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na arte abaixo para ampliação)
Submarino da
Classe Sen Toku I-400 da Marinha Imperial Japonesa.
Os submarinos da Classe Sen Toku I-400
da Marinha Imperial Japonesa foram os maiores submarinos da Segunda
Guerra Mundial e os maiores submarinos não-nucleares jamais
construídos pelo homem, embora todos pensassem à
época que o maior submarino fosse o francês Surcouf,
de 110 m. Os I-400 tinham 120 m de comprimento.
Eles continuaram sendo os maiores do
mundo até o desenvolvimento
dos submarinos balísticos nucleares
americanos e o lançamento do USS Lafayette em 1962.
Os I-400 eram submarinos que carregavam hidroaviões a bordo e
dispunham de uma pista pequena de decolagem com catapulta. Os
Sen Toku eram verdadeiros e esplêndidos
Navios-Aeródromos Submersíveis, também conhecidos
como Submarinos Porta-Aviões ou mais exatamente como
Submarinos-Aeródromos (SAe),
os únicos já construídos em toda a história
naval.
Arte japonesa da época
mostrando um Seiran sendo preparado para
ser catapultado da pequena pista de decolagem de um Sen Toku.
Cada SAe desses era capaz de carregar em
absoluta discrição pelo mundo inteiro sob a água
dos oceanos 3 hidroaviões Aichi M6A1 Seiran para
atuarem em seus destinos, como caças-bombardeiros.
Os Seiran podiam percorrer longas distâncias para bombardear
alvos em absoluta surpresa, deixando os inimigos estarrecidos, e jogar
torpedos aéreos contra cobiçados alvos navais a
distâncias de até
12.000 m.
Era um alcance fabuloso para torpedos da época, visto que o
melhor dos americanos não tinha sequer metade desse alcance. A
ameaçadora existência dos Sen Toku e seus Seiran era
desconhecida da inteligência aliada.
Caça-bombardeiro Aichi
M6A1 Seiran (Tormenta Vinda
de um Céu Claro) da Marinha Imperial
Japonesa.
Os SAes também carregavam
torpedos para combate de curto alcance e foram projetados para emergir,
lançar as aeronaves e mergulhar outra vez, rapidamente, antes
que fossem descobertos.
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foto abaixo para ampliação)
Sen Toku I-400 com a catapulta de vante e pequena pista
de decolagem.
A US Navy jamais iria reconhecer que um
dia os japoneses tenham estado em um estágio tão mais
avançado que ela em diversos aspectos, desde o desenvolvimento
de submarinos até as armas subaquáticas empregadas por
eles.
Produção em série de
mini-submarinos japoneses na GM-II.
Como exemplo, a Marinha Imperial Japonesa
usava à época os torpedos mais
eficazes do mundo, o Tipo 95.
Enquanto os torpedos americanos tinham um
alcance de 5.500 m, o Tipo 95 já chegava a 12.000 m viajando a
45 nós.
Durante a GM-II, o Japão chegou a ter 30 classes diferentes de
submarinos - desde os tradicionais suicidas Kamikazes de um só
tripulante até a grandiosa Classe I-400 de
Submarinos-Aeródromos. Na
época, os Kamikazes valiam-se de meios que variavam desde
aviões, passando por submarinos e chegando até mesmo aos
incríveis mísseis
humanos.
Poucos sabem hoje que, dos 56 submarinos com mais de 3.000 ton
construídos no mundo na época da GM-II, 52 haviam sido
japoneses.
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Porta do
hangar e a catapulta do Sen Toku I-400
para o caça-bombardeiro M6A1 Seiran
(tempestade de um céu desobstruído).
Enquanto o Japão
construía muitos submarinos maiores que os das outras Marinhas,
os 3 SAes Sen Toku que foram construídos eram bem maiores que
qualquer coisa jamais vista antes. A tradução para Sen
Toku é "Submarino Secreto de Ataque".
Eles tinham 2 vezes mais alcance que o maior submarino americano
daquela época, o USS Argonaut, e eram 60 % maiores que ele.
Rara foto da
unidade I-401 na superfície.
Ver um Seiran sendo guindado para bordo.
O I-400 estava décadas à
frente de seu tempo. Era o maior submarino do mundo, com um comprimento
de 120 m e um peso submerso de 6.560 ton. Ele tinha uma velocidade de
cruzeiro de 18,7 nós na superfície e levava
144 tripulantes. Seu limite de
mergulho era de 100 m de profundidade.
Acima de seu deque principal, existia um hangar para os 3
bombardeiros-torpedeiros Aichi, o qual media 35 m (115
pés) de comprimento, e
tinha o diâmetro de 3,7 m (12 pés).
As aeronaves eram empurradas para fora do hangar através de uma
porta hidráulica maciça para dentro de uma catapulta
pneumática de 25,9 m (85 pés).
Impressionante visão da
catapulta pneumática de
25,9 m a partir da ponte de comando.
Ali os
caças-bombardeiros Aichi M6A1 Seiran eram equipados
para o vôo, sendo
abastecidos, armados, e lançados. No retorno, eles pousavam ao
lado do SAe e eram então levantados de volta para bordo com um
poderoso guindaste hidráulico.
O I-400 era equipado com um snorkel, radar, detectores de radar
e espaçosos tanques de combustível que lhe davam um
alcance de 69.500 km (37.500 mn) a 14 nós, que nada mais
é que uma volta e meia pelo mundo. Sua
maquinária era composta por 4 motores
diesel
com 7,700 hp, e motores
elétricos com 2.400 hp.
O Submarino-Aeródromo
japonês era armado com 8 tubos do torpedo, um canhão
calibre 50 de 14 cm (5,5") no
convés, um canhão
anti-aéreo de 25 mm na ponte, e mais 3 torretas triplas do mesmo
armamento sobre o seu hangar.
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Esquema original dos Submarinos da Classe Sen Toku I-400.
A característica mais incomum
era que cada um deles carregava 3 caças-bombardeiros (e
peças para um quarto), um feito nunca alcançado por
qualquer outra classe de submarino na história.
Esses aviões eram dobrados para caberem no
hangar cilíndrico de 35
m de comprimento, que ficava
ligeiramente a estibordo e abria para a frente dando acesso à
catapulta. O enorme casco duplo era formado de cascos
cilíndricos paralelos de modo que tivesse uma peculiar
seção transversal.
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foto abaixo para ampliação)
Pessoal da US
Navy inspecionando abertura
do hangar do I-400 após a guerra.
HIDRO-AVIÃO
AICHI M6A1 SEIRAN
O Aichi M6A1 Seiran, que significa "Tormenta
Vinda de um Céu Claro, era
um hidroavião denominado de Aeronave Especial de Ataque e era
empregado também pelo submarinos
Tipo AM.
Tratava-se de uma classe menor que foi
modificada para carregar somente dois deles.
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foto abaixo para ampliação)
Caça-bombardeiro Aichi
M6A1 Seiran da
Marinha Imperial Japonesa.
(Foto Smithsonian National Air
and Space Museum)
O projetista aeronáutico Toshio
Ozaki confrontou-se com um
desafio ambicioso a partir da
incrível requisição da Marinha
Imperial Japonesa por um avião que pudesse operar
exclusivamente a partir de um submarino.
Era exigido que se desenvolvesse um avião para
transportar uma bomba de 250 kg (400
libras),
ou então um torpedo aéreo ou uma bomba de 800 kg (1.288
libras), e voar ao menos a 474 km/h (294 mph) com os flutuadores no
lugar, ou 559 km/h (347 mph) sem os flutuadores. Ele precisava levar
ainda uma metralhadora retrátil traseira Type 2 de 12.7 mm.
A Marinha estipulou ainda que, para montar e lançar os 3 M6A1 a
bordo, não requeresse mais de 30 minutos.
Sendo considerado um
caça-bombardeiro de alta performance, o M6A1
tinha um alcance de 1.190 km (642 mn), sendo impulsionado
pelo motor de resfriamento
líquido Atsuta 32 de 1.400 hp, o qual era baseado no
alemão Daimler-Benz DB603.
Sua velocidade máxima era de 475 km/h (295 mph).
Os submarinos Sen Toku
carregaram 4 torpedos aéreos, 3 bombas de 800 kg, e 12 bombas de
250 kg para armar seus 3 aviões.
Os M6A1 tinham seus muitos pontos do
montagem revestidos com pintura fluorescente para facilitar a
montagem no escuro. Desse modo, apenas 4 homens treinados poderiam
preparar um avião para lançamento em 7 minutos.
Eles podiam mesmo ser totalmente montados e novamente desmontados em
questão de minutos, desde as asas até as partes da cauda.
Todos os 3 aviões a bordo de um SAe Sen Toku podiam ser
preparados, armados e lançados em 45 minutos.
O Aichi M6A
Seiran era um hidroavião. Seus
flutuadores restam bem evidentes na foto acima.
Para caber dentro do
hangar cilíndrico com diâmetro de 3,7 m, Ozaki projetou
a asa de modo a rotacionar 90º uma vez que os tripulantes
removessem os dois flutuadores. Após girar as asas, uma equipe
de 4 homens dobrava-as para trás para permanecerem paralelas e
se firmarem de encontro à fuselagem.
O Aichi M6A1 Seiran com as asas
dobradas.
Aproximadamente, 2/3 de cada lado do
estabilizador horizontal dobrava-se também para baixo, do mesmo
modo que o topo do estabilizador vertical. Os tripulantes armazenavam
então os flutuadores e seus pilões de
sustentação em compartimentos separados.
Tudo era feito de de tal maneira que as
dimensões da aeronave ficassem compreendidas pelo diâmetro
da hélice. Quando prontas para decolagem, as aeronaves tinham
uma envergadura de 12,6 m e um comprimento de 11,6 m.
Quando a frota submarina encontrou-se
reduzida com a aproximação do fim da
guerra, a Marinha passou a requerer poucos Seirans; assim, esse
programa
foi encurtado. A Aichi conseguiu construir 28 Seirans (incluindo
protótipos) e 2 treinadores M6A1-K Nanzan.
Um total de 28 M6A1 foram
construídos entre outubro de 1943 e julho de 1945 por Aichi
Kokuki K. K., em Eitoku, incluindo os 2 treinadores M6A1-K
Nanzan.
SEIRANS
CONSTRUÍDOS
QUANT
|
TIPO
|
ÉPOCA
|
06
|
Protótipo
|
Outubro
1943 - Outubro 1944
|
20
|
Produção
|
Outubro
1944 - Julho 1945
|
02
|
Treinador
|
1945
|
Aeronave de treinamento M6A1-K
Nanzan.
Somente o Seiran de número de
série 28 foi recuperado entre os restos da fábrica da
Aichi, em 1962. Ficou até 1989 sendo depenado por colecionadores
de souvenirs e desgastado pelo tempo, quando começaram os
trabalhos de restauração.
Contudo, a equipe conseguiu reconstruí-lo com absoluta acuidade.
Todos os outros haviam sido afundados pelas tripulações
dos SAes antes da rendição japonesa.
O Seiran de número de
série 28 antes de ser recuperado
ficou exposto ao tempo nos EUA entre 1962 e 1989.
Esse Seiran somente foi inteiramente
restaurado em 2000 e encontra-se disposto ao público no Paul E. GARBER
National Air and Space Museum, em
Washington, D.C.
(Clique na
foto abaixo para ampliação)
Caça-bombardeiro Aichi
M6A1 Seiran restaurado.
(Foto Smithsonian National Air
and Space Museum)
A SAGA DA CLASSE SEN TOKU I-400
O primeiro I-400 foi terminado em 30 de dezembro de
1944, e o I-401 foi concluído uma semana mais tarde.
Porém, o I-402 precisou ser convertido em um submarino tanque,
para o difícil transporte de combustível ao Japão.
Enquanto isso, os trabalhos com os submarinos I-404 e I-405 estavam
sendo terminados.
Para sua primeira missão, o Vice-Almirante
Jisaburo Ozawa, vice-chefe do Comando
Geral da Marinha, selecionou a Operação PX, um
terrível plano secreto para usar 10 aeronaves com o objetivo de
desencadear uma guerra bacteriológica em áreas populosas
da costa oeste dos EUA e das ilhas do Havaí, no Oceano
Pacífico.
Ratos e insetos infectados seriam jogados para espalhar praga
bubônica, cólera, febre da dengue, tifo, e outras pragas.
O laboratório médico do General Ishii,
em Harbin, na China (Manchúria), já tinha desenvolvido os
agentes virulentos dessa guerra de germes e tinha confirmado
sua extrema letalidade com indefesos prisioneiros chineses e
caucasianos infectados.
Pessoal da US Navy inspecionando o canhão do
Sen Toku I-400.
Em 26 de março de 1945, essa
missão sinistra foi cancelada pelo General Yoshijiro Umezu,
chefe do Comando Geral do Exército, que declarou que "a guerra
dos germes contra os EUA escalaria a guerra contra toda a humanidade".
Como uma alternativa, o Comando considerou o bombardeio de São
Francisco, Panamá, Washington ou Nova York, e decidiu
lançar um ataque aéreo surpresa contra
as eclusas do Canal do Panamá. Com as explosões,
o artificial Lago Gatun
seria esvaziado, o que obstruiria a passagem de
navios por vários meses. Este seria um dos mais ambiciosos alvos
estratégicos da época.
A Marinha Imperial organizou então a 1ª
Flotilha Submarina e o 631º Corpo Aero Naval. Essa força
combinada consistia dos SAes I-400 e I-401, mais dois submarinos da
classe AM, o I-13 e o I-14, e levava 10 caças-bombardeiros
Seiran.
Os estrategistas da Marinha Imperial escolheram 10
Seirans para golpear as eclusas juntas ao Lago Gatun com 6 torpedos e 4
bombas. Os pilotos estudaram um modelo em grande escala de todo o
sistema e memorizaram características importantes do canal,
justamente como seus predecessores de Pearl Harbor fizeram antes do
famoso ataque aéreo que colocou os EUA na GM-II.
Surpreendentemente, antes que o ataque pudesse ser lançado da
base naval japonesa em Maizuru, os japoneses souberam que os
aliados preparavam-se para um assalto às suas quatro ilhas
principais.
A missão teve que ser mudada na última hora para atacar a
frota americana na base naval aliada do Atol de Ulithi, onde a
invasão estava sendo montada.
Em 25 de junho de 1945, foram recebidas as ordens para a
operação Hikari. Esse plano requeria 6 Seirans e 4
aviões de reconhecimento Nakajima C6N1 MYRT. O I-13 e o I-14
carregariam 2 MYRTs cada um até a ilha de Truk.
Nakajima C6N1 MYRT.
Os pilotos dos 4 MYRT decolariam da
ilha e vigiariam a frota americana em Ulithi, repassando as
informações dos alvos navais aos pilotos dos Seiran.
Na seqüência, os 6 Seirans realizariam os ataques kamikazes
sobre os navios-aeródromos e os navios de transportes de tropas
mais importantes dos EUA no Pacífico, o que levaria ao fracasso
da invasão sendo preparada.
Entretanto, por um capricho da história, antes
que isso pudesse ocorrer o Imperador Hirohito anunciou a
rendição do Japão, em dramático discurso no
Palácio
Imperial, em 15 de agosto de 1945.
(Clique na
foto abaixo para ampliação)
Os Sen Toku eram verdadeiros
Submarinos-Aeródromos (SAe),
os únicos já construídos em toda a
história. Foto
de um ao
lado do navio de apoio USS Proteus
após a guerra.
Todas as unidades, incluindo os I-400 e
I-401, conseqüentemente, retornaram ao Japão e renderam-se
aos aliados.
O I-402 havia sido convertido para carregar precioso
combustível ao Japão, vindo das Índias Orientais,
mas nunca executou tal missão. Com a
rendição,
os americanos levaram-no para a Baía de
Sasebo, ao norte de Nagasaki, onde
foi examinado, e finalmente posto
a pique.
Isso ocorreu porque, quando o submarino ainda estava ali, os americanos
receberam uma mensagem dizendo que os soviéticos tinham enviado
uma equipe de cientistas em inspeção para
examiná-lo, tudo sob os termos do tratado que encerrara a
guerra. A fim de
manter essa tecnologia fora das mãos dos soviéticos,
é que foi instituída a
operação
"Fim de Estrada".
O I-402 foi levado até uma
posição designada
"Ponto Profundo Seis", 60 km a oeste de Nagasaki e próximo
à ilha de Goto-Rettō. Lá, foi recheado com cargas de
explosivo C-2 e destruído junto a outros submarinos.
Após a guerra, os 2 SAes I-400 e
I-401 foram levados para Pearl Harbor e posteriormente afundados por
torpedos do submarino americano USS Cabezon, dado o
mesmo problema russo, clara evidência do início da Guerra
Fria, a qual seguiria até 1989, com o fim da URSS. A
redescoberta do I-400 só aconteceu em 2009.
VÍDEO -
DISCOVERED WWII HIGH TECH SUBMARINES - IMPERIAL JAPANESE NAVY I-201
(SENTAKA) & I-400 (SENTOKU) (04:59 MIN)
A
construção de dois barcos adicionais deste projeto, os
I-404 e I-405, foi paralisada antes da conclusão, embora o I-404
estivesse 90 % completo. Mais 13 submarinos adicionais foram cancelados
antes que a construção sequer começasse.