ONU e o
papel
positivo que o Brasil tem a desempenhar naquele contexto.
16. O Brasil e a Rússia
consideram o terrorismo uma ameaça à paz e à
segurança internacionais, que viola objetivos e
princípios da Carta da ONU, e reiteraram a necessidade de
estreitar a cooperação internacional, tanto bilateral
quanto multilateral, com vistas a combater o terrorismo
e seu financiamento, na observância dos Direitos Humanos e dos
princípios consagrados do Direito Internacional.
Os Chefes de Estado avaliaram
positivamente a cooperação entre o Brasil e a
Rússia na luta contra o terrorismo, o narcotráfico e o
crime organizado transnacional,
tanto no plano bilateral quanto no plano multilateral. Nesse sentido,
ressaltaram a importância da cooperação no
âmbito das Nações Unidas, bem como no plano
regional.
17. Da mesma forma,
manifestaram sua preocupação com o tráfico
internacional de drogas, armas e seres humanos e ante seus efeitos
negativos para a paz, a segurança, a estabilidade e a
democracia, e comprometeram-se a estreitar a cooperação
bilateral e multilateral com vistas a combater aqueles ilícitos
transnacionais.
18. O Brasil e a Rússia
reiteram seu compromisso com os princípios do Tratado de
Não-Proliferação de Armas Nucleares e do regime de
não-proliferação
nuclear em geral, em suas vertentes de
não-proliferação,
desarmamento e acesso à tecnologia nuclear para fins
pacíficos.
Nesse sentido, pretendem
contribuir para a adoção de medidas que visem a acelerar
a entrada em vigor do Tratado de Proibição Total de
Testes Nucleares, e
reiteraram seu compromisso de não serem os primeiros a colocarem
armamentos
no espaço exterior.
19. No contexto da
coordenação das ações do Brasil e da
Rússia no âmbito de
diversos órgãos da ONU e de organismos especializados, os
Presidentes sublinharam sua firme determinação de
trabalhar
conjuntamente a fim de promover maior cooperação
internacional,
com vistas à criação de novos mecanismos para o
financiamento
do desenvolvimento e para o combate à fome e à pobreza em
escala mundial.
20. O Brasil e a
Rússia, conscientes das amplas possibilidades que são
abertas pelo desenvolvimento vertiginoso e pela maciça
utilização dos meios e tecnologias de
informação e comunicação, exprimem sua
preocupação com o fato de que, ademais das vantagens que
os processos de informatização global oferecem a nossos
dois países, surgem reais ameaças de
utilização dos avanços na área de
informação para fins incompatíveis com as tarefas
que visam a assegurar a estabilidade e a segurança
internacionais, tanto na esfera civil como na militar.
Os Presidentes confirmam a
vontade dos dois países de continuar o diálogo
Brasil-Rússia e intensificar os esforços conjuntos para
promover a cooperação, inclusive no âmbito da ONU,
sobre segurança da informação.
21. Os Presidentes Luiz
Inácio Lula da Silva e Vladimir V. Pútin destacaram a
importância
das organizações regionais das quais fazem parte o Brasil
e
a Rússia para o desenvolvimento de processos de
integração,
e confirmaram a sua disposição de contribuir para os
contatos
entre estas organizações, inclusive entre o Mercado Comum
do
Sul [Mercosul], o Grupo do Rio, a Comunidade dos Estados Independentes
[CEI]
e o Espaço Econômico Comum [EEC].
LUIZ INÁCIO LULA DA
SILVA
Presidente da República
Federativa do Brasil
VLADIMIR V. PUTIN
Presidente da
Federação da Rússia
DECLARAÇÃO
CONJUNTA 2006
DECLARAÇÃO CONJUNTA
BRASIL - RÚSSIA
Brasília - 14 de Dezembro de 2006
1. A Visita Oficial à
República Federativa do Brasil do Senhor Serguei V. Lavrov,
Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da
Rússia, no período de 14 a 15 de dezembro de 2006, a
convite do Ministro das Relações Exteriores do Brasil,
Senhor Celso Amorim, inscreve-se na continuidade
do diálogo político de alto nível, iniciado em
2002,
no contexto da parceria estratégica entre o Brasil e a
Rússia.
Essa concertação política foi renovada durante a
visita ao Brasil do Presidente Vladimir V. Putin, em novembro de 2004 –
a primeira de um Chefe de Estado da Rússia ao Brasil –, quando
se estabeleceu a aliança tecnológica
Brasil-Rússia, e reafirmada
por ocasião das visitas do Presidente Luiz Inácio Lula da
Silva a Moscou, em outubro de 2005, e a São Petersburgo, em
julho
de 2006, para participar, a convite do Presidente Putin, do segmento
ampliado
do G-8.
2. O Chanceler Serguei V. Lavrov, em audiência com o Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, reiterou a disposição
da Federação da Rússia de aprofundar o
relacionamento com
o Brasil. Na reunião de trabalho que o Ministro Celso Amorim e o
Ministro Serguei V. Lavrov mantiveram em Brasília, no dia 14 de
dezembro,
foram avaliados os principais temas da pauta bilateral e discutidas
possibilidades
de intensificação do relacionamento entre os dois
países
nos mais diversos campos. Foram ainda analisadas questões
regionais
e multilaterais de interesse mútuo.
3. Nesse contexto, os dois Chanceleres recordaram o encontro mantido
à margem da 61ª Assembléia Geral das
Nações Unidas, realizada em Nova York, em setembro de
2006, e congratularam-se pela
excelência dos trabalhos da IV Reunião da Comissão
Brasileiro-Russa
de Alto Nível de Cooperação (CAN), realizada em
Brasília, em 4 de abril de 2006, sob a co-presidência do
Vice-Presidente da
República, Senhor José Alencar, e do Presidente do
Governo
da Federação da Rússia, Senhor Mikhail E. Fradkov.
Expressaram, ainda, expectativa positiva quanto aos trabalhos da V
Reunião da Comissão Intergovernamental
Brasil-Rússia de Cooperação Econômica,
Comercial, Científica e Tecnológica (CIC), a realizar-se
no Brasil, no primeiro semestre de 2007, para a
dinamização da cooperação bilateral nas
áreas econômico-comercial, científica,
tecnológica, cultural e esportiva.
4. O Ministro Celso Amorim e o Ministro Serguei V. Lavrov destacaram
que os desafios e ameaças atuais, tais como o terrorismo
internacional, o crime organizado transnacional e o tráfico
ilícito de drogas têm caráter global e que é
possível combatê-los de uma maneira eficaz, mediante a
união de esforços de toda a comunidade internacional,
seguindo os princípios e mecanismos
de cooperação acordados com base no direito
internacional.
Reiteraram o compromisso dos dois países com o multilateralismo
e com as ações coletivas no contexto dos esforços
em prol do desarmamento geral e completo e da
não-proliferação, bem como da
prevenção da corrida armamentista no espaço
exterior de acordo com as decisões da ONU.
5. Brasil e Rússia reconheceram o direito de todos os Estados
à escolha independente e autônoma de seu caminho de
desenvolvimento, de acordo com a sua própria experiência
histórica, bem como a participação, com igualdade
de direitos, na condução dos assuntos internacionais.
Enfatizaram também a necessidade de
respeito à diversidade de culturas e civilizações
no
mundo contemporâneo.
6. Os Ministros assinalaram o compromisso dos dois países com
uma nova ordem mundial mais justa e democrática, baseada no
primado do direito internacional e no fortalecimento do
multilateralismo, de acordo com a Carta da ONU, com vistas a assegurar
a estabilidade e segurança nos níveis global e regional e
a criar condições favoráveis para o
desenvolvimento sustentável.
7. Brasil e Rússia compartilham a convicção de
que somente os meios político-diplomáticos devem ser
empregados na busca da solução para conflitos e crises
internacionais e regionais, com a observância rigorosa dos
princípios e normas do direito internacional, e levando em
consideração os interesses legítimos de todas as
partes envolvidas.
8. Os Ministros reiteraram a disposição do Brasil e da
Rússia, expressa pelos Presidentes dos dois países, de
desenvolver o diálogo bilateral e promover esforços
conjuntos na prevenção e combate às ameaças
de uso das tecnologias de informação e
comunicação para fins que comprometam a segurança
dos Estados.
Ratificaram o interesse de fortalecer a segurança da
informação nos níveis nacional, regional e
internacional. Esforços pertinentes serão empreendidos
pelos dois países no âmbito da ONU e de outros organismos
e foros internacionais.
9. O Ministro Celso Amorim agradeceu ao Ministro Serguei V. Lavrov o
apoio da Rússia ao Brasil na qualidade de um dos candidatos
fortes a uma vaga de membro permanente de um Conselho de
Segurança das Nações Unidas reformado, no
entendimento de que seja tomada decisão, mediante acordo, sobre
a ampliação do Conselho de Segurança
da ONU em ambas as categorias.
10. Os Ministros expressaram satisfação com o
notável incremento da corrente de comércio entre os dois
países,
que atingiu, em 2005, cifras superiores a US$ 3,6 bilhões,
representando incremento de cerca de 50% sobre o ano precedente.
Ademais, os ministros manifestaram a disposição de
ampliar e diversificar a corrente bilateral de comércio, com
vistas à maior participação de produtos de alto
valor agregado, triplicando o montante do intercâmbio bilateral,
de forma a atingir a cifra de US$ 10 bilhões até o ano de
2010. Expressaram também o desejo mútuo de intensificar a
cooperação no campo da promoção do turismo
entre o Brasil e Rússia.
11. Os Chanceleres Celso Amorim e Serguei V. Lavrov dedicaram
particular atenção à cooperação
bilateral nos campos da ciência e tecnologia, reiterando a
importância de consolidar a aliança tecnológica
estabelecida pelos Presidentes da República Federativa do Brasil
e da Federação da Rússia.
Nesse sentido, ressaltaram os progressos alcançados na
área do uso pacífico do espaço exterior e
destacaram a missão do cosmonauta brasileiro ao segmento russo
da Estação Espacial Internacional como marco dessa
parceria.
No contexto do aprofundamento da cooperação nessa
área, enfatizaram a importância da assinatura, no dia 14
de dezembro, do Acordo entre o Governo da República Federativa
do Brasil e o Governo da Federação da Rússia sobre
Proteção
Mútua de Tecnologias Associadas à
Cooperação
na Exploração e Uso do Espaço Exterior para Fins
Pacíficos.
12. Congratularam-se, ainda, pela troca das cartas de
ratificação do Tratado de Extradição entre
a República Federativa do Brasil e a Federação da
Rússia, instrumento que
aprofundará a cooperação jurídica entre os
dois
países.
13. Os Chanceleres Celso Amorim e Serguei V. Lavrov expressaram sua
satisfação com a conclusão do Memorando de
Entendimento
para o Estabelecimento do Mecanismo de Diálogo Político e
Cooperação entre os Estados Parte e Estados Associados do
Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e a Federação da
Rússia,
a ser assinado por ocasião da XXXI Reunião do Conselho do
Mercado Comum do Mercosul, a realizar-se em Brasília, no dia 15
de dezembro.
O referido instrumento dará ensejo a uma maior
coordenação entre os membros plenos e associados do
Mercosul e a Federação da Rússia, sobre temas de
interesse mútuo, propiciando o
incremento dos contatos políticos, econômicos,
técnicos
e culturais entre o Mercosul e a Rússia.
14. Após analisarem as complementaridades econômicas dos
países do Grupo BRICs, os dois Chanceleres fizeram
avaliação positiva da primeira reunião do Grupo,
realizada por iniciativa
da Federação da Rússia, em setembro último,
em Nova York, à margem da 61ª AGNU.
O Ministro Celso Amorim e o Chanceler Serguei V. Lavrov expressaram a
expectativa de dar continuidade ao processo de
coordenação no âmbito do Grupo BRICs, mediante a
realização de reunião ministerial em 2007.
15. Os Ministros das Relações Exteriores do Brasil e da
Rússia expressaram satisfação com os resultados
alcançados durante a visita e reiteraram a
determinação de contribuir
para a diversificação e intensificação do
relacionamento Brasil-Rússia, bem como para a crescente
aproximação entre os povos dos dois países.
Da mesma forma, situaram o relacionamento Brasil-Rússia no
contexto mais amplo da construção de uma ordem
internacional multipolar, capaz de assegurar a paz e o desenvolvimento
com justiça social,
em ambiente de crescente cooperação num sistema
multilateral
fortalecido.
DECLARAÇÃO
CONJUNTA 2008
DECLARAÇÃO
CONJUNTA BRASIL - RÚSSIA
Rio de Janeiro - 26 de Novembro de 2008
Os Presidentes da República
Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da
Federação da Rússia, Dmitri Medvedev, reuniram-se
hoje, 26 de novembro de 2008, no Rio de Janeiro, em histórico
encontro que celebra o 180° aniversário do estabelecimento
de relações diplomáticas entre os dois
países. A visita oficial do Presidente da
Federação da Rússia ao Brasil confirma a
determinação dos dois Chefes de Estado de aprofundar a
Parceria Estratégica bilateral, lançada em 2002.
2. Os Presidentes realçaram que a Rússia e o Brasil
compartilham valores comuns de respeito ao direito internacional, aos
princípios da democracia, ao desenvolvimento sustentável,
à garantia da paz e da segurança internacionais e
à defesa dos direitos humanos.
3. Os Chefes de Estado constataram a convergência de
posições do Brasil e da Rússia em favor de um
sistema internacional mais democrático que leve plenamente em
conta os interesses legítimos dos novos centros de
influência econômica e política e que se baseie no
primado do Direito Internacional. Os Presidentes exprimiram a
intenção de trabalhar junto com outros Estados para
alcançar este objetivo.
4. Durante o encontro, os Presidentes revisaram as principais
questões da agenda bilateral e multilateral. Destacaram a
coincidência de opiniões quanto à
conveniência de realizar reuniões periódicas dos
titulares de Ministérios e entidades da Rússia e do
Brasil.
5. Os dois Presidentes reafirmaram a convergência de
posições entre o Brasil e a Rússia quanto à
necessidade de consolidar a primazia do multilateralismo no mundo
contemporâneo. Realçaram, mais uma vez, a
importância de manter o papel central e coordenador da
Organização das Nações Unidas (ONU).
Concordaram na necessidade de fortalecer e reformar a
Organização para reagir de forma adequada às
demandas contemporâneas e refletir a realidade política e
econômica em transformação. O Presidente Luiz
Inácio Lula da Silva agradeceu o apoio da
Federação da Rússia à candidatura do Brasil
para membro permanente de um CSNU reformado, no entendimento de que
seja tomada decisão, mediante acordo, sobre a
ampliação do Conselho de Segurança, tanto na
categoria de membros permanentes quanto na de não-permanentes.
Os dois Chefes de Estado coincidiram quanto à necessidade de
progresso mais rápido no que diz respeito à reforma da
ONU, inclusive a ampliação da composição do
Conselho de Segurança.
6. Os Chefes de Estado reafirmaram o compromisso dos dois países
com o papel central da ONU no combate ao terrorismo internacional e a
outros novos desafios e ameaças. Declararam sua
determinação de colaborar na realização da
Estratégia Global Antiterrorismo da ONU, na garantia do
cumprimento rigoroso das convenções anti-terroristas de
que são parte e de sua implementação na
legislação nacional. Foi destacado o significado do
aperfeiçoamento do arcabouço jurídico
internacional no combate ao terrorismo e da conclusão do
processo de negociação da Convenção
Abrangente sobre Terrorismo Internacional.
7. Os Presidentes destacaram a necessidade de empreender
esforços para ativar a cooperação bilateral no
combate ao terrorismo, ao tráfico ilícito de drogas e ao
crime organizado transnacional, no marco de organismos e fóruns
regionais.
8. Os Chefes de Estado ressaltaram a convicção de que
somente os meios político-diplomáticos devem ser
empregados na busca de solução para conflitos e crises
internacionais e regionais, com a observância rigorosa dos
princípios e normas do Direito Internacional, e levando em
consideração os interesses legítimos de todas as
partes envolvidas.
9. Os Presidentes saudaram o diálogo desenvolvido no
âmbito do Grupo BRICs (Brasil, Rússia, Índia e
China) e assinalaram a importância desse foro para a busca
conjunta de soluções para problemas globais. Expressaram
satisfação com os resultados do encontro de Chanceleres
dos quatro países em Ecaterimburgo, em maio deste ano, e da
reunião dos Ministros da Fazenda dos quatro países em
São Paulo, em novembro do ano corrente. Os Presidentes
manifestaram-se a favor da realização na Rússia,
no ano de 2009, da primeira cúpula presidencial dos BRICs.
10. Os Chefes de Estado pronunciaram-se a favor do aprofundamento da
cooperação entre os países do G8 e os principais
países emergentes que integram o G-5, inclusive o Brasil.
11. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou o apoio do
Brasil à acessão da Rússia à
Organização Mundial do Comércio (OMC), destacando
o peso do país no comércio internacional. Sublinhou que a
presença da Rússia na OMC favorecerá sua plena
integração à economia mundial e contribuirá
para o fortalecimento do sistema multilateral de comércio.
12. Os dois líderes concordaram que a mudança do clima
é uma das questões-chave da agenda internacional, como
reconhecido no Mapa do Caminho de Bali. Convergiram quanto à
necessidade de ampla cooperação em âmbito global,
com base nos instrumentos internacionais sobre o tema – a
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre
Mudança do Clima (UNFCCC) e seu Protocolo de Quioto -,
reconhecendo as respectivas capacidades dos países e reafirmando
os princípios consagrados na UNFCCC, inclusive o
princípio das responsabilidades comuns, porém
diferenciadas.
13. Os Presidentes reiteraram o caráter prioritário que
atribuem ao uso e à exploração do espaço
exterior para fins pacíficos e salientaram a
disposição dos dois Governos de aprofundarem o
intercâmbio nessa área de especial relevância. Os
dois Mandatários manifestaram pleno apoio aos trabalhos
bilaterais em curso para a modernização do Veículo
Lançador de Satélites brasileiro (VLS) e expressaram sua
determinação em promover a parceria tecnológica
para o desenvolvimento de veículos lançadores de nova
geração. Expressaram, igualmente, sua
satisfação com as conversações em andamento
relacionadas às áreas de telecomunicações,
navegação por satélites, capacitação
em áreas técnicas e de engenharia, bem como à
realização de experimentos brasileiros no segmento russo
da Estação Espacial Internacional. Os Presidentes
consideraram de extrema importância a entrada em vigor do Acordo
sobre Proteção Mútua de Tecnologias Associadas
à Cooperação na Exploração e Uso do
Espaço Exterior para Fins Pacíficos, o que
propiciará o início da efetiva
implementação dos projetos almejados pelos dois
países.
14. Os Mandatários russo e brasileiro expressaram
satisfação com a assinatura do "Acordo de
Cooperação Técnico-Militar", que permitirá
explorar o potencial existente entre os dois países, com a
formação de parcerias para o desenvolvimento de novas
tecnologias no setor de defesa. Os dois Presidentes congratularam-se
também pela assinatura, em 23 de outubro de 2008, do contrato
entre o Comando da Aeronáutica do Brasil e a Empresa Federal
Estatal Unitária Rosoboronexport, relativo à
aquisição de helicópteros MI-35-M, ao apoio
técnico para manutenção das aeronaves, bem como
à harmonização de procedimentos relativos à
homologação e à certificação de
aeronaves.
15. Sendo o Brasil o principal parceiro comercial da Rússia na
América Latina, os Presidentes congratularam-se pela
contínua expansão do comércio bilateral, que
ultrapassou o volume total de U$ 5 bilhões em 2007, devendo
apresentar novo recorde histórico em 2008. Concordaram, no
entanto, quanto à necessidade de diversificar a pauta bilateral
de bens e serviços e de aprofundar o relacionamento comercial,
de forma a refletir o dinamismo e as dimensões das economias do
Brasil e da Rússia.
16. Os dois mandatários também confirmaram a
disposição de estimular a realização de
investimentos recíprocos de grande porte e a
formação de joint ventures russo-brasileiras. O
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou o interesse
brasileiro em receber investimentos russos na área de
infra-estrutura no marco do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC).
17. No âmbito econômico-financeiro, os dois
mandatários expressaram que a "Convenção para
Evitar a Dupla Tributação" favorecerá as
condições para a cooperação empresarial
entre a Rússia e o Brasil, devendo incentivar o exame de outras
iniciativas no nível governamental que possam contribuir para o
adensamento das relações bilaterais.
18. Os Presidentes assinalaram que existe um potencial significativo
para a cooperação no setor de energia. Defenderam a
realização de investimentos mútuos das empresas
dos seus países no aproveitamento dos recursos naturais no
Brasil e na Rússia, considerando as oportunidades existentes
para este fim. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou
o interesse do Brasil em partilhar com a Rússia
experiências na produção de biocombustíveis.
O Presidente Dmitri Medvedev saudou a realização, em
novembro do corrente ano, em São Paulo, da Conferência
Internacional sobre Biocombustíveis.
19. Os dois Presidentes reconheceram que o entendimento mútuo
estabelecido entre autoridades sanitárias de ambos os
países ensejará o aumento dos fluxos de comércio
de produtos agropecuários.
20. Os Chefes de Estado manifestaram sua satisfação pela
assinatura do "Acordo para Supressão de Vistos para Portadores
de Passaportes Comuns", cuja entrada em vigor deste Acordo dará
impulso essencial à ampliação de contatos entre
nacionais dos dois países, condição importante
para reforçar os laços bilaterais nas áreas
econômico-comercial, humanitária e cultural. Os
Presidentes da Rússia e do Brasil salientaram também que
o intercâmbio turístico entre os dois países
será apoiado pelo "Acordo de Cooperação na
Área Turística", que entrou em vigor no ano corrente.
21. Os dois Mandatários defenderam o fortalecimento da
cooperação entre regiões e cidades dos dois
países, levando em consideração o potencial
significativo de tal cooperação, que já apresentou
resultados bem-sucedidos.
22. No decorrer das conversações, atenção
especial foi dedicada à cooperação cultural. O
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez especial
menção às atividades da Escola do Teatro Bolshoi
de Moscou em Joinville (SC). O Presidente Dmitri Medvedev destacou o
êxito das escolas de futebol brasileiro na Rússia. Os dois
líderes apontaram as possibilidades de cooperação
na área do esporte, inclusive em suas modalidades
olímpicas.
23. Os dois Presidentes congratularam-se com a assinatura, em 15 de
dezembro de 2006, do "Memorando de Entendimento para o Estabelecimento
de Mecanismo de Diálogo Político e
Cooperação entre a Federação da
Rússia e os Estados Partes e Estados Associados do Mercado Comum
do Sul (Mercosul)". O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
destacou que esse novo foro ganha especial relevo à luz da
importância do Mercosul na integração regional.
24. Os dois Chefes de Estado congratularam-se pelos resultados da V
Reunião da Comissão Intergovernamental de
Cooperação Econômica, Comercial, Científica
e Tecnológica (CIC), realizada em Brasília, em 17 e 18 de
novembro corrente. Registraram satisfação com os
avanços nas áreas de agricultura, ciência e
tecnologia, comércio, investimentos, energia,
técnico-militar e de defesa, uso do espaço exterior para
fins pacíficos e cooperação inter-regional. Os
dois Presidentes expressaram a convicção de que a V
Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto
Nível de Cooperação (CAN), a realizar-se na
Rússia, em 2009, sob a co-presidência do Vice-Presidente
da República, Senhor José Alencar Gomes da Silva, e do
Presidente do Governo da Federação da Rússia,
Senhor Vladimir Putin, trará resultados significativos para a
consolidação de uma verdadeira parceria
estratégica.
25. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Presidente Dmitri
Medvedev instruíram os órgãos responsáveis
de seus países a elaborar o Plano de Ação da
Parceria Estratégica Brasil-Rússia.
26. Os dois Presidentes expressaram profunda satisfação
com as conversações realizadas, que representaram mais um
capítulo significativo no relacionamento russo-brasileiro.
Reiteraram seu compromisso com o desenvolvimento e fortalecimento do
diálogo entre o Brasil e a Rússia sobre todos os assuntos
de interesse mútuo.
27. O Presidente Dmitri Medvedev convidou o Presidente Luiz
Inácio Lula da Silva para visitar a Rússia em data que
lhe seja conveniente. O convite foi aceito com
satisfação. As datas concretas da visita serão
acordadas por via diplomática.
FONTES
& LINKS
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Defesa BR : O Brasil e a Futura Nave Espacial Russa