A ESTRATÉGIA DA
CONECTIVIDADE NA
AMAZÔNIA
EMB 145 AEW&C da EMBRAER.
(Arte Divulgação Embraer)
O DEFESA BR é uma
SIMULAÇÃO de tudo que o Brasil
poderia fazer para manter
a soberania sobre suas
riquezas
das Amazônias Verde e Azul com um conservador
Orçamento de Defesa de 1 % do PIB.
INTRODUÇÃO
Surge no Século XXI uma nova estratégia para a luta nos
Teatros de Operações. Os militares de hoje buscam
mover-se da antiga zona vermelha monolítica e limitada, como era
a da época da guerra fria, para uma zona vermelha enorme, difusa
e diversa, dificilmente monolítica, e que desafia quaisquer
formatos e limites.
Tal inovação requer uma mudança para a “ESTRATÉGIA
DA CONECTIVIDADE”, em que o problema não é mais o
que contém uma força, mas sim como ela se conecta.
Estar conectado, permanecendo centrado em redes, não é
somente uma questão de
tangibilidade de aparelhamento mas, principalmente, de
competência tecnológica e logística inovadoras.
Estas mudanças na forma com que as guerras são lutadas
também trarão mais transformações às
Forças Armadas em todos os lugares. Mais unidades pequenas INTEGRADAS
transformam-se em norma e a tecnologia está tornando mais
fácil e seguro seu trabalho, ao mesmo tempo em que fornece maior
eficácia e exatidão.
Estamos entrando em uma nova Era dos :
Pequenos,
Rápidos, e
Muitos.
E essa “ESTRATÉGIA
DA CONECTIVIDADE” pode
valer tanto em sentido micro, com forças em um Teatro de
Operações, como em
um sentido macro, com interesse global em alianças
tecnológicas entre nações.
A concepção da realização de
operações centradas em rede é a maior
transformação ocorrida no modo de fazer a Guerra nos
últimos 40 anos. A evolução tecnológica, a
guerra assimétrica explorando as vulnerabilidades e o ambiente
de incertezas e surpresas estão mudando a forma de combate Estas
alterações geram a necessidade cada vez maior de rapidez
nas decisões, economia de meios e sincronismo nas
ações.
TEATRO DE OPERAÇÕES
As comunicações entre tropas e demais unidades
em operação conjunta com enlace em redes é a forma
básica de atuação na nova era. Porém, cada
vez ainda mais importante será o aspecto logístico
contido na habilidade de transporte pesado em grande difusão,
com
extrema rapidez e forte discrição. Esse somatório
será a chave da eficácia nos mutáveis campos de
batalha do futuro próximo.
Os EUA vivem essa necessidade de mudança para novos tempos mais
do que ninguém no mundo moderno, assistindo suas antigas
concepções de Defesa virarem rapidamente de cabeça
para baixo. Eles sempre tiveram em mente uma força
estrategicamente defensiva, mas operacionalmente ofensiva.
Uma das bases do
poder dos EUA é a força militar do Pentágono.
Hoje, com o terrorismo estrangeiro
em sua própria casa ameaçando com armas de
destruição de massa e respectivas respostas ofensivas
equivocadas – como foi a invasão do Iraque, descobriram a
necessidade de serem operacionalmente defensivos. Apenas em casos mais
graves empregar-se-ia sua forte estratégia ofensiva.
Isso parece ser uma incrível reviravolta impensável no
início deste Século XXI, no exato ano de 2001, ano do
fatídico “11/9”.
Tal mudança contradiz tudo o que suas mais graduadas mentes
estratégicas pensavam, pois agora seu principal foco de
inteligência poderá deixar de ser o puramente militar para
privilegiar-se,
finalmente, uma inteligência social. Essa seria apenas um
conhecimento
“profundo” da cultura e dos costumes locais.
O assunto segurança nacional passa a ser muito mais abrangente,
avançando para um formato global que abarcaria cada elemento de
empreendimento humano, seja social, político, técnico,
científico, ou econômico.
O SIVAM /
SIPAM
O objetivo do Projeto SIVAM - Sistema de
Vigilância da Amazônia, do governo brasileiro é
assegurar o desenvolvimento contínuo e sustentado desta
região. As tarefas principais são vigilância e
controle de tráfego, vigilância de fronteira,
prevenção de atividades ilegais e
monitoração ambiental.
Já o SIPAM - Sistema de Proteção da Amazônia é o braço armado e inteligente da
Política de Defesa da AMAZÔNIA. Trata-se de uma gigantesca rede de radares,
sensores, satélites e aviões especiais gradualmente
ativada desde julho de 2002.
O Sistema SIVAM / SIPAM cobre 5,2 milhões km2, o equivalente
à Europa Ocidental, e que cobre 60 % do Brasil, contendo 1/3 da
floresta tropical da Terra. Sua bacia é a maior do mundo.
O Ministério da Defesa segue aprofundando cada dia mais a
presença das Forças Armadas e da sociedade civil com o
Sistema
SIVAM / SIPAM. Juntos formam o elemento chave do programa de
blindagem
da Amazônia contra traficantes, terroristas e outros tipos de
criminosos.
(Clique na foto abaixo para
ver imagem gigante de Carajás)
Vista completa da Mina de Carajás, no
Estado do Pará,
considerada a maior mina de minério de ferro do mundo.
(Foto Sala de Imprensa CVRD - 81)
As Forças Armadas
intensificam a proteção do território e do
espaço aéreo no Norte, Noroeste e Oeste por meio da
instalação de novas bases, transferência para a
região de tropas do Sul-Sudeste e expansão da flotilha
fluvial da Marinha. O contingente local chegará a 30 mil
militares em 2006.
Em todo o arco da fronteira norte, noroeste e oeste, o Comando Militar
da Amazônia (CMA) prepara-se para instalar novas bases para
receber todas as unidades sendo transferidas.
Serão instaladas 3 novas bases no Acre entre os distritos
de Foz do Breu, Pé de Serra e Foz do Moa, todos integrantes do
município de Marechal Taumaturgo. Há 3 anos já
havia sido anunciada a criação de 5 outras unidades no
Amazonas e no Amapá.
Só como exemplo, em 2005, uma brigada completa, com
aproximadamente 4 mil soldados - foi deslocada para a linha de divisa
com a Colômbia, vindo de Niterói (RJ).
O Comando da Aeronáutica está montando na região 2
centros avançados de operações aéreas em
Vilhena (RO) e Eirunepé (AM). Atualmente a aviação
militar
dispõe de bases em Manaus (AM), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR)
e com certas limitações, em Rio Branco (AC).

VÍDEO - A AMAZÔNIA
NOS PERTENCE (06:58
MIN)
Na estratégica São
Gabriel da Cachoeira (AM) - onde
guerrilheiros das FARC já se mostraram presentes, está
sendo construída a maior das bases da Força Aérea
Brasileira (FAB). Na serra do Cachimbo, onde a FAB mantém um
centro de testes, também haverá uma pista.
Os primeiros aviões de combate A-29 Supertucano operacionais,
parte importante do braço armado do SIPAM, já vêm
sendo entregues pela Embraer.
O recém-criado Comando Naval da Amazônia, com sede na Ilha
de São Vicente, abrange um longo eixo, da Ilha de Marajó
até Mato Grosso, passando pelo Acre e por Rondônia.
Com apenas 5 Navios-Patrulha fluviais e três Navios Hospitais, a
flotilha é pequena e tecnologicamente defasada, pois precisaria
dispor de pelo menos mais 10 embarcações pesadas, lanchas
rápidas e helicópteros.
Cerimônia
de ativação do Comando do 9º Distrito Naval
(Com9ºDN) em Manaus, no dia 03 de maio de 2005.
(Foto MB)
Uma das operações
fundamentais do SIVAM / SIPAM é a coleta de
informações de inteligência por meio de grandes
jatos R 99 A e R 99 B, versões militares do regional ERJ 145 da
Embraer, que monitoram, por exemplo, as comunicações das
colunas das FARC até considerável distância da
linha de fronteira.
OPERAÇÃO DO SIPAM
Desde o dia 03 de abril de
2006, o SIPAM, passou a
ocupar a última instalação a ter sido planejada, arquitetada, construída pela
Comissão para
Coordenação do Sistema de Vigilância da
Amazônia (CCSIVAM), órgão
do Comando da Aeronáutica, subordinado ao DECEA.
O Centro de
Coordenação Geral (CCG) do SIPAM, considerado o marco finalizador da
implantação do Projeto SIVAM, abriga equipamentos e recursos humanos voltados,
exclusivamente, às
atividades de coordenação
das ações governamentais na Amazônia. Trata-se de um complexo com 3.600 m2 de
área construída, de arquitetura moderna e altamente funcional.
O Brasil tem hoje todos os
meios para garantir, de forma
racional, a harmonia entre as necessidades humanas e ambientais na Região
Amazônica e propiciar seu desenvolvimento, inaugurando um novo modelo de
administração pública, onde as informações, muitas delas
em tempo real, são compartilhadas entre os vários órgãos do
Governo, permitindo ações coordenadas entre todas essas instituições que
têm atribuições funcionais na Região Amazônica.
OS R 99 NA
AMAZÔNIA
A
Região Amazônica estende-se por 5,2 milhões de km2
e cobre 60 %
do Brasil. Para atender todas as
operações
nessa imensa área, 2 versões especiais do EMB 145 foram
adquiridas
pela FAB e já cumprem missões, regularmente. São
as Aeronaves de Inteligência de
Combate na Amazônia.
EMB 145 SA - R 99 A.
(Foto FAB)
A primeira
é conhecida pela designação EMB 145 SA (R 99 A) e
é uma das mais avançadas e acessíveis aeronaves de
alerta aéreo antecipado e controle disponíveis no
mercado. Garante altos níveis de eficiência de
missão devido a seu curto tempo de reação,
alcançando rapidamente altitudes operacionais com ampla
cobertura de área e excelente capacidade de tempo em
estação.

VÍDEO - R 99 A + R 99 B + A-29
(03:47 MIN)
A segunda
aeronave é designada EMB 145 RS (R 99 B) e foi
especialmente preparada para missões de vigilância do solo
e as atividades de proteção ambiental sobre a vasta bacia
amazônica brasileira, através de um avançado
sistema de sensoriamento remoto disponível. Este é um
recurso avançado capaz de prover imagens e inteligência
eletrônica sobre alvos no solo em tempo real e quase real.
INTERESSE GLOBAL
Já a “ESTRATÉGIA
DA CONECTIVIDADE” movendo-se
para um sentido macro, passa a existir hoje o interesse global em
alianças tecnológicas entre nações.
Passa a haver em todo o mundo um
movimento de abrir-se cada isolada indústria de defesa nacional
para um novo e diferente tipo de relacionamento internacional, a fim
de não mantê-la limitada às idéias,
tecnologias e pesquisas que venham somente de dentro de um único
país isolado.
Faz-se necessário a cada país atingir nova escala para
competir em um mundo de Orçamentos de Defesa menores após
a Guerra Fria, e com equipamentos cada vez mais tecnologicamente
sofisticados e dispendiosos, exigentes de materiais, serviços e
outros recursos de todos os tipos e fontes.
O CASO
DO MERCOSUL
Com a eventual
evolução do MERCOSUL para toda a América do Sul,
novos interesses comuns tendem a começara surgir em todos os
campos, inclusive no campo
institucional de Defesa e no industrial que lhe é relativo.
A partir de 2004, o Brasil passou a estudar uma nova política
para o fortalecimento de sua cambaleante indústria de Defesa.
Mostrou-se basicamente necessário planejar-se a criação de uma nova Base
Industrial de Defesa (BID),
que tivesse um mercado por trás, suficiente para
aquecê-la e levá-la a outros novos mercados pelo
mundo, visando enriquecê-la, e realimentando o processo.
Essa Base Industrial engloba
todos os segmentos industriais e de serviços que tenham
interesse estratégico para a área de Defesa.
Em primeiro lugar, concluiu-se que as 3 Forças Armadas no
Brasil atuavam e compravam totalmente isoladas. O fim desse isolamento
seria o primeiro passo da mudança a ser apresentado com a Política Nacional da Indústria
de Defesa - PNID, que importará em forte
mudança da concepção de trabalho das Forças
Armadas.
Concluiu-se ainda que deveriam acabar de uma vez por todas as
desconfianças intra-regionais para o bem do novo MERCOSUL
ampliado. Mesmo o Brasil, maior País da região,
não possui hoje demanda suficiente de Defesa para a sua
indústria sobreviver e muito menos crescer, ainda que venha a
ocorrer o esperado reaparelhamento de suas Forças Armadas.
A PNID objetiva integrar as
operações das Forças Armadas nacionais e
até mesmo, de certa forma, regionais, além de consolidar
seu reaparelhamento.
Para tal, a necessária Base Industrial de Defesa deverá
integrar todo um mercado regional, empregando-se aqui a “ESTRATÉGIA
DA CONECTIVIDADE” em seu
sentido macro.
Passaria a ser construída em conjunto com Argentina,
Chile, Peru e Colômbia, dividindo-se tarefas em várias
escalas de complexidade tecnológica.
Será básica a integração das FFAA desses
Países para a criação dessa BID com o objetivo e
uma tentativa de formarem um mercado uniforme em que todas fornecem e
demandam, obedecidas suas características e
limitações. Tal
mercado poderá ter uma razoável escala se puderem
investir
em PD&I.
Para alcançar o fortalecimento da Base Industrial serão
necessárias ações estratégicas, como
mostrar transparência e conscientizar a população
para a importância do
setor. Além disso, deverá haver redução da
carga tributária, ampliação da capacidade de
aquisição das Forças Armadas e aumento da
competitividade no mercado internacional, hoje avaliado em torno de US$
1 trilhão.
A indústria bélica brasileira chegou a exportar US$ 1,2
bilhão ao ano na década de 80. Em 2006, estava em menos
de US$ 100 milhões.
Ressalte-se ainda o notável esforço que vem sendo feito
pelos Países da América do Sul para a sua
integração física e CONECTIVIDADE, com o desenvolvimento de novas estradas,
ferrovias, hidrovias, linhas aéreas,
telecomunicações, energia, etc.
O CASO DOS
PAÍSES BALEIAS
Paralelamente à “ESTRATÉGIA
DA CONECTIVIDADE” empregada no MERCOSUL, vislumbra-se
também um universo ainda mais amplo proporcionado por essa mesma
estratégia com alianças junto aos PAÍSES BALEIAS, em que novas
tecnologias e múltiplas escalas seriam fundamentais para grandes
programas.
O CASO DA
FRANÇA
Em 15 de julho de 2005, o
Brasil assinou em Paris um Acordo de Cooperação em Tecnologias
Avançadas com a França, que envolverá :
Tecnologias espaciais e
suas aplicações industriais, e
cooperação científica no setor espacial;
Tecnologias de defesa,
especialmente nos setores
aeronáutico, naval e terrestre.
Este
Acordo de Cooperação com a França poderá
ser o ponto de partida do Brasil em uma verdadeira “ESTRATÉGIA
DA CONECTIVIDADE” com o
interesse na aliança tecnológica entre as 2
Nações.