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VÍDEO - HINO AO DOIS DE JULHO (03:26 MIN)





HINO AO DOIS DE JULHO

Letra: Ladislau dos Santos Titara
Música: José dos Santos Barreto




Nasce o Sol a 2 de julho,
Brilha mais que no primeiro,
É sinal que neste dia
Até o Sol é brasileiro.

Estribilho
Nunca mais o despotismo,
Regerá nossas ações,
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações.

Cresce, oh! filho de minh’alma
Para a Pátria defender,
O Brasil já tem jurado
Independência ou Morrer.

Salve oh! rei das campinas
De Cabrito e Pirajá
Nossa Pátria, hoje livre,
Dos tiranos não será.




Bahia



2 DE JULHO: DATA NACIONAL

Paulo Costa Lima - De Salvador (BA)


O Brasil pouco sabe sobre o '2 de Julho' e bem que deveria saber. O que aconteceu na Bahia no dia 2 de Julho de 1823 foi decisivo para todos os brasileiros.

Foi quando o Exército Libertador, tendo à frente o Batalhão do Imperador entrou finalmente na cidade que havia sido sitiada durante meses, sendo recebido com flores e homenagens pela população. Os portugueses, cerca de 4.500 homens, haviam abandonado a cidade poucas horas antes, por mar.

Durante muitas décadas firmou-se o entendimento errôneo de que a data representava a 'Independência da Bahia'. Ledo engano. O correto é celebrar a Independência do Brasil na Bahia. Existe neste momento uma proposta em andamento no Congresso Nacional (de autoria da Deputada Alice Portugal, PCdoB-Ba) para a aprovação do '2 de Julho' como data nacional. Nada mais justo!

Basta lembrar que o exército dessa guerra, cerca de 10.000 homens, era composto por soldados vindos de muitas províncias - do Ceará e de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Sergipe, mas também fluminenses, mineiros e paulistas, além dos baianos, é claro, muitos deles filhos da África.

Na verdade, trata-se do nascimento do Exército brasileiro - um fato também pouco celebrado - e do batismo de fogo do seu patrono, o futuro Duque de Caxias.

A cena do 7 de setembro só adquire sua plenitude de sentido com a bravura popular que foi demonstrada na Bahia. Um exército inicialmente comandado por um francês, Labatut, mas que chega ao final do conflito sob as ordens de um brasileiro, Lima e Silva.

O '2 de Julho' é um novelo de narrativas. No plano de fundo, a "narrativa histórica", ou seja, os eventos memoráveis da entrada do Exército Libertador em Salvador no dia 2 de Julho de 1823, que por sua vez se inserem no processo mais amplo da guerra propriamente dita e de seus antecedentes.

Em torno desse núcleo vão se enovelando 185 anos de festividades de rememoração e de interação criativa com esses eventos originais e seus símbolos. E aí entra em cena uma outra dimensão da festa, a rica apropriação que dela fez o povo da Bahia, construindo uma espécie de civismo caboclo.

Fôssemos mais próximos de Hollywood e já teríamos inúmeros filmes projetando mundialmente a temática. Onde encontrar episódios mais marcantes? Uma mártir religiosa (Joana Angélica), batalhões voluntários, escravos lutando por liberdade, uma sertaneja que vira soldado, batalhas navais e campais...

Essa sertaneja que vira soldado - a ilustre Maria Quitéria de Jesus - está a pedir urgente uma mini-série nacional. Uma mulher, entre 25 e 30 anos que viaja cerca de oitenta quilômetros para se alistar, vestida com as roupas do cunhado, de quem se apropria do nome, passando a ser chamada de soldado Medeiros. Aparentemente casa durante o conflito e o marido morre.

Recebe menção explícita de bravura do General Lima e Silva e após a guerra vai ao Rio de Janeiro para ser condecorada por D. Pedro I. Lá no Rio chama a atenção da historiadora Maria Graham, amiga de Leopoldina, que a descreve como uma mulher feminina, sem nada "que desabone sua moral". Sabemos também através desta autora que Maria Quitéria se alimentava de forma comedida, ovos e peixe, e que também enrolava um cigarro de palha após as refeições. Vai ser um sucesso a mini-série!


Paulo Costa Lima é compositor. Pesquisador pelo CNPq. Professor de composição da Universidade Federal da Bahia. http://www.paulolima.ufba.br/




JOÃO DAS BOTAS


João das Botas era o apelido do tenente João Francisco de Oliveira (Itaparica, século XIX), que foi um militar brasileiro. No contexto das lutas da Guerra da Independência na província da Bahia, combateu as embarcações portuguesas nas águas da baía de Todos os Santos, nomeadamente no trecho entre a praia da Ponta da Areia e a barra do rio Paraguaçu.

Destacou-se como um dos principais responsáveis pela defesa naval da ilha de Itaparica diante das tropas portuguesas sob o comando do Governador das Armas da Bahia, Inácio Luís Madeira de Melo.

A sua bravura e vitórias conquistadas culminaram com o 2 de Julho de 1823, alçando-o à condição de herói nacional. Juntamente com o almirante britânico Lorde Thomas Cochrane, primeiro comandante da esquadra brasileira, é um dos heróis da Marinha Brasileira. Em sua homenagem realiza-se anualmente, em Salvador, um evento náutico, a Regata João das Botas.



João das Botas

João das Botas



O principal foco de resistência à proclamação da independência no Brasil concentrou-se na Bahia, onde o Governador das Armas, general Madeira de Mello, dispunha de consideráveis forças de terra e mar.

Contra tal poder, levantaram-se os patriotas baianos. A reação, aos poucos, se organizou, alastrando-se por toda a província. Em pouco tempo, os portugueses estavam praticamente confinados a Salvador e seus arredores, mesmo possuindo a superioridade no mar.

O resultado do conflito dependia do domínio da Baía de Todos os Santos e do conseqüente controle do abastecimento e das comunicações entre as vilas confederadas. Os compatriotas perceberam que os sucessos no mar demandavam forças ofensivas.

Em tal contexto, surgiu a Flotilha Itaparicana, assim chamada pelos seus contemporâneos. Foi escolhido para o seu comando, o Segundo-Tenente da Armada Nacional e Imperial João Francisco de Oliveira Botas, conhecido como João das Botas, que recebeu ordem de seguir para a base em Itaparica, onde deveria armar barcos com canhões nas proas e popas.

Nascido entre 1776 e 1778, João das Botas era português de nascimento. Começou sua carreira como Contra-Mestre do cais do Arsenal de Marinha, em 1809. Seis anos depois, começou a desempenhar o cargo de Ajudante de Patrão-Mor do citado Arsenal, cargo que lhe foi dado devido ao seu conhecimento e a sua inteligência.

A partir de 1817, o movimento de emancipação se acentua e João das Botas participa e conspira para depor a Junta Provisória que governava a Bahia, resultando numa tentativa frustrada. Em função deste episódio, João das Botas foi preso e deportado para Lisboa. Anistiado, regressa à Bahia em 1822.

Durante as lutas da Independência, recebeu o comando da flotilha de Itaparica, que começou improvisada e foi aumentando ao longo da campanha, alcançando um efetivo de quase 800 homens. A flotilha era composta apenas de canhoneiras e saveiros, provenientes das cidades do
recôncavo baiano, que tinha como base a Ilha de Itaparica.

Quando Madeira de Mello, cercado por terra e pressionado no mar por Cochrane (primeiro almirante da Marinha Imperial Brasileira) e por João das Botas, abandonou o Brasil rumo a Portugal, a caça aos navios lusos foi iniciada, ainda em águas da Bahia de Todos os Santos, pela
Flotilha Itaparicana.

Sua bravura e batalhas conquistadas durante as lutas contra a esquadra portuguesa, na Baía de Todos os Santos, que culminaram com o 2 de Julho, o elevaram a herói da Independência da Bahia.





FONTES & LINKS


Terra Magazine - 2 de Julho: Data Nacional

Wikipedia - João das Botas

Wikipedia - Regata João das Botas




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