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A HEGEMONIA DOS EUA

E OS BIOCOMBUSTÍVEIS


 

Lula, Bush e os Biocombustíveis

Presidentes Lula e Bush após discurso sobre produção de biodiesel e etanol,
no Terminal da Transpetro de Guarulhos, São Paulo, 9 de março de 2007.
(Foto Ricardo Stuckert - PR - ABr 09032007G00002)

A HEGEMONIA DOS EUA


Hoje, os EUA têm 5 % da população, 30 % da economia e mais de 60 % de todas as despesas militares do mundo, com US$ 624,6 bilhões no ano fiscal de 2007/2008.


Este é o valor que o Presidente Bush solicitou ao Congresso em fevereiro de 2007, incluindo US$ 145 bilhões para os conflitos no Iraque e no Afeganistão.


Isso representa apenas 5 % de seu PIB Nominal de 2005 de US$ 12,455 trilhões, que já era 15,6
vezes superior ao PIB brasileiro também de 2005 de US$ 797 bilhões e, de longe, o maior do mundo. Dados da CIA sobre os EUA.



Força Tarefa US Navy

Exemplo do poderio aeronaval dos EUA.



Ressalte-se que são ainda investidos mais de US$ 210 bilhões em PD&I, ao ano. Trata-se de uma HEGEMONIA mundial, certamente, econômica e militar, com muita capacidade.


n


Seu único desafio é o retorno da Guerra Fria em um momento em que sua economia passa por uma crise e a RÚSSIA RESSURGE.



O IRAQUE



A grande batalha política ocorrida em 2003 no âmbito do atual Conselho de Segurança da ONU no caso da insistência pela invasão do Iraque pelos Estados Unidos deixou seqüelas, principalmente com sua antiga aliada França, desde o apoio à Independência Americana até "ontem", passando pela libertação na 2ª Guerra Mundial e os anos difíceis da Guerra Fria.


Outros Países importantes que não aceitaram a invasão unilateral do Iraque, sem a autorização formal da ONU, foram a Alemanha, aliada dos EUA na OTAN, a Rússia e a China, complementados pela Índia e o Brasil.



  VC-25A - 28000

Avião Presidencial AIR FORCE ONE (VC-25A 28000)
sobrevoando o MONTE RUSHMORE NATIONAL MEMORIAL
com as imagens em granito de
George Washington, Thomas Jefferson,
Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln
(Foto USAF)




Presidentes Bush e Chirac

Presidentes Bush e Chirac durante Encontro do G-8 em Evian - Junho de 2003.



A invasão do Iraque ocorreu em 20 de março de 2003. Dois meses depois, em 27 de maio, Rússia e China formalizaram uma Aliança Estratégica. Os Presidentes Vladimir Putin e Hu Jintao declararam apoio a um mundo multipolar para poder ser estável e previsível, sem menção ao problema com os EUA.


Procuram contrabalançar a preponderância global
americana, após perceberem o que dizem ter sido um caso de "Neo-Imperialismo" no Iraque.


Até um
"diálogo trilateral" entre Rússia, China e Índia (PAÍSES BALEIAS) teve início a fim de fortalecer a estabilidade e segurança regional e internacional, além de enfrentar os novos desafios e ameaças globais.


Já o Conselho de Segurança da ONU caminha lentamente para ser ampliado e remodelado algum dia, se for para continuar sua existência e a da própria Organização, com a provável entrada de Novos Membros Permanentes, como Brasil, Índia, Japão e Alemanha.


Nos últimos anos, as pressões internas sobre os governos dos EUA e da Inglaterra aumentaram bastante, com o forte e posteriormente provado argumento de que os relatórios sobre as ameaças das armas de destruição de massa iraquianas eram falsos.


As operações de guerrilha no Iraque acentuaram-se, desde a explosão de parte do edifício da ONU em Bagdá no dia 19 de agosto de 2003, com a morte de 20 pessoas, entre elas o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, Representante
do então Secretário Geral, Kofi Annan.


Em abril de 2004, a situação deteriorou-se bastante, culminando em nova insurreição, abandono da Espanha - após o atentado de 11 de março - seqüestros e da revelação de torturas e estupros nas prisões militares americanas contra prisioneiros iraquianos.


A própria opinião pública americana passou a ser bombardeada por essas imagens e as de soldados regressando em caixões com leitura de seus nomes, como no Vietnã. Tal divulgação em massa era reconhecidamente temida pelo governo Bush, pois afinal, foi o que fez os EUA perderem aquela guerra.


Em maio de 2005, o Senado aprovou uma verba suplementar emergencial para emprego nas operações militares no Iraque e Afeganistão, no valor de US$ 75,9 bilhões.


Em 3 anos de guerra - cravado em 20 de março de 2006 - perderam suas vidas mais de 100 mil iraquianos e 2,3 mil americanos, tendo os EUA gastado US$ 254 bilhões em suas operações. No final de dezembro de 2006, já havia 3 mil soldados americanos mortos na Campanha do Iraque.


Em 2007, parecia ter chegado a hora da grande decisão : sair de vez ou continuar lá com ainda mais esforços. Esta última foi a posição do Governo. Entretanto, o novo Congresso, de maioria Democrata, não parece pensar assim. Em 2008, as eleições presidenciais paralizaram as decisões.




O DÓLAR, OS DÉFICITS E A DÍVIDA


Dollar



Adotado pelo Congresso dos EUA em 1785, o Dólar ainda é a moeda mais utilizada o mundo atual. Diversos Países o usam como moeda local, oficialmente ou não. É considerado até como uma moeda de uso mundial, pois 2/3 dos quase US$ 800 bilhões hoje em circulação estão em terceiros Países.



Presidente Bush na ONU

Presidente George W Bush na ONU em 2003, antes da Guerra do Iraque
.




DÉFICIT ORÇAMENTÁRIO (BUDGET)


O Governo Bush
tem hoje como pior problema o déficit orçamentário, que fechou em US$ 400 bilhões em 2003, em US$ 412 bilhões em 2004 (sempre encerrado em 31 de setembro) e US$ 319 bilhões em 2005.


O próprio FED previa que este perigoso déficit estaria acima de US$ 423 bilhões em 2006, podendo até atingir US$ 500 bilhões, ou 4 % do PIB de US$ 12,310 trilhões. Curiosamente, este foi também o valor do orçamento militar americano de 2006, fosse por coincidência ou bem a propósito.


Os déficits orçamentários sucessivos alimentam uma dívida pública externa que, ao final de 2006 já se aproximou da impressionante quantia de US$ 9 trilhões. Veja o valor de hoje.


Em 2005, a dívida pública remontava a US$ 7, 9 bilhões, representando 64 % do PIB americano. Somente no ano fiscal de 2005, foram pagos pelo governo americano US$ 352 bilhões de juros aos detentores dos títulos dessa dívida espalhados pelo mundo e sempre assustados com o presente e o futuro da economia americana.


E em fevereiro de 2006, foi ressuscitado o bônus para 30 anos, um título de referência em todo o mundo, que os EUA pararam de emitir em 2001, último ano do Governo Clinton, uma época em que o País apresentava superávits orçamentários anuais.
Tal emissão, a maior de um bônus para 30 anos desde sua criação em 1977, foi de US$ 14 bilhões, a uma rentabilidade anual de 4,53%.



O nível recorde de gastos do governo americano em fevereiro de 2006 inflou o déficit orçamentário dos EUA, que chegou ao novo recorde para um resultado mensal de US$ 119,2 bilhões.


O orçamento acumulado no ano fiscal de 2006, iniciado em outubro de 2005, era de US$ 239,3 bilhões negativos até o mês de julho, o qual teve déficit de apenas US$ 33,2 bilhões. Em junho, houve um saldo positivo de US$ 20,5 bilhões. Isso remete a uma pequena melhoria da situação, podendo somente repetir-se os números de 2005.


DÉFICIT COMERCIAL (TRADE)


Outro alerta vital são os sempre crescentes déficits comerciais mais altos da história, como o registrado em maio de 2004, de US$ 46,9 bilhões. Só com tal notícia, o EURO subiu para US$ 1,19 naquele mês.


Em  junho de 2004, o déficit comercial saltou para US$ 56,8 bilhões em um único mês e o Euro já tinha ultrapassado US$ 1,23. Suas compras mensais ficaram em US$ 148,6 bilhões, o maior nível desde novembro de 2002. As exportações caíram para fortemente para US$ 92,8 bilhões, menor nível desde setembro de 2001.


Antes disso, dizia-se que se os EUA não contivessem suas importações, deveria chegar a compras mensais de US$ 150 bilhões e vendas de apenas US$ 100 bilhões, com um déficit comercial anualizado em insustentáveis US$ 600 bilhões.


Pois bem, segundo o Departamento de Comércio, o déficit comercial dos EUA em 2004 foi de US$ 617,6 bilhões (5,3 % do PIB), bem acima do resultado também recorde de 2003, que chegou a US$ 496,5 bilhões (4,6 % do PIB). Até outubro de 2004, o déficit fora de U$ 500,5 bilhões, já superando o de todo o ano anterior. 


O resultado foi ainda pior em 2005, pois o déficit comercial anual fechado em setembro (ano fiscal) foi de US$ 707,4 bilhões (+ 15 %).


De janeiro a dezembro de 2005, o déficit comercial americano foi de US$ 723,6 bilhões (mais 17,1 % que em 2004). As importações subiram 12,9 %, para o total recorde de US$ 2 trilhões, ofuscado o crescimento de 5,7 % na exportações, que ficaram em US$ 1,27 trilhão.


No primeiro semestre de 2006, os EUA acumularam um déficit comercial de US$ 383,9 bilhões, que é 12,8 % maior que o de US$ 340,2 bilhões do mesmo período do ano anterior. O déficit de junho foi de US$ 64,8 bilhões, com importações recordes de US$ 185,5 bilhões e exportações maiores de US$ 120,7 bilhões.


O recorde de déficit ocorreu em agosto de 2006, com US$ 68,5 bilhões. Já em outubro, o déficit caíra para US$ 58,87 bilhões, abaixo ainda do de US$ 64,26 bilhões de setembro. Ainda em outubro, as importações recuavam 2,7 %, para US$ 182,49 bilhões, enquanto as exportações cresciam 0,2 %, para US$ 123,63 bilhões.


Como tal queda deveu-se a uma conjuntural redução nas cotações do petróleo, o quadro ainda indica fortemente que uma grande crise está para explodir, talvez em 2008. Ao longo de 2007, os déficits mensais continuaram em um patamar próximo a US$ 60 bilhões. Em 2008, ano da grande crise e enorme queda do Dólar, pouco do déficit vem mudando.




MAIORES DÉFICITS COMERCIAIS
DOS EUA EM 2006
US$ BILHÕES


PAÍS
US$ BI
China 232,5
Japão
88,4
Canadá
72,8
México
64,1
Alemanha
47,8



DÉFICIT DA BALANÇA DE
PAGAMENTOS DOS EUA
US$ BILHÕES


ANO
US$ BI
VAR. %
2001
389
-
2002
472
+ 21,3
2003
528
+ 11,9
2004
665
+ 25,9
2005
792
+ 19,1
2006
857
+ 8,2

A Balança de Pagamentos registra todas as transações econômicas e financeiras
de um País com outros do mundo. Compreende a conta corrente (movimento
de mercadorias e serviços, como fretes, seguros, viagens, remessas de
lucros e juros) e o movimento de capitais (deslocamento de
moeda, créditos e títulos representativos de investimentos).



O DÓLAR FRACO


Enquanto isso, o Dólar continua a ser ainda mais desvalorizado frente a muitas moedas, inclusive o Real, que poderá vir a valer menos de R$ 1,50 por Dólar no final de 2008. Ao se confirmar uma recessão americana ainda mais forte, tal patamar pode ser largamente rebaixado.



DÓLAR MÉDIO ANUAL
2004 a 2008



ANO
R$
VAR. %
2004
2,92
-
2005
2,43
- 16,8 %
2006
2,16
- 11,1 %
2007 *
1,95
- 9,7 %
2008 **
1,60
- 17,9 %

(*) Previsão do ECONOMIA BR em maio, julho e outubro de 2007.

(**) Previsão do ECONOMIA BR em julho de 2007.



Com isso, deveria ter havido ao longo do tempo menor déficit comercial dos EUA. Conclui-se que eles não são mais competitivos no mundo atual e a situação só tende a piorar, em parte pela realimentação contínua de sua grave crise interna, em parte pela contínua alta do petróleo, e em parte por movimentos de suas próprias corporações que produzem pelo mundo, especialmente na Ásia. Dezenas de grandes empresas americanas fazem parte da ameaça comercail chinesa por todo o mundo.


Assim, tal situação poderá tornar-se insustentável quando ou se, em algum momento, o mundo retirar seus investimentos em Dólar, por mais difícil que pudesse parecer há algum tempo. Tanto que Rússia e China já anunciaram há tempos que estariam trocando aos poucos suas reservas de Dólares para Euros e Ienes. Com a quebra do Bear Sterns (absorvido pelo JP Morgan) em março de 2008, tudo passou a ser possível.


Nenhum País representa para os EUA a solução e a ameaça quanto a China representa hoje. Sabe-se que o déficit comercial americano com a China é maior que com a UE e tende a crescer, pois o Iuan chinês ainda é basicamente fixo frente ao Dólar por política de governo. Acredita-se que ainda esteja, artificialmente, subvalorizado em quase 40 % frente ao Dólar.


Embora
bastante pressionada a mudar sua eterna cotação de 8,28 Iuanes por U$ 1 (o Iuane está subvalorizado em 57 %), a China mantinha-se impassível. Entende-se : seu superávit comercial com os EUA em 2004 foi de impressionantes US$ 162 bilhões (30,6 % superior ao de 2003) e de US$ 201,6 bilhões em 2005 (mais 24 %).


Até setembro de 2006, o déficit com a China já havia superado o resultado de todo o ano anterior em impressionantes 10 %, com um total acumulado no ano de US$ 221,7 bilhões, contra os US$ 201,6 bilhões de 2005.


No dia 21 de julho de 2005, terminou o congelamento do Iuan imposto pelo governo chinês, sendo a moeda imediatamente apreciada para 8,11 Iuanes por Dólar. Em maio, a China já passara a aceitar fazer negócios com oito diferentes moedas, mas não mexera nas cotações.


Os EUA encontram-se extremamente alavancados com massivas aplicações estrangeiras - boa parte chinesas - em bônus do seu Tesouro.


A catástrofe americana já é inevitável.

E a China irá junto ?


Sim, e mais Japão, Coréia do Sul e Reino Unido serão devastados, economicamente. Os 4 Países detêm sozinhos 50 % - U$ 1,5 trilhão - dos títulos do Tesouro americano.


Se apenas a China - ou mesmo o Japão - trocasse por Euros as suas reservas em Dólares, os EUA já estariam indo direto à falência. Nenhum destes 4 Países acima tomará essa medida, pois ela levará o mundo todo a um caos financeiro ao qual ninguém sobreviverá.


Mas já existem anúncios semelhantes de governantes com Hugo Chavez, da Venezuela, rica em petróleo e, óbvio, do declarado inimigo Irã.


O Presidente do Instituto de Estratégia Econômica de Washington, Clyde Prestowitz, ex-conselheiro do Presidente Reagan, advertiu quanto a um pânico financeiro mundial que poderia ser deflagrado pela repentina venda maciça de Dólares e de títulos do Tesouro Americano, em Dólares.


Segundo sua entrevista ao jornal "The Australian", de 29 de agosto de 2005 :

"se isso acontecer, fará a Grande Depressão

dos anos 30 parecer um piquenique."


Ou seja, com a atual e maior desvalorização do Dólar frente aos seus maiores exportadores (estimulada pelo governo Bush para exportar mais e conter as compras), como China, Coréia do Sul, Japão e Alemanha ( do mundo), a demanda mundial pelos títulos do Tesouro americano pode simplesmente acabar e virar uma "corrida" por vendas a qualquer preço.


E isso pode ocorrer mesmo com um fantástico aumentos dos juros básicos (como na crise de 1979), estourando de vez a confiança, o déficit fiscal americano e podendo até levar a economia mundial junto e, em especial, a chinesa.


Com a quebra do Bear Sterns (absorvido pelo JP Morgan) em março de 2008, o FED precisou continuar a baixar juros, o que também pode levar a vendas maciças de títulos do Tesouro americano (baixo valor do Dólar e baixos juros), pois a confiança neles não pode ser mais a mesma de antigamente.


O
FMI informa que o Dólar já teve perda real de bem mais de 50 % desde 2001. Portanto, esse parece ser um processo  inexorável e tempestuoso. Porque uma perda de cada 10 % no valor da moeda vinha levando a uma melhora de apenas 0,5 % na balança comercial americana - em pouco mais de 5 anos. Isso é um resultado insignificante para um remédio tão forte.


Para onde vai o Dólar ?

Inexoravelmente, para o colapso !



Ressalte-se que o volume de Dólares em bancos estrangeiros e/ou circulando no mercado mundial supera US$ 44 trilhões. Isto significa quase 4 vezes o PIB dos EUA ou 2 vezes o PIB dos EUA e de toda a União Européia juntos. Somente nos EUA, a riqueza atual de todas as famílias em 2007 é calculada por volta de US$ 40 trilhões.


A simples volta da elevação das cotações do petróleo estão conduzindo o consumidor americano para longe das compras - mais inflação e maiores juros futuros, uma séria conseqüência, dado que 2/3 do PIB dos EUA são baseados nos gastos desse consumidor já alta e extremamente financiado pelo sistema a juros flutuantes.



One Dollar Biill

Frente da Nota de 1 Dólar em tamanho reduzido.



A previsão inicial de déficit orçamentário de até US$ 500 bilhões está a caminho de ser muito maior, pois o próprio então e venerável Presidente do FED - Alan Greenspan - anunciou em abril de 2005 que a situação do déficit federal ficará ainda mais séria se considerados as quase 80 milhões de pessoas da geração dos "baby boomers" - a geração de norte-americanos nascidos entre 1946 e 1964, que estão começando a se aposentar em massa.


O CUSTO DA GUERRA


A crise pode agravar-se com a continuidade do corte de impostos
de US$ 350 bilhões nos próximos dez anos somente para as camadas superiores, e mais ainda com o aumento do orçamento militar para US$ 500 bilhões anuais ou até mais, e isso sem considerar envolvimentos militares maiores que o já pesado do Iraque & Afeganistão, que tem custado mais de US$ 6 bilhões a cada mês (US$ 74 bilhões em 2006).



(Clique para ampliação)

F-117

Um esquadrão de caças-bombardeiros furtivos F-117, os lendários
Nighthawk, tidos como invisíveis aos radares inimigos.
Eram um perfeito exemplo do poderio militar
como também de excessivo orçamento.
(Foto USAF)




O Pentágono revelou em novembro de 2004 que o Exército com 110.000 homens gastava US$ 4,7 bilhões, a Força Aérea US$ 800 milhões, os Marines mais US$ 300 milhões, e a Marinha devia gastar mais de US$ 200 milhões ao mês. Isso já somava uma espantosa cifra de US$ 6 bilhões ao mês em 2004, mas era somente o início.


Em uma base anual, o custo da guerra estava próximo de U$ 70 bilhões somente para os EUA, mas em abril de 2005, houve um pedido emergencial de US$ 75,9 bilhões, aprovado pelo Senado em maio.


Sabe-se que até meados de 2005, os EUA teriam limpado suas reservas em US$ 200 bilhões com essas duas guerras. A data de 20 de março de 2006 significou 3 anos de invasão do Iraque, período em que os EUA gastaram US$ 254 bilhões em suas operações e perderam 2,3 mil soldados.


Por volta de 2008, esse processo acumulado deverá facilmente ultrapassar US$ 500 bilhões.



Isso porque verifica-se uma terrível escalada de custos no Iraque. No início de 2003, estimava-se um custo mensal de U$ 2,2 bilhões. Em julho de 2003, já se falava de U$ 3,9 bilhões. E em julho de 2004, o Pentágono prometia estar gastando U$ 5 bilhões, mas chegou a US$ 6 bilhões mensais em novembro daquele ano.


Podem estar gastando hoje mais de US$ 12 bilhões ao mês e indo a mais ainda em uma verdadeira escalada de gastos com mais tropas deslocadas, dada a guerra civil que vinha se instalando em 2007 entre Xiitas e Sunitas, desde o enforcamento de Saddam Hussein, um Sunita.


De fato, o Presidente Bush, enviou ao Congresso em fevereiro de 2007 uma proposta orçamentária de US$ 624,6 bilhões destinados a gastos militares, incluindo US$ 145 bilhões para os conflitos no Iraque e no Afeganistão.


A quanto chegará tal valor com uma possível campanha e até mesmo invasão no Irã (Xiita) ? Ultrapassará US$ 1 trilhão ? E qual será o teto com uma invasão terrestre no Irã ?



Enquanto isso, a incrível dívida pública externa dos EUA chegou em março de 2008 a US$ 9,4 trilhões (2 3). Veja o valor de hoje.



Presidente GW Bush

Presidente George W Bush anuncia o fim da Guerra do Iraque, a bordo do CVN 72
USS Abraham Lincoln, voltando para casa, na Costa do Pacífico, em maio de 2003.



Por outro lado, para compensar os crescentes riscos no Oriente Médio, os EUA vêm voltando sua atenção estratégica para a África, pois o Golfo da Guiné detém gigantescas reservas de petróleo, do qual são extremamente dependentes.


Até o final desta década a produção da região deverá atingir mais de 8 milhões de barris ao dia, com destaque para a Nigéria (Muçulmana) e Angola (Língua Portuguesa).



O Seminário Hegemonia e Contra-Hegemonia, chamado de REGGEN 2003, que é uma rede de estudos sociais, políticos e econômicos vinculados à UNESCO, aconteceu no Rio de Janeiro e contou com mais de uma centena de acadêmicos e intelectuais dos EUA, Europa, Ásia e África.


Com o tema "Hegemonia: Ocidente ou Oriente ?", o professor André Gunder Frank, Cientista Social e um dos fundadores da Teoria da Dependência, disse ver sinais de declínio na posição americana no mundo.


Segundo ele, a base do poder dos EUA são a confiança internacional no Dólar e a força militar do Pentágono. "O Dólar é um tigre de papel e a força e a mobilidade do Pentágono é dependente do Dólar.


A desvalorização do Dólar comprometeria a capacidade de os EUA manterem e aumentarem o aparato bélico. Portanto,
seus dois sustentáculos são também seus calcanhares de Aquiles."



O Pentágono

Uma das bases do poder dos EUA é a força militar do Pentágono.



Segundo ele, "quando o Iraque começou a negociar o petróleo em Euros, não em Dólares, em 2000, o Euro começou a se valorizar", disse. Ele argumenta que, caso a OPEP venha a adotar a moeda européia em algum momento, como já foi proposto, o Dólar, automaticamente, perderá seu poder na economia internacional, pondo em cheque a posição do Pentágono.


A ascensão do continente asiático, puxado pelo crescimento político e econômico da CHINA, e o início do processo de declínio da Hegemonia dos EUA foram dois dos consensos de tal Seminário realizado em agosto de 2003.


O aspecto mais interessante no relacionamento entre os EUA e a China são o estrondoso e sempre crescente déficit comercial americano com os chineses e o fato destes serem os maiores detentores dos títulos da dívida pública americana em todo o mundo.


Mas o pior ainda pode estar por vir. Enquanto todos no Ocidente pensam que a China se prepara para a retomada de Taiwan, prometida para ocorrer até 2020, o verdadeiro interesse pode estar mesmo nos territórios dos EUA, do Canadá e da Austrália, para efeito de efetiva colonização de massa.



"Only countries like the United States,
Canada and Australia have the vast land
to serve our need for mass colonization."




(Clique para link)

World War III ?

War Is Not Far from Us and Is the
Midwife of the Chinese Century.





O BRASIL


Os EUA representam o maior e mais sofisticado
mercado consumidor do mundo e o Brasil tem urgência em exportar ao máximo para crescer mais e resolver seus problemas econômicos e sociais. E sua maior força e competitividade estaria no Agronegócio, principalmente nos BIOCOMBUSTÍVEIS.



Lula e Bush no G-8 2003

Presidentes Lula e Bush durante Encontro
do 
G-8 em Evian - Junho de 2003.



A chave para entender a posição do Brasil encontra-se na declaração do então Ministro da Fazenda, Antônio Palocci : "Onde ganhamos em produtividade, queremos que essa vantagem se expresse em comércio. Não podemos esperar pela ALCA."
 
 
Afirmou ainda que "é muito atrasada a postura dos países desenvolvidos de não aceitarem o fato de que os países em desenvolvimento conquistaram um nível de produtividade maior que o deles. Em matéria agroindustrial, o Brasil disputa com vantagem com qualquer País desenvolvido. Não podemos aceitar que os desenvolvidos desprezem esse fato e coloquem barreiras."
 
 
Uma aproximação entre EUA e Brasil é uma negociação difícil, pois envolveria vários interesses, desconfianças e receios de ambos os lados, cada dia crescentes. Contudo, seus benefícios poderiam vir a ser bastante vantajosos a longo prazo para ambos, ainda mais com os EUA em grande crise.
 
 
Uma aliança com os EUA, baseada em mútua vontade política, poderia representar uma nova era de confiança e desenvolvimento com amplos ganhos para o Brasil. Existe um universo de 100.000 empresas brasileiras de todos os tamanhos e setores que já poderiam estar exportando produtos e serviços para os EUA, o maior mercado consumidor mundial.
 
 
Com pragmatismo, poder-se-ia construir uma ALIANÇA madura com confiança e diálogo franco. Para o Brasil, haveria mais responsabilidade na solução de problemas regionais como os da Venezuela, Haiti, Cuba, Equador e narcotráfico.


Em problemas mundiais, haveria uma maior aproximação estratégica e integração entre os dois Países, com o Brasil podendo ocupar espaços deixados por antigos aliados europeus.
 
 
Isso iria requerer novos paradigmas em seus investimentos de Defesa, gerando novas perspectivas em exportações de alto valor agregado, e passando a competir com esses Países.
 
 
A própria EMBRAER tentou adiantar-se e procurou implantar uma fábrica na Flórida para concorrer no mercado de defesa local, aliando-se a Lockheed, tendo vencido a concorrência do ACS para o U.S. Army em 2004. Entretanto, tudo foi cancelado pelos americanos por motivos nunca bem esclarecidos.


Caso algum dia ainda venha a ser negociado ao menos algum acordo comercial que represente o fim das atuais barreiras americanas a incontáveis produtos brasileiros, que já custam perdas anuais superiores a US$ 6 bilhões, o comércio do País com os EUA poderia triplicar para US$ 90 bilhões anuais, de acordo com estimativa do Institute For International Economics (
IIE) (2), de Washington.


Incrivelmente, o Brasil ainda era em 2006 o 15º parceiro comercial dos EUA, até mesmo depois de muitos "nanicos".




O  PROBLEMA DOS EUA COM O BRASIL


Qualquer aliança com os EUA é impossível porque o Brasil sempre encontrou total desconfiança e sempre foi tratado como Nação de 3ª classe por esse País que, assim agindo, somente solidificou e até mesmo está sempre ampliando uma enorme e agora permanente divisão entre ambos, embora nada transpareça em discursos oficiais.


Existe lá um antigo e inabalável dogma político de que o Brasil é um estranho jamais confiável aos seus interesses.


São inúmeras e toda ordem as barreiras encontradas pelo Brasil nas últimas décadas, mesmo tendo sido um aliado na 2ª Guerra Mundial. Por ter ido lutar na Itália contra o Nazismo em nome da democracia, lado a lado com as tropas americanas, o Brasil foi relegado ao mais completo e indesculpável esquecimento, enquanto os EUA investiram enormes fortunas em antes ferozes e escarnecidos inimigos, como a Alemanha e a Itália, através de seu Plano Marshall, conduzindo-os à fantástica riqueza que hoje desfrutam seus povos.


Como barreiras, servem de exemplo gritante aquelas erguidas contra tecnologias sensíveis, como as usadas em foguetes de colocação orbital, satélites e até mesmo na área de meteorologia, como durante muitos anos na compra de supercomputadores.


Uma série imensa de equipamentos e componentes científicos que necessitavam de aquisição externa sempre foi barrada pelo Governo dos EUA sob alegação de uso para fins bélicos.


E quando havia necessidade de importação de material bélico, a desculpa recorrente há décadas era a preocupação de evitar-se um possível desequilíbrio regional, como se a América do Sul não passasse de um simples "quintal" da Casa Branca e o Brasil tivesse péssimas intenções que pudessem atingir os próprios EUA em casa.


Os EUA não confiam em ninguém, nem mesmo em seus mais entusiamados aliados, como a Inglaterra, que encontra-se ainda pensando muito seriamente e encontra-se a um passo sem retorno de desistir do Projeto do JSF, até trocando-o pelo Rafale.


Ocorre que os americanos recusaram-se na última hora a compartilharem sua tecnologia (share technology). Isso significa que se um JSF do Reino Unido necessitar de reparos, esses deverão ser realizados exclusivamente nos EUA.
Suas forças não teriam acesso aos códigos para armar suas aeronaves se eles participassem de missões não aprovadas pelo Pentágono.


A Inglaterra já tornou claro que sem ter sua própria soberania sobre o JSF, consideraria o cancelamento do programa.



Perda de soberania é só parte do preço de aliar-se aos EUA, pois o mais grave é a desconfiança mútua de qualquer mudança ou avanço daquele povo. E se isso acontece com a Inglaterra, berço anglo-saxão e País irmão, como seria com o estranho e indesejável Brasil ?


No campo aeroespacial, o nível de intervenção dos EUA foi ao extremo no final dos anos 80 e começo dos anos 90, quando chegaram a impor ao Brasil embargos comerciais e retaliações pela insistência em manter ativa a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) - atualmente incorporada ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) - que previa a construção da Base de Lançamento de Alcântara, de satélites ambientais e lançadores.


O problema só foi parcialmente contornado após a inclusão brasileira no MTCR em 1995, e a criação da Agência Espacial Brasileira (AEB), em 1994, reforçando o caráter civil das atividades.


Mesmo assim, os EUA exigiam a apresentação de detalhes dos projetos espaciais, principalmente referentes ao VLS. Algo semelhante ao que aconteceu há algum tempo com a unidade de enriquecimento de urânio em Resende (RJ), ou à gritante ingerência que culminou na proibição de vendas de aviões da Embraer à Venezuela, pois possuíam alguma tecnologia americana a bordo (isso hoje já foi bastante reduzido).


Com os atrasos constantes no cronograma do VLS, o Comando da Aeronáutica chegou a adquirir sucatas de mísseis do parque bélico da extinta União Soviética para estudar sistemas de guiagem e malha pirotécnica entre outros elementos do foguete, aos quais os técnicos do CTA não tinham acesso pelas vias convencionais de aquisição. A pressão americana era impossível de ser superada.


A saída do Brasil foi afastar-se dos EUA e aproximar-se de Países como a Rússia, que também é signatária do MTCR, e da França.


Dessa maneira, o Governo Brasileiro tem conseguido estabelecer parcerias técnico-científicas de grande eficácia, com menor volume de investimento em direção à sua independência tecnológica, e sem mais acréscimos à eterna desconfiança e à má vontade de terceiros, que cada dia mais se afastam.


"O mais estratégico dos recursos para
a sobrevivência na guerra do Século XXI
é a tecnologia inovadora, que precisa ser
dominada a todo custo, evitando-se
dependências de terceiros."



Do Departamento de Estado, em Washington, só se vêem 2 Governos muitos amigos: Colômbia e El Salvador. Com outros, como Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, que têm Governos da esquerda clássica, há boas relações, mas jamais uma sintonia.


O resto se divide entre os que têm Governos populistas — hostis, como o de Hugo Chávez, na Venezuela, e Evo Morales, na Bolívia — os que poderiam passar a ter, como Peru e México, e os que já têm desde 2006, como Equador e Nicarágua. A Argentina dos Kirchner também entrou neste grupo em 2007.


Com mais de 500 milhões de habitantes, 60 % das pessoas na América Latina têm uma visão negativa dos EUA; e só 34 % confiam na liderança de Washington, segundo o Latinobarómetro. A visão positiva dos EUA no Brasil passou de 56 % no ano 2000 para 34 % em 2003, segundo o Pew Center.


Nos anos 60, encontrava-se vários Governos da região com sentimentos antiamericanos. Hoje, isso já ocorre com grandes faixas de todas as populações do continente. De quem será a culpa ?



"Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas externos, que vendam suas riquezas, seus territórios e suas fábricas". Margareth Thatcher (Primeira-Ministra do Reino Unido, 1983)

"Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós. Oferecemos o perdão da dívida externa em troca da floresta". Al Gore (Vice-Presidente dos EUA, 1989)

"O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia". François Mitterrand (Presidente  da França, 1989)

"O Brasil deve delegar parte dos seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes". Gorbachev (Último Presidente da URSS, 1992)

"Caso o Brasil resolva fazer uso da Amazônia, pondo em risco o meio ambiente nos Estados Unidos, temos que estar prontos para interromper este processo imediatamente". General Patrick Hugles (Diretor da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, 1998)

"A floresta amazônica e as demais florestas tropicais do planeta deveriam ser consideradas “bens públicos mundiais” e submetidas a uma gestão coletiva pela comunidade internacional". Pascal Lamy (Comissário de Comércio da União Européia, 2005).

“Obviamente, existem problemas de soberania, mas o desmatamento é um assunto enorme... e qualquer plano, mesmo que seja radical, é digno de ser avaliado”.
David Miliband (Ministro do Meio Ambiente do Reino Unido, 2006)


n


É dito que, graças ao "Fator Chávez" e sua crescente aproximação militar com a Rússia, diplomatas americanos fizeram chegar ao governo brasileiro, sinalizações de que Washington não reagiria bem a uma eventual escolha russa no Programa FX-2, ainda em 2008.


A pressão teria sido velada, incluindo no rol de retaliações hipotéticas limitações de fornecimento tecnológico a empresas brasileiras como a Embraer.



 
REUNIÃO DE CÚPULA DE 2003
 
 
Em 20 de junho de 2003, os dois Presidentes e suas equipes ministeriais encontraram-se na Casa Branca, em Washington, em uma inédita REUNIÃO DE CÚPULA.


Na época, este foi considerado o mais importante encontro governamental entre os dois Países desde a 2ª GM, quando o Presidente Frank D. Roosevelt conseguiu que o Brasil participasse ativamente dos esforços de guerra.
 
 
Foram agendadas sucessivas reuniões entre as diversas equipes formadas para tratarem de muitos assuntos de cooperação, não somente comércio, conforme Comunicado Conjunto dos dois Governos.



Lula e Bush no Salão Oval da Casa Branca

Presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva com a Imprensa no
Salão Oval da Casa Branca em 20 de junho de 2003. "Este é o nosso terceiro encontro.
Isso mostra o quão importante é o nosso relacionamento" disse Bush.
(Foto Paul Morse -
White House)



"Eu acredito que podemos
surpreender o mundo com a
relação Estados Unidos -  Brasil".
(disse Lula ao lado de Bush)



 
Esperava-se que tal visita representasse o fim de uma era difícil entre os dois Países e o início de uma nova era "baseada na sinceridade entre as pessoas e na confiabilidade entre os seus dirigentes", conforme afirmou o Presidente Lula à época, o que certamente não foi bem sucedido com o tempo, pelo menos em sua gestão.



Bush e Lula Jardins Casa Branca

Presidentes Bush e Lula passeiam entre as colunas
do "Rose Garden" em 20 de junho de 2003.
(Foto Paul Morse - White House)



(Clique na foto abaixo para ver imagem gigante da Reunião)


Reunião de trabalho ministerial em 20 de junho de 2003 comandada
pelos Presidentes Bush e Lula da Silva na Casa Branca.
(Foto Ricardo Stucker - ABr)




VISITA A BRASÍLIA EM 2005


O Presidente Bush visitou Brasília nos dias 5 e 6 de novembro de 2005. Fora o sucesso habitual do Air Force One (AFO) e de um churrasco oferecido pelo Presidente Lula na Granja do Torto, nenhum avanço nas relações bilaterais ocorreu (ver Meeting e Joint Statement).



Bush Brasília 2005

Chegada do Casal Presidencial em Brasília em 5 de novembro de 2005.
Vindo atrás, a Secretária de Estado Condoleeza Rice.
(Foto Wilson Dias - ABr 133.387)



Lula e Bush Brasília 2005

Declaração oficial à imprensa na Residência Oficial
do Torto, Brasília, 6 de novembro de 2005.
(Foto Ricardo Stuckert - PR - ABr 133.670)



Bush Brasília 2005

"Reunião" informal na Residência Oficial
do Torto, Brasília, 6 de novembro de 2005.
(Foto Paul Morse - White House 20051106-1_f1g1189-1)




OS BIOCOMBUSTÍVEIS


O Presidente Lula e o Presidente Bush encontraram-se em São Paulo, no dia 9 de março de 2007, quando foi assinado um Memorando Bilateral sobre cooperação em BIOCOMBUSTÍVEIS, que foi o início oficial de uma então incipiente parceria político-comercial entre os dois Governos.



Memorando dos Biocombustíveis - 2007

Assinatura do Memorando de Cooperação em Biocombustíveis entre a
Secretaria de Estado Condoleeza Rice e o Ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, em São Paulo, 9 de março de 2007.
(Foto Wilson Dias - ABr - 1420WDO1120)



Esse acordo bilateral pretendeu melhorar a cooperação em biocombustíveis no setor privado, promover o uso de ETANOL na região e começar a transformá-lo em uma commodity global, com a devida padronização técnica.


Bush, que
visitou o Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México, de 8 a 14 de março, veio propor uma iniciativa conjunta de novo mercado global do ETANOL, a fim de beneficiar o Hemisfério Ocidental e significar uma interessante oportunidade econômica para ambos.


Em 31 de março de 2007, Lula visitou Bush na casa de campo presidencial de Camp David, Maryland, sem mais anúncios de peso, mas com 4 horas de conversações ininterruptas (Declaração Conjunta e Transcrição da entrevista coletiva com vídeo).



Lula em Camp David com Bush

Lula é recebido pelo casal Bush em Camp David, 31 de março de 2007.
(Foto Ricardo Stuckert - PR - ABr 31032007G00001)



Lula Camp David com Bush

Outro ângulo da recepção do casal Bush a Lula
em Camp David, 31
de março de 2007.
(Foto Eric Draper - White House 20070331-3_d-0275-515h)



O que também passou por uma convocação do Brasil para uma guerra de economia dos americanos contra Venezuela e Irã, tratou-se mais de uma inédita iniciativa pan-americana em torno do ETANOL.


O Brasil deverá acrescentar outros BIOCOMBUSTÍVEIS como o BIODIESEL e o BIOQUEROSENE de aviação nessa nova equação
(ver BIOCOMBUSTÍVEIS no site ECONOMIA BR).


Em 2006, o Brasil produzia em torno de 18 bilhões de litros de álcool ao ano. Para suprir a demanda americana, seriam necessários mais 130 bilhões de litros. Seria necessário aumentar a produção 8,22 vezes, ou 722 %, para 148 bilhões de litros ao ano.



PROUÇÃO DE ETANOL
EM 2006
BILHÕES DE LITROS

PAÍS
BL
%
EUA
18,5
-
Brasil
17,4
-
Sub-Total
35,9
70
Outros
15,4
30
Total
51,3
100




Os EUA precisam, com urgência, diversificar suas fontes de energia e tornarem-se menos dependentes do explosivamente caro petróleo. Além disso, pretendem minar as economias contrárias à sua por meio de investimentos nessas novas formas de energia, excelentes ferramentas para o desaquecimento global, assunto que há tempos aguardava uma devida atenção de seu Governo.



Lula, Bush e o Etanol

Presidentes Lula e Bush examinam mudas de cana-de-açúcar,
utilizada na produção de etanol,
no Terminal da Transpetro
de Guarulhos, São Paulo, 9 de março de 2007.
(Foto Ricardo Stuckert - PR - ABr 1611RS03)



E o Brasil, exemplo mundial em combustíveis alternativos, por conta do sucesso de 30 anos do álcool, tornou-se assim um remoto aliado "preferencial" da Casa Branca, cujo objetivo é reduzir o consumo de gasolina em 20 % nos próximos 10 anos. Frutos políticos conjuntos também crescerão frente ao mundo ao diminuírem a agressão ao meio ambiente.


Ressalte-se aqui que os Países dito mais ricos são responsáveis pela emissão de 70 % do gás carbônico no planeta - 25 % só pelos EUA, enquanto tentam de todas as formas incriminar o Brasil pela destruição da Amazônia.


Isso ocorre sabendo-se que a Europa inteira tem hoje apenas 0,3 % da mata que tinha há 8 mil anos atrás, enquanto o Brasil tem 69 %. A América do Norte toda tem 32 % somente por causa do reflorestamento do Canadá para produzir papel e celulose, o que não os absolve do histórico crime ambiental.



ETANOL - ENTRE A TAXAÇÃO E A PARCERIA


Há algum tempo, o congresso americano impôs tarifa de US$ 0,54 por cada galão - ou US$ 0,14 por litro - de etanol importado, para tentar reduzir a penetração do álcool brasileiro no mercado local.


Enquanto no Brasil, gasta-se 1 litro de diesel para produzir 8 litros de etanol à base de cana, nos EUA é necessário gastar mais que um litro de gasolina para fertilizar, colher, transportar, processar e destilar milho suficiente para produzir
UM ÚNICO LITRO DE ETANOL. Como no caso de grãos, eles subsidiam pesadamente esse etanol à base de milho.


É assim que hoje já produzem mais etanol que o Brasil (23 bl ao ano em 2007), por caminhos errados de equações que não fecham e com claras conseqüências futuras nefastas, por poluírem ainda mais o planeta para protegerem seus agricultores não-competitivos, tentando evitar uma grande invasão de gente do campo às suas grandes cidades.



O limite teórico nos EUA é de 55 bl, a fim de não abalar de vez a oferta de milho para alimentação. Toda a sua necessidade acima disso terá que ser importada. Entretanto, tal dependência dos EUA poderá um dia ser minorada com o advento do
ETANOL CELULÓSICO, desde que eles consigam competir comercialmente com o Brasil também neste campo.


Estima-se que a quebra da celulose da palha de milho nos EUA tenha um custo em US$ 2.50 por galão, enquanto o Brasil já tem hoje um custo de apenas US$ 1.00 por galão, usando a cana-de-açúcar.
Como um parece então precisar do outro, resolveram aproximar-se e apostar em uma tímida parceria de desenvolvimento conjunto.


Além desse ponto, com uma difícil nova disposição do Departamento de Estado em relação ao Brasil, os EUA poderiam alcançar grandes benefícios de forma bem mais dinâmica, começando por uma maior abertura do mercado americano aos biocombustíveis brasileiros.


Entretanto, o mais significativo será o Brasil e os EUA
introduzirem e liderarem um movimento para espalhar e aprofundar o desenvolvimento de BIOCOMBUSTÍVEIS no Hemisfério Ocidental, visando fornecerem-nos a todo o planeta.


Com esse movimento, o Brasil e os EUA teriam em mãos uma inédita oportunidade de formarem uma PARCERIA ESTRATÉGICA para enfrentarem e vencerem os dois maiores desafios deste hemisfério: a insegurança energética e a pobreza.



Lula, Bush e os Biocombustíveis

Presidentes Lula e Bush após discurso sobre produção de biodiesel e etanol,
no Terminal da Transpetro de Guarulhos, São Paulo, 9 de março de 2007.
(Foto Ricardo Stuckert - PR - ABr 09032007G00002)



De início, planejam criar juntos projetos-piloto em Países da América Central, usando a comprovada tecnologia brasileira e empregando financiamentos americanos.


A médio prazo, os dois podem ser mais ambiciosos e vir a lançar um programa conjunto de investimentos, treinamento e pesquisa para criar capacidade de produção de biocombustíveis em toda a região e até mesmo na necessitada África.


Um programa de investimentos de grande porte poderá criar um forte mercado produtor de biocombustíveis no Hemisfério Ocidental, que estará criando emprego e renda, aumentará a segurança energética, e conseguirá avançar muito ainda na proteção ao meio ambiente mundial.


Entretanto, o primeiríssimo movimento brasileiro neste assunto deverá ser antes de tudo procurar entrar com força no mercado americano.


Para tanto, será fundamental fazer reverter a taxação atual às importações de etanol brasileiro, baseando-se no fato de que os BIOCOMBUSTÍVEIS como o etanol não podem mais ser olhados como simples produtos agrícolas concorrentes, mas como importantes commodities energéticas, das quais os EUA já têm hoje uma imensa necessidade estratégica e ambiental.


Se esse foco no mercado americano prevalecer, o Brasil deveria colocar como condição absoluta de somente seguir com qualquer acordo ou parceria com os EUA em prol do etanol se estes se comprometessem com o rápido fim da produção de seus veículos com motores de consumo elevado, como o
Hummer, de poderosa ineficiência energética e extremamente poluidores.


A frota americana atual é de quase 230 milhões de veículos, sendo que a grande maioria faz somente 5 km/litro, verdadeiras carroças poluidoras.




O milho necessário para produzir o álcool
que abastece o tanque de uma picape
americana seria suficiente para alimentar
um indivíduo durante um ano inteiro.




Por outro lado, poderia ser instituído pelo Brasil uma taxa de exportação do etanol para os EUA, que declinaria anualmente com o sucesso do compromisso de produção de veículos de baixo consumo.


Se nada disso for feito, serão inválidos quaisquer esforços para salvar aquele mercado altamente gastador e poluidor, o qual permanecerá dependente do instável e sempre ameaçador Oriente Médio e demais ditaduras modernas.


"Estamos comprando a corda que
será usada para nos enforcar !"



Foi o que disse o ex-diretor da CIA, James Woolsey, quando se referia a uma hoje já consagrada percepção de que seria obrigação dos americanos economizar petróleo e assim evitar colocar cada vez mais dinheiro agora escasso nas mãos de extremistas islâmicos (via Iraque, Irã e Arábia Saudita) e autoritarismos de plantão, como ocorre com a Venezuela de Chávez e a Rússia de Putin.


Este último demonstra estar cada dia mais envolvido com a Nova Guerra Fria.
Segundo Thomas L. Friedman, em recente artigo no New York Times:


"Se continuarmos financiando essa
turma com a compra de petróleo, eles
vão remodelar o mundo com seus valores."




BIOCOMBUSTÍVEIS - FOCO NO BRASIL E NO MUNDO


O foco estratégico mais interessante ao Brasil seria simplesmente contornar o mercado interno americano e ir muito além dessa pretensa e enganosa parceria. Seria como o Brasil procurar remodelar o mundo com seus biocombustíveis e se alavancar como a China.


A idéia seria somente produzir e usar veículos econômicos movidos a biocombustíveis no mercado brasileiro e exportar para o mundo inteiro os excedentes dos biocombustíveis e, acima de tudo, todo o petróleo - essencialmente refinado na forma de gasolina já misturada com álcool - que o País pudesse produzir (hoje acima de 2 mb ao dia).


O Brasil passaria a ganhar muito em pelo menos 5 (cinco) Frentes Estratégicas, a saber :


     g  Primeira Frente : estaria vendendo o produto mais caro e
          disputado, que é o petróleo;


     g  Segunda Frente : beneficiaria toda essa energia rara aqui mesmo;

     g  Terceira Frente : exportaria seu álcool à vontade, criando
          enormes dependências estratégicas espalhadas pelo mundo inteiro;


     g  Quarta Frente : vincularia todo esse comércio a uma cota de
          exportações de veículos econômicos produzidos localmente
          por capitais crescentemente nacionais; e


     g  Quinta Frente, mas não menos importante : estaria prorizando
          limpar e preservar seu próprio meio-ambiente antes de pensar
          no meio-ambiente daqueles que nunca se importaram com isso
          e muito menos com o Brasil.



Estima-se que, em 2025, a demanda mundial por gasolina atinja 2 TRILHÕES DE LITROS, contra mais de 1,2 trilhão, atualmente.



NOVAS ÁREAS PARA O ETANOL

MILHÕES DE HECTARES


REGIÃO
MH
MATO GROSSO
 85
AMAZÔNIA
5
NORDESTE
100
OUTROS
20
PASTAGENS
90
TOTAL
300



Tendo 300 mh de novas áreas disponíveis para plantações de cana-de-açúcar, o Brasil poderia produzir esses hoje quase impensáveis 2 TRILHÕES DE LITROS DE ETANOL, com uma média de 6,67 mil litros por hectare.


Esse volume atenderia às necessidades do mundo. 
Seriam 12,6 bilhões de barris anuais que, a apenas US$ 200,00, valeriam espantosos US$ 2,52 trilhões.



E ainda sequer está sendo considerado o etanol celulósico, que é obtido a partir da celulose
de resíduos da agricultura. Ele promete
render até 3 vezes mais etanol que o obtido
com a cana-de-açúcar e deverá revolucionar
o campo e a energia do futuro.




Tirando os EUA, que poderão representar 41 % desse total, restará ainda 1,18 trilhão de litros (7,4 bilhões de barris anuais) para atender a 100 % do restante da demanda mundial. Para tal, a área plantada deverá ser de 177 milhões de hectares, com essa mesma média de 6,67 mil litros por hectare.



NOVAS ÁREAS PARA O ETANOL

EM 177
MILHÕES DE HECTARES


REGIÃO
MH
MATO GROSSO
 37
AMAZÔNIA
-
NORDESTE
70
OUTROS
10
PASTAGENS
60
TOTAL
177



Ressalte-se que somente o mercado interno do Brasil significará 3 % do mercado mundial em 2025, devendo estar consumindo por volta de 60 bl ao ano (3,3 vezes toda sua produção atual).


Parece ser muito mais lucrativo e muito menos arriscado investir nos 50 mais importantes mercados do mundo do que apenas no americano, que é inseguro, reconhecidamente temperamental e de futuro econômico mais incerto e perigoso a cada ano, além de jamais ter se mostrado confiável ao Brasil.


De fato, em 2007, o Governo Brasileiro passou a desenvolver um plano de expansão da produção de etanol  para exportação a nível global. O plano teve início com uma pesquisa da Unicamp, que verificou a viabilidade de o etanol brasileiro substituir 10 % da gasolina no mercado mundial, em 20 anos. Tal levantamento indicou que, para o Brasil chegar a essa posição, será necessário investir R$ 20 bilhões anuais em produção e logística.




REPORTAGENS, ENTREVISTAS E LIVROS



1) Artigo de Antônio Gouveia Jr. com uma análise importante no Pós-Guerra do Iraque :

A hegemonia dos EUA pode estar em risco

Artigo de Antônio Gouveia Jr. - Jornalista e Membro do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp
Gazeta Mercantil


2) Em entrevista, Victor Ghebali, analista internacional, afirma que a situação atual é "inquietante". A Organização das Nações Unidas (ONU) nunca passou por uma crise tão profunda como agora e a instabilidade na ordem internacional pode continuar por um bom tempo :

"Os EUA não Querem Aliados, Querem Vassalos. "

Entrevista de Assis Moreira com Victor Ghebaldi - Analista Internacional e
Professor do Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra

Gazeta Mercantil


3) Entrevista com o Cientista Social francês Emmanuel Todd, que divulga seu livro "Depois do Império: a decomposição do sistema americano", e prevê a decadência do Estado americano nos próximos 10 anos :

"Não Vejo um Longo Caminho para os EUA"


Entrevista de Catharina Epprecht com Emmanuel Todd - Cientista Social francês
Jornal do Brasil


4) Livro do controvertido e corajoso escritor e cineasta americano Michael Moore, autor de "Tiros em Columbine" (Oscar de 2003), sobre os EUA e o Governo Bush, dizendo haver algo de errado com a alma dos Americanos : "Dude, Where's My Country ?" :

Web Site de Michael Moore


5) Artigo "Brazil's Perspective on The Global Security Environment and The United States Role in That Environment".

Brazil's Perspective (pdf)

Artigo do Gen Bda Res Álvaro de Souza Pinheiro
Seminário no US Army Training and Doctrine Command - TRADOC - Maio 2004

Defesa Net


6) Livro "Seven Pillars of Wisdom" - Os Sete Pilares da Sabedoria - que vem sendo considerado como um "Manual de Combate" pelas tropas americanas no Iraque, inclusive sob recomendação do alto comando, tanto pelo aspecto das táticas de guerrilha quanto do trato com os árabes.

Seven Pillars of Wisdom

Livro de T. E. Lawrence (1888-1935) - o Legendário Lawrence da Arábia
Publicado pelo "Project Gutenberg of Australia eBooks" a partir de edições  impressas de domínio público naquele País. Favor não ler nos Países em que os direitos autorais forem aplicáveis.
Wes Jones' Readings Page


7) Interessante Editorial do Verão de 2005 de "The Magazine of Future Warfare - G2mil", sobre uma possível invasão do Irã e suas conseqüências.

The Magazine of Future Warfare - On to Iran ?

Carlton Meyer editor@G2mil.com




FONTES & LINKS

Gazeta Mercantil

JB On Line