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A ARTE DA GUERRA  -  SUN TZU



General Sun Tzu



DIVIDIDO EM 4 PARTES:


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PARTE 2




V - SOBRE A FIRMEZA


A força é a energia acumulada ou a que se percebe. Isto é muito mutável. Os especialistas são capazes de vencer o inimigo criando uma percepção favorável neles, assim obter a vitória sem necessidade de exercer sua força.

Governar sobre muitas pessoas como se fossem poucas é uma questão de dividí-las em grupos ou setores: é organização. Batalhar contra um grande número de tropas como se fossem poucas é uma questão de demonstrar força, símbolos e sinais.

Refere-se a conseguir uma percepção de força e poder na oposição. No campo de batalha se refere às formações e bandeiras utilizadas para organizar as tropas e coordenar seus movimentos.

Conseguir que o exército seja capaz de combater contra o adversário sem ser derrotado é uma questão de empregar métodos ortodoxos ou heterodoxos.

A ortodoxia e a heterodoxia não são elementos fixo, senão que se utilizam como um ciclo. Um imperador que foi um famoso guerreiro e administrador, falava de manipular as percepções dos adversários sobre o que é ortodoxo e heterodoxo, e depois atacar inesperadamente, combinando ambos métodos até convertê-lo em um, tornando-se quase assim indefinível para o inimigo.

Que o efeito das forças seja como o de pedras arrojadas sobre ovos, é uma questão de cheio e vazio.

Quando induzes os adversários a atacar-te em teu território, sua força sempre está vazia (em desvantagem); enquanto que não competes no que são melhores, tua força sempre estará cheia. Atacar com o vazio contra o cheio é como arrojar pedras sobre ovos: de certeza se quebram.

Quando se inicia uma batalha de maneira direta, a vitória se ganha por surpresa. O ataque direto é ortodoxo. O ataque indireto é heterodoxo.

Só há duas classes de ataques na batalha: o extraordinário por surpresa e o direto ordinário, porém suas variantes são inumeráveis. O ortodoxo e o heterodoxo se originam reciprocamente, como um círculo sem começo nem fim; quem poderia esgotá-los?

Quando a velocidade da água que flui alcança o ponto em que pode mover as pedras, esta é a força direta. Quando a velocidade e manobrabilidade do falcão são tais que pode atacar e matar, isto é precisão. O mesmo ocorre com os guerreiros especialistas: sua força é rápida, sua precisão certeira. Sua força é como disparar uma catapulta, sua precisão é dar no objetivo previsto e causar o efeito esperado.

A desordem chega da ordem, a covardia surge do valor, a debilidade brota da força. Se quereres fingir desordem para convencer a teus adversários e distraí-los, primeiro tens que organizar a ordem, porque só então podes criar uma desordem artificial.

Se quereres fingir covardia para conhecer a estratégia dos adversários, primeiro tens que ser extremadamente valente, porque só então podes atuar como tímido de maneira artificial. Se quereres fingir debilidade para induzir a arrogância em teus inimigos, primeiro deves ser extremadamente forte porque só então podes pretender ser débil.

A ordem e a desordem são uma questão de organização; a covardia é uma questão valentia e de ímpeto; a força e a debilidade são uma questão da formação na batalha.

Quando um exército tem a força do ímpeto (percepção), inclusive o tímido se torna valente, quando perda força do ímpeto, inclusive o valente se converte em tímido. Nada está fixado nas leis da guerra: estas se desenvolvem sobre a base do ímpeto.

Com astúcia se pode antecipar e conseguir que os adversários se convençam a si mesmos como proceder e mover-se; ajuda-os a caminhar pelo caminho que lhes traça. Faz mover-se os inimigos com a perspectiva do triunfo, para que caiam na emboscada.

Os bons guerreiros buscam a efetividade na batalha a partir da força do ímpeto (percepção) e não dependem só da força de seus soldados. são capazes de escolher a melhor gente, empregá-los adequadamente e deixar que a força do ímpeto logre seus objetivos.

Quando há entusiasmo, convicção, ordem, organização, recursos, compromisso dos soldados, tens a força do ímpeto, e o tímido é valoroso. Assim é possível determines os soldados por suas capacidades, habilidades e encomendar-lhes deves e responsabilidades adequadas. O valente pode lutar, o cuidadoso pode fazer sentinela, e o inteligente pode estudar, analisar e comunicar. Cada qual é útil.

Fazer que os soldados lutem permitindo que a força do ímpeto faça seu trabalho é como fazer rodar rocas. As rocas permanecem imóveis quando estão em um lugar plano, porém giram em um plano inclinado; ficam fixas quando são quadradas, porém giram se são redondas. Portanto, quando se conduz os homens à batalha com astúcia, o impulso é como rocas redondas que se precipitam montanha abaixo: esta é a força que produz a vitória.




VI - SOBRE O CHEIO E O VAZIO


Os que antecipam, se preparam e chegam primeiro ao campo de batalha e esperam ao adversário estão em posição descansada; os que chegam por último ao campo de batalha, os que improvisam e iniciam luta acabam esgotados.

Os bons guerreiros fazem com que os adversários venham a eles, e de nenhum modo se deixam atrair fora de sua fortaleza.

Se fizeres com que os adversários venham a ti para combater, tua força estará sempre vazia. Se não sais a combater, tua força estará sempre cheia. Esta é a arte de esvaziar os demais e de encher-te a ti mesmo.

O que impulsiona os adversários a vir ate a ti por própria decisão é a perspectiva de ganhar. O que desanima os adversários de ir até a ti é a probabilidade de sofrer danos.

Quando os adversários estão em posição favorável, deves cansá-los. Quando estão bem alimentados, cortar os mantimentos. Quando estão descansando, fazer que se ponham em movimento.

Ataca inesperadamente, fazendo que os adversários se esgotem correndo para salvar suas vidas. Interrompe suas provisões, arrasa seus campos e corta suas vias de aprovisionamento.

Aparece em lugares críticos e ataca donde menos se o esperem, fazendo que tenham que acudir ao resgate. Aparece onde não possam ir, dirige-te até onde menos esperem. Para deslocar-te centenas de quilômetros sem cansaço, atravessa terras despovoadas.

Atacar um espaço aberto não significa só um espaço em que o inimigo não tem defesa. Enquanto sua defesa não seja estrita - o lugar não esteja bem guardado -, os inimigos se dispersarão ante ti, como se estivesses atravessando um território despovoado.

Para tomar infalivelmente o que atacas, ataca donde não há defesa. Para manter uma defesa infalivelmente segura, defende onde não há ataque.

Assim, no caso dos que são especialistas em ataque, seus inimigos não sabem por onde atacar.

Quando se cumprem as instruções, as pessoas são sinceramente leais e comprometidas, os planos e preparativos para a defesa implantados com firmeza, sendo tão sutil e reservado que não se revelam as estratégias de nenhuma forma, e os adversários se sentem inseguros, e sua inteligência não lhes serve para nada.

Sê extremadamente sutil, discreto, até o ponto de não ter forma. Sê completamente misterioso e confidencial, até o ponto de ser silencioso. De esta maneira poderás dirigir o destino de teus adversários.

Para avançar sem encontrar resistência, arremete por seus pontos débeis. Para retirar-te de maneira esquiva, sé mais rápido que eles.

As situações militares se baseiam na velocidade: chega como o vento, mova-te como o relâmpago, e os adversários não poderão vencer- te.

Portanto, quando queiras entrar em batalha, inclusive se o adversário está entrincheirado em posição defensiva, não poderá evitar lutar se atacas no lugar no que deve acudir irremediavelmente ao resgate.

Quando não queiras entrar em batalha, inclusive se traças uma linha no terreno que queres conservar, o adversário não pode combater contigo porque lhe dás uma falsa pista.

Isto significa que quando os adversários chegam para atacar- te, não lutas com eles, senão que estabeleces um mudança estratégica para confundi-los e enchê-los de incertezas.

Por conseguinte, quando induzes outros a efetuar uma formação, enquanto tu mesmo permaneces sem forma, estás concentrado, enquanto que teu adversário está dividido.

Faz que os adversários vejam como extraordinário o que é ordinário para ti; faz que vejam como ordinário o que é extraordinário para ti. Isto é induzir ao inimigo a efetuar uma formação. Uma vez vista a formação do adversário, concentras tuas tropas contra ele. Como tua formação não está à vista, o adversário dividirá seguramente suas forças.

Quando estás concentrado formando uma só força, enquanto o inimigo está dividido em dez, estás atacando uma concentração de um contra dez, assim tuas forças superam a as suas.

Se podes atacar a uns poucos soldados com muitos, desanimarás o número de teus adversários.

Quando estás fortemente entrincheirado, estás forte atrás de boas barricadas, e não deixas filtrar nenhuma informação sobre tuas forças, sai fora sem formação precisa, ataca e conquista de maneira irrestrita.

Não devem conhecer onde pensas liberar a batalha, porque quando não se conhece, o inimigo destaca muitos postos de vigilância, e no momento que se estabelecem numerosos postos só tens que combater contra pequenas unidades.

Assim, pois, quando sua vanguarda está preparada, sua retaguarda é defeituosa, e quando sua retaguarda está preparada, sua vanguarda apresenta pontos débeis.

As preparações de sua ala direita significarão carência em sua ala esquerda. As preparações por todas partes significará ser vulnerável por todas partes.

Isto significa que quando as tropas estão de guarda em muitos lugares, estão forçosamente espalhadas em pequenas unidades.

Quando se dispõe de poucos soldados se está na defensiva contra o adversário o que dispõe de muitos faz que o inimigo tenha que defender-se.

Quantas mais defesas induzes a adotar a teu inimigo, mais debilitado ficará.

Assim, se conheces o lugar e a data da batalha, podes acudir a ela mesmo que estejas a mil quilômetros de distância. Se não conheces o lugar e a data da batalha, então teu flanco esquerdo não pode salvar ao direito, tua vanguarda não pode salvar a tua retaguarda, e tua retaguarda não pode salvar a tua vanguarda, nem mesmo em um território de umas poucas dezenas de quilômetros.

Se tiveres muitas mais tropas que os demais, como pode ajudar-te este fator para obter a vitória?

Se não conheces o lugar e a data da batalha, mesmo que tuas tropas sejam mais numerosas que as deles, como podes saber se vais ganhar ou perder?

Assim, pois, se disse que a vitória pode ser criada.

Se fizeres que os adversários não saibam o lugar e a data da batalha, sempre podes vencer.

Inclusive se os inimigos são numerosos, pode fazer-se que não entrem em combate.

Portanto, faz tua valoração sobre eles para averiguar seus planos, e determinar que estratégia pode ter êxito e qual no. Incita-os à ação para descobrir qual é o esquema geral de seus movimentos e descansa.

Faz algo por ou contra eles para ter sua atenção, de maneira que possas atraí-los descobrir seus hábitos de comportamento de ataque e de defesa. Induza-os a adotar formações especificas, para conhecer seus pontos fracos.

Isto significa utilizar muitos métodos para confundir e perturbar o inimigo com o objetivo de observar suas formas de resposta para ti; depois de tê-las observado, aja em conseqüência, de maneira que podes saber que classe de situações significam vida e quais significam morte.

Teste-os para averiguar seus pontos fortes e seus pontos débeis. Portanto, o ponto final da formação de um exército é chegar a não forma. Quando não tens forma, os informadores não podem descobrir nada, já que a informação não pode criar uma estratégia.

Uma vez que não tens forma perceptível, não deixas pegadas que possam ser seguidas, os informadores não encontram nenhuma fresta por onde olhar e os que estão a cargo da planificação não podem estabelecer nenhum plano realizável.

A vitória sobre multidões mediante formações precisas deve ser desconhecida das multidões. Todo mundo conhece a forma que resultou em vencedor, porém ninguém conhece a forma que assegurou a vitória.

Em conseqüência, a vitória na guerra não é repetitiva, senão que adapta sua forma continuamente.

Determinar as mudanças apropriadas, significa não repetir as estratégias prévias para obter a vitória. Para consegui-la, posso adaptar-me desde o principio a qualquer formação que os adversários possam adotar.

As formações são como o água: a natureza do água é evitar o alto e ir para baixo; a natureza dos exércitos é evitar o cheio e atacar o vazio; o fluxo do água está determinado pela terra; a vitória vem determinada pelo adversário.

Assim, pois, um exército não tem formação constante, o mesmo que o água não tem forma constante: se chama gênio à capacidade de obter a vitória cambiando e adaptando-se segundo o inimigo.




VII - SOBRE O ENFRENTAMENTO DIRETO E
         INDIRETO



A regra ordinária para o uso do exército é que o mando do exército receba ordens das autoridades civis e depois reúne e concentra a as tropas, aquartelando-as juntas. Nada é mais difícil que a luta armada.

Lutar com outros cara a cara para conseguir vantagens é o mais árduo do mundo.

A dificuldade da luta armada é fazer próximas as distâncias e converter os problemas em vantagens.

Enquanto dás a aparência de estar muito longe, começa teu caminho e chegas antes que o inimigo.

Portanto, fazes que sua rota seja larga, atraindo-o com a esperança de ganhar. Quando empreendes a marcha depois que os outros e chegas antes que eles, conheces a estratégia de fazer que as distâncias sejam próximas.

Sirva-te de uma unidade especial para enganar ao inimigo atraindo-o a uma falsa persecução, fazendo-o crer que o grosso de tuas forças está muito longe; então, lanças uma força de ataque surpresa que chega antes, ainda que tenhas começado o caminho depois.

Por conseguinte, a luta armada pode ser proveitosa e pode ser perigosa.

Para o especialista é proveitosa, para o inexperiente, perigosa.

Mobilizar todo o exército para o combate para obter alguma vantagem tomaria muito tempo, porém combater por uma vantagem com um exército incompleto teria como resultado uma falta de recursos.

Se te mobilizas rapidamente e sem parar dia e noite, recorrendo o duplo da distancia habitual, e se lutas por obter alguma vantagem a milhares de quilômetros, teus chefes militares serão feitos prisioneiros. os soldados que sejam fortes chegarão ali primeiro, os mais cansados chegarão depois - como regra geral, só o conseguirá um de cada dez.

Quando a rota é larga as tropas se cansam; se gastaram sua força na mobilização, chegam esgotadas enquanto que seus adversários estão frescos. Assim, pois, é seguro que serão atacadas.

Combater por uma vantagem a cinqüenta quilômetros de distância frustrará os planos do mando, e, como regra geral, só a metade dos soldados o farão.

Se combates para obter uma vantagem a trinta quilômetros de distancia, só dois de cada três soldados os recorrerão.

Assim, pois, um exército perece se não está equipado, se não tem provisões ou se não tem dinheiro.

Estas três coisas são necessárias: não podes combater para ganhar com um exército não equipado, ou sem provisões, o que o dinheiro facilita.

Portanto, se ignoras os planos de teus rivais, não podes fazer alianças precisas.

A menos que conheças as montanhas e os bosques, os desfiladeiros e os passos, e a condição dos pântanos, não podes manobrar com uma força armada. A menos que utilizes guias locais, não podes aproveitar-te das vantagens do terreno.

Só quando conheces cada detalhe da condição do terreno podes manobrar e guerrear.

Por conseguinte, uma força militar se usa segundo a estratégia prevista, se mobiliza mediante a esperança de recompensa, e se adapta mediante a divisão e a combinação.

Uma força militar se estabelece mediante a estratégia no sentido de que distraias ao inimigo para que não possa conhecer qual é tua situação real e não possa impor sua supremacia. Se mobiliza mediante a esperança de recompensa, no sentido de que entra em ação quando vê a possibilidade de obter uma vantagem. Dividir e tornar a fazer combinações de tropas se fazes para confundir ao adversário e observar como reage frente a ti; de esta maneira podes adaptar-te para obter a vitória.

Por isto, quando uma força militar se move com rapidez é como o vento; quando vai lentamente é como o bosque; é voraz como o fogo e imóvel como as montanhas.

É rápida como o vento no sentido que chega sem avisar e desaparece como o relâmpago. É como um bosque porque tem um ordem. é voraz como o fogo que devasta uma planície sem deixar para trás sequer um ramo de erva. é imóvel como uma montanha quando se aquartela.

É tão difícil de conhecer como a escuridão; seu movimento é como um trovão que retumba.

Para ocupar um lugar, divide a tuas tropas. Para expandir teu território, divide benefícios.

A regra geral das operações militares é desprover de alimentos ao inimigo tudo o que se possa. Em localidades onde as gentes não têm muito, é necessário dividir às tropas em grupos pequenos para que possam tomar em diversas partes o que necessitam, já que só assim terão suficiente.

Quanto a dividir o saque, significa que é necessário reparti-lo entre as tropas para guardar o que foi conquistado, não deixando que o inimigo o recupere.

Age depois de ter feito estimativas. Ganha o que conhece primeiro a medida do que está longe e o que está próximo: esta é a regra geral da luta armada.

O primeiro que faz o movimento é o "convidado", o último é o "anfitrião". O "convidado" o tem difícil, o "anfitrião o tem fácil". Perto e longe significam deslocamento: o cansaço, a fome e frio surgem do deslocamento.

Um antigo livro que trata de assuntos militares disse: "As palavras não são escutadas, por isso se fazem os símbolos e os tambores. As bandeiras e os estandartes se fazem por causa da ausência de visibilidade." Símbolos, tambores, bandeiras e estandartes se utilizam para concentrar e unificar os ouvidos e os olhos dos soldados. uma vez que estão unificados, o valente não pode atuar só, nem o tímido pode retirar-se solo: esta é a regra geral do emprego de um grupo.

Unificar os ouvidos e os olhos dos soldados significa fazer que olhem e escutem em uníssono de maneira que não caiam na confusão e desordem. Há sinais se utilizam para indicar direções e impedir que os indivíduos vão onde bem quiserem.

Assim, pois, em batalhas noturnas, utiliza fogos e tambores, e em batalhas diurnas sirva-te de bandeiras e estandartes, para controlar os ouvidos e os olhos dos soldados.

Utiliza muitas sinais para confundir as percepções do inimigo e fazer- lhe temer teu temível poder militar.

Desta forma, fazes desaparecer a energia de seus exércitos e desmoralizas a seus generais.

Em primeiro lugar, deves ser capaz de manter-te firme em teu próprio coração; só então podes desmoralizar a os generais inimigos. Por isto, a tradição afirma que os habitantes de outros tempos tinham a firmeza para desmoralizar, e a antiga lei dos que conduziam carros de combate dizia que quando a mente original é firme, a energia fresca é vitoriosa.

Deste modo, a energia da manhã está cheia de ardor, a do meio-dia decai e a energia da noite se retira; em conseqüência, os especialistas no manejo das armas preferem a energia entusiasta, atacam a decadente e a que se bate em retirada. São eles os que dominam a energia.

Qualquer débil no mundo se dispõe a combater em um minuto caso se sinta animado, porém quando se trata realmente de tomar as armas e de entrar em batalha, é possuído pela energia; quando esta energia se desvanece, deter-se-á, estará assustado e se arrependerá de haver começado.

Utilizar a ordem para enfrentar a desordem, utilizar a calma para enfrentar-se com os que se agitam, isto é dominar o coração.

A menos que teu coração esteja totalmente aberto e tua mente em ordem, não podes esperar ser capaz de adaptar-te a responder sem limites, a manejar os acontecimentos de maneira infalível, a enfrentar dificuldades graves e inesperadas sem te perturbar, dirigindo cada coisa sem confusão.

Dominar a força é esperar os que vêm de longe, aguardar com toda comodidade os que se tenham fatigado, e com o estômago saciado os famintos.

Isto é o que se quer dizer quando se fala em atrair a outros até onde estás, ao tempo que evitas ser induzido a ir até onde eles estejam.

Evitar a confrontação contra formações de combate bem ordenadas e não atacar grandes batalhões constitui o domínio da adaptação.

Portanto, a regra geral das operações militares é não enfrentar uma grande montanha nem opor-se ao inimigo de costas a esta.

Isto significa que se os adversários estão em um terreno elevado, não deves atacar-lhes costa acima, e que quando efetuam uma carga costa abaixo, não deves fazer-lhes frente.

Não persigas os inimigos quando finjam uma retirada, nem ataques tropas experientes.

Se os adversários fogem de repente antes de esgotar sua energia, seguramente há emboscadas esperando para atacar tuas tropas; neste caso, deves reter a teus oficiais para que não se lancem em sua perseguição.

Não consumas a comida de seus soldados.

Se o inimigo abandona de repente suas provisões, estas devem ser provadas antes de ser comidas, porque podem estar envenenadas. Não detenhas nenhum exército que esteja em caminho a seu país.

Sob estas circunstâncias, um adversário lutará até a morte. Há que deixar-lhe uma saída a um exército cercado.

Mostra-lhes uma maneira de salvar a vida para que não estejam dispostos a lutar até a morte, e assim poderás aproveitar para atacar- lhes.

Não pressiones um inimigo desesperado.

Um animal esgotado seguirá lutando, pois essa é a lei da natureza.

Estas são as leis das operações militares.




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