A Força Aérea Brasileira
(FAB), através do DCTA, tem um
interessante objetivo que
compartilha
com a US Air Force, que é criar um motor que não precise
de
combustível, nem de oxidante levados da Terra.
Ressalte-se que o Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA)
passou, a partir do dia 18 de agosto de 2009, a ser denominado
Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).
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arte para ampliação)
As duas Forças
Aéreas vêm desenvolvendo juntas um
mecanismo de propulsão a laser capaz de colocar
satélites de até 50 kg em órbita. A
idéia é criar uma nave
movida a feixes de LASER
de alta energia emitidos do solo. Esses raios aqueceriam o ar em volta
do veículo e o impulsionariam.
O projeto teve início em
2006 e já foram investidos US$ 4 milhões, aproximadamente
R$ 8 milhões até 2009,
provenientes das duas Forças Aéreas, além de
recursos
da Finep e do CNPQ. A previsão é que, para 2010 e 2011,
mais US$ 2 milhões sejam empregados nos estudos e que
primeiro teste de voo seja realizado em 2013.
A ideia de aeronaves e
foguetes se deslocando no espaço através de um feixe de
luz de alta
energia parece ter saído de um filme de
ficção-científica, mas funciona
com base num experimento realizado em 1997.
À
época o professor Leik Myrabo, o primeiro no mundo a fazer voar
um
veículo utilizando a propulsão a laser, que trabalha hoje
em parceria
com o Instituto de Estudos
Avançados (IEAv), fez
um objeto
de 60 gramas subir aproximadamente 100 metros
em um deserto da Califórnia.
VÍDEO
-
FOGUETE A LASER
O trabalho consiste em utilizar
uma base terrestre projetando um feixe de radiação laser
na traseira
do veículo a
ser lançado que, por sua vez, recebe, da parte dianteira, ar
superaquecido. Ao entrar em contato com o laser, as moléculas do
ar superaquecido
explodem,
empurrando o veículo para frente. A fonte de energia é o
próprio ar e a
eletromagnética.
O próximo passo
será unir essa tecnologia com a nuclear, criando-se uma
espécie de propulsão híbrida, que poderá
levar a humanidade a novos caminhos, como o das fendas
espaciais e dos
vôos de dobra, hoje só imagináveis na
ficção científica.
PARCERIA
BRASIL-EUA
A parceria entre Brasil e Estados
Unidos foi batizada de International Beamed Propulsion Research
Collaboration. Ela surgiu em 2000, após uma série de
experiências bem
sucedidas realizadas pelo IEAv sobre o assunto.
(Clique na
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Logotipo do Consórcio.
Já
em dezembro de 2003, foi noticiado que o Instituto de Estudos
Avançados (IEAv),
pertencente ao DCTA,
pela primeira vez no mundo, conseguiu colocar em prática em seu
Túnel T2 a
teoria da redução do arrasto de um veículo
(avião ou foguete) hipersônico por radiação
eletromagnética, utilizando-se o LASER
como fonte de energia.
Já o T3 - TÚNEL DE
VENTO HIPERSÔNICO PULSADO
- é o único túnel
de vento hipersônico do
mundo capaz de fazer experimentos com propulsão a laser.
Enquanto os ventos hipersônicos atingem a nave pela frente, os
raios a atingem pela cauda. É necessário compreender como
essas duas forças "conversam".
Em janeiro de 2007, os
pesquisadores do DCTA
receberam dos americanos dois
importantes lasers de alta potência para aprofundar as pesquisas.
São dois dispositivos que produzem os raios laser de
dióxido de carbono.
Em 2008, os cientistas
conseguiram guiar um feixe de laser no interior de um túnel de
vento
hipersônico, instalado no Laboratório de
Aerotermodinâmica Hipersônica
Professor Henry T. Nagamatsu, do IEAv.
Laboratório de
Aerotermodinâmica Hipersônica
Professor Henry T. Nagamatsu, do IEAv.
(Foto IEAv - DCTA)
O laboratório da
US Air Force (Air Force Research Laboratory) realiza
simultaneamente com os testes e estudos aplicados no Brasil outros
experimentos que vão contribuir para a tecnologia de
propulsão a laser.
PIONEIRISMO MUNDIAL
Os testes de propulsão a laser
realizados no Laboratório de Aerotermodinâmica e
Hipersônica Professor
Henry Nagamatsu, do IEAv, em São José, são os
primeiros no mundo a
aplicar lasers de alta energia em um túnel de vento
hipersônico.
Nos experimentos são simuladas
potências de lasers de até 10 gigawatts, o equivalente
à potência
produzida por 10 milhões de lâmpadas de 100 watts cada, e
velocidade de
até dois quilômetros por segundo.
As ações aplicam algumas das
condições de voo a serem encontradas pelo veículo
na atmosfera, como o
atrito com o ar. Por enquanto, os cientistas realizam
experiências com
um modelo parado dentro do túnel T3, e se concentram na
focalização do
laser na traseira do protótipo.
Os testes estão correspondendo as expectativas do estudo.
Em setembro de 2009, foram aplicados vento e laser,
simultaneamente. Os cientistas queriam assim
entender o fenômeno que acontecia no modelo com o escoamento do
ar, com velocidade aproximada de 2 km por segundo. Foram medidas tanto
pressão como temperatura, para saber se o modelo iria se
comportar dentro do planejado.
VANTAGENS DO LASER
Tal projeto deverá garantir maior custo benefício frente
ao sistema utilizado hoje, com o uso de combutíveis
fósseis, além de reduzir o impacto dos lançamentos
no meio ambiente.
Atualmente, somente 5% do peso
das naves que vão para o espaço é de carga
útil. Isso acontece porque o veículo precisa transportar
também o combustível e o oxidante necessário para
o voo. Com a tecnologia a laser, estima-se que a nave poderá
destinar 50% da sua capacidade ao transporte de carga.
A proposta de abolir o
uso de
combustível, também trará o benefício de a
ajudar a combater o aquecimento global, tornar as
operações de lançamentos mais seguras e baratear
em até 100 vezes o custo da viagem ao espaço. Atualmente,
para se colocar 1 quilo em órbita, custa US$ 20 mil. Com essa
tecnologia, o custo será reduzido para somente US$ 200.
O primeiro voo teste
poderá ser realizado em 2013. Ele não deverá levar
um satélite, talvez um localizador para reduzir riscos
econômicos. Um lançamento de satélite só
será possível entre 2020 e 2025.
Já os voos com seres humanos a bordo somente serão
possíveis quando houver certeza absoluta que a
revolucionária tecnologia é realmente segura.
PROPULSÃO
LASER-ATÔMICA
Já os pesquisadores Dana
Andrews e Roger Lenard desenvolveram o conceito de um novo tipo de
propulsão chamado de MiniMag,
a
sigla de Miniature Magnetic Orion. O projeto Orion original desenvolveu
a idéia de uma nave espacial impulsionada por sucessivas
detonações nucleares.
A propulsão
híbrida Laser-Atômica.
Os pesquisadores juntaram
essa
idéia com a teoria da propulsão a laser, criando um tipo
de propulsão híbrida Laser-Atômica que,
segundo eles,
poderá viabilizar a exploração interestelar a
curto prazo e sem depender de novas descobertas científicas
disruptivas, que possam trazer para a realidade a
utilização de outros caminhos, como as fendas espaciais e
os vôos de dobra.