A missão de defesa aérea ou de Caça de Defesa de Frota (CDF) do NAe Charles de
Gaulle (CDG) é conduzida pelo
Esquadrão 12F, que contava com 20 aeronaves Rafale M em
fevereiro de 2008.
Ele tinha
então 10 unidades do padrão F1 e 10 unidades do F2 (de
uma
encomenda
de 16). Os dois primeiros F3 seriam entregues em 2008, mas só
chegaram em 2009.
Dois Rafale
M (F1) do Esquadrão 12F cercado por diversas equipes
no convôo do NAe Nuclear Charles De Gaulle durante a
Operação
Héraclès, parte francesa da Enduring Freedom.
(Foto Marine Nationale
Française)
Desde 2002,
seu fabricante, o Grupo Thales, precisou fazer uma série de
modificações nos equipamentos de bordo da aeronave, em
parceria com técnico e pilotos da Marinha, a fim de atingir com
sucesso a sua implementação e emprego operacional,
conseguida dois anos depois.
Além
do Grupo Thales, estão envolvidas no programa do Rafale as empresas Dassault
Aviation, Snecma, Sagem e MBDA. Esta última testou seus produtos
com o Rafale M a bordo do CDG em dezembro de 2005.
No plano de
longo prazo da Aéronavale, o passo seguinte foi o
comissionamento do modelo F2 do Rafale M, o primeiro modelo
multimissão com a funções adicionais Ar-Terra,
cuja produção prevista foi de 16 aeronaves. Houve
uma fase inicial de testes em setembro de 2004, no centro de teste de
vôo de Mont-de-Marsan.
Rafale Marine (M) pousando em teste no então Foch.
(Foto Marine Nationale
Française)
Já o
modelo F3 é a versão adquirida pela Força
Aérea Brasileira (FAB) e só teve
seu desenvolvimento iniciado em 2004.
O F3 traz importantes capacidades operacionais complementares,
incluindo o controle de
distribuição de fogo dos mísseis Ar-Terra de
médio alcance (300 km) nuclear ASMP-A e dos mísseis
Anti-Navio AM-39 Exocet.
Ilustração do míssil
nuclear ASMP-A.
(Arte Aeroespacial)
Míssil Anti-Navio AM-39 Exocet sendo
disparado
por aeronave da Marine Nationale Française.
(Foto MBDA)
Deverá
ainda acomodar o pod optrônico RECO NG e o radar RBE2, que
permite mapeamento Ar-Terra de alta resolução.
Novos
desenvolvimentos estão em planejamento para o futuro, como a
integração à aeronave do pod de
designação a laser DAMOCLES (dia/noite), além de melhorias no
sistema optrônico do setor dianteiro, na suíte de guerra
eletrônica
SPECTRA e uma antena ativa para o radar RBE2.
VÍDEO - DASSAULT RAFALE
-
TEST DU MISSILE MICA
(03:37 MIN)
Os três padrões ou modelos
do Rafale podem
ser entendidos por estas capacidades :
F1 = Combate
Aéreo;
F2 = F1 + Ataque
Ar-Terra; e
F3 = F2 + Ataque
Naval, Reconhecimento e Ataque Nuclear.
Somente
o Rafale F3 poderá ser considerado como Multifuncional, com
aptidões para Combate
Aéreo, Ataque
Ar-Terra, Ataque Naval,
Reconhecimento e Ataque Nuclear.
Sabe-se que o NAe Nuclear Charles De Gaulle poderá operar um
máximo de 40 aeronaves Rafale M, sendo todos elevadas para o
padrão F3.
VÍDEO - DASSAULT RAFALE
(04:10 MIN)
Inicialmente,
foram
contratados pela Marine Nationale Française 10 F1, 16 F2 e mais 12
F3 em um total de 38 aeronaves. Até 2009, a última
encomenda era a terceira,
anunciada em setembro de 2004.
Englobando Marinha (38) e Força Aérea (82), a demanda
até então era de um total de 120 aeronaves, sendo 13 F1
em 1994, 48 F2 em 1999 e mais 59
F3 em 2004, sempre a cada 5 anos.
Momento do
primeiro pouso do Rafale Marine (protótipo M02)
no NAe Charles de Gaulle, em 6 de julho de 1999.
(Foto Marine Nationale
Française)
Aquela
encomenda de 59 Rafales
de 2004 compreendia 47
aparelhos para l'Armée
de l'Air, sendo destes 11 biplaces e 36 monoplaces, e 12
aparelhos
monoplaces para a Marine Nationale. As entregas
estão acontecendo entre 2008 e 2012. A partir de 2013
começarão as entregas para a FAB.
Não
fugindo a esta
regra de 5 anos, a quarta encomenda foi anunciada em novembro de 2009.
Serão mais
60 novos caças F3 para a Força Aérea e a Marinha,
sendo 51 para a l'Armée
de l'Air e 9 para a Marine
Nationale. As quatro encomendas feitas entre
1994 e 2009 já somam então 180 Rafales.
O
total de Rafales previstos somente para a
França é de 294 aeronaves, sendo 60 para a Marine
Nationale, 95 monoplace e 139 biplaces para o l´Armée de
l´Air. A última entrega está prevista para 2019.
O modo encontrado pelos franceses de
liberar os Rafales aos poucos
- de F1
a F3 - para
operação
é comum, tanto para projetos civis quanto para militares.
Os
primeiros
Rafales F1 foram entregues com as versões mais básicas de
equipamentos, acessórios e softwares embarcados, mas com o
compromisso (registrado em contrato e reconhecido pelas partes
envolvidas) de receberem "upgrade" até um determinado momento
(tempo calendário ou horas de
operação).
Rafale
Marine (M) pousando no R-99 Foch, hoje A-12 São Paulo.
(Foto Marine Nationale
Française)
Em 2009, a Aviação Naval
recebeu seus dois primeiros aviões da terceira encomenda (59
aeronaves, incluindo 12 para a Marinha, para entrega em 2014). A quarta
encomenda conta com mais 9 aeronaves para a Marinha.
Até novembro de 2009, foram entregues 28 Rafales à
Aviação Naval. Nove do padrão F1 foram desativados
na pendência da modernização; um décimo
vinha sendo utilizado para experimentos. Dezesseis outras aeronaves
foram entregues no padrão F2 e depois elevadas ao padrão
F3. Duas delas foram perdidos em um acidente, em 24 de setembro de
2009.
Com os dois primeiros F3 entregues em 2009, o grupo aéreo
embarcado do Charles de Gaulle passou a contar com uma frota de 16
Rafale F3. No total, a aviação naval deverá chegar
a 60 aeronaves.
RAFALE
NO BRASIL
Em abril de 2007, foi noticiado que a
FAB estaria se preparando para anunciar a aquisição de 20 caças Rafales,
devendo ser 14 monoplaces e 6 biplaces. Em agosto do mesmo ano, houve
boato que seriam 28 unidades do
Rafale, acompanhados de mais 12 Mirage 2000C/B.
Já
em 2008, o FX-2 da FAB excluiu o Su-35, colocando a
hipótese de uma aquisição conjunta de 36 Rafales
F3 para a FAB e mais 20 na versão naval para a MB como ainda
mais próxima.
(Clique na arte abaixo para
ampliação)
Alguns
detalhes do Rafale que o Brasil estaria para adquirir,
segundo a Isto É de 28 de agosto de 2007.
(Arte Revista Isto É )

Em 7 de Setembro de 2009, os
governos Lula e Sarkozy divulgaram nota conjunta dos dois
países finalmente confirmando que o Brasil iria adquirir 36
caças
Rafale F3. O anúncio oficial significou o encerramento do
processo FX-2 de
seleção feito pela FAB.
Houve adiamentos por detalhes comerciais e por respeito a um
relatório
técnico da FAB sobre os concorrentes, mas a decisão
já havia sido tomada.
Rafale Animado.
CARACTERÍSTICAS
DO RAFALE
GERAIS
Envergadura : 10,90 m (com
mísseis)
Largura : 15,30 m
Altura : 5,34 m
Peso vazio : 9.400 kg (Rafale M : 9.900 kg)
Peso Máximo de Decolagem por catapulta : 21.000 kg
Peso Máximo de Decolagem :
21.500 kg
Comprimento da Pista de Decolagem : 400
a 600 m,
dependendo da carga
Turbina : 2 SNECMA M88-2 de 7,5 ton de
empuxe cada,
evoluindo para M88-3 de 9 ton e M88-4 de 11 ton
Velocidade Máxima : Mach 2.0
(2.125 km/h)
Combustível interno : 4.500
litros
Combustível externo : 7.500
litros
Cargas Externas : mais de
8.000 kg
Raio
de Ação : 2.186 km
Altitude Máxima : 20.000 m
Rafale
e Canhão DEFA 30 M 791 B.
(Foto GIAT industries)
Rafale M da Marine Nationale Française
com Meteor sob a asa.
(Foto MBDA)
Um Rafale da Marinha Francesa
tocando no convôo do CVN 74
USS John C. Stennis, em 12 de abril de 2007
(Foto US Navy por Denny Cantrell - Wikimedia Commons)
M88 TURBOFAN
Os rígidos requerimentos de performance do Rafale em combate
aéreo e em penetração de baixa altitude obrigou a
adoção de uma nova motorização com
potência para carregar peso, extremamente baixo consumo em todos
os regimes de vôo e uma vida útil muito longa.
O resultante M88-2 é leve, compacto, eficiente no consumo e
produz 50kN “dry” e 75kN com afterburner. É equipado com um
FADEC (Full Authority Digital Engine Control) redundante que aceita
aceleração do zero até afterburner total em menos
de 3 segundos.
Graças ao FADEC, o M88-2 dá ao Rafale performance
impressionante e utilização sem preocupação
do throttle que pode ser trazido da posição de combate
para zero e jogado de volta à potência de combate em
qualquer momento durante o vôo.
Para deixar o motor rodar a temperaturas muito altas SNECMA apresentou
soluções inovativas e o M88 incorpora tecnologias
avançadas como blisks (Discos de compressor com lâminas
integrais), comustor de baixa poluição, lâminas de
turbina de cristal simples de alta pressão, coberturas de
cerâmica, discos de metalurgia revolucionária
(revolutionary powder metallurgy) e materiais compostos.
A Snecma está trabalhando agora nas novas variantes do motor:
* M88-TCO (Total Cost of Ownership) que vai ter tempo estendido entre
revisões graças ao seu compressor e turbina de alta
pressão redesenhados.
* M88-X de 88kN com afterburner, que está sendo desenvolvido
para o mercado de exportação.
O M88-TCO entrará em serviço com os Rafales franceses a
partir de 2011 mas a Armeé de l’Air e a Aéronavale ainda
não apresentaram um documento oficial com relação
ao M88-X.
O motor M88-X seria o M88-3 da encomenda dos Emirados Árabes
Unidos (EAU), já o M88-4 é a sua próxima
geração, que poderá levar muito mais
combustível e armamento, sem falar do aumento de velocidade,
potência e consequente segurança para o piloto em combate.