O DEFESA BR simula e propõe um PLANO ESTRATÉGICO DE DEFESA com Pesquisa
Científica e
Desenvolvimento Tecnológico com Inovação,
seguido pela Construção de
Meios Modernos no país, em que sejam
determinados os objetivos, as necessidades e todo
o criterioso caminho a ser percorrido em prazos
de longa duração,
não inferiores a 15 anos.
O primeiro segredo de tal
plano será ter prioridades
em tecnologias para emprego militar,
mas com emprego DUAL ou duplo.
Trata-se
de tecnologias desenvolvidas por e/ou para militares, mas cujos
benefícios também
devem alcançar o setor privado e o cidadão comum, como acontecerá no caso do reator nuclear
sendo desenvolvido pela Marinha para um futuro submarino, que
também servirá a futuras usinas nucleares, como as de
Angra I e II.
Os exemplos modernos mais
conhecidos de sucesso absoluto
em tecnologias de emprego DUAL
são a internet e o
celular. Foram verbas que beneficiaram fortemente os EUA, não
apenas a sua Defesa.
O INPI afirma que os investimentos patenteados que mais
agregam valor (US$ / kg de produto desenvolvido) são os
seguintes :
Defesa (foguetes)
: US$ 200,00 / kg;
Aeronáutico
comercial
: US$ 1.000,00 / kg;
Defesa
(mísseis)
: US$ 2.000,00 / kg;
Aeronáutico
militar
: US$ 2.000,00 a US$ 8.000,00 / kg; e
Espacial
(satélites)
: US$ 50.000,00 / kg.
O segundo segredo (vide João
Verdi) será evitar
as famosas aquisições condicionadas à
transferência de tecnologia, pois nenhuma empresa de Defesa do
mundo irá transferir tecnologia atualizada e de ponta, para um
País dito emergente. Um país que não investe em
seu próprio PD&I
não vai a lugar algum.
O Brasil não
irá a lugar algum apenas pensando
em pequenas aquisições condicionadas à uma
improvável e fantasiosa transferência de
tecnologia. Somente alcançará seus
objetivos
se abrir os olhos para reais parcerias de
desenvolvimento, caminhando aí sim
para obter tecnologia própria no futuro.
CIÊNCIA &
TECNOLOGIA
Nos últimos
anos, vem aumentando consideravelmente a freqüência com que trabalhos
brasileiros de pesquisa científica são aceitos nas mais
prestigiosas revistas especializadas do mundo inteiro.
Análises comparativas sobre a
produção científica entre os vários
países demonstram isso. De acordo com o Instituto de
Informação Científica, o Brasil passou a ocupar em
2006 a 15ª posição mundial no que se refere ao
número de artigos científicos publicados.
Para alcançar essa posição, que corresponde
à publicação em 2006 de 16.872 artigos, o Brasil
conseguiu ultrapassar países com grande tradição na área
científica. como a
Dinamarca, Israel, Suécia e Suíça.
Em 2006, a produção
brasileira
correspondia a quase 2 % de tudo o que é publicado no mundo
em revistas de circulação internacional. Considerando
a taxa atual de crescimento da comunidade científica, em alguns
anos o país poderia vir a ultrapassar a Rússia,
à época ocupando a 14ª posição.
O Brasil contava
com uma comunidade de cerca de 200 mil pessoas rotineiramente
envolvidas com a prática da pesquisa científica e
tecnológica, organizadas em 12 mil grupos, desenvolvendo mais de
40 mil linhas de
investigação e vinculadas a mais de 230
instituições
de ensino e pesquisa.
A produção científica e a capacidade de
formação de pesquisadores dessa comunidade colocavam em
2006 o
país entre as 15 nações que mais
contribuíam
para o acervo universal de conhecimento de qualidade.
Por outro lado, o
Brasil ainda ressentia-se muito de que o avanço de sua
ciência produzisse poucos efeitos
práticos no campo do desenvolvimento tecnológico.
Uma prova disso é que o número de patentes simplesmente
não acompanhava esse
progresso da ciência nacional. Tanto as patentes registradas
localmente quanto as registradas nos EUA eram extremamente
tímidas para o
potencial brasileiro.
As universidades brasileiras
concentravam-se em desenvolver pesquisas para a dita ciência
pura,
não voltadas no primeiro momento a aplicações
práticas, enquanto que as empresas buscavam simplesmente
importar
tecnologias de
outros países, em um movimento prático e imediatista.
Elas não tinham a mínima tradição e
cultura em desenvolver tecnologia, o que era um perigo para o
futuro de uma nação que se pretendia inserida em um mundo
de elevada competição.
Esse era o caminho oposto do que fazem as exigentes empresas
estrangeiras do mundo contemporâneo, que investem local e
fortemente dentro de seus quartéis-generais em ciência
aplicada com grandes laboratórios e cientistas importados de
todo o mundo.
Mesmo com a introdução da Lei de Inovação (10.793/04), com subvenção econômica, e da Lei
do Bem (11.196/05), com incentivos fiscais, ainda
demoraria a haver uma mudança real para o empresariado nacional.
A intenção
foi boa, favoreceu
mesmo a inovação, mas por um bom tempo, só
beneficiou
na prática as grandes empresas
(Ver Financiamento
à Inovação, em pdf).
Ocorreu que o ganho maior (até
32,9 %) só podia ser alcançado pelas empresas optantes
pelo regime de Lucro Real. Ou seja, essas leis só atendia a 6 %
das empresas do país. As demais 94 % podiam se beneficiar de
até 10 %, mas a maioria só se beneficiaria mesmo de 3 %
do investimento em inovação, que era o desconto da
alíquota do
IPI para equipamentos de laboratórios, por exemplo.
Enquanto o Brasil não atingir
uma verdadeira integração entre a pesquisa pura produzida
pelas universidades e a conseqüente aplicação
prática voltada às suas empresas, a
evolução científica brasileira permanecerá
centrada na área acadêmica como um fim, sem
repercussão expressiva na produção
de desenvolvimento tecnológico. Todos continuarão
perdendo com esse descompasso.
Em um mundo competitivo, de pouco
adianta a um país ainda atrasado como o Brasil produzir
ciência que não possa ser transformada em serviços
e produtos
percebidos como valiosos pela sua própria sociedade.
Além de sua inerente tradição, esse pífio
desempenho brasileiro decorre tanto da escassez de estímulos e
de investimentos públicos, quanto da baixa eficácia dos
marcos regulatórios necessários para garantir a
parceria da iniciativa privada.
O desenvolvimento tecnológico
inovador alcançado a partir da ciência deve ser visto como
altamente relevante e reconhecido como uma contribuição
efetiva a uma determinada área e deve até ter um compromisso com o desenvolvimento do
país.
Exige-se cada dia mais uma maior
aproximação com toda a sociedade brasileira e a busca da
inserção definitiva de ciência e tecnologia
na agenda concreta do País, com suas contribuições
na geração de bens e serviços e na
solução dos grandes problemas nacionais.
É premente apostar nessa integração de Pesquisa
Científica e
Desenvolvimento Tecnológico com Inovação para que o Brasil
não deixe de ser em um futuro próximo uma
nação autônoma e independente.