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LEGISLATIVO E DEFESA



Sessão Solene da Câmara dos Deputados - Junho 2004
Sessão Solene da Câmara dos Deputados, em Brasília - Junho 2004.
(Foto Antônio Cruz - ABr)




Congresso Nacional - Brasília

Vista do Congresso Nacional ao Entardecer.
(Foto Augusto Areal - BrazilFilms)



INTRODUÇÃO

LEI DE CONTROLE DE DEFESA

SENADO FEDERAL

CÂMARA DOS DEPUTADOS

NOVAS INICIATIVAS

TEXTOS DE DEFESA

REPORTAGENS

FONTES & LINKS

MÍDIAS


O DEFESA BR é uma SIMULAÇÃO de tudo que o Brasil
poderia fazer
para manter a soberania sobre suas riquezas
das Amazônias Verde e Azul
com um conservador
Orçamento de Defesa de 1 % do PIB
.




INTRODUÇÃO


Como nos prescreve o Professor Eliézer Rizzo de Oliveira em seu instigante texto abaixo "O Legislativo e a Defesa Nacional", o Legislativo precisa um dia dar um passo à frente para o bem da Defesa Nacional, hoje atrelada a políticas conjunturais e contingenciais de governos desinteressados.


O Legislativo já acertou em organizar Comissões de Alto Nível nas suas duas casas. Porém, elas deveriam contar com a participação externa dos meios militares, industriais e intelectuais, inclusive buscando subsídios com visitas freqüentes às muitas instalações de cada Força, adaptando o que apreendesse em Legislativos de Países com mais tradição nesse tipo de trabalho indispensável e até rotineiro (como nos EUA) em democracias experientes.


Desde 2007, o Legislativo tem mostrado uma franca melhora frente à necessidade de controlar o Executivo na atual situação caótica em que este colocou as Forças Armadas.


Mas é preciso avançar muito mais, até mesmo em direção a um controle mais efetivo sobre esta área. Funcionaria bem desde mostrar e exigir o caminho até construí-lo e assumir suas responsabilidades no que se refere à política de Defesa do Brasil, antes que seja tarde demais, pois as ameaças se multiplicam mundo à fora, em época de crescente escassez e cobiças.



Congresso Nacional - Brasília

Vista do Congresso Nacional ao Amanhecer.
(Foto Agência Câmara)


n


LEI DE CONTROLE DE DEFESA


As Comissões da Câmara e do Senado devem pensar e agir em prol de exercerem um papel de frente
na luta por uma efetiva e tranquilizante Defesa Nacional, reivindicarem mais atribuições e capacitarem-se de fato para tal e em tempo.


Aliadas às
Comissões de Finanças ou montando seus próprios quadros, que prevejam e gerenciem as dotações orçamentárias, elas poderão ter sob seu controle e supervisão todas as atividades militares do País, motivadas pela obediência à Constituição, o que não vem ocorrendo hoje com o Executivo, o qual há anos vem desviando enormes dotações para criar superávi fiscal, deixando o País distante de contar com uma estrutura de Defesa mínima.


Uma futura LEI DE CONTROLE DE DEFESA a ser emanada do Congresso Nacional poderá tornar obrigatório que os Orçamentos de Defesa sejam efetivamente empregados pelo Executivo dentro de planejamento de longo prazo realizado pelo Ministério da Defesa e avalizado pela sociedade.


Seu objetivo será introduzir no Brasil mecanismos inovadores tais que possam trazer benefícios de longo prazo à cadeia produtiva nacional de Defesa e, principalmente, aos organismos militares atuantes na Defesa Nacional, que são o Exército, a Aeronáutica e a Marinha.


No escopo dessa Lei, todos o
s processos de vulto que levem à introdução de atividades militares (como novos efetivos, bases e quartéis) e à aquisição de meios de Defesa (como aeronaves, blindados, navios e submarinos) deverão ser acompanhados e controlados do início ao fim.


Mais que isso, esses processos
advindos do Ministério da Defesa devem ser apreciados, avaliados, autorizados, fiscalizados, monitorados e auditados, em todas as suas fases, desde a concepção de sua necessidade no planejamento militar, passando pela dotação e aplicação orçamentária, e indo até a longa fase de atividade e emprego efetivos.


Esse controle, ou melhor, acompanhamento, será mais eficaz se realizado a partir de duas bases distintas, e atuando sempre em paralelo : ele caberá em parte a Comissões específicas do próprio Congresso Nacional e em parte a um órgão neutro, não atrelado ou subordinado ao Poder Executivo e muito menos ao Poder Legislativo.


Esse órgão neutro deverá ser reconhecidamente competente e independente para intervir desde a fase de planejamento e orçamento, até garantir a continuidade de emprego efetivo de orçamentos e processos, os mais longínquos.


Somente a título de exemplo, ressalte-se que nos EUA, a Comissão das Forças Armadas na Câmara é formada de 45 Deputados, possui mais de 40 técnicos, 7 subcomissões, e gasta mais de US$ 2 milhões por ano em sua forte atuação. A Comissão do Senado possui 15 membros e um corpo técnico de 40 pessoas. Com isso, os EUA dispõem de uma Defesa que funciona mais do que a contento.





SENADO FEDERAL


Possivelmente, essa fundamental tarefa devesse ser planejada e executada pela
CRE - Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal.


A CRE deveria avançar rapidamente para uma nova abordagem estratégica de Defesa, tomando para si a definição de uma nova Política Nacional e seu conseqüente planejamento a partir de novos objetivos, visando às duas primeiras décadas do Século XXI, que englobem Pesquisa & Desenvolvimento Inovadores e grandes projetos industriais nacionais.


Baseado nessa política e em seus objetivos, deveria o Legislativo determinar em lei o montante percentual do Orçamento Federal anual para a área de Defesa.


Porém, sua maior e decisiva contribuição seria até mesmo buscar inovar com uma solução definitiva de NOVAS ORIGENS DE RECURSOS PARA DEFESA, como é proposto e simulado pelo
DEFESA BR.


Deveria ainda instituir com urgência leis e regras GARANTINDO O COMPROMETIMENTO das verbas de Defesa, impedindo cortes e contingenciamentos desastrosos do Executivo, principalmente sobre projetos econstruções de longo prazo.


Este é, basicamente, o exemplo do que ocorre com o há muito tempo pretendido submarino nuclear, que vem sendo longamente arrastado por errados e irresponsáveis cortes de verbas feitos por tecnocratas ignorantes no assunto.


Esse tipo de barbárie já acontece desde seguidos Governos, inclusive e principalmente o atual. Tal bagunça não pode continuar exisitndo em um País que deseje se proclamar como civilizado.


Um avanço nesse ponto será a base fundamental para a necessária alavancagem da economia e de todo o esforço exportador, cujos benefícios se estenderão por todas as áreas, gerando centenas de milhares de empregos, renda e poupança.


Determinará o futuro da Pesquisa Científica e do Desenvolvimento Tecnológico com Inovação no País e, por conseqüência, de sua insubstituível SOBERANIA.



Será a permissão para o início da construção de uma verdadeira rede protetora e dissuasiva contra especuladores de imensuráveis riquezas por todo o território, como na Amazônia, e em Águas Marítimas Jurisdicionais,
a chamada AMAZÔNIA AZUL. Portanto, são DUAS AMAZÔNIAS a serem defendidas prioritária e simultaneamente.



Area Marítima da Amazônia Azul

O Brasil tem 7.491 km de fronteira marítima. Em toda essa extensão, existe
a gigantesca
Área Marítima Jurisdicional que é a soma da Zona Econômica
Exclusiva (ZEE) com a Plataforma
Continental. Juntas representam uma área
econômica brasileira de 4.451.766
km2, que vem a ser maior que a metade
(52 %) do território continental, de
8.511.965 km2. Essa fabulosa Área é
conhecida hoje como a AMAZÔNIA AZUL, estando destacada em
azul claro e escuro no mapa acima.
Os rios da AMAZÔNIA VERDE
(região continental amazônica) também são indicados.

(Arte MB)



Seria melhor o Brasil investir até mesmo 3 % do PIB em Defesa, com PD&I, construção e larga mão-de-obra nacionais do que gastar 0,5 % com importações de equipamentos obsoletos (como os 12 Mirage 2000 C/D da França) e ficar sempre dependente de terceiros (embargos) para qualquer ação, correndo o grave risco de imobilização e conseqüentes perda de soberania, liberdade como Nação e a própria democracia.



Câmara Federal - Plenário
  
Plenário da Câmara Federal.
(Foto Agência Câmara)



Foi divulgado em junho de 2004, que o Senado Federal aprovaria um projeto de lei aumentando em até 250 % os royalties recolhidos pelas mineradoras.


Isso poderia render para o Governo e o Ministério da Defesa uma receita extra de R$ 400 milhões ao ano para uso em investimentos. As alíquotas do ferro e do manganês, matérias-primas do aço, saltariam de 2 % e 3 % para 4 %.


Já o "Acordo de Cooperação no Domínio de Tecnologias Militares de Interesse Mútuo" entre Brasil e Rússia somente teve aprovado o texto do Memorando de Entendimento pela Comissão de Relações Extreriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federal em 1º de setembro 2005 (Projeto de Decreto Legislativo nº 351, de 2005). Ver em Alianças Estratégicas.


Em 2006, a CRE preparou a instalação da Subcomissão Permanente para a Modernização e Reaparelhamento das Forças Armadas Brasileiras, ocorrida de fato somente no dia 5 de julho de 2007.


Em 6 de junho de 2006, o DEFESA BR repassou aos membros do CRE, acima relacionados,
e aos da nova Subcomissão, uma mensagem com a cópia da Carta abaixo, enviada na véspera :



A CRE reuniu-se em 14 de junho de 2007 para ouvir a palestra do General-de-Exército José Benedito de Barros Moreira, assessor especial militar do Ministério da Defesa, sobre a Nova Geopolítica Mundial e Seus Reflexos para o Brasil.


Ainda no âmbito da CRE, O Senador Fernando Collor proferiu um dos mais importantes DISCURSOS na atual legislatura no Senado, em 19 de junho de 2007, quando alertou a Nação para o que denominou de :


“grave situação política do
entorno brasileiro, que inspira
fundada preocupação”.


Existe ainda a possível criação da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Aeronáutica Brasileira, com o objetivo de pressionar o Governo Federal para que a indústria aeronáutica brasileira consiga produzir equipamentos destinados às Forças Armadas. Ela envolveria o Senado e a Câmara (ver mais).


Por recomendação do senador Jayme Campos (DEM-MT), a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) decidiu em 8 de agosto de 2007 pedir explicações ao Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão sobre o que vem sendo feito para evitar as constantes reduções de verbas para reaparelhamento das Forças Armadas.


O senador examinou relatórios sigilosos do Tribunal de Contas da União sobre a situação da Aeronáutica, da Marinha e do Exército e informou à Comissão de Orçamento, em sessão presidida pelo senador José Maranhão (PMDB-PB), que existem situações "verdadeiramente assustadoras" por causa dos contingenciamentos.


A CRE teve audiências públicas entre agosto e outubro de 2007 para ouvir os Comandantes das três Forças Armadas a respeito de suas dificuldades orçamentárias no atual Governo.




CÂMARA DOS DEPUTADOS


Já a CREDN - Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados do Congresso Nacional vem se movimentando desde 2006. Vem realizando debates sobre financiamento de Defesa, que desde a década de 80 sofre contínua perda de espaço econômico no Brasil.


Foi na CREDN que o BNDES informou em 2006 ter passado a operar novas linhas de financiamento que poderiam ser utilizadas pela indústria de Defesa.


Além disso, o Ministério da Defesa informou à Comissão no mês de março de 2006 sobre o projeto de Política Nacional da Indústria de Defesa
(PNID).


Na mesma linha da CRE do Senado, esta Comissão
realizou em 2007 audiências para ouvir os Comandantes das três Forças Armadas sobre seus graves problemas.




NOVAS INICIATIVAS


SUBCOMISSÃO PERMANENTE PARA A MODERNIZAÇÃO
E REAPARELHAMENTO DAS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS


Às 11 horas de 6 de junho de 2006,  a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, instalou a Subcomissão Permanente para a Modernização e Reaparelhamento das Forças Armadas Brasileiras.
A sua primeira reunião somente ocorreu de fato no dia 5 de julho de 2007, já com alteração de membros.


FRENTE PLURISSETORIAL EM DEFESA DAS FORÇAS
ARMADAS BRASILEIRAS



Às 14 horas de 7 de junho de 2006, parlamentares, militares, e representantes de órgãos governamentais e de universidades lançaram a Frente Plurissetorial em Defesa das Forças Armadas Brasileiras, com o objetivo de promover o intercâmbio entre o Parlamento, Forças Armadas, universidades, iniciativa privada e instituições de pesquisas que estimulam a aquisição de conhecimentos científicos e a inovação tecnológica na área de Defesa.


A Frente Plurissetorial em Defesa das Forças Armadas Brasileiras é presidida pelo deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ) e  integrada também por representantes dos ministérios da Defesa, da Ciência e Tecnologia, de Minas e Energia e das Relações Exteriores.


Fazem parte ainda as Escolas de Comando das 3 Forças, Agência Espacial Brasileira (AEB), Escola Superior de Guerra (ESG), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (Aiab), Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa (Abimde), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e Petrobras.


Em 7 de junho de 2006, o DEFESA BR repassou à Frente Plurissetorial em Defesa das Forças Armadas Brasileiras, através de seu presidente, o deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ), uma mensagem com a cópia da Carta abaixo, enviada no dia 5 de junho :



Presidente da Frente : Deputado Alexandre Cardoso
Nome Civil: Alexande Aguiar Cardoso
Aniversário: 3 / 5 - Profissão: Médico
Partido/UF: PSB - RJ - Titular
Gabinete: 205 - Anexo: IV  -
Telefone:(61) 3215-5205 - Fax:(61) 3215-2205
Legislaturas: 95/99 99/03 03/07
Titular das Comissões: CCJC, REFPOLIT, CEALCA, PEC34901,
CEXSAUDE, PEC27200, CEXPENIT, CMO-06, PEC47905.
Suplente das Comissões: CREDN
E-Mail : dep.alexandrecardoso@camara.gov.br
Endereço para correspondência:
Gabinete 205 - Anexo IV
Câmara dos Deputados
Praça dos Três Poderes
70160-900 -
Brasília - DF
  

FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DA INDÚSTRIA AERONÁUTICA BRASILEIRA


A Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Aeronáutica Brasileira está para ser criada e tem o objetivo de pressionar o Governo Federal para que a indústria aeronáutica brasileira consiga produzir equipamentos destinados às Forças Armadas, sendo estes vinculados a planos, programas e projetos de longo prazo, e que "pensem" as necessidades prementes de DEFESA do País (ver mais).


FRENTE PARLAMENTAR DE APOIO ÀS FORÇAS ARMADAS NA AMAZÔNIA


Foi instalada em 27 de maio de 2008, na Câmara Federal, a Frente Parlamentar de Apoio às Forças Armadas na Amazônia, que tem o apoio oficial de Exército, Marinha e Aeronáutica. BRASÍLIA. O evento ocorreu com o plenário repleto de oficiais de alta patente,


A frente é formada, na sua maioria, por parlamentares da Região Norte, que têm discursos contrários à demarcação de terras indígenas e à presença de ONGs na Amazônia. Os 3 comandantes militares não compareceram, mas enviaram representantes graduados à solenidade.


O coordenador da frente é o deputado Édio Lopes (PMDB-RR), contrário à demarcação contínua de Raposa Serra do Sol.




 
TEXTOS DE DEFESA



O LEGISLATIVO E A DEFESA NACIONAL


DEZ DESAFIOS DA DEFESA NACIONAL






O LEGISLATIVO E A DEFESA NACIONAL

Correio Braziliense - DF (2 de maio de 2002)
  


Sem uma especialização temática
e sem comissões
especializadas,
o Legislativo continuará pesando
pouco na defesa nacional.


Eliézer Rizzo de Oliveira



O presidente da República comanda as Forças Armadas e dirige a política externa, havendo pouco a compartilhar com o Poder Legislativo quanto à formulação dos conceitos e objetivos. No caso da defesa nacional, passa-se como se não devesse constar dos grandes temas que compõem a pauta parlamentar.


Convém entender esse quadro e mudá-lo. Vigora entre nós a percepção social da ausência de riscos para a defesa do país, pois não temos vizinhos ameaçadores, não existe corrida armamentista na região e ruiu o sistema da Guerra Fria.


Há quem pergunte para que existem as forças armadas. A resposta cabe ao Executivo e ao Legislativo, que, no entanto, mal incluem a defesa nacional em suas preocupações principais.


Ora, não é preciso um risco concreto para o Brasil manter os  seus instrumentos militares adestrados e adequadamente orientados. Basta olhar o nosso mapa e ver o mundo com os olhos no futuro:


a subsistência da República Federativa do Brasil
pressupõe a existência das forças armadas, nas quais nosso Estado soberano construiu um dos seus pilares mais importantes. O outro pilar é formado pelo conjunto das instituições políticas, estando ambos os pilares amalgamados pelo contrato social que se expressa na Constituição.


Não percebendo perigo para a defesa nacional, os parlamentares ocupam-se de temas mais prementes, aos quais oferecem respostas efetivas (recursos do orçamento) ou simbólicas (políticas); desse modo, criam condições para a sua reeleição, profissionais que são da política.


Pois a defesa nacional raramente elege alguém, e um especialista nesse tema pouco interessará aos partidos, que são destituídos de conhecimento nesse campo. Para dedicar-se à defesa, o parlamentar há que ser mais do que representante da sua região:


        é preciso encarar a dimensão nacional e internacional
do Brasil.


Faltando ao Legislativo uma cultura estratégica (agradeço ao almirante Mário César Flores essa expressão correta), as comissões de defesa nacional (que abrigam relações exteriores) subordinam o tema à segurança pública, que é grave e urgente. No entanto, sem uma especialização temática e sem comissões especializadas, o Legislativo continuará pesando pouco na defesa nacional.

Não basta convocar e reverenciar autoridades militares e o ministro da Defesa. É preciso ao Legislativo ser protagonista, criar fatos políticos, convidar a sociedade, as universidades e os centros de pesquisa até mesmo para assessorá-lo.


Fique à consideração dos parlamentares e partidos algumas sugestões que contribuirão para a ampliação da participação e responsabilidade do Legislativo na temática da Defesa Nacional. Primeira, participar das decisões do emprego militar na segurança pública dos Estados; segunda, participar das revisões da política de defesa nacional; terceira, pressionar o Ministério da Defesa a produzir o livro da defesa nacional; quarta, incluir parlamentares nos conclaves internacionais sobre defesa; quinta, realizar seminários temáticos.


Ainda, visando conhecer a realidade da defesa
nacional, visitar unidades militares, escolas e tropas, inclusive no exterior: em decorrência, o Legislativo votará o orçamento da defesa com conhecimento de causa.


Em suma, se o Legislativo considerar a defesa nacional na sua dimensão estratégica, portanto nacional, ampliará o seu poder nesse domínio. Se não o fizer, permanecerá como poder subalterno.

 

Eliézer Rizzo de Oliveira, professor de Ciência
Política da Unicamp, é pesquisador CNPq-Fapesp.




DEZ DESAFIOS DA DEFESA NACIONAL

29 de agosto de 2005



Escrito pelo Senador Cristovam
Buarque (PT-DF), Presidente da
Comissão de Relações Exteriores
e de Defesa Nacional do Senado.



O problema da Defesa Nacional tem sido visto sobretudo como assunto de segurança militar. De fato, as Forças Armadas são o principal instrumento da defesa de cada país. Mas não é apenas delas que depende a defesa de uma nação.


Por essa razão, quero concentrar minha apresentação sobre outros nove vetores atuais de nossa insegurança, embora iniciando com uma consideração inicial sobre o aspecto militar.



1. VETOR MILITAR


A primeira decisão sobre a defesa de um país é a opção entre dispor ou não de um quadro de Forças Armadas. Há raros países que optaram por não ter sua Defesa Nacional baseada em Forças Armadas próprias, como é o caso da Costa Rica.
A Defesa Nacional fica dependendo de acordos internacionais que assegurem as fronteiras contra ameaças, e a segurança interna com forças policiais.


Essa alternativa é rara, e própria de países pequenos.
Não pode ser o caso do Brasil. Com 7.400 km de litoral, tendo no mar uma das mais importantes fontes de riqueza, especialmente 8,8 % da produção e 90 % das reservas brasileiras conhecidas de petróleo [1], e com o quarto maior espaço aéreo de todo o mundo; fronteiras com dez países; ocupando quase toda a extensão do Atlântico Sul; a maior reserva florestal e hídrica do planeta, os dois recursos mais importantes para o futuro; contendo em seu território a quase totalidade da Amazônia, área que será a mais cobiçada do planeta no futuro, superada atualmente apenas pelas reservas de petróleo, é óbvio que a defesa do Brasil precisa de um forte sistema militar.


Mas a impressão é de que o Brasil ainda não fez a opção de ter Forças Armadas. O tratamento dado às três armas, no que se refere à dimensão de pessoal e equipamentos, em quantidade, qualidade e modernidade, não corresponde às necessidades de um país com as dimensões e o potencial do Brasil.



A Defesa Nacional exige uma clara opção brasileira pela construção de Forças Armadas fortes e modernas. Mas isso não bastará para garanti-la. A falta de opção por Forças Armadas bem armadas é apenas um dos vetores que ameaçam a Defesa Nacional. Pelo menos outros nove vetores são sinais de risco à nossa segurança.




2. VETOR CULTURAL


Está em marcha no mundo um processo de internacionalização cultural, que transcenderá as nações. Esse processo de espalhamento das culturas nacionais sobre as demais é um enriquecimento da humanidade. Mas na forma em que está ocorrendo, a internacionalização cultural provoca duas deformações: a destruição de culturas nacionais e a imposição sobre todo o mundo da cultura de uma única nação e suas semelhantes – a nação européia-norte-americana.


Com essa cultura, chegam hoje valores internacionais que abalam valores nacionais. A população de nosso país começa a perder suas raízes, a pensar sem apego às suas heranças específicas; as lideranças políticas começam a evitar e até a ridicularizar a explicitação do nacionalismo, como se este fosse um conceito antiquado.



Alguns países já adotaram a moeda norte-americana, colocando nas suas cédulas as imagens de líderes que nada dizem respeito à sua história. Outros, de forma mais aceita, unem suas histórias à história vizinha e constroem moedas internacionais. Esse é apenas um exemplo.



A imposição cultural tende a diluir cada país em uma espécie de norte-americanização, uma americoglobalização – com os mesmos padrões de consumo, as mesmas preferências estéticas – que, mais do que ameaçar a Defesa Nacional, a tornaria obsoleta, desnecessária.



Sem medo do enriquecimento da convivência cultural internacional, a Defesa Nacional exige o fortalecimento da cultura nacional, tanto quanto das Forças Armadas. De nada vai adiantar ter Forças Armadas fortes para defender uma nação se o povo pensar como se fosse estrangeiro.



A ocupação subjetiva do espírito nacional é tão ameaçadora à segurança nacional quanto uma ocupação objetiva territorial. Com a diferença de que esta última é visível, reversível, ao passo que a outra é invisível, permanente.



A proteção da nação não deve nem pode ser feita pelo obscurantismo do isolamento contra as culturas internacionais. A cultura precisa ser ao mesmo tempo aberta e protegida: o caminho é a educação básica.




3. VETOR EDUCAÇÃO


Não há uma ciência suficientemente desenvolvida se não houver uma boa educação básica. O Brasil está cada vez menos seguro no mundo, por causa da baixa educação do seu povo.



Cada vez que deixamos uma pessoa analfabeta, perdemos um potencial fundamental da construção do principal recurso do futuro: a ciência e a tecnologia.


Não teremos uma ciência e tecnologia plenamente desenvolvida enquanto jogarmos fora boa parte do nosso potencial intelectual porque não demos escolas a ele. Sem uma boa educação não teremos um país soberano.



No mundo de hoje, um povo sem educação é um povo indefeso. Como ter um sistema nacional de defesa em um país como o Brasil, onde 52% das crianças chegam aos dez anos de idade sem saber ler, apenas um terço terminam o ensino médio, e no máximo 10% deles concluem um ensino médio de qualidade?



Com um quadro desses, o Brasil é obviamente um país indefeso, qualquer que seja a qualidade de suas Forças Armadas. O mais grave é que escondemos esse problema comemorando nossos avanços, que são menores do que os avanços de outros países.



Concorremos conosco e estamos ficando para trás. No atual ritmo de evolução do Brasil e de outros países, a educação de nosso povo está, na média, atrás não só da Argentina, Chile, Uruguai, como já é tradição, mas também do México e, em breve, da Venezuela e da Colômbia.



A construção de uma educação básica forte, que consolide nossos valores culturais desde a primeira infância até o ensino superior, é o caminho para a construção da Defesa Nacional.




4. VETOR CIÊNCIA E TECNOLOGIA


O Brasil não está dando a atenção que deveria, do ponto de vista da segurança nacional, à criação de uma base científica e tecnológica com a competência e com a dinâmica que o mundo moderno demanda. Estamos ficando para trás.



Hoje, evoluímos na ciência e na tecnologia de uma maneira mais lenta do que todos os demais países de porte médio, equivalentes ao Brasil.


Estamos ficando atrás de países que investiram na educação básica, e a partir daí investem pesadamente na área de ciência e tecnologia. Tudo isso está relacionado à segurança nacional, trata-se de defender o País.




5. VETOR APARTAÇÃO


Não é possível ter um país soberano onde parte da população é excluída. No Brasil de hoje, 70 milhões são excluídos do mínimo essencial, e sentem-se e são tratados como habitantes de um outro país, diferente daquela parcela rica.



O Brasil é um país não apenas com desigualdade social, mas com um corte social, uma apartação. A exclusão social impede o país de desenvolver plenamente seu potencial de defesa, e mesmo de justificar a defesa. Não havia como defender a África do Sul quando sua população negra se sentia estrangeira.


Que país soberano é possível construir com 70 milhões de excluídos? Imagine um país em guerra com 70 milhões de excluídos pobres que não conseguem comer o suficiente, que não têm o menor grau de educação.



O quadro de pobreza do Brasil é uma limitação à garantia da nossa Defesa e da nossa soberania. As melhores e mais competentes Forças Armadas não vão conseguir garantir a segurança de um país que tem 70 milhões de pobres no limite da miséria.



A luta pela erradicação da pobreza no Brasil é uma condição necessária para a superação do quadro de profunda deficiência da nossa Defesa Nacional, no mínimo tão importante quanto equipar as Forças Armadas.



A solução dessa apartação, com o acesso de todos os brasileiros a bens e serviços essenciais, é uma condição fundamental para a garantia da defesa e da soberania das nações.



Isso é possível, não por meio do crescimento econômico, mas de políticas públicas que permitam a superação do quadro de apartação da população que vive na pobreza *.




6. VETOR POBREZA



Além de ter uma parcela extremamente pobre, excluída, apartada, o que inviabiliza a nação e impede sua defesa consistente é a pobreza média da sociedade brasileira.


Um país com os recursos naturais, humanos e financeiros do Brasil não tem justificativa para estar em 86º lugar na escala mundial de renda per capita **.


A retomada do crescimento econômico é uma condição fundamental para a Defesa Nacional, não apenas porque decorrerá da adoção dessa medida o fortalecimento das Forças Armadas e a realização dos programas sociais, mas também porque é uma condição necessária para a construção da infra-estrutura, sem a qual a defesa fica impedida.



7. VETOR DESIGUALDADE


Além da apartação e da pobreza, a desigualdade entre as camadas da população brasileira também é um vetor que desestabiliza a segurança nacional.


Em nome da Defesa Nacional, o Brasil precisa de um projeto para, em alguns anos, acabar com a desigualdade que existe hoje. Igualmente grave é a desigualdade regional.


É inaceitável que existam cidades brasileiras com R$ 1.300 de renda mensal per capita e outras com apenas R$ 56.



8. VETOR CIDADES


As grandes cidades do Brasil têm se transformado em verdadeiros campos de batalha. Não é necessário ter um grau muito grande de informação para perceber que temos milícias armadas atuando nos grandes centros.



Não há como reduzir o tamanho dessas cidades mandando de volta os descendentes dos que vieram do campo. E infelizmente ainda não temos clareza do que fazer para transformar as dez maiores cidades brasileiras em locais que promovam e não que ameacem a Defesa Nacional.




9. VETOR RESERVAS NATURAIS


Costumamos tratar o meio ambiente como um problema de militância dos “verdes”. No entanto, não podemos deixar de considerar a importância de recursos naturais estratégicos como a água que bebemos ou o oxigênio que respiramos.



Temos um problema sério na utilização de nossos recursos naturais e não nos preocupamos com nossas reservas para a Defesa Nacional. Ainda menos no que se refere a recursos esgotáveis, como é o caso do petróleo.



Do ponto de vista econômico, é um fato comemorável a auto-suficiência do petróleo, mas no atual ritmo de consumo de nossas reservas, representa uma ameaça à nossa defesa, se considerarmos o risco do esgotamento dentro de poucas décadas, se mantido o mesmo nível de exploração.



O Brasil não está cuidando desses recursos dentro de uma estratégia de longo prazo. Assim, estamos criando uma ameaça à soberania nacional.




10. VETOR CORRUPÇÃO


Há um processo de corrupção generalizada no Brasil e isso ameaça nossa segurança. Mas existem dois tipos de corrupção: aquela do comportamento de quem se apropria do dinheiro público, a corrupção nas prioridades das políticas públicas, pelo uso equivocado do dinheiro para atender a interesses sem função social.



Fazer uma obra desnecessária, mesmo que não haja roubo, é tão corrupto quanto se apropriar do dinheiro daquela obra. Fazer uma ponte para beneficiar uma parcela privilegiada da população, deixando de fazer uma escola é corrupção; é corrupção da prioridade da política, embora não seja corrupção do comportamento do político.



A defesa nacional exige Forças Armadas competentes, e também um programa amplo, consistente, que enfrente os vetores atuais da nossa insegurança.



[1] Fonte: ANP - Relatório Anual 2003

*
Ver, do autor, o documento Choque Social: Desafio para a Economia Brasileira. Brasília, 2004.


**
Fonte:  World Development Indicators Database – Banco Mundial, 15 de julho de 2005.

Obs : o texto completo acima foi gentilmente cedido pelo Senador Cristovam Buarque ao DEFESA BR em 29/08/2005 com a devida autorização para divulgação.



 
REPORTAGENS SOBRE LEGISLATIVO E DEFESA
 

1) Câmara Discute Orçamento Para A Defesa

2) Senadores Cobram Dados da Defesa




1) O Globo - 12 de novembro de 2007

Câmara Discute Orçamento Para A Defesa

Geralda Doca e Isabel Braga


BRASÍLIA. O lobby das Forças Armadas no Congresso por mais recursos causou um impasse na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Além dos três comandantes militares, o Itamaraty também enviou pedido de emenda à proposta orçamentária de 2008 para a área da Defesa, especialmente para forças de paz. Mas cada comissão só pode apresentar três emendas.

Para tentar resolver o problema, o presidente da comissão, deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), conversa hoje com representantes das três Forças. A idéia é costurar uma articulação para que outras comissões possam abraçar os pedidos.

Ele sugere que a Comissão de Ciência e Tecnologia fique com o pedido de emenda apresentado pela Marinha para garantir verba para os submarinos e a reforma de navios; e que a Comissão da Amazônia contemple o pedido do Exército, que desenvolve operações na região.

- Temos um impasse e precisamos negociar alternativas - disse Cunha, acrescentando que a comissão se reúne amanhã para apreciar as emendas.

O deputado lembrou que dados apresentados pelos comandantes militares em recentes audiências públicas mostram que as Forças Armadas estão em situação preocupante, necessitando dar andamento aos projetos de reaparelhamento. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, garantiu que a recuperação dos investimentos será iniciada em 2008.

O relator setorial do Orçamento, de Defesa e Segurança, senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), contou ter recebido do Ministério da Defesa emenda complementar para garantir às Forças Armadas 50% a mais de recursos em relação ao ano passado. A proposta orçamentária acordada pelo governo para 2008 é de R$9,3 bilhões.

- Vamos procurar preservar os valores que foram estabelecidos no acordo do Orçamento - disse Zambiasi.

Ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) afirma que a obsolescência material e tecnológica das Forças Armadas é antiga e conhecida, e que os investimentos sempre foram modestos, mesmo durante o regime militar. Ele lembrou que, governo Fernando Henrique, houve uma grande redução de recursos para a área, e a retomada dos investimentos, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, está muito aquém das necessidades do setor.

- O problema existe e está cercado de certa gravidade. Mas a solução não é fácil nem imediata. Tem que ser feita uma programação para reequipar e adequar as Forças. Se houver investimento continuado, em cinco anos superamos boa parte desse atraso - estimou Aldo.

Investimento é fundamental para manter a paz, diz Aldo

O deputado enfatizou que, além das vastas fronteiras, há os compromissos externos, como o envio de tropas de paz para países como o Haiti. Para Rebelo, o repasse maior de verbas para as Forças Armadas deve ser visto como algo fundamental para a manutenção da paz no país.

Já o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que é correto o governo duplicar o investimento nas Forças Armadas, garantindo a compra de novos equipamentos.

- O Brasil deve se preparar para ser uma potência militar defensiva. A Venezuela começou uma corrida armamentista. O presidente Hugo Chávez não tem como guerrear com os Estados Unidos, só na retórica. Pela ordem, ele oferece perigo para a Guiana, remotamente para a Colômbia e mais longinquamente para o Brasil - analisou o tucano, acrescentando que o foco do Conselho Nacional de Segurança deve ser o investimento em tecnologia.




2) Jornal do Brasil - 16 de novembro de 2007

Senadores Cobram Dados da Defesa


Brasília. À medida que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aumenta seu poderio bélico no país vizinho e as Forças Armadas do Brasil cobram mais atenção para o sucateamento da Marinha, Exército e Aeronáutica, cresce no Senado a iniciativa suprapartidária de acompanhar de perto a defesa soberania nacional. A senadora Marisa Serrano (PSDB-GO) e o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) propõem uma audiência do ministro da Defesa, Nelson Jobim, para explicar na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional o que o governo tem feito para renovar as Forças.

Para o ano que vem, o Ministério da Defesa ganhou um aporte de R$ 3 bilhões no Orçamento. Tem um plano audacioso, o de renovar a frota da Força Aérea Brasileira e a da Marinha, inclusive com a construção de um submarino nuclear. Em discurso no Senado, Papaléo Paes lembrou recente palestra do general-de-Exército Enzo Martins Peri e disse que ficou estarrecido ao saber que "a pobreza material do arsenal bélico" é maior do que imaginava.

- Ficamos sabendo que os fuzis de assalto dos soldados brasileiros têm, em média, 42 anos de uso; que 78% de nossos blindados já ultrapassaram a casa dos 30 anos, estando a grande maioria sem condições operacionais. E, pasmem, tomamos conhecimento de que nossos obuseiros e canhões são da época da 2ª Guerra Mundial, e já eram ultrapassados então - revelou.

Papaléo assinalou que o armamento de guerra, em grande parte, virou "sucata recondicionada". O senador disse ter o dever de exigir mais respeito e dignidade para as Forças Armadas, que deveriam ter a grandeza compatível com a importância geopolítica do Brasil. Destacou também o papel institucional das Forças Armadas, presentes em áreas inóspitas e vastas do país.(Com Agência Senado)







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