O DEFESA BR é uma
SIMULAÇÃO de tudo que o Brasil
poderia fazer para manter
a soberania sobre suas
riquezas
das Amazônias Verde e Azul com um
conservador
Orçamento de Defesa de 1 % do PIB.
INTRODUÇÃO
Dentre as
iniciativas nacionais na área de Pesquisa Científica
e Desenvolvimento
Tecnológico, uma
novidade bastante animadora poderá ser
revolucionária para a aviação e para a área
espacial
de lançamento de satélites, como hoje as conhecemos.
Trata-se de uma AERONAVE HIPERSÔNICA
conhecida como 14-X com motor SCRAMJET
(contração de Supersonic Combustion Ramjet), ambos
totalmente brasileiros.
São projetos de interesse do
Comando da Aeronáutica (Hipervelocidade e Propulsão com
Ar Aspirado) e do Programa Espacial Brasileiro (Veículo
Lançador de Satélites - VLS e Satélite
Recuperável Atmosférico – SARA).
Tudo acontece graças ao
contínuo apoio da FAPESP aos esforços do Departamento
de Ciência e
Tecnologia Aeroespacial (DCTA) em demonstrar a viabilidade da
construção
de veículos
capazes de voar acima de 6
vezes a
velocidade
do som, em vôo hipersônico. O 14-X será
capaz de atingir dez vezes a velocidade do som (mais de 11.000 km/h).
O que se almeja para o futuro é a
construção
de um avião hipersônico
capaz de dar a volta ao planeta em poucas horas sem precisar queimar
combustível
fóssil.
Ele utilizará o próprio ar atmosférico como
oxidante, ou seja, para a queima do hidrogênio
líquido (combustível). E só levará o
oxigênio necessário para a queima do combustível no
trajeto fora da atmosfera terrestre.
O MOTOR
HIPERSÔNICO
brasileiro já existe e está sendo testado no novo TÚNEL DE
VENTO HIPERSÔNICO PULSADO (T3) do DCTA.
O 14X HIPERSÔNICO
A nave brasileira hipersônica com
a tecnologia de
propulsão com ar aspirado já existe hoje além do
papel. Será um
veículo aéreo não-tripulado (VANT) com
objetivo de colocar
satélites em órbita.
Tendo sido batizado de 14-X,
tal nave deveria voar até 2010, mas atrasos fizerama FAB mudar
o ano para 2012 e depois 2013.
Trata-se de óbvia referência ao 14 Bis de
Santos Dumont, o primeiro avião da história. A
concepção do 14-X é de autoria do
mestrando
1º Tenente Tiago Cavalcanti Rolim, que se
formou no ITA em 2005. Mas ele nasceu mesmo como projeto em
2007, quando o já capitão-engenheiro Rolim iniciou
mestrado no ITA e foi aprovado com uma tese
sobre a configuração "waverider".
No segundo semestre de
2007, o Instituto de
Estudos Avançados (IEAv) deu
início aos testes com um modelo
experimental
reduzido do 14-X.
Trata-se de uma aeronave com 80 cm de comprimento, construída em
aço inoxidável, que é equipada com sensores de
pressão, fluxo de calor e força para uma série de
testes
no T3.
Modelo de 80 cm do 14-X
Hipersônico
em ensaio de vento no T3.
(Foto FAB)
Os testes em túnel de vento
simulam as condições de vôo do modelo experimental
reduzido,
sobre o qual são instalados sensores de pressão e
temperatura para registro dos dados. Uma câmera filmadora de alta
velocidade -
dois milhões de quadros por segundo - permite a
visualização
do escoamento de ar sobre a fuselagem.
Demonstração de
ensaio
de vento do modelo do 14-X no
T3 ao Comandante Juniti Saito, em 2 de junho de 2008.
(Foto FAB)
A etapa seguinte será a
construção do modelo de vôo. Será uma
aeronave com 2,5 m de comprimento e cerca de 300 quilos de peso. Ela
será lançada por um foguete
até atingir o ponto de combustão hipersônica. Isso
porque o motor não terá capacidade de
aceleração a partir de zero.
O lançamento do 14-X poderá ser feito por um foguete de
sondagem VS-40 ou um
foguete
do tipo do Pegasus, que colocou em órbita os satélites
SCD-1 e SCD-2, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Foguete de sondagem VS-40.
O motor do 14X não
será uma peça à
parte, como é habitual hoje. Ele só funcionará
integrado à aeronave. Os
testes desse motor hipersônico tiveram
início em outubro de 2009.
A nave como um todo puxa o ar
da
atmosfera para a queima do combustível pelo motor. Com isso, o
14-X será uma formidável plataforma de testes para
conceitos inovadores.
Durante o vôo, o ar é comprimido pela
própria
geometria
e velocidade do veículo e é direcionado para uma
câmara
na parte inferior do avião, onde também é injetado
gás
hidrogênio, que entra em combustão supersônica.
A
previsão
é que o 14-X seja lançado de um foguete brasileiro em
2013 ou 2014.
Isso porque o motor precisa de um impulso inicial até que atinja
o
ponto de combustão.
(Clique na arte para ampliação)
O 14-X
Hipersônico visto de perfil.
Outra
tecnologia de ponta que está sendo utilizada no projeto do 14-X
é o conceito "waverider", responsável pela
sustentação da aeronave, através da
formação de uma onde de choque na parte inferior do
veículo. A tecnologia waverider confere alta razão de
planeio ao veículo, que voa mais longe com a mesma quantidade de
combustível.
A aeronave usa ondas de choque criadas pelo voo
hipersônico
para ampliar a sustentação. É como se, ao nadar,
um surfista gerasse a
onda na qual irá deslizar.
Seu primeiro teste em voo,
ainda sem a separação do foguete utilizado para a
aceleração inicial, deverá ocorrer em 2013.
Em seguida, a Força Aérea Brasileira planeja outros dois
experimentos: um com acionamento dos motores scramjet, mas com a
aeronave ainda acoplada, e outro com funcionamento total, quando a
velocidade máxima deve ser atingida.
O grande desafio no desenvolvimento da tecnologia de altíssimas
velocidades é a construção dos motores scramjet.
Um engenheiro ligado ao projeto compara a dificuldade de ligar tais
propulsores a "acender uma vela no meio de um furacão".
O foguete gerará o movimento inicial
e fornecerá o fôlego necessário ao 14-X, cujos
propulsores scramjet serão então acionados a mais de
7.000 km/h. Daí ele será capaz de chegar ao
limite de até dez vezes a velocidade do som ou mais de 11.000
km/h.
Esse será o caminho eficiente de acesso ao espaço em um
futuro próximo. As aplicações práticas
vão além do lançamento de satélites ou dos
voos suborbitais.
O 14-X
Hipersônico.
TECNOLOGIA WAVERIDER
A tecnologia waverider proporciona sustentação utilizando
onda de choque, formada durante o voo
supersônico/hipersônico na atmosfera terrestre, originada
no bordo de ataque e colada no intradorso do veículo, gerando
uma região de alta pressão, resultando em alta
sustentação e mínimo arrasto. O ar
atmosférico, pré-comprimido pela onda de choque, que
está compreendida entre a onda de choque e a superfície
(intradorso) do veículo pode ser utilizado em sistema de
propulsão hipersônico aspirado baseado na tecnologia
scramjet.
TECNOLOGIA SCRAMJET
A tecnologia scramjet (supersonic combustion ramjet) faz uso de um
estatoreator (motor aeronáutico aspirado) que não possui
partes móveis e que utiliza ondas de choque, geradas durante o
voo hipersônico (de veículos aeroespaciais), para promover
a compressão e a desaceleração do ar
atmosférico. Imediatamente anterior ou na entrada da
câmara de combustão, combustível é injetado
e misturado com oxigênio existente no ar atmosférico.
Como a mistura entra na câmara de combustão em velocidade
supersônica, o processo de combustão se dá em
regime supersônico, denominada de combustão
supersônica, conseqüentemente tecnologia scramjet. O produto
da combustão é expelido na região de
exaustão (expansão).
BRASIL E O MUNDO
Com
tudo isso, o Brasil está tendo a oportunidade inédita de
seguir na dianteira de uma
linha de pesquisa avançada em um momento estratégico,
pois nenhum
país no mundo domina ainda a tecnologia dos motores
hipersônicos. Os
outros
países que buscam dominar
essa tecnologia são os EUA, Japão, Austrália e
Rússia.
Em 2004 a Nasa quebrou o recorde de
velocidade para uma aeronave com o modelo X-43A, que em apenas dez
segundos atingiu 10 mil km por hora, algo próximo a Mach 10 (10
vezes a velocidade do som). Essa
velocidade
hipersônica foi obtida por meio de motores do tipo scramjet
ou motores a propulsão aspirada.
Em continuidade a esse
programa, batizado de
Hyperx, a Nasa e a Boeing estão desenvolvendo o veículo
hipersônico
X-51. Os EUA pretendem usar essa
tecnologia em mísseis intercontinentais.
O australiano HyShot atingiu altitude de 300 km em trajetória
vertical, através do foguete Terrier-Orion. No voo descendente,
o veículo da Universidade de Queensland alcançou cerca de
35 km de altitude e Mach 7.6.
Entre os civis, a esperança é
de que o voo hipersônico possa se tornar uma realidade em viagens
turísticas. Ir de São Paulo a Londres em apenas uma hora
não seria nada
mal.
A
REVOLUÇÃO DE UM TANQUE A MENOS
Uma revolução na área espacial precisa ser
ressaltada. Atualmente, nos
métodos de lançamento convencionais, os veículos
lançadores utilizam motores-foguete, que carregam tanto o
combustível como o oxidante.
Os veículos espaciais precisam levar um tanque de
combustível e outro de oxidante (a substância que faz com
que o combustível queime, como o hidrogênio). A
revolução será o uso de um tanque a menos.
Os experimentos permitirão o desenvolvimento de veículos
lançadores de satélites que utilizem sistemas de
propulsão com AR ASPIRADO,
que é uma tecnologia ainda inexistente no mundo. Na
propulsão com ar aspirado, carrega-se apenas o
combustível. O oxidante passa a ser o oxigênio do ar
atmosférico.
Aeronaves como o 14-X permitirão capturar o ar da própria
atmosfera e utilizá-lo como oxidante. Com um tanque a menos, a
nave ficará mais leve, o espaço para carga útil
aumentará e as viagens serão mais baratas.
Como o peso do oxidante
é maior do que o do próprio combustível, a carga
útil do veículo lançador aumenta, tornando
possível carregar mais satélites. Atualmente,
um satélite não pode passar
de 5 % do peso total de um veículo lançador de
satélites (VLS).