(Clique na foto
abaixo para imagem gigante do Lançamento)
Momento do lançamento
de um F/A-18 Super Hornet do Esquadrão de Caças de
Ataque VFA-103, os "Jolly Rogers", a partir do
CVN 69 USS Dwight D. Eisenhower,
no Oceano Atlântico, em 30 de abril de 2006. Observar os sinais
dos operadores
do destacamento aéreo embarcado e o colorido que diferencia as
equipes que trabalham no convôo de um NAe.
A partir da vitória
da US Navy em Midway contra a Marinha Imperial do Japão na
2ª Guerra Mundial, em que os Navios-Aeródromos demostraram
sua superioridade tática e estratégica, ficou evidente a
sua importância para as grandes marinhas do mundo até a
atualidade.
O poder militar do NAe resulta da qualidade das aeronaves embarcadas,
como as de interceptação, de ataque a navios e ao solo do
inimigo, de reconhecimento e de controle.
Seus aviões serão os
primeiros a defender a força naval de um ataque aéreo ou
naval e farão incursões centenas de km adentro de
quaisquer continentes do planeta, pois o Navio-Aeródromo
é capaz de mover-se 1 mil km ao dia durante meses.
Porém, milhares de operações precisam ser
exaustivamente preparadas e treinadas de modo que tudo funcione a
contento em um Navio-Aeródromo.
Operador de Vôo do
São Paulo. (Foto ODIA)
As principais
operações a bordo de um
Navio-Aeródromo do tipo CATOBAR, referem-se aos Lançamentos e
posteriores Recolhimentos das aeronaves de asa fixa, controladas pela
Torre de Comando, localizada na Ilha do NAe.
Mas um NavioAeródromo
é muito mais que isso, é um mundo ou mesmo universo em
si. Na verdade, sente-se como em
uma cidade, onde tudo acontece a todo instante, uma cidade que nunca
dorme. Esta afirmação poderia ser uma metáfora
válida com o NAe brasileiro de nome São Paulo.
VÍDEO - RAFALE ON CHARLES
DE GAULLE AIR CARRIER
(07:10 MIN)
LANÇAMENTO
A catapultagem de uma aeronave a bordo de um
Navio-Aeródromo será sempre uma experiência
forte, difícil de se habituar, pois gera uma
aceleração
da ordem de 5 G, saindo a aeronave de 0 para 240 km/hora em apenas
53 metros e em 2 segundos.
Antes de cada lançamento de aeronave feito por catapulta, o
vapor em alta pressão proveniente das caldeiras principais do
navio é acumulado em um reservatório duplo.
No momento do lançamento, o vapor é repassado para a
parte traseira de 2 cilindros de movimentação de 60
m de comprimento situados sob o convôo, os quais impulsionam para
a frente 2 pistões paralelos (gêmeos) que deslizam nesses
cilindros.
Esses pistões são
conectados a uma sapata que desliza em um trilho central colocado entre
os 2 cilindros e interdependente de uma sapata deslizante em uma fenda longitudinal à ponte.
É com essa sapata que a aeronave é atrelada por meio de
um cabo de aço chamado alça de lançamento.
Atualmente, as aeronaves
possuem dispositivo de engate no trem de pouso do nariz.
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante do Teste)
Equipe do Destacamento
Aéreo comemora o sucesso de teste de lançamento de uma
das quatro catapultas do CVN 72 USS
Abraham Lincoln, com
o deslizamento
completo da sapata sem carga, no
Oeste do Pacífico, em 24 de abril de 2006. (Foto U.S. Navy 060424-N-9079D-008)
Na hora da catapultagem, o
avião a plenos motores é puxado pela sapata, que lhe
imprime uma aceleração que
pode alcançar 5 G e uma velocidade entre 90 e 120 nós em
relação à ponte.
No fim da corrida, os dois pistões são parados em apenas
3 metros por um poderoso freio hidráulico, e o estilingue se
solta da aeronave, que decola, tendo alcançado sua velocidade
mínima de sustentação aerodinâmica.
O vapor agora despressurizado não pode mais ser recuperado,
sendo então liberado para fora do navio com saída abaixo
da linha d'água. Cada operação de catapultagem
consome por volta de 400 kg de água doce.
Reparo da Catapulta Lateral do
A-12 na reforma 2005-2009. (Foto ODIA)
A vantagem desse sistema reside no
modo em que a conexão entre
os pistões e a sapata deslizante é realizada, sem nenhum
cabeamento intermediário, como ocorria no caso das catapultas
hidráulicas.
A geração de vapor excessiva de cada cilindro é
liberada por toda a sua extensão a fim de deixar passar a
peça de junção que liga rigidamente o
pistão à sapata. Mas, para evitar toda a perda do vapor,
uma fita de metal assegura a selagem da fenda em todo seu comprimento e
só é levantada pela passagem da peça de
conexão.
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante da Fita)
Equipe do Destacamento
Aéreo (Air Department) do CVN 72 USS
Abraham
Lincoln estira a fita
de metal para selar a fenda (ao centro) em que corre a sapata
de uma das quatro catapultas a vapor ao final de mais um dia de
operações de
vôo, ao largo da costa da Califórnia, em 4 de novembro de
2005. Observar
as dezenas de búricas no convôo, pequenos buracos de
drenagem de água. (Foto U.S. Navy 051104-N-4166B-015)
O recolhimento da bateria de
pistões paralelos para trás e o tensionameto da haste da
aeronave antes do próximo lançamento serão
assegurados pela operação de seus mecanismos
hidráulico e pneumático.
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante da Bolha)
Dois Lançadores
de Aeronaves (Aircraft Shooter) do CVN 75 USS
Harry S.
Truman observam de dentro do protegido ICCS, popularmente conhecido
como bolha (bubble), a decolagem
perfeita de um F/A-18 que acabaram
de catapultar, no
Golfo Pérsico, em 24 de janeiro de 2005. (Foto U.S. Navy 050124-N-5345W-021)
VÍDEO - CARRIER LAUNCH FROM
THE "BUBBLE" (01:09 MIN)
Para o CVN-21 da US Navy, a General
Atomics está desenvolvendo uma uma catapulta
eletromagnética, que permitirá lançamentos mais
suaves e graduais, sem o ruído e vapores dos equipamentos
atuais.
VÍDEO - DECOLAGEM DO
AF-1
DO NAE SÃO PAULO (00:14 MIN)
TRAMPOLIM E RAMPA
O trampolim é uma
espécie de rampa, só que bem menor. Ele aplica a física para encurtar a
corrida na pista, conferindo um direcionamento vertical positivo para a
força de impulsão dos motores após a catapultagem.
Ele compensa o ainda baixo efeito de sustentação das asas
devido à pequena velocidade obtida na pista mais curta.
O Foch, hoje A-12 São Paulo, utilizou nos testes do Rafale um
trampolim que seria mais uma mini-prancha retangular, a qual "sobrava
na frente do convôo", bem ao final do trilho da catapulta.
Já a rampa de decolagem, com inclinação positiva
(para cima), é o que se chama de SKI JUMP (rampa de ski ou, mais apropriadamente, "salto para o céu"), pois a mesma é muito parecida
com aquela rampa que se encontra ao final da pista de esqui (na neve)
que, imprimindo uma grande aceleração na descida do
esquiador, impulsiona-o para os saltos.
(Clique na
foto abaixo para ampliação)
Dois Su-33 decolando da rampa ou ski jump do
NAe russo
Admiral Kuznetsov, em rápida sequência e sem qualquer ajuda.
O uso de uma rampa fixa
assim seria incompatível com o uso de catapultas.
Diferenciando os dois, o
trampolim tem elasticidade e é preso de um lado só (o
outro lado fica em balanço) e é bem estreito. Já a
rampa é bem larga e costuma ser fixa, como no caso do Kuznetsov,
em que faz parte do navio.
RECOLHIMENTO
Em um Navio-Aeródromo do tipo CATOBAR, o pouso de uma aeronave de asa fixa
é chamado de recolhimento e é ainda mais difícil e
delicado que o seu lançamento por catapulta.
Na verdade, tal pouso pode ser considerado como uma espécie de
colisão controlada contra o deque de vôo, o convôo.
Por isso, os pilotos passam por um enorme treinamento especial e depois
de qualificados precisam se requalificar, anualmente.
No NAe, as aeronaves de asa fixa apresentam-se para o recolhimento com
uma haste na fuselagem chamada de arpão, que deverá se
agarrar aos cabos de retenção no convôo do navio.
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante do Exercício)
Equipe do Destacamento
Aéreo (Air Department) do CVN 76 USS
Ronald
Reagan recolhe um dos cabos de freio do navio durante exercício
no
convôo no meio do Oceano Pacífico, em 9 de maio de 2005. (Foto U.S. Navy 050509-N-7730P-039)
É
usada a pista axial a bombordo, em ângulo de 8º,
que permite ao piloto uma arremetida de emergência, como
pode ser visto na maquete acima (o tridente).
AF-1 pousando no convôo do A-12. Observar o
arpão.
(Foto Serviço de Relações
Públicas da
Marinha).
Mas um pouso perfeito tem como
fator chave um dispositivo ótico, que foi inventado para
substituir o sinalizador de pouso e suas raquetes de
sinalização.
Este sistema ótico de pouso consiste de um espelho
cilíndrico côncavo, virado para trás e localizado a
bombordo da pista em ângulo (axial, oblíqua), dentro do
qual há uma bateria de refletores, denominados luzes de fonte.
Sua imagem luminosa percebida pelo piloto é concentrada e
intensificada por causa da concavidade do espelho. Em ambos os lados
dessa imagem e em altura média, 2 barras horizontais de
luzes verdes servem de referência.
A inclinação do espelho de pouso sobre a horizontal
é regulada de maneira que a imagem
luminosa das luzes de fonte fique alinhada com as barras verdes
quando a aeronave se encontrar no plano de descida adequado para
enganchar um dos 4 cabos do aparelho de parada, quantidade que faz aumentar em muito as
chances de sucesso.
Sistema ótico do Espelho de Pouso OP-3 do A-12.
(Foto Serviço de Relações
Públicas da Marinha)
Esses cabos de
retenção ou de freio ficam estendidos através do
convôo em ângulo a apenas 10 cm acima da pista e são
conectados por
polias de retorno e
amortecimento
a uma dispositivo hidráulico de pressão localizado
sob o deque de vôo.
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante do Sistema)
Técnico inspeciona
equipamentos do sistema de cabos de retenção localizado
abaixo
do deque de vôo do CVN 76 USS
Ronald Reagan, em 28 de junho de 2005. (Foto U.S. Navy 050628-N-7130B-015)
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante do Pouso)
Um F/A-18 enganchando os cabos
de freio no convôo do CVN 72 USS
Abraham Lincoln na costa da Califórnia,
em 13 de setembro de 2005. (Foto U.S. Navy 050913-N-5384B-337)
Se o avião estiver muito alto, a imagem luminosa
estará no alto das barras e o piloto deverá acentuar sua
descida. Inversamente, se ele estiver muito baixo, a imagem
estará em umas partes inferiores da barra e o piloto
deverá diminuir sua taxa da descida.
Em resumo, a posição da imagem luminosa comparada
às barras verdes indica automaticamente a correção
a ser realizada pelo simples efeito das leis de reflexão
ótica.
Claramente, se a imagem luminosa desaparecer
para o alto ou para baixo é que o avião estará
fracamente acima ou abaixo do plano ideal da descida e será
preferível recomeçar uma nova aproximação.
VÍDEO - NIGHT AIRCRAFT
CARRIER LANDING (00:55 MIN)
O conjunto do sistema ótico
de pouso por espelhos é giroestabilizado de modo que as
indicações recebidas pelo piloto não sejam
afetadas pela movimentação do navio.
Além disso, o espelho deve ser regulado na altura de acordo com
o tipo de aeronave que se apresenta para o pouso, para levar em conta a
diferença vertical existente entre a cabeça do piloto e o
arpão da aeronave.
Esse gancho de pouso é retrátil e fica localizado na
parte inferior da fuselagem traseira da aeronave. Quando ocorre o
engate a um cabo de frenagem, a aeronave consegue
ser imobilizada de imediato em poucos metros.
VÍDEO
- KUZNETSOV
LIVE (09:13 MIN)
Nesse momento do enganchamento,
o cabo do aparelho de parada deve se alongar, progressivamente,
amortecendo o pouso, e reduzindo a velocidade da aeronave até
sua completa parada.
Rafale
Marine (M) pousando no R-99 Foch, hoje A-12 São Paulo. (Foto Marine Nationale
Française)
Caso não haja sucesso na
operação de pouso, o piloto deve arremeter novamente e
aguardar uma nova chance, que pode demorar devido ao tráfego de
demais pousos e outras circunstâncias como as
condições do mar e dos ventos.
São certamente os olhos do
piloto que percebem todas as indicações, mas é o
arpão da aeronave que deve tocar o convôo na zona onde os
4 cabos de retenção responsáveis pela frenagem
estiverem estendidos para se agarrar a um deles.
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante do Exercício)
Exercício de Montagem
de Barricada para o pessoal do Destacamento Aéreo do CVN 69 USS Dwight D.
Eisenhower, no Oceano Atlântico, em 20 de
junho de 2006. Numa emergência em que os cabos de
retenção
não recolham uma aeronave, deve-se utilizar a barricada. (Foto U.S. Navy 060620-N-0490C-005)
O dispositivo de pouso por espelhos
somente é capaz definir um plano de descida. O piloto
deverá alinhar-se ao eixo da pista em ângulo, enquanto
consulta as marcações pintadas no convôo ou, caso
seja noite, com as luzes de balizagem contidas nessas próprias
marcas. Em seguida, ocorrerá o gancho com o arpão, que
é o pouso completo.
(Clique na
foto abaixo para imagem gigante do Viking)
Um S-3B Viking do
Esquadrão de Controle Marítimo VS-22,
os "Checkmates",
dobrando as asas após ter sido recolhido a bordo do CVN 75 USS
Harry S.
Truman, retornando de missão de reconhecimento sobre o Iraque,
em 24 de
junho de 2005. Observar o pessoal do Destacamento Aéreo
reposicionando
os cabos de retenção depois do uso para seu local de
descanso no convôo. (Foto U.S. Navy 050124-N-5345W-038)
ILHA
Em um Navio-Aeródromo, as aeronaves de asa fixa devem pousar
agarrando-se aos cabos de retenção no deque de vôo.
Tal delicada operação é comandada da Ilha, que
está sempre a boreste, pela Torre de Controle nela localizada, e
também controlada in loco no convôo pelos
operadores de
vôo do DAE.
A Torre de Controle é responsável por todas as
operações aéreas, desde a entrada e saída
de aeronaves do hangar, passando pelos lançamentos e
recolhimentos no convôo. Acima disso, nela está o
comando geral das operações aéreas e navais de
todo o grupo de batalha.
Existe hoje toda uma Rede
Integrada comandada desde a Ilha que permite que, em cada 4 aeronaves
que decolam, 3 saiam para suas missões sem terem um alvo
previamente definido.
(Clique na foto abaixo
para
ampliação)
A Cerimônia de Incorporação
do NAe A-12 São Paulo à Marinha do Brasil.
(Foto Serviço de Relações
Públicas da Marinha)
Quando uma esquadrilha de
caças se aproxima, inicialmente, as aeronaves devem
apresentar-se em grupo, no sentido da popa (traseira) para a proa do
navio. Depois, elas viram à esquerda, se separam e entram em
fila
para os procedimentos de pouso por trás, um de cada vez.
Enquanto todos fazem a volta completa,
sempre pela esquerda, o primeiro piloto vem
em direção à popa para encontrar o ângulo
certo da pista oblíqua, aquela em ângulo para a esquerda e
que lhe dará chance de arremeter novamente caso não
consiga enganchar a aeronave a um dos cabos de freio a bordo.
O NAe encontra-se em movimento para permitir e facilitar a
operação por causa das velocidades envolvidas,
observando-se os aspectos de vento e corrente.
Por mais que uma aeronave reduza sua velocidade,
ela ainda conta com o deslocamento do NAe para suavizar o pouso
e se posicionar em função do vento. Isso cabe à
Ilha. Os operadores no convôo controlam a situação
de pouso a cada instante, e instruem o piloto da vez com especial
atenção.
Momento do
primeiro pouso do Rafale Marine (protótipo M02)
no NAe Charles de Gaulle, em 6 de julho de 1999. (Foto Marine Nationale
Française)
Uma situação curiosa com
os Navios-Aeródromos é que as Ilhas
estão posicionadas sempre a boreste. Caso estivessem a bombordo
(esquerda), os operadores perderiam o avião de vista em um
momento crucial devido à aproximação ocorrer
pela esquerda e o ângulo da pista de pouso também ser para
esquerda.
Haveria uma perigosa sombra de visão. Estando a Ilha à
direita, toda a aproximação, toque e possível
arremetida podem ser bem acompanhados.
A-12 São Paulo
visto pela popa.
(Foto Serviço de Relações
Públicas da Marinha)
Ocorre que, antigamente, as
hélices dos aviões giravam todas na mesma
direção e para estabilizá-los a uma baixa
velocidade era melhor virar sempre à esquerda do que à
direita.
Esse problema já não existe há muitas
décadas, mas todos estão acostumados a agirem assim, como
quem monta um cavalo não saberia como agir pela direita, pois a
operação é sempre automática pela esquerda.
Portanto, seria até arriscado mudar a posição da
Ilha em um NAe novo por esta tão simples razão.
(Clique na foto abaixo
para
ampliação)
Visão mais
próxima da Ilha do A-12 São
Paulo com A-4 em primeiro plano.
(Foto Serviço de Relações
Públicas da Marinha)
Em um NAE da Classe
Nimitz, essa Torre de Controle das operações
aéreas é conhecida com "Pri-Fly" Tower, que
significa Primary Flight Control Tower, ou Torre de Controle
Primário de Vôo. O Air Boss é o Comandante
dessas operações aéreas da torre.
VÍDEO - USS NIMITZ -
VIEW FROM
"PRI FLY" TOWER (01:11 MIN)