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Chefes de Estado no Encontro de Evian.
(Foto ABr)
O BRASIL NO ENCONTRO
AMPLIADO DO G-8 EM 2003
Discurso do Senhor Presidente da República,1) EM PORTUGUÊS - A FOME NÃO PODE ESPERAR
Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião do
Encontro Ampliado do G-8
Evian, França, 1º de junho de 2003
"Minhas primeiras palavras são de agradecimento à iniciativa do presidente Jacques Chirac. O diálogo dos países mais ricos do mundo com os países em desenvolvimento é hoje mais necessário do que nunca. Temos de trabalhar juntos. A solução de nossos problemas passa necessariamente pelo respeito às nossas diferenças. Venho de um país que se encontra hoje mobilizado por uma energia ético-política extraordinária, tanto para enfrentar nossos problemas internos como para estabelecer novas e mais construtivas parcerias internacionais.
A pobreza e a miséria que atingem milhões de homens e mulheres no Brasil, na América Latina, na África e na Ásia, nos obrigam a construir uma nova aliança contra a exclusão social. Estou convencido de que não haverá desenvolvimento econômico sem sustentabilidade social e que, sem ambos, teremos um mundo cada vez mais inseguro. É nesse espaço de desagregação social que prosperam os ressentimentos, a criminalidade e, em especial, o narcotráfico e o terrorismo. Quero falar-lhes de forma simples e direta: venho propor-lhes ações coletivas, responsáveis e solidárias, em favor da superação das condições desumanas em que se encontra grande parcela da população do globo. A fome não pode esperar. É preciso enfrentá-la com medidas emergenciais e estruturais. Se todos assumimos nossas responsabilidades, criaremos um ambiente de maior igualdade e de oportunidades para todos.
A economia mundial está dando sinais preocupantes de retração. Os problemas sociais, como o desemprego, inclusive nos países ricos, estão se agravando cada vez mais. Estou seguro que um dos objetivos desta reunião do G-8 é o de buscar caminhos para que a economia volte a crescer. Necessitamos uma nova equação que permita a retomada do crescimento e inclua os países em desenvolvimento. A incorporação dos países em desenvolvimento à economia global passa necessariamente pelo acesso sem discriminações aos mercados dos países ricos. Fizemos um enorme esforço e sacrifício para conquistar competitividade. Mas como competir livremente em meio à guerra de subsídios e outros mecanismos de proteção, que criam uma verdadeira exclusão comercial?
Não viemos aqui para nos lamentar, nem simplesmente para engrossar o coro das recriminações. Sabemos quais são nossas responsabilidades. Estamos fazendo a nossa parte executando políticas econômicas equilibradas, combatendo o desperdício e a corrupção, aprimorando as instituições para o bom funcionamento de nossas economias. Temos demonstrado vontade política para combater os desequilíbrios sociais e a pobreza.
Estamos fazendo isso no Brasil com democracia e pluralismo, sem fundamentalismos, com cautela e firmeza. Estamos organizando nossas finanças e recuperando a estabilidade para crescer de modo sustentado. Mas sabemos que organizar e dar estabilidade a nossa economia é tarefa necessária, mas não suficiente. Necessitamos forjar um novo paradigma de desenvolvimento que combine estabilidade financeira com crescimento econômico e justiça social. Hoje queremos crescer com financiamento sustentável, distribuindo renda e fortalecendo a democracia.
Nenhuma teoria, por mais sofisticada que seja, pode ficar indiferente à miséria e à exclusão. Olhando a história contemporânea, sobretudo nos períodos que se seguiram a graves crises econômicas e sociais, vejo que o desenvolvimento deu-se a partir de profundas reformas sociais. Essas reformas incorporaram milhões de homens e mulheres à produção, ao consumo e à cidadania e criaram um novo e prolongado dinamismo econômico. Foi assim nos Estados Unidos a partir dos anos 30. Foi assim no pós Segunda Guerra, na Europa.
O Brasil e muitos países em desenvolvimento fizeram, na última década, o esforço exigido pelas estratégias econômicas predominantes. Mas não houve avanços importantes no combate à exclusão social. Ao contrário, onde o fundamentalismo imperou não se alcançou a prometida estabilidade econômica. Aumentaram o desemprego, a fome e a miséria. Nossos sistemas produtivos não conquistaram espaços no comércio mundial correspondentes aos nossos sacrifícios. A falta de democracia econômica e social ameaçou a democracia como um todo.
Não queremos o olhar piedoso dos países ricos. Necessitamos soluções estruturais que devem fazer parte de um conjunto de mudanças na economia mundial. Esperamos coerência de nossos parceiros mais ricos. Vejo com preocupação as resistências na OMC para remover subsídios bilionários, principalmente à agricultura. Questões prioritárias - como a do acesso a medicamentos - são proteladas.
Essas atitudes não são construtivas e só aumentam o ceticismo em relação às boas intenções e à sabedoria dos mais prósperos. Temos de definir responsabilidades, o que implica também em novas tarefas para os países em desenvolvimento. Os que dispõem de maior capacidade podem e devem executar políticas mais solidárias e generosas em favor das nações mais necessitadas. É isso que o Brasil está fazendo no plano regional.
Meu governo quer fortalecer o Mercosul e promover a integração da América Latina. Como afirmou o presidente Kirchner da Argentina, são projetos estratégicos e políticos, orientados para melhoria das nossas condições de vida. O Brasil está disposto a aprofundar suas parcerias com os países da América do Sul e abrir mais espaço em nosso mercado às suas exportações. Novos mecanismos financeiros ajudarão a integração regional.
Sei que aqui vai se discutir o Nepad. De nossa parte, com a África, que visitarei em agosto próximo, vamos ampliar a cooperação especialmente em setores como saúde, educação, qualificação profissional e infra-estrutura. Os países da América Latina e do Caribe, que integram o Grupo do Rio, na recente Cúpula de Cusco, incumbiram ao presidente Vicente Fox do México e a mim para que fôssemos seus porta-vozes aqui em Evian. Lá foram discutidos mecanismos inovadores de financiamento para combater a pobreza e investir em infra-estrutura.
Recomendo a meus colegas aqui presentes a leitura atenta dessas propostas. A fome é uma realidade intolerável. Sabemos que existem plenas condições para superar esse flagelo. Minha proposta - antecipada em Porto Alegre e Davos - é que seja criado um fundo mundial capaz de dar comida a quem tem fome e, ao mesmo tempo, de criar condições para acabar com as causas estruturais da fome. É o que estamos começando a fazer no Brasil. Há várias formas para gerar recursos para um fundo dessa natureza. Dou dois exemplos. O primeiro é a taxação do comércio internacional de armas - o que traria vantagens do ponto de vista econômico e ético. Outra possibilidade é criar mecanismos para estimular que os países ricos reinvistam nesse fundo percentagem dos juros pagos pelos países devedores. Alguns países desenvolvidos têm apresentado propostas para enfrentar esse problema. São iniciativas válidas, que merecem ser consideradas.
Caros colegas, O multilateralismo representa, no plano das relações internacionais, um avanço comparável ao da democracia em termos nacionais. Valorizá-lo é obrigação de toda nação comprometida com o progresso da civilização, independentemente de sua dimensão econômica e de seu peso político e militar. Temos que manter o diálogo, ampliando-o em bases duradouras e não de forma episódica. Isso se aplica ao G-8 e ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A expectativa do Brasil é de que os países do G-8 se tornem verdadeiros aliados no combate à fome e à exclusão social e na retomada da cooperação internacional para o desenvolvímento, condição indispensável para a segurança e a paz. Minha vida e trajetória política me fazem crer que as causas justas são vitoriosas quando há vontade, diálogo e negociação. Para que este inédito encontro de Evian atenda aos anseios legítimos de nossos povos - no Sul e no Norte - temos que demonstrar acima de tudo determinação no combate às desigualdades sociais. Muito obrigado."
2) EN ESPAÑOL - EL HAMBRE NO PUEDE ESPERAR
Mis primeras palabras son de agradecimiento a la iniciativa del presidente Jacques Chirac. El diálogo de los países más ricos del mundo con los países en desarrollo es hoy más necesario que nunca. Tenemos que trabajar juntos. La solución de nuestros problemas pasa necesariamente por el respeto a nuestras diferencias. Vengo de un país que se encuentra hoy movilizado por una energía ético política extraordinaria, tanto para enfrentar nuestros problemas internos como para estableces nuevas y más constructivas sociedades internacionales.
La pobreza y la miseira que atacan a millones de hombres y mujeres en Brasil, en América Latina, en África y en Asia, nos obligan a construir una nueva alianza contra la exclusión social. Estoy convencido de que no habrá desarrollo económico sin sustentabilidad social y que, sin ambos, tendremos un mundo cada vez más inseguro. Es en ese espacio de disgregación social que prosperan los resentimientos, la criminalidad y, en especial, el narotráfico y el terrorismo.
Quiero hablarles de forma simple y directa: vengo a proponerles acciones colectivas, responsables y solidarias, en favor de la superación de las condiciones humanas en que se encuentra gran parte de la población del globo. El hambre no puede esperar. Es preciso enfrentarla con medidas de emergencia y estructurales. Si todos asumimos nuestras responsabilidades, crearemos un ambiente de mayor igualdad y de oportunidades para todos.
La economía mundial está dando señañes preocupantes de recesión. Los problemas sociales, como el desempleo, inclusive en los países ricos, se están agravando cada vez más. Estoy seguro de que uno de los objetivos de esta reunión del G8 es buscar camino para que la economía vuelva a crecer. Necesitamos una nueva ecuación que permita retomar el crecimiento e incluya a los países en desarrollo. La incorporación de los países en desarrollo a la economía global pasa necesariamente por el acceso sin discriminaciones a los mercados de los países ricos. Hicimos un gran esfuerzo y sacrificio para conquistar la competitividad. ¿Pero cómo competir libremente en medio de la guerra de los subsidios y otros mecanismos de proteccionismo, que crean una verdadera exclusión comercial?
No venimos aquí a lamentarnos, ni, simplemente, a engrosar el coro de las recriminaciones. Sabemos cuáles son nuestras responsabilidades. Estamos haciendo nuestra parte, ejecutando políticas económicas equilibradas, combatiendo el desperdicio y la corrupción, priorizando las instituciones para el buen funcionamiento de nuestras economías. Hemos demostrado voluntad política para combatir los desequilibrios sociales y la pobreza.
Estamos haciendo eso en Brasil con democracia y pluralismo, sin fundamentalismos, con cautela y firmeza. Estamos organizando nuestras finanzas y recuperando la estabilidad para crecer de manera sustentable. Pero sabemos que organizar y dar estabilidad a nuestra economía es tarea necesaria pero no suficiente. Necesitamos forjar un nuevo paradigma de desarrollo que combine estabilidad financiera con crecimiento económico y justicia social. Hoy queremos crecer con financiamiento sustentable, distribuyendo la renta y fortaleciendo la democracia.
Ninguna teoría, por más sofisticada que sea, puede ser indiferente a la miseria y a la exclusión. Mirando la historia contemporánea, sobre todo en los periodis que siguieron a las graves crisis económicas y sociales, veo que el desarrollo se dio a partir de profundas reformas sociales. Esas reformas incorporaron a millones de hombres y mujeres a la producción, al consumo y a la ciudadanía, y crearon un nuevo y prolongado dinamismo económico. Fue así en los Estados Unidos a partir de los años treinta. Fue así en la Europa de la posguerra.
Brasil y muchos países en desarrollo hicieron, en la última década, un esfuerzo exigido por las estrategias económicas predominantes. Pero no hubo avances importantes en el combate a la exclusión social. Al contrario, donde el fundamentalismo imperó no se alcanzó la estabilidad económica prometida. Aumentaron el desempleo, el hambre y la miseria. Nuestros sistemas productivos no conquistaron espacios en el comercio internacional correspondientes con nuestros sacrificios. La falta de democracia económica y social amenazó a la democracia en su conjunto.
No queremos la mirada piadosa de los países ricos. Necesitamos soluciones estructurales que deben ser parte de un conjunto de cambios en la economía mundial. Esperamos coherencia de nuestros socios más ricos. Veo con preocupación las resistencias en la OMC para remover los subsidios billonarios, principalmente en la agricultura. Cuestiones prioritarias —como el acceso a los medicamentos— son pospuestas.
Esas actitudes no son constructivas y sólo aumentan el escepticismo con relación a las buenas intenciones y la sabiduría de los más prósperos. Tenemos que definir las responsabilidades, lo que implica también nuevas tareas para los países en desarrollo. Los que disponen de mayor capacidad pueden y deben ejecutar políticas más solidarias y generosas en favor de las naciones más necesitadas. Es eso lo que Brasil está haciendo en el plano regional.
Mi gobierno quiere fortalecer el Mercosur y promover la integración de América Latina. Como afirmó el presidente Kirchner de Argentina, son proyectos estratégicos y políticos orientados a la mejoría de nuestras condiciones de vida. Brasil está dispuesto a profundizar sus sociedades con los países de América del Sur y abrir más espacio en nuestro mercado a sus exportaciones. Nuevos mecanismos financieros ayudarán a la integración regional.
Sé que aquí se va a discutir el Nepad. De nuestra parte, con África, que visitaré en agosto próximo, vamos a ampliar la cooperación, especialmente en sectores como salud, educación, calificación profesional e infraestructura. Los países de América Latina y del Caribe, que integran el Grupo de Río, en la reciente Cumbre de Cuzco, encargaron al presidente Vicente Fox de México y a mí para que fuésemos sus portavoces aquí en Evian. Allá fueron discutidos mecanismos innovadores de financiamiento para combatir la pobreza e invertir en la infraestructura.
Recomiendo a mis colegas aquí presentes la lectura atenta de esas propuestas. El hambre es una realidad intolerable. Sabemos que existen condiciones plenas para superar ese flagelo. Mi propuesta —anticipada en Porto Alegre y Davos— es que se cree un fondo mundial capaz de dar comida a quien tiene hambre. Es lo que estamos comenzando a hac en Brasil. Hay varias formas de generar recursos para un fondo de esa naturaleza. Doy dos ejemplos. El primero es la tasación del comercio internacional de armas —lo que traería ventajas desde el punto de vista económico y ético. Otra posibilidad es crear mecanismos para estimular que los países ricos reinviertan en ese fondo un porcentaje de los intereses pagados por los países deudores. Algunos países desarrollados han presentado propuestas para enfrentar ese problema. Son iniciativas válidas, que merecen ser consideradas.
Queridos colegas, la multilateralidad representa, en el plano de las relaciones internacionales, un avance comparable al de la democracia en términos nacionales. Valorilzarla es oblicación de toda nación comprometida con el progreso de la civilización, independientemente de su dimensión económica y de su peso político y militar. Tenemos que mantener el diálogo, ampliándolo con bases duraderas, y no de forma episódica. Eso se aplica al G8 y al Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas.
La expectativa de Brasil es que los países del G8 se vuelvan verdaderos aliados en el combate al hambre y a la exclusión social en la recuperación de la cooperación internacional para el desarrollo, condición indispensable para la seguridad y la paz. Mi vida y trayectoría política me hacen creer que las causas justas son victoriosas cuando hay voluntad, diálogo y negociación. Para que este encuentro inédito de Evian atienda los anhelos legítimos de nuestros pueblos —en el Sur y en el Norte— tenemos que demostrar sobre todo determinación en el combate a las desigualdades sociales.
Muchas gracias.
3) IN ENGLISH - HUNGER CAN NOT WAIT
My first words are in appreciation for the initiative by President Jacques Chirac. The dialogue between the richest countries in the world with the developing countries is more necessary today than ever. We must work together. The solution for our problems necessarily includes respect for our differences. I come from a country that today is mobilized by an extraordinary ethical-political energy to confront not only our internal problems but also to establish new and more constructive international partnerships.
The poverty and misery that attacks millions of men and women in Brazil, in Latin America, in Africa, and in Asia, obligates us to construct a new alliance against social exclusion. I am convinced that there will not be economic development without social sustainability and that, without both, we will live in a world that is less secure each day. It is in the space of social inequality that resentments, criminality, and, especially, narco-trafficking and terrorism, prosper.
I would like to speak with you in a simple and direct manner: I come to propose collective and responsible actions of solidarity, in favor of surpassing the inhuman conditions in which a large part of the global population live. Hunger cannot wait. It is urgently necessary to confront it with emergency and structural measures. If we all accept our responsibilities, we will create a more equal environment of opportunity for all.
The world economy is showing worrisome signs of recession. Social problems like unemployment, including in the wealthy countries, are getting worse. I am sure that one of the goals of this meeting of the G-8 is to seek paths so that the economy grows again. We need a new equation that permits the return to growth and that includes the developing countries. The incorporation of the developing countries into the global economy requires access without discrimination to the markets of the wealthy countries. We have made an enormous sacrifice to become competitive. But how do we compete freely in the middle of a war of subsidies and other mechanisms of protectionism that causes, in reality, commercial exclusion?
We're not here to lament or to simply join the chorus of recriminations. We know our responsibilities. We are doing our part, executing balanced economic policies, combating and defeating corruption, bettering institutions for the good function of our economies. We have demonstrated the political will to combat social inequality and poverty. We are doing this in Brazil with democracy and pluralism, without fundamentalism, with care and firmness. We are organizing our finances and recovering the stability to grow in a sustained manner. But we know that organizing and giving stability to our economy and work is necessary, but it is not enough. We need to forge a new paradigm of development that combines financial stability with economic growth and social justice. Today we want to grow with sustainable financing, distributing income, and strengthening democracy.
There is no theory, however sophisticated it may be, that can succeed by being indifferent to misery and exclusion. Looking at modern history, above all at those periods that survived serious economic and social crises, I see that development must begin with profound social reforms. These reforms will bring millions of men and women into production, consumption, and citizenship and will create a new and prolonged economic dynamism. That's what happened in the United States beginning in the 1930s. That's what happened after World War II in Europe.
Brazil and many developing countries, over the past decade, have made the effort demanded of us to join in the dominant economic strategies. But there have not been important advances in the combat against social exclusion. To the contrary, the fundamentalism that ruled did not comply with its promised economic stability. Unemployment, hunger, and misery increased. Our systems of production did not conquer spaces in world commerce in a manner that corresponds to our sacrifices. The lack of economic and social democracy threatens every part of democracy.
We don't want the rich countries to look upon us with pity. We need structural solutions that must begin together with changes in the global economy. We hope for coherence from our wealthier partners. I look with concern upon the resistance by the World Trade Organization to remove billionaire subsidies, principally to agriculture. Priority matters - like providing access to medicines - are put off to another day.
Such attitudes are not constructive and increase skepticism in relation to the good intentions and wisdom of the more prosperous. We have to define responsibilities, and this also implies new tasks for the developing countries. Those who have the better capacity can and must execute more generous policies of solidarity in favor of the most needy nations. And this is what Brazil is doing on the regional level. My government wants to strengthen the Mercosur alliance and promote a Latin American Union. As President Kirchner, of Argentina, said, these are strategic and political projects, aimed at bettering the conditions of life. Brazil is ready to deepen its partnerships with the countries of South America and to open more space in our markets for their exports. New financial mechanisms are helping this regional integration.
I know that here you are going to discuss NEPAD. Doing our part, regarding Africa, where I will visit in August, we are going to widen our cooperation especially in the areas of health, education, professional training, and infrastructure. The countries of Latin America and the Caribbean, who belong to the Rio Group, in the recent Cuzco Summit, sent President Vicente Fox of Mexico and me here as their spokesmen in Evian. There, we discussed innovative financing mechanisms to combat poverty and invest in infrastructure.
I recommend to my colleagues present here a careful reading of these proposals. Hunger is at an intolerable level. We know that there are plain conditions to surpass this epidemic. My proposal - made in Porto Alegre and in Davos - is that a world fund be created capable of giving food to whoever is hungry and, at the same time, creating conditions to end the structural causes of hunger. And this is what we have begun to do in Brazil. There are various ways to generate resources for a fund of this nature. I give you two examples. The first is taxation of the international arms trade - which would bring advantages from economic and ethical points of view. Another possibility is to create mechanisms to stimulate that the rich countries reinvest into this fund a percentage of the interest payments made by debtor countries. Some developing countries have presented proposals to confront this problem. They are valid initiatives that deserve to be considered.
Kind Colleagues, multilateralism represents, on the level of international relations, an advance comparable to democracy in national terms. The obligation of every nation committed to the progress of civilization must be valued independently of its economic size and its political and military strength. We have to maintain dialogue, widening it on firm bases, and not just from time to time. This applies to G-8 and to the Security Council of the United Nations.
Brazil's hope is that the G-8 countries will become true allies in the combat against hunger and social exclusion and that international cooperation for development will be assumed again as an indispensable condition for security and peace. My life and political trajectory cause me to believe that just causes become victorious when there is will, dialogue, and negotiation. In order for this this unprecedented meeting in Evian to attend to the legitimate anxieties of our peoples - in the South and in the North - we must demonstrate, above all, determination to combat social inequality.
Thank you very much.
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