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Marinha do Brasil  -  MB


   A INCRÍVEL HISTÓRIA 

DO NAE VARYAG



Varyag atravessando o Estreito de Bósforo

Foto do Varyag atravessando o Estreito
de Bósforo (Turquia) em sua ida para a China






Os Navios-Aeródromos, como fundamentais
instrumentos político- estratégicos neste Século XXI, têm atraído bastante as atenções das autoridades chinesas, que procuram a todo custo adquirir ou construir (copiando) seus próprios NAes. Por esse motivo, a compra do Varyag por esse País tornou-se um grande mistério mundial.




A CONSTRUÇÃO E O QUASE FIM


O Navio-Aeródromo Varyag - de 67.500 ton - foi concebido pela União Soviética para ser um Navio-Aeródromo multitarefas da Classe Kuznetsov.


Sua construção começou em 1982 e a quilha surgiu oficialmente no estaleiro como Riga em 1985, vindo a ser lançado ao mar em 1988. Já em 1990, foi renomeado definitivamente como VARYAG.


Sua construção final parou em 1992 com a
estrutura do navio já completada, entretanto, ainda sem sua eletrônica.


A propriedade do navio acabou ficando com a Ucrânia, onde havia sido construído, dada a dissolução da União Soviética em 1989. Foi o fim.


Com isso, foi totalmente desmantelado e sucateado. Em 1998, ele já havia perdido suas máquinas, o leme e os sistemas operacionais. Seu destino parecia ser mesmo uma remoção para o ferro-velho.




A VENDA PARA A CHINA


Então, para tal fim, o NAe Varyag foi tristemente levado a leilão.


Mas estranhamente, uma pequena, desconhecida e suspeita empresa de Hong Kong, chamada Chong Lot Travel Agency Ltd., arrematou o Varyag por apenas US$ 20 milhões em abril de 1998.


A Chong Lot propôs-se a rebocar o gigantesco casco para fora do Mar Negro através do Canal de Suez, indo então em direção ao Porto de Macau a fim de ser convertido em um hotel flutuante e cassino no Estaleiro Dalian .



Varyag - Travessia

O Varyag passando pelo Estreito
de Bósforo em belo dia de sol.




Circunstâncias misteriosas envolvem esse negócio feito entre a Ucrânia e a pequena Agência de Viagens chinesa. A Chong Lot pertence a uma outra empresa de Hong Kong chamada Chin Luck Company.


Alguns de seus controladores residem na cidade chinesa de Yantai, onde existe um grande estaleiro da Marinha Chinesa. Além disso, o Presidente da Chin Luck era um oficial de alta patente reformado do Exército Chinês (PLA - People Liberation Army).


Assim, tudo já levava a crer que o Governo Chinês e a Marinha Chinesa (PLAN - People Liberation Army Navy) conduziram extra-oficialmente toda essa excitante operação para que o Varyag fosse totalmente avaliado, visando-se o desenvolvimento e a construção de um Navio-Aeródromo pelo estaleiro chinês da cidade de Yantai.


Afinal, o Minsk já havia ido parar em Shenzhen
como Cassino apenas para que engenheiros navais chineses o estudassem para esse futuro projeto do primeiro Navio-Aeródromo chinês.




O QUEBRA-CABEÇA CHINÊS


Seja como for, o caso atraiu a atenção de todo o mundo e existem diversas interpretações, sendo levantadas muitas e muitas possibilidades do que possa estar realmente ocorrendo.


Trata-se de um formidável Quebra-Cabeça, para o qual somente o tempo e a cúpula do Governo Chinês sabem a resposta. Em primeiro lugar, o casco do Varyag estava em estado tão lastimável que parecia impossível pensar-se em comissioná-lo algum dia.


Por outro lado, para estudar as características do navio a fundo seria desnecessário rebocá-lo de tão longe ? Bastaria fazer isso na própria Ucrânia, que não se oporia a tal trabalho em suas águas contra a devida remuneração universal.


Mais que isso, entende-se que o Varyag já não representava nenhuma tecnologia de ponta que merecesse tanto esforço disfarçado para seu completo estudo.


Enfim, a única resposta plausível só poderia vir mesmo do extremo interesse da PLAN em ter seu próprio NAe, desenvolvido e construído na própria China, sem qualquer ajuda externa aparente.




A ÚLTIMA VIAGEM


No ano de 2000, foi alugado um rebocador holandês, tripulado por filipinos, para transportar o Varyag da Ucrânia para a China. De forma inesperada, o Governo da Turquia não autorizou a passagem de tal gigante pelo Estreito de Bósforo, alegando temer pelo que pudesse acontecer com as pontes de Istambul.


Além dessas considerações de segurança, um
Tratado de Montreux datado de 1936 não permitia que Navios-Aeródromos passassem pelos Estreitos de Dardanelos. (a sudoeste do Estreito de Bósforo).


Incrivelmente, o casco do outrora majestoso futuro NAe Soviético passou 16 meses circulando pelo Mar Negro à espera de uma solução para o impasse.


Diplomatas chineses do mais alto nível e membros de seu Governo Central conduziram negociações em Ancara em nome da simpática Agência de Viagens Chong Lot. Ofereceram aos Turcos a permissão de que turistas chineses pudessem visitar este País em massa, tudo em troca da autorização da passagem do casco pelos estreitos.


Finalmente, em 1º de novembro de 2001, a Turquia aceitou um acordo, autorizando o tão esperado trânsito do Varyag, que levou 6 (seis) horas para atravessar o Estreito de Bósforo em uma operação gigantesca e cinematográfica, digna das grandes produções de Holywood.



Varyag - Travessia

Outro ângulo do Varyag passando pelo Estreito de Bósforo.



Para realizarem uma travessia em que navios muito maiores fazem em pouco mais de 1 (uma) hora, os chineses colocaram 27 navios para a escolta, incluindo-se a impressionante e absurda quantidade de 14 rebocadores, sendo 3 deles utilizados como barcos pilotos. Tudo isso para um simples hotel flutuante particular (!).


A imprensa russa reportou, espantada, que 16
pilotos foram contratados, além de 250 marinheiros envolvidos em toda a delicada e curiosa operação. No fim da manhã de 2 de novembro de 2001, a travessia foi concluída, rumando o casco para Galipoli e Dardanelos a uma velocidade de apenas 6 nós.



NAe Varyag

A grande travessia do VARYAG.




MOMENTOS CRUCIAIS


Em 3 de novembro de 2001, o Varyag foi pego em um grave furacão de força 9 e ficou à deriva enquanto passava pelo Mar Egeu, perto da Ilha grega de Skyros.


Equipes de salvamento marítimo gregas e turcas tentaram recapturar o casco, que adernava para a Ilha de Evia. A tripulação de 7 homens permanecia a bordo, enquanto 6 rebocadores tentavam a todo custo retomar os cabos de reboque.



Varyag - Travessia

Momentos cruciais da travessia.



Contudo, após muitas tentativas infrutíferas de prender-se tais cabos no grande casco, um helicóptero de resgate da Guarda Costeira da Grécia pousou no navio e levou 4 de seus tripulantes.


Mais tarde naquela noite, um rebocador tentou um enlace rápido, mas fortes ventanias fizeram embaraçar seus cabos com os de outros dois rebocadores, perdendo-se todos os esforços de segurar o navio, que continuava aproximando-se, perigosamente, da Ilha de Evia.


Já em 6 de novembro, no momento mais triste de toda a empreitada, um marinheiro português do rebocador Haliva Champion morreu, após cair ao mar, enquanto tentava reatar os cabos.


Em 7 de novembro de 2001, finalmente, o casco foi recapturado pelos rebocadores. Seu transporte para o Canal de Suez foi realizado a uma velocidade próxima a apenas 3 nós.


 

RENASCIMENTO


Em todo esse período - 2001 a 2007, analistas de todo mundo acreditavam que o Varyag deveria no máximo estar sendo preparado para vir a ser usado como plataforma de treinamento para pousos e decolagens.


Mas em 24 de outubro de 2006, o site chinês de defesa Sino Defence publicou matéria informando que o Varyag estaria sendo reformado com ajuda russa para ser o primeiro NAe chinês, havendo inclusive uma encomenda de aeronaves russas Su-33, que poderia remontar a 50 unidades.


Notícia de novembro de 2006 no site
Sistemas de Armas : "A China estuda a compra de 50 caças Su-33, variante naval do Flanker, por US$ 2,5 bilhões. Inicialmente serão adquiridos dois Su-33 por US$ 100 milhões para testes e avaliação com entrega em 2007-2008. As aeronaves poderão equipar o futuro NAe chinês que provavelmente será o Varyag adquirido em 1999 e pintado em cinza em 2005, o que sugere que está sendo reformado."


Para entender-se como é jogado o quebra-cabeça chinês, o mesmo site chinês Sino Defence
informava em julho de 2004 que o Varyag ainda estaria sendo reformado no Estaleiro Dalian para transformar-se em um hotel flutuante e cassino em Macao, de acordo com seu proprietário, uma empresa privada dessa cidade, que já foi colônia portuguesa.



(Clique na foto abaixo para ampliação)

Varyag em Dalian

O Varyag sendo reformado no Estaleiro Dalian.



Só é de se estranhar que a pequena empresa de Hong Kong, a Chong Lot Travel Agency Ltd., que arrematou o Varyag por apenas US$ 20 milhões em abril de 1998, agora tenha sede em Macao, de acordo com o site acima. Nada impede que ela o tenha repassado ou mesmo mudado de cidade. Mas isso ainda continua sendo estranho. Trata-se de mais uma incrível história.


Já em 2005, o navio teve seu casco pintado com a cor usada pela PLAN para seus navios de guerra (ver Programa da Reforma). A partir daí, a máscara do dragão caiu de vez.


Enquanto essa reforma geral ocorre, a China deve estar tentando aprender com todos os detalhes desse navio
em mais uma tentativa de expandir seu poder naval, mesmo sendo uma plataforma uma geração atrasada em relação aos NAes ocidentais.


Por outro lado, a China também parecia estar querendo há tempos contratar a Rússia para produzir um novíssimo NAe.


Enfim, só havia especulações até outubro de 2006, sendo
o caso chinês tão intrigante que mereceu da Jane´s uma reportagem especial e uma página própria no DEFESA BR :




Em março de 2007, novamente foi noticiado que o governo chinês estaria planejando autorizar a construção em território chinês do seu primeiro Navio-Aeródromo, só que NUCLEAR.

 
Trata-se de um NAe de 93.000 toneladas, que poderá ser construído nos estaleiros da indústria naval estatal China State Shipbuilding Corp's Jangnan, localizados no município de Changxhing Island e perto da cidade de Shangai. Este NAe nuclear poderá ser comissionado antes de 2020.


Até 2010 a PLAN - Marinha Chinesa - poderia estar recebendo um NAe convencional, que deverá ser mesmo o nosso velho conhecido VARYAG.



Varyag - Esquema Chinês

Esquema chinês para o NAe Varyag.



Ele está sendo totalmente revisado e reformado na localidade marítima de Dalian para ser utilizado em missões marítimas de treinamento.


Relatórios na internet informam ter havido primeiro uma pintura com cromato do zinco no convôo, que é um primer com propriedades anti-corrosivas. Em seguida, foi passada por cima desse fundo uma tinta cinzenta escura usada em superfícies antiderrapantes para emprego de aeronaves em uma NAe.



Varyag - Dalian

Pintura do Varyag no Estaleiro Dalian.



Isso é uma indicação clara que a PLA-N pretende comissionar o Varyag como um NAe operacional em poucos anos.




FONTES & LINKS


CHINA

Sino Defence - Aircraft Carrier

Sino Defence


Sistemas de Armas - Notícias de Novembro de 2006

The Mistery of the Hapless Varyag


DARDANELOS

Dardanelles.co.uk


Ambassador Morgenthau"s Story

The Anzac Landing

Gallipoli 1915 - The Drama of the Dardanelles

Churchill College - The Dardanelles Campaign

The Churchill Centre

Churchill - The Evidence

The Churchill Society - London

D Day - US Army

D Day - Combined Operations




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