A ARTE DA GUERRA
- SUN TZU
DIVIDIDO
EM 4 PARTES:
PARTE 4
XI - SOBRE
AS NOVE CLASSES DE TERRENO
Conforme as leis das operações militares, existem nove
classes de terreno. Se lutam entre si em seu próprio
território, a este se lhe chama terreno de dispersão.
Quando os soldados estão apegados a sua casa e combatem
próximo de seu lar, podem ser dispersados com facilidade.
Quando penetras em território alheio, porém não o
fazes em profundidade, a este se chama território ligeiro.
Isto significa que os soldados podem regressar facilmente.
O território que pode resultar-te vantajoso se o tomas, e
vantajoso ao inimigo se é ele quem o conquista, se chama terreno
chave.
Um terreno de luta inevitável é qualquer
penetração defensiva ou passo estratégico.
Um território igualmente acessível para ti e para os
demais se chama terreno de comunicação.
O território que está rodeado por três
territórios rivais e és o primeiro a proporcionar livre
acesso a ele a todos se chama terreno de interseção.
O terreno de interseção é aquele ao que convergem
as principais vias de comunicação unindo-as entre si:
seja o primeiro em ocupá-lo, e os demais terão que por-se
a teu lado. Se o obténs, te encontras seguro; se o perdes,
corres perigo.
Quando penetras em profundidade em um território estranho, e
deixas atrás muitas cidades e povos, a este terreno se chama
difícil.
É um terreno do qual é difícil regressar.
Quando atravessas montanhas com bosques, desfiladeiros abruptos ou
outros acidentes difíceis de atravessar, a isto se chama terreno
desfavorável.
Quando o acesso é estreito e a saída é tortuosa,
de maneira que uma pequena unidade inimiga pode atacar-te, mesmo que
tuas tropas sejam mais numerosas, a este se chama terreno cercado.
Se és capaz de uma grande adaptação, podes
atravessar este território.
Se só podes sobreviver em um território lutando com
rapidez, e se é fácil morrer se não o fazes, a
este
se chama terreno mortal.
As tropas que se encontram em um terreno mortal estão na mesma
situação que se encontrassem numa barca que afunda ou em
uma casa ardendo.
Assim, pois, não combatas em um terreno de dispersão,
não te detenhas em um terreno ligeiro, não ataques em um
terreno
chave (ocupado pelo inimigo), não deixes que tuas tropas sejam divididas
em um terreno de comunicação. Em terrenos de
interseção, estabelece comunicações; em
terrenos difíceis, entra com provisões; em terrenos
desfavoráveis, continua marchando; em terrenos cercados, faz
planos; em terrenos mortais, luta. Em
terrenos de interseção, estabelece
comunicações; em terrenos difíceis, entra com
provisões; em terrenos desfavoráveis, continua marchando;
em terrenos cercados, faz planos; em terrenos mortais, luta.
Em um terreno de dispersão, os soldados podem fugir. Um terreno
ligeiro é quando os soldados penetram em território
inimigo, todavia não têm às costas cobertas; Por
isso, suas mentes não estão realmente concentradas e
não estão atentos para a batalha. Não é
vantajoso atacar ao inimigo em um terreno chave; o que é
vantajoso é chegar primeiro a ele. Não se deve permitir
que fique isolado o terreno de comunicação, para poder
servir-se das rotas de mantimentos. Em terrenos de
interseção, estarás a salvo se estabeleces
alianças; se as perdes,
te encontrarás em perigo. Em terrenos difíceis, entrar
com
provisões significa reunir todo o necessário para estar
ali muito tempo. Em terrenos desfavoráveis, já que
não
podes entrincheirar-te nele, deves apressar-te em sair. Em terrenos
cercados,
introduz táticas de surpresa.
Se as tropas caem em um terreno mortal, todos lutarão de maneira
espontânea. Por isto se disse: "Situa a as tropas em um terreno
mortal e sobreviverão. "
Os que eram antes considerados como especialistas na arte da guerra
eram capazes de fazer que o inimigo perdesse contato entre sua
vanguarda e sua retaguarda, a confiança entre as grandes e as
pequenas unidades, o interesse reciproco pelo bem-estar dos diferentes
linhas, o apoio mútuo entre governantes e governados, o
alistamento de soldados e a coerência de seus exércitos.
Estes especialistas entravam em ação quando lhes era
vantajoso, e se retraíam em caso contrario.
Introduziam mudanças para confundir ao inimigo, atacando-os aqui
e ali, aterrorizando-os e semeando entre eles a confusão, de
tal maneira que não lhes davam tempo para fazer planos.
Poder-se-ia perguntar como enfrentar forças inimigas numerosas e
bem organizadas que se dirigem até a ti. A resposta é
dar-lhes em primeiro lugar algo que apreciem, e depois te
escutarão.
A rapidez de ação é o fator essencial da
condição da força militar, aproveitando-se dos
erros dos adversários, desviando-os por caminhos que não
esperam e atacando quando não estão em guarda.
Isto significa que para aproveitar-se da falta de
preparação, de visão e de cautela dos
adversários, é necessário atuar com rapidez, e que
se vacilas, esses erros não te servirão de nada.
Numa invasão, por regra geral, quanto mais se adentram os
invasores no território estranho, mais fortes se fazem,
até o ponto de que o governo nativo não pode
expulsá-los.
Escolhe campos férteis, e as tropas terão suficiente
para comer. Cuida de sua saúde e evita o cansaço,
consolida
sua energia, aumenta sua força. Que os movimentos de tuas tropas
e a preparação de teus planos sejam insondáveis.
Consolida a energia mais entusiasta de tuas tropas, economiza as
forças restantes, mantém em segredo tuas
formações e teus planos, permanecendo insondável
para os inimigos, e espera a que
se produza um ponto vulnerável para avançar.
Situa tuas tropas em um ponto que não tenha saída, de
maneira que tenham que morrer antes de poder escapar. O que, ante a
possibilidade da morte, não estarão dispostas a fazer? Os
guerreiros dão então o melhor de suas forças.
Quando se acham ante um grave perigo, perdem o medo. Quando não
há nenhum local onde ir, permanecem firmes; quando estão
totalmente implicados em um terreno, se aferram a ele. Se não
têm outra opção, lutarão até o final.
Por esta razão, os soldados estão vigilantes sem ter que
ser estimulados, se alistam sem ter que ser chamados às
fileiras, são amistosos sem necessidade de promessas, e se pode
confiar
neles sem necessidade de ordens.
Isto significa que quando os combatentes se encontram em perigo de
morte, seja qual seja seu risco, todos têm o mesmo objetivo e,
portanto, estão alerta sem necessidade de ser estimulados, tem
boa vontade
de maneira espontânea e sem necessidade de receber ordens, e pode
confiar-se de maneira natural neles sem promessas nem necessidade de
hierarquia.
Proíbe os augúrios para evitar as dúvidas, e
os soldados nunca te abandonarão. Se teus soldados não
têm riquezas, não é porque as desdenhem. Se
não tem mais longevidade, não é porque não
queiram viver mais tempo. O dia em que se dá a ordem de marcha,
os soldados choram.
Assim, pois, uma operação militar preparada com
perícia deve ser como uma serpente veloz que contrataca com sua
cauda quando alguém lhe ataca por a cabeça, contrataca
com a cabeça quando alguém lhe ataca pela cauda e
contrataca com cabeça e cauda, quando alguém lhe ataca
pelo meio.
Esta imagem representa o método de uma linha de batalha que
responde velozmente quando é atacada. Um manual de oito
formações clássicas de batalha diz: "Faz da frente
a retaguarda, faz da retaguarda a frente, com quatro cabeças e
oito caudas. Faz que a cabeça esteja em todas partes, e quando o
inimigo arremete pelo centro, cabeça e cola acudirão ao
resgate."
Pode perguntar-se a questão de se é possível fazer
que uma força militar seja como uma serpente rápida. A
resposta é afirmativa. Inclusive as pessoas que se tem
antipatia, se encontrarão no mesmo barco, se ajudarão
entre se em caso de perigo de sossobrar.
É a força da situação que faz que isto
suceda.
Por isto, não basta depositar a confiança em cavalos
atados e rodas fixas.
Se atam os cavalos para formar uma linha de combate estável, e
se fixam as rodas para fazer que os carros não se possam mover.
Porém ainda assim, isto não é suficientemente
seguro nem se pode confiar nisso. É necessário permitir
que hajam variantes às mudanças que se fazem, pondo os
soldados em
situações mortais, de maneira que combatam de forma
espontânea e se ajudem entre si, cotovelo com cotovelo: este
é o caminho da
segurança e da obtenção de uma vitória
certa.
A melhor organização é fazer que se expresse
o valor e mantê-lo constante. Ter êxito tanto com tropas
débeis como com tropas aguerridas se baseia na
configuração das circunstâncias.
Se obténs a vantagem do terreno, podes vencer os
adversários, inclusive com tropas ligeiras e débeis;
quanto mais te seria possível se tens tropas poderosas e
aguerridas? o que faz possível a vitória a ambas classes
de tropas é as circunstancias do terreno.
Portanto, os especialistas em operações militares
obtêm a cooperação da tropa, de tal maneira que
dirigir um grupo é como dirigir a um só indivíduo
que não
tem mais que uma só opção.
Corresponde ao general ser tranqüilo, reservado, justo e
metódico. Seus planos são tranqüilos e absolutamente
secretos para
que ninguém possa descobri-los.
Seu mando é justo e metódico, assim que ninguém se
atreve a tomar sua frente.
Pode manter seus soldados sem informação e em completa
ignorância de seus planos.
Muda suas ações e revisa seus planos, de maneira que
ninguém possa reconhecê-los. Muda de lugar e de prazos,
e se desloca por caminhos sinuosos, de maneira que ninguém possa
antecipá-lo.
Podes ganhar quando ninguém pode entender em nenhum momento
quais são tuas intenções.
Disse um Grande Homem: "O principal engano que se valora nas
operações militares não se dirige só aos
inimigos, senão o
que começa em suas próprias tropas, para fazer que lhe
sigam sem saber aonde vão." Quando um general fixa uma meta a
suas tropas, é como o que sobe a um lugar elevado e depois
retira a escada.
Quando um general se adentra muito no interior do território
inimigo,
está pondo à prova tudo seu potencial.
Pode queimar as naves das suas tropas e destruir suas casas; assim as
conduz como um rebanho e todos ignoram até onde se encaminham.
Incumbe os generais reunir a os exércitos e pô-los em
situações perigosas. Também devem examinar as
adaptações aos diferentes terrenos, as vantagens de
concentrar-se ou dispersar-se, e as pautas dos sentimentos e
situações humanas.
Quando se fala de vantagens e de desvantagens da
concentração e da dispersão, se quer dizer que as
pautas dos comportamentos
humanos mudam segundo os diferentes tipos de terreno.
A norma geral dos invasores é unir-se quando estão no
coração do território inimigo, porém tendem
a se dispersar quando estão nas orlas fronteiriças.
Quando deixas teu território e atravessas a fronteira em uma
operação militar, te achas em terreno isolado.
Quando é acessível desde todos os pontos, é um
terreno de comunicação.
Quando te adentras em profundidade, estás em um terreno
difícil. Quando penetras pouco, estás em um terreno
ligeiro.
Quando a tuas costas se achem espessuras infranqueáveis e diante
passagens estreitas, estás em um terreno cercado.
Quando não há nenhum local donde ir, se trata de um
terreno mortal.
Assim, pois, em um terreno de dispersão, unifica as mentes
dos soldados. Em terreno ligeiro, as mantenha em contato. Em um terreno
chave, apressa-as para tomá-lo. Em um terreno de
interseção, presta atenção à defesa.
Em um terreno de comunicação, estabeleceria
sólidas alianças. Em um terreno difícil, assegura
mantimentos continuados. Em terreno desfavorável, apressa tuas
tropas a sair rapidamente dele. Em terreno cercado, cerra as entradas.
Em terreno mortal, indica a tuas tropas que não existe nenhuma
possibilidade de sobreviver.
Por isto, a psicologia dos soldados consiste em resistir quando se
vêem rodeados, lutar quando não se pode evitar, e obedecer
em casos extremos.
Até que os soldados não se vejam rodeados, não tem
a determinação de resistir ao inimigo até
alcançar a vitória. Quando estão desesperados,
apresentam uma defesa unificada.
Por isso, os que ignoram os planos inimigos não podem preparar
alianças.
Os que ignoram as circunstâncias do terreno não podem
fazer manobrar suas forças. Os que não utilizam guias
locais
não podem aproveitar-se do terreno. Os militares de um governo
eficaz devem conhecer todos estes fatores.
Quando o exército de um governo eficaz ataca um grande
território, o povo não se pode unir. Quando seu poder
supera os adversários, é impossível fazer
alianças.
Se podes averiguar os planos de tuas adversários, aproveita-te
do terreno e faz manobrar o inimigo de maneira que se encontre
indefeso; neste caso, nem sequer um grande território pode
reunir suficientes tropas para deter-te.
Portanto, se não lutas por obter alianças, não
aumentas o poder de nenhum país, porém estendes tua
influência pessoal ameaçando os adversários, tudo
isso faz com que
o país e as cidades inimigas sejam vulneráveis.
Outorga recompensas que não estejam reguladas e dá ordens
incomuns.
Considera a vantagem de outorgar recompensas que não tenham
precedentes, observa como o inimigo faz promessas sem ter em conta os
códigos estabelecidos.
Maneja as tropas como se fossem uma só pessoa. Emprega-as em
tarefas reais, porém não lhes fale. Motiva-as com
recompensas, porém não comente os possíveis
prejuízos.
Emprega teus soldados só em combater, sem comunicar-lhes tua
estratégia. Deixe-os conhecer os benefícios que os
esperam, porém não lhes fales dos danos potenciais. Se a
verdade se filtra, tua estratégia pode afundar. Se os soldados
começam a preocupar-se, tornar-se-ão vacilantes e
temerosos.
Coloque-os em uma situação de possível
extermínio, e então lutarão para viver. Ponha-os
em perigo de morte, e então sobreviverão. Quando as
tropas afrontam perigos, são capazes de lutar para obter a
vitória.
Assim, pois, a tarefa de uma operação militar é
fingir acomodar-se às intenções do inimigo. Se te
concentras totalmente nisso, podes matar seu general mesmo que estejas
a quilômetros de distância. A isto se chama cumprir o
objetivo
com perícia.
No principio, acomodas a suas intenções, depois matas a
seus generais: esta é a perícia no cumprimento do
objetivo.
Assim, o dia em que se declara a guerra, se cerram as fronteiras, se
rompem os salvo-condutos e se impede o passo de emissários.
Os assuntos se decidem rigorosamente desde que se começa a
planejar e estabelecer a estratégia desde a casa ou quartel
general.
O rigor nos quartéis-generais na fase de
planificação se refere à manutenção
do segredo.
Quando o inimigo oferece oportunidades, aproveite-as imediatamente.
Inteira-te primeiro do que pretende, e depois antecipa-te a ele.
Mantém a disciplina e adapta-te ao inimigo, para determinar o
resultado da guerra. Assim, ao principio eras como uma donzela e o
inimigo abre suas portas; então, tu és como uma lebre
solta, e o inimigo não
poderá expulsarte.
XII - SOBRE A ARTE DE ATACAR PELO
FOGO
Existem cinco classes de ataques mediante o fogo: queimar as pessoas,
queimar os mantimentos, queimar o equipamento, queimar os
depósitos e queimar as armas.
O uso do fogo tem que ter uma base, e exige certos meios. Existem
momentos adequados para acender fogos, concretamente quando o tempo
é seco e ventoso.
Normalmente, em ataques mediante o fogo é imprescindível
seguir os mudanças produzidas por este. Quando o fogo
está dentro do acampamento inimigo, prepara-te rapidamente desde
fora.
Se os soldados se mantêm em calma quando o fogo se inicia, espera
e não ataques. Quando o fogo alcança seu ponto
álgido, segue-o, se podes; se não, espera.
Em geral, o fogo se utiliza para semear a confusão no inimigo e
assim poder atacar-lhe.
Quando o fogo pode ser prendido em campo aberto, não esperes
para fazê-lo em seu interior; faça-o quando seja oportuno.
Quando o fogo seja atiçado pelo vento, não ataques em
direção contraria a este.
Não é eficaz lutar contra o ímpeto do fogo, porque
o inimigo lutará neste caso até a morte.
Se soprou vento durante o dia, à noite amainará.
Um vento diurno cessará ao anoitecer; um vento noturno
cessará ao amanhecer.
Os exércitos devem saber que existem variantes das cinco classes
de ataques mediante o fogo, e adaptar-se a estas de maneira racional.
Não basta saber como atacar os demais com o fogo, é
necessário saber como impedir que os demais te ataquem a ti.
Assim, pois, a utilização do fogo para apoiar um ataque
significa claridade, e a utilização do água para
apoiar um ataque significa força. A água pode cortar
comunicação, porém não pode arrasar.
A água pode ser usada para dividir um exército inimigo,
de maneira que sua força se desuna e a tua se fortaleça.
Ganhar combatendo ou levar a cabo um assédio vitorioso sem
recompensar a os que tenham méritos traz má fortuna e se
faz merecedor de ser chamado avaro. Por isso se disse que um governo
esclarecido tem
em conta que um bom mando militar recompensa o mérito.
Não
mobiliza a suas tropas quando não há vantagens que obter:
não atuam quando não há nada que ganhar, nem lutam
quando não existe perigo.
As armas são instrumentos de mal augúrio, e a guerra
é um assunto perigoso. É indispensável impedir uma
derrota desastrosa, e portanto, não vale a pena mobilizar um
exército
por razões insignificantes: as armas só devem ser usadas
quando não existe outro remédio.
Um governo não deve mobilizar um exército por ira, e
os chefes militares não devem provocar a guerra por
cólera.
Atua quando seja benéfico; em caso contrario, desiste. A ira
pode converter- se na alegria e a cólera pode converter-se em
prazer, porém um povo destruído não pode renascer,
e a morte não pode converter-se em vida. Em
conseqüência, um governo esclarecido presta
atenção a tudo isto, e um bom mando militar o tem em
conta. Esta é a maneira de manter à nação a
salvo e de conservar intato a seu exército.
XIII - SOBRE O USO DE ESPIÕES
Uma operação militar significa um grande esforço
para o povo, e a guerra pode durar muitos anos para obter uma
vitória de um dia. Assim, pois, falar em conhecer a
situação dos adversários para economizar nos
gastos para investigar e estudar a oposição é
extremadamente inumano, e não
é típico de um bom chefe militar, de um conselheiro de
governo,
nem de um governante vitorioso. Portanto, o que possibilita um governo
inteligente e um mando militar sábio vencer os demais e lograr
triunfos extraordinários com essa informação
essencial.
A informação prévia não se pode obter de
fantasmas nem espíritos, nem se pode ter por analogia, nem
descobrir mediante cálculos. Deve se obter de pessoas; pessoas
que conheçam a situação do adversário.
Existem cinco classes de espiões: o espião nativo, o
espião interno, o duplo agente, o espião
liquidável, e o espião flutuante. Quando estão
ativos todos eles, ninguém conhece suas rotas: a isto se lhe
chama gênio organizativo, e se aplica ao governante.
Os espiões nativos contratam entre os habitantes de uma
localidade. Espiões internos se contratam entre os
funcionários inimigos. Os agentes duplos se contratam entre os
espiões inimigos. Os espiões liquidáveis
transmitem falsos dados aos espiões inimigos. Os espiões
flutuantes voltam para trazer seus informes.
Entre os funcionários do regime inimigo, se acham aqueles com os
quais se pode estabelecer contato e os que se pode subornar para
averiguar a situação de seu país e descobrir
qualquer plano
que se trame contra ti, também podem ser utilizados para criar
desavenças e desarmonia.
Em conseqüência, ninguém nas forças armadas
é tratado com tanta familiaridade como os espiões, nem
ninguém recebe recompensas tão grandes como a eles, nem
há assunto mais secreto que o espionagem.
Se não se trata bem os espiões, podem converter-se em
renegados e trabalhar para o inimigo.
Não se podem utilizar os espiões sem sagacidade e
conhecimento; não pode servir-se de espiões sem
humanidade e justiça, não se pode obter a verdade dos
espiões sem sutileza. Certamente, é um assunto muito
delicado. Os espiões são úteis em todas partes.
Cada assunto requeres um conhecimento prévio.
Se algum assunto de espionagem é divulgado antes de que o
espião seja informado, este e o que o divulgou devem ser
eliminados.
Sempre que queiras atacar a um exército, assediar uma cidade ou
atacar a uma pessoa, deves de conhecer previamente a identidade dos
generais que a defendem, de seus aliados, seus visitantes, seus
sentinelas e de seus criados; assim, pois, faz que teus espiões
averigúem tudo sobre eles.
Sempre que vais atacar e combater, deves conhecer primeiro os talentos
dos servidores do inimigo, e assim podes enfrentá-los segundo
suas capacidades.
Deves buscar agentes inimigos que tenham vindo te espionar,
suborná-los e induzi-los a passar para teu lado, para poder
utilizá-los como agentes duplos. Com a informação
obtida desta maneira, podes encontrar espiões nativos e
espiões internos para contratá-los. Com a
informação obtida destes, podes fabricar
informação falsa servindo-te de espiões
liquidáveis. Com a informação assim obtida, podes
fazer que os espiões flutuantes atuem segundo os planos
previstos.
É essencial para um governante
conhecer as cinco classes de espionagem, e este conhecimento depende
dos agentes duplos; Assim, pois, estes devem ser bem tratados.
Assim, só um governante brilhante ou um general sábio que
possa utilizar os mais inteligentes para o espionagem, pode estar
seguro da vitória. A espionagem é essencial para as
operações militares, e os exércitos dependem dela
para levar a cabo suas
ações.
Não será vantajoso para o exército atuar sem
conhecer a situação do inimigo, e conhecer a
situação do inimigo não é possível
sem o espionagem.
FONTES & LINKS
Sun Tzu On The Art
Of War
Online
Literature - Sun Tzu - The Art of War